IBSAMAR: O Leão, o Tigre e a Onça PDF Print E-mail
Wednesday, 13 August 2008 11:01

 

O ano de 2008 apresentou a primeira ocorrência de um novo exercício naval internacional, a IBSAMAR. IBSA é uma sigla que denota os três países envolvidos nele, Índia, Brasil e África do Sul.  Para marcar esta importante mudança geopolítica a ALIDE foi à Cidade do Cabo na África do Sul para contar essa fascinante aventura.  

Introdução: O “Leão”, o “Tigre” e a “Onça” 

A aproximação entre estes três importantes países desta vez demonstra ser bem mais profunda do que apenas uma associação puramente militar, é uma conjugação que vai desde o plano cultural até industrial e ao comércio internacional. Os três países formam parte do bloco G-5 que reúne junto com China e Rússia países “secundários” no plano global, mas, respondendo por nada menos que 2/3 da população mundial e por boa parte do crescimento econômico mundial atual. A busca de interlocutores num eixo sul-sul não chega a ser novidade para a política externa brasileira, tendo sido um tema presente na política exterior do governo militar do Presidente Geisel entre 1974 e 1979. No entanto, a ainda insipiente capacidade comercial e industrial da maioria dos países, Brasil incluído, fez com que esta iniciativa não tenha prosperado. As fortes transformações geradas com o advento da “Globalização” da década de 90 permitiram que países, até então periféricos, tivessem acesso desimpedido a alguns mercados ocidentais, especialmente para produtos industriais, de grande valor agregado, gerando uma consistente onda de crescimento interno que, por sua vez, consolidou um mercado interno de consumo inserindo estes países no mainstream econômico internacional. Junto com este crescimento houve uma expansão das demandas nacionais por minérios, energia e alimentos que retro-alimentou ainda mais este processo, beneficiando particularmente os países exportadores de commodities como o Brasil, assim como os exportadores de petróleo também.

As duas Classe Niterói atracadas em Capetown
As duas Classe Niterói atracadas em CapetownAs duas Classe Niterói atracadas em Capetown
Light line entre a Amatola e a Independência
Light line entre a Amatola e a IndependênciaLight line entre a Amatola e a Independência
Lançador vertical para SAM Umkhonto parcialmente carregado na Amatola
Lançador vertical para SAM Umkhonto parcialmente carregado na AmatolaLançador vertical para SAM Umkhonto parcialmente carregado na Amatola
Marinheiro da Amatola apanha a retinida lançada pela independência
Marinheiro da Amatola apanha a retinida lançada pela independênciaMarinheiro da Amatola apanha a retinida lançada pela independência
"Acreditamos na distância entre nós..."

Light line entre Amatola e Independência
Light line entre Amatola e IndependênciaLight line entre Amatola e Independência
Antes da chegada das MEKO a SAN dependias exclusivamente destes "Strikecrafts"
Antes da chegada das MEKO a SAN dependias exclusivamente destes Antes da chegada das MEKO a SAN dependias exclusivamente destes
INS Mumbai
INS MumbaiINS Mumbai
HA-1: Primeiro helicóptero da MB a pousar num navio indiano
HA-1: Primeiro helicóptero da MB a pousar num navio indianoHA-1: Primeiro helicóptero da MB a pousar num navio indiano
"Águia" faz crossdeck no INS Mumbai
  

De tantos em tantos anos, ao longo da história, todos os países naturalmente passam por mudanças nos seus “papéis” dentro do concerto das nações, como forma de melhor refletir sua atual representatividade econômica e política. Desde o final do século XIX Brasil, Índia e África do Sul já estavam praticamente consolidados como as principais nações de suas respectivas regiões. Uma característica destes períodos de reacomodação é que ele perdura por vários anos até que um novo ciclo de mudanças venha a eclodir. Recentemente com o fim do período da Guerra Fria os três países foram sujeitados a novas mudanças com a abertura de novas oportunidades e novos desafios.

