Em patrulha com o P-3 Orion da US Navy PDF Print E-mail
Saturday, 13 September 2008 13:43

Em missão com o P-3

Voar é sempre um prazer. Voar numa aeronave lendária é melhor ainda. Voar numa missão de patrulha é um presente e tanto.

Após os acertos com a Marinha Americana e a Marinha Brasileira, a ALIDE foi convidada a participar de uma missão de patrulha à bordo de um Lockheed P-3 Orion da US Navy que participou da UNITAS XLIX.

Antes são necessários alguns esclarecimentos sobre o vôo de patrulha. É muito, muito cansativo. São horas e horas de vôo sobre o oceano, e ás vezes sem plotar nenhum alvo, o que torna o vôo maçante. Fica pior quando o vôo é noturno, como foi o nosso caso.

Inicialmente o vôo estava programado para decolar da Base Aérea do Galeão às 20:00 horas, mas para evitar surpresas de última hora, cheguei na base por volta de 16:00 horas e aproveitar e fazer algumas fotos da aeronave e de outras que estivessem no pátio da base. Ao chegar no setor onde se encontravam as aeronaves americanas, vejo um C-130 da FAB, 1 Viking e 1 C-2. Bem afastado, num canto isolado da base, está o P-3.

Passe o mouse sobre as fotos e veja as legendas.
C-130HVikingC-2AP3-C

Nesse momento, chega uma van trazendo parte da tripulação do Orion. Entre eles está uma oficial que é o TACO (Tactical Officer) desta aeronave em particular.

Apresento-me a ele e pergunto se posso tirar fotos da aeronave e ele autoriza sem problemas, pedindo apenas que eu não tire fotos de detalhes da aeronave. Enquanto nos dirigimos faço as perguntas de praxe, sobre como foi o vôo para o Brasil, se era a primeira vez que ele estava aqui e etc. Ele parece ser mais solícito que o resto da tripulação que se mostrou indiferente em alguns momentos do vôo.

A aeronave estava fechada e não tinha ninguém perto. Tiro alguma fotos e acho estranho que uma aeronave de patrulha não tenha nenhuma marcação da unidade à que pertence. O TACO então me convida a entrar na aeronave. A última vez que tinha entrado numa aeronave semelhante foi quando fiz um vôo na ponte-aérea Rio-São Paulo, a bordo de um Electra. Comento isso com um dos membros da tripulação que fica maravilhado com a informação. Digo-lhe que no Youtube ele vai encontrar vídeos do Electra na ponte-aérea Rio-São Paulo.

Dou um pulo na cabine. É um misto de instrumentos, alguns ainda analógicos e outros digitais com alguns monitores com tela de cristal líquido.

O TACO faz um pequeno briefing da aeronave. Não permite que se faça fotos dentro da aeronave usando flash. Não entendo bem o por quê disso, mas não questiono. Afinal sou convidado e com tal tenho que seguir as normas da casa. Vejo a localização de cada setor e o que faz cada tripulante. Um deles, o navegador me explica que apenas os pilotos, os engenheiros de vôo e o TACO são oficiais de carreira. Os outros membros da tripulação são alistados. Isso faz muita diferença, como pude observar mais tarde.

E fico aguardando a hora da decolagem, mas surge um problema quando sou apresentado ao comandante da aeronave: meu nome não está na lista dos convidados. Constam apenas o nome de um oficial naval e de um piloto da FAB e um sargento também da FAB. Meu nome havia sido passado para eles dias antes, eu tinha conhecimento disso, mas não falei nada, achando melhor aguardar. A decolagem estava prevista para ás 20:00 horas. Isso ocorreu por volta de 17horas. Eu só soube que ia decolar na hora da decolagem, que ocorreu por volta de 21:15 horas. Mas houve outro contra-tempo. O comandante da aeronave disse que além do problema sobre o meu nome estar na lista ou não, um politico havia feito um protesto contra a presença dos americanos na cidade. Essas foram às palavras usadas por ele. Fico sem entender bem a situação. Concluo que ele deve estar achando que é coisas de ambientalista. Afinal, até bem pouco tempo atrás, havia um porta-aviões nuclear na Baía de Guanabara. Um senhor americano que estava à paisana, e que fora apresentado como um “oficial de ligação”, comenta comigo que isso nunca havia ocorrido antes e que aquela era a trigésima UNITAS que ele participava. Eu digo a ele que tem sempre um idiota para causar encrenca e ele retruca que isso não é privilégio do Brasil e completa: “We have our shares of jackass, Leo. You can believe”. A gargalhada foi geral.