  O Tigre desperta 

A Índia, o segundo país mais populoso do planeta, para além das várias semelhanças, apresenta ainda alguns aspectos evolutivos muito distintos da realidade do Brasil. Sua colonização por diversas potências européias ocorreu a partir do século XVII, mas lá não haviam sociedades primitivas, quase pré-históricas, como aquelas que se encontravam nas Américas. Dezenas de reinos, rigidamente estruturados com desenvolvimento literário, científico e matemático relevante em muitas ocasiões superavam os conhecimentos dos próprios europeus. No entanto a forte pulverização do poder no subcontinente indiano, associado às suas centenas de línguas, culturas e etnias diferentes, fizeram com que esta parte do mundo se visse permanentemente imerso em conflitos internos que só alcançariam algum semblante de estabilidade com o advento do Raj britânico, entre 1858 e 1947. Curiosamente, coube aos ingleses dar aos indianos e paquistaneses uma língua neutra em comum e um sentido de nações modernas no formato europeu. No pós guerra, o colonialismo não tinha mais lugar no mundo moderno e, em 1947, nasceram de dentro da “Jóia da Coroa”, do Império Britânico simultaneamente, a Índia, um novo país, primariamente hindu, e o Paquistão, que por sua vez era essencialmente muçulmano. Nas décadas seguintes, estes dois países seriam palco para três grandes guerras (1947, 1965 e 1971) além de uma crise persistente revolvendo ao redor da disputa pela posse dos estados fronteiriços de Jammu e Caxemira.

No convôo gigante do Mumbai
No convôo gigante do MumbaiNo convôo gigante do Mumbai
Como se diz "apeado" em inglês indiano?
Como se diz Como se diz
O Mumbai visto de perto
O Mumbai visto de pertoO Mumbai visto de perto
Voando sobre a proa do Mumbai
Voando sobre a proa do MumbaiVoando sobre a proa do Mumbai
Mumbai
MumbaiMumbai

Mumbai
MumbaiMumbai
Por do sol com Mumbai, Amatola, Independência e Drakensberg
Por do sol com Mumbai, Amatola, Independência e DrakensbergPor do sol com Mumbai, Amatola, Independência e Drakensberg
"C8" o código de convôo do Mumbai
Mumbai
MumbaiMumbai
Proa do Mumbai
Proa do MumbaiProa do Mumbai

Mumbai de frente
Mumbai de frenteMumbai de frente
Aproximando para crossdeck na Isandlwana
Aproximando para crossdeck na IsandlwanaAproximando para crossdeck na Isandlwana
SAS Isandlwana
SAS IsandlwanaSAS Isandlwana
SAS Isandlwana
SAS IsandlwanaSAS Isandlwana
SAS Isandlwana
SAS Isandlwana  SAS Isandlwana

Em 1998 a Índia retomou publicamente seu programa de armas atômicas, congelado desde o teste do primeiro artefato nuclear em 1974. No dia 11 de maio de 1998, três artefatos foram explodidos e dois dias depois foram seguidos por dois outros. O Paquistão reagiu imediatamente e, apenas 15 dias depois do último teste indiano, detonou cinco bombas atômicas próprias, no centro de Chagai. A reação ocidental de colocar ambos os países imediatamente num embargo gerou muita frustração, desconforto e desconfiança na Índia sobre sua relação com o ocidente dali para frente. No plano militar, as guerras e o estado de guerra entre a Índia e seu vizinho fizeram com que, desde a independênci,a as forças armadas nacionais tenham recebido aportes significativos formando forças modernas e bem equipados. Cientes do risco de embargos, a política militar indiana sempre foi a de ter, pelo menos, dois fornecedores para qualquer sistema bélico.

Na força de caças, tipos ingleses como o Hawker Hunter, eram operados ao lado dos MiG-21 russos fabricados localmente na empresa Hindustan Aeronautics Ltd. (HAL). Na geração seguinte este projeto industrial-militar continuou, com aeronaves de ataque MiG-27 sendo produzidas simultaneamente com os SAPECAT Jaguar nas fábricas da HAL. Na Marinha, fragatas Type 16, derivadas do projeto inglês Leander, foram equipados com sistemas e armamentos de origem russa ocidental e indiana, aumentando sua letalidade. Era claro que os indianos haviam já escolhido seu expertise na industria militar global: a integração de sistemas e armas. Combinando “o melhor de dois mundos”, as forças militares indianas conseguiram, ao mesmo tempo, a tecnologia mais moderna do ocidente, conjugada com os baixos custos e a robustez dos produtos russos.

SAS Isandlwana, Independência e SAS Drakensberg
SAS Isandlwana, Independência e SAS Drakensberg  SAS Isandlwana, Independência e SAS Drakensberg
Apeadores sul-africanos no convôo da SAS Isandlwana
Apeadores sul-africanos no convôo da SAS Isandlwana  Apeadores sul-africanos no convôo da SAS Isandlwana
"Helicóptero apeado"!
Decolando da SAS Isandlwana
Decolando da SAS Isandlwana  Decolando da SAS Isandlwana
SAS Isandlwana
SAS Isandlwana  SAS Isandlwana

SAS Isandlwana
SAS Isandlwana  SAS Isandlwana
SAS Isandlwana no por do sol
SAS Isandlwana no por do solSAS Isandlwana no por do sol
Retornando para a "FIndep"
Retornando para a Retornando para a
Fragata Independência
Fragata IndependênciaFragata Independência
Fragata Independência
Fragata Independência Fragata Independência
  

Embora a Indian Navy seja uma das herdeiras diretas da mais tradicional marinha do mundo, a Royal Navy, eles ainda se consideram uma marinha “nova”, umas vez que o país só se tornou independente em 1947. Curiosamente o CF Kumar, comandante do Mumbai, declarou que eles “sentem que tem muito a aprender de marinhas mais tradicionais como a brasileira”, existente desde 1822.

Para superar esta sua auto percebida “falta de tradição”, a Marinha Indiana atualmente está engajada em um grande número de exercícios multinacionais que lhes permitirão reavaliar suas doutrinas e procedimentos operacionais, preparando-os para as novas exigências militares do século XXI. Nas palavras do Comandante Kumar, “esta é a política de engajamento construtivo adotada pela sua marinha”. Com a US Navy, os indianos realizam anualmente o exercício Malabar, com os britânicos a operação é chamada de Konkan,  interação com a Marinha da França leva o nome de Varuna, aquela com os russos é Indra, com a marinha de Cingapura é chamada de Sinbex e a com as forças marítimas de Oman, leva o nome exótico de “Tammer Al Tyyip”.

A IBSAMAR, ao se juntar a todos estes eventos listados acima, passa a ser mais uma oportunidade para compartilhamento internacional de procedimentos operacionais e doutrina. Através destes exercícios, os indianos visam explorar todas as oportunidades regionais que agora se abrem diante deles. O Comandante Kumar lembrou que ao “enviar um destróier de primeira linha, como o Mumbai, com suas 6000 toneladas até um local geograficamente tão distante, a Marinha Indiana  dá  um sinal claro da importância que ela percebe no exercício IBSAMAR, e à interação direta com as marinhas sul-africana e brasileira”. Completando, ele dise : “o lado diplomático é sempre a etapa mais difícil. Vencida ela, quando chega a hora das interações no plano militar, nós sempre acharemos uma forma de trabalhar junto pois somos todos profissionais.

Aproximando para o pouso na Independência
Aproximando para o pouso na IndependênciaAproximando para o pouso na Independência
Aproximando para o pouso na Independência
Aproximando para o pouso na IndependênciaAproximando para o pouso na Independência
Praças indianos na Independência para operação do sistema de comunicação SACU
Praças indianos na Independência para operação do sistema de comunicação SACUPraças indianos na Independência para operação do sistema de comunicação SACU
CMG Onias, comandante do GT brasileiro na chegada a Cape Town
CMG Onias, comandante do GT brasileiro na chegada a Cape TownCMG Onias, comandante do GT brasileiro na chegada a Cape Town
Farol marcando a ponta do quebra-mar na entrada de Cape Town (ponto "C" na carta)
Farol marcando a ponta do quebra-mar na entrada de Cape Town (ponto Farol marcando a ponta do quebra-mar na entrada de Cape Town (ponto

Carta de entrada do porto em Cape Town
Carta de entrada do porto em Cape TownCarta de entrada do porto em Cape Town
Independência prestes a entrar no porto em Cape Town
Independência prestes a entrar no porto em Cape TownIndependência prestes a entrar no porto em Cape Town
O navio antártico S. A. Agulhas fica atracado na entrada do Victoria & Albert Basin
O navio antártico S. A. Agulhas fica atracado na entrada do Victoria & Albert BasinO navio antártico S. A. Agulhas fica atracado na entrada do Victoria & Albert Basin
A Defensora atracou antes para preparar sua recepção ainda na noite de sexta.
A Defensora atracou antes para preparar sua recepção ainda na noite de sexta.A Defensora atracou antes para preparar sua recepção ainda na noite de sexta.
Atracação em Cape Town: Comandante doNavio CFJosé Francisco de Almeida Brandão, o Imediato Cte Leitão e o oficial shiprider indiano no primeiro plano.
Atracação em Cape Town: Comandante doNavio CFJosé Francisco de Almeida Brandão, o Imediato Cte Leitão e o oficial shiprider indiano no primeiro plano.Atracação em Cape Town: Comandante doNavio CFJosé Francisco de Almeida Brandão, o Imediato Cte Leitão e o oficial shiprider indiano no primeiro plano.
   

Kumar lembrou que a Marinha da India se encontra no meio de um programa de re-equipamento muito significativo com nada menos que 36 navios encomendados ou em construção neste momento. Para a força de submarinos, serão seis diesel-elétricos da classe Scorpene, de origem francesa, porém construídos localmente. Outros três destróieres da classe Delhi, mas ainda mais modernizados, além de três outras fragatas da classe Talwar. Entre os navios maiores, se destaca a compra do porta-aviões INS Vikramadithia, o antigo Gorshkov que neste momento passa por uma imensa modernização e modificação na Rússia.

A indústria indiana se aproveita destas encomendas para se firmar como um novo pólo de desenho e construção naval. Já foram exportados navios de patrulha para as nações-arquipélago de Mauritius, Seichelles e Maldivas, e a presença industrial nas feiras navais regionais como a de Langkawi na Malásia é cada dia mais comum. Uma característica importante da industria naval indiana foi sua capacidade de transcender a tradicional de corte e solda da construção naval para entrar na muito mais difícil área de sensores; radares e sonares; integrados em sistemas de combate projetados 100% localmente. Na questão de armamento os russos ainda são a sua fonte principal. Mas em termos de sistemas de comunicação, de guerra eletrônica e de sistemas de automação de Centros de Operações de Combate (COCs) os indianos já deram grandes passos adiante.

Em termos de helicópteros, a grande maioria dos tipos usados pela Marinha da Índia são de desenho ocidental, mas recentemente foram recebidos os  Kamov Ka-25/28 Hormone para uso nos destróieres da classe Rajput, na função anti-submarino. As três novas fragatas classe Talwar, por sua vez, vieram equipadas com helicópteros-radar Kamov Ka-31 AEW. Em breve, os veteranos Chetak devem ser substituídos pelo novo helicóptero de projeto local, o HAL Drhuv.

O Comandante Ajit Kumar declarou que os indianos tem muito interesse e respeito pela Marinha Chinesa, e que, na sua região, eles são o player a ser estudado e acompanhado. Neste ano, o Mumbai deve cumprir nada menos que 252 dias de mar.

As duas fragatas brasileiras, lado a lado em Cape Town
As duas fragatas brasileiras, lado a lado em Cape TownAs duas fragatas brasileiras, lado a lado em Cape Town
O navio antártico S. A. Agulhas
O navio antártico S. A. AgulhasO navio antártico S. A. Agulhas
Praças aguardam a autorização para deixar o navio em Cape Town
Praças aguardam a autorização para deixar o navio em Cape TownPraças aguardam a autorização para deixar o navio em Cape Town
Defensora com a Independência a contra-bordo
Defensora com a Independência a contra-bordoDefensora com a Independência a contra-bordo
INS Mumbai em Cape Town
INS Mumbai em Cape TownINS Mumbai em Cape Town

Isandlwana exibe suas linhas modernas
Isandlwana exibe suas linhas modernasIsandlwana exibe suas linhas modernas
Terminal transportável do SACU
Terminal transportável do SACUTerminal transportável do SACU
Navios praticamente idênticos, as duas Classe Niterói não ficam necessariamnete na mesma altura devido ao distinto nível dos líquidos nos seus tanques...
Navios praticamente idênticos, as duas Classe Niterói não ficam necessariamnete na mesma altura devido ao distinto nível dos líquidos nos seus tanques.Navios praticamente idênticos, as duas Classe Niterói não ficam necessariamnete na mesma altura devido ao distinto nível dos líquidos nos seus tanques.
O pessoal do DAE do Esquadrão HA-1 na Defensora
O pessoal do DAE do Esquadrão HA-1 na DefensoraO pessoal do DAE do Esquadrão HA-1 na Defensora
Escolta para a saída do porto em Simon's Town
Escolta para a saída do porto em Simon's TownEscolta para a saída do porto em Simon's Town
     

O Destróier da classe Delhi

O INS Mumbai (D62) faz parte da classe mais moderna de contratorpedeiros da Marinha Indiana, a Delhi-Class. Com três navios em operação (INS Delhi, Mysore e Mumbai) e mais três planejados para breve, estes serão os navios mais poderosos daquela marinha nas próximas décadas. Seu principal armamento são os mísseis anti-navio SS-N-25 Uran. O Uran é uma evolução superfície-superfície do míssil anti-navio aero-lançado AS-20 (NSCC: “Kayak”). Por sua semelhança com o míssil americano Harpoon, ele inicialmente ganhou soas ocidentais o apelido de “Harpoonsky” Os classe Delhi complementam e substituem, em parte, os cinco navios anteriores da Classe Rajput.

A Defensora acelera contra o mar batido para assumir a posição avante da Independência na formatura.
A Defensora acelera contra o mar batido para assumir a posição avante da Independência na formatura.A Defensora acelera contra o mar batido para assumir a posição avante da Independência na formatura.
Independência acelera guinando para boreste.
Independência acelera guinando para boreste.Independência acelera guinando para boreste.
Karmuk no leapfrog (ultrapassagem) com a FIndep.
Karmuk no leapfrog (ultrapassagem) com a FIndep.Karmuk no leapfrog (ultrapassagem) com a FIndep.
Karmuk no leapfrog (ultrapassagem) com a FIndep. O mar estava meio pesado para as 1400 toneladas da corveta indiana.
Karmuk no leapfrog (ultrapassagem) com a FIndep. O mar estava meio pesado para as 1400 toneladas da corveta indiana.Karmuk no leapfrog (ultrapassagem) com a FIndep. O mar estava meio pesado para as 1400 toneladas da corveta indiana.
Karmuk sai com a proa da água
Karmuk sai com a proa da águaKarmuk sai com a proa da água

Tripulação na asa do passadiço da Karmuk
Tripulação na asa do passadiço da KarmukTripulação na asa do passadiço da Karmuk
Mumbai, Amatola e Isandlwana balança a baixa leocidade dentro da False Bay (8 nós)
Mumbai, Amatola e Isandlwana balança a baixa leocidade dentro da False Bay (8 nós)Mumbai, Amatola e Isandlwana balança a baixa leocidade dentro da False Bay (8 nós)
Defensora
DefensoraDefensora
Defensora
DefensoraDefensora
Defensora
DefensoraDefensora
 
Defensora
DefensoraDefensora
À ré da coluna: Defensora, INS Karmuk e SAS Galeshewe
À ré da coluna: Defensora, INS Karmuk e SAS GalesheweÀ ré da coluna: Defensora, INS Karmuk e SAS Galeshewe
Amatola e Mumbai
Amatola e MumbaiAmatola e Mumbai
SAS Galeshewe
SAS GalesheweSAS Galeshewe
SAS Galeshewe
SAS GalesheweSAS Galeshewe
    

O Mumbai apresenta um grande convôo com 500m2 na popa com as indicações de orientação para o piloto, inusitadamente, pintadas em cores néon; laranja e verde, além do branco tradicional. O hangar duplo é grande o suficiente para acomodar dois helicópteros Westland (Sikorsky) SH-3, que, na Marinha da Índia, leva o pesado míssil anti-navio Bae Sea Eagle. Esta aeronave, devido ao seu grande peso, é movimentada sobre o convôo usando-se de um sistema sobre trilho com grandes braços metálicos dobráveis. Atualmente, apenas seis navios da frota indiana tem capacidade de acomodar o Sea King nos seus convôos e hangares, os demais operam o HAL Chetak ou outros helicópteros mais leves. O brasão do navio exibe a figura do famoso monumento local, o“Gateway to India” e de um “Ghurab”, um navio típico do século XIX na Índia. Baseado na cidade de mesmo nome, o navio é um dos mais modernos e importantes da Frota Ocidental.

A corveta ASuW Karmuk

Um navio compacto mas de capacidade oceânica, o Karmuk, desde sua partida, no dia 3 de abril, navegou cerca de 6000 milhas náuticas desde sua base, na cidade de Visakhapatnam [GE: 17°42′N 83°15′E] na costa leste da Índia, parando sempre por 3/4 dias para repor combustível e para descansar a tripulação nas Ilhas Maldivas, Mauritius e finalmente na cidade sul-africana de Durban, que não coincidentemente, abriga a maior população de imigrantes indianos naquele país. Durban é uma cidade com clima semelhante ao do Rio de Janeiro, a corrente Agulhas mantendo as suas praias confortavelmente quentes e as areias cheias de banhistas.

O projeto básico da classe 25A é russo, sendo incrementado com muitos elementos de origem indiana. Todos os cascos desta classe são idênticos, mas existe uma grande diferença em termos de armamento e sensores entre os quatro navios desta classe. A classe 25A substituiu as Type 25 agregando armamento mais moderno e sensores mais eficientes.

Da mesma forma que o Mumbai, a principal arma anti-navio da Karmuk são seus 16 mísseis SS-N-25 Uran. Comissionado em 2004 o Karmuk, casco 2042, navio foi o último da sua classe a ser entregue. Segundo o seu imediato, Cte Himadri Bose: “A participação indiana neste navio é vista por toda parte: bombas, sistemas de geração elétrica, sistemas de apoio à Guerra Eletrônica (MAGE – ESM) e principalmente o sistema de combate no COC,  na Marinha Indiana chamado de Action Information Systems – AIS”. Ele continua: “A Índia apresenta vastas áreas costeiras onde navios de menor porte sempre serão necessários, especialmente para a patrulha nas inúmeras ilhas existentes por lá. Diferente da marinha americana que é muito rica, os projetistas russos criaram navios com sistemas que são feitos para serem reparados.” O Karmuk é tripulado por 120 homens dos quais 10 são oficiais.

A Marinha Indiana usa um datalink chamado de “link2” que funcionalmente é bastante parecido com o Link 11 dos americanos. O Link2 pode ser usado sobre conexões UHF, VHF ou via satélite. Para o Cte Bose o datalink “é um caminho para uma compreensão holística do teatro marítimo”. Para usar o seu datalink os indianos criaram um terminal autônomo chamado de SACU, ou Stand Alone Communications Unit. O SACU tem um console robusto e um teclado completo QWERTY pra a inserção de dados. Durante a IBSAMAR os indianos instalaram e operaram um destes terminais foi instalado a bordo de diversos navios estrangeiros, inclusive na fragata Independência, a nau capitânea do GT brasileiro. Dois praças do Mumbai vieram a bordo para operar o equipamento instalado no COC da Força, montado no compartimento existente ao lado do COC do navio.

Em formatura para o Photex
Em formatura para o PhotexEm formatura para o Photex
Um leve sol para o Photex
Um leve sol para o PhotexUm leve sol para o Photex
Karmuk e Isandlwana no Photex
Karmuk e Isandlwana no PhotexKarmuk e Isandlwana no Photex
Karmuk Isandlwana e Defensora na formatura
Karmuk Isandlwana e Defensora na formaturaKarmuk Isandlwana e Defensora na formatura
Os Strikecrafts agora são periféricos à estratégia da SA Navy
Os Strikecrafts agora são periféricos à estratégia da SA NavyOs Strikecrafts agora são periféricos à estratégia da SA Navy

Karmuk Isandlwana e Defensora na formatura
Karmuk Isandlwana e Defensora na formatura Karmuk Isandlwana e Defensora na formatura
HAL Chetak indiano leva o fotógrafo para o Photex
HAL Chetak indiano leva o fotógrafo para o PhotexHAL Chetak indiano leva o fotógrafo para o Photex
HAL Chetak indiano leva o fotógrafo para o Photex
HAL Chetak indiano leva o fotógrafo para o PhotexHAL Chetak indiano leva o fotógrafo para o Photex
Mumbai dentro da False Bay
Mumbai dentro da False BayMumbai dentro da False Bay
Mumbai dentro da False Bay
Mumbai dentro da False Bay Mumbai dentro da False Bay
  
O GPS não substitui a navegação em carta de papel na MB
O GPS não substitui a navegação em carta de papel na MBO GPS não substitui a navegação em carta de papel na MB
A preocupação com a terminologia em inglês na fonia é clara no passadiço da FIndep
A preocupação com a terminologia em inglês na fonia é clara no passadiço da FIndepA preocupação com a terminologia em inglês na fonia é clara no passadiço da FIndep
Mumbai "fumaçando" a baixa velocidade
Mumbai Mumbai
Amatola, Mumbai (fumaçando) e Isandlwana
Amatola, Mumbai (fumaçando) e IsandlwanaAmatola, Mumbai (fumaçando) e Isandlwana
A vista do Gunnex desde o tijupá da FIndep
A vista do Gunnex desde o tijupá da FIndepA vista do Gunnex desde o tijupá da FIndep
  

“Welcome to South Africa”

Os navios indianos chegaram ao seu destino final, a base naval em Simon's Town, na costa do Atlântico, na sexta-feira, 2 de maio, seguidos pela Independência e pela Defensora no mesmo dia. O primeiro fim de semana foi dedicado ao descanso, pois a tarefa de cruzar o Oceano Atlântico e Indico não é tarefa corriqueira, exigindo bastante dos tripulantes. Para escapar de uma área de tempo ruim no Atlântico os navios brasileiros acabaram tendo que fazer um caminho mais longo, passando mais ao norte da rota que seria mais rápida e direta.

Como esta era a primeira vez em que estas três marinhas iriam operar juntas, muitos detalhes ficaram por ser decididos nas reuniões pré-exercício em Simon's Town, na segunda e terça feira. Enquanto os comandantes dos navios e os chefes de departamento se apresentaram e fecharam toda a programação do evento, os técnicos estavam engajados em garantir que os sistemas de rádio estivessem devidamente configurados para permitir a comunicação dos navios no mar.

O sol brilha (finalmente!) sobre o Mumbai
O sol brilha (finalmente!) sobre o MumbaiO sol brilha (finalmente!) sobre o Mumbai
Radar de direção de tiro da FIndep acompanha o alvo flutuante durante o Gunnex
Radar de direção de tiro da FIndep acompanha o alvo flutuante durante o GunnexRadar de direção de tiro da FIndep acompanha o alvo flutuante durante o Gunnex
Uma das MEKO sul-africana desaparece atras da fumaça dos tiros de seus canhões durante Gunnex
Uma das MEKO sul-africana desaparece atras da fumaça dos tiros de seus canhões durante GunnexUma das MEKO sul-africana desaparece atras da fumaça dos tiros de seus canhões durante Gunnex
Coluna navega a baixa velocidade dentro da False Bay
Coluna navega a baixa velocidade dentro da False BayColuna navega a baixa velocidade dentro da False Bay
Coluna navega a baixa velocidade dentro da False Bay
Coluna navega a baixa velocidade dentro da False Bay Coluna navega a baixa velocidade dentro da False Bay

Defensora já se preparando para entrar no porto em Simon's Town ao final da IBSAMAR
Defensora já se preparando para entrar no porto em Simon's Town ao final da IBSAMARDefensora já se preparando para entrar no porto em Simon's Town ao final da IBSAMAR
Isandlwana e Amatola ultrapassam os navios brasileiros
Isandlwana e Amatola ultrapassam os navios brasileirosIsandlwana e Amatola ultrapassam os navios brasileiros
SAS Galeshewe se afasta da coluna para lançar o "Killer Tomato", o alvo do Gunnex
SAS Galeshewe se afasta