Ás 21horas o comandante entra no avião e diz: “OK, Leo You will fly with us!” Fico aliviado. Chegar tão perto e ficar de fora por causa de burocracia era o fim.

Autor antes do vôo junto ao P3C

Nessa altura já estávamos dentro do avião. Ele manda fechar a porta e chama todos os tripulantes para o briefing da missão de patrulha que iremos realizar. Quem abre o briefing é ele. Fala do perfil da missão. Procurar embarcações de superfície das Forças Laranjas e em seguida o TACO mostra no mapa a área do exercício e diz que além das embarcações de superfície, há um submarino “inimigo”. Trata-se do S-30 Tupi.

Terminado o briefing operacional, há um sobre segurança da aeronave e o que fazer em caso de emergência. Este foi realizado com particular atenção aos convidados. O TACO me diz após o briefing: “Leo, é lógico que você não memorizou muita coisa, mas não se preocupe. Em caso de emergência algum membro da tripulação vai ajudar vocês”.

Feito isso, ganho um presente especial. O piloto convida-me a ficar na cabine durante a decolagem. Foi sensacional. Às 21:15h taxiamos e decolamos.

Aproximadamente às 21:45h chegamos até a área do exercício e começamos a corrida.

Neste momento, os sistemas de busca da aeronave travam. Todos os monitores ficam apagados. Um dos operadores diz que foi por congelamento. Eu pergunto se pode ter sido ECM. Com um sorriso amarelo ele diz: “Could be”.

A patrulha continua, o vôo é monótono, voar de noite num avião com poucas janelas é muito chato.

Às 21:53h um dos operadores detecta uma plataforma de petróleo e 4 minutos mais tarde captam no FLIR a imagem de uma fragata. Eles ficam meio confusos sem saber se é amiga ou inimiga, apesar de contarem com fotos das embarcações inimigas. Eles ficam em dúvida se é uma Meko 360 ou uma Classe Niterói, apesar do indicativo F-40 aparecer nitidamente no monitor.

Às 22:40h a fragata Bosísio é plotada no radar. Desta hora até 01:35 horas, duas fragatas das Forças Laranjas foram plotadas. Hora de voltar.

O vôo de volta foi mais rápido. Sou convidado para assistir o pouso na cabine e claro que aceito. Na cabine, já sobre a Baía de Guanabara, comento com o engenheiro de vôo que eles precisavam ver aquela paisagem durante o dia e ele diz que já a tinham visto.

O pouso do Orion é um pouco assustador. O piloto só levanta o nariz do avião já próximo à pista. Feito o pouso, a aeronave volta ao mesmo lugar onde estava antes do vôo, isolado num canto da base. Vou até a cabine onde estão os dois engenheiros de vôo e os quatro pilotos, agradeço a cortesia e despeço-me.

Procuro o Tactical Officer e pergunto se ele conseguiu localizar o submarino da Força Laranja e ele com um ar desapontado, diz: “Não, mas este não era o objetivo primário da missão”. Pergunto então porquê ele lançou quase todas as sonobóias. Meio que surpreso pela pergunta ele diz que é rotina.

Minha impressão geral deste vôo e em particular da tripulação é de que eles o fazem de maneira automática. O piloto, o TACO e os dois engenheiros estavam super concentrados na Operação.

O avião em si é ótimo. O Orion pode cobrir grandes distâncias com um custo baixo de operação. A lacuna aberta com a desativação do P-15, começa a ser preenchida.

 

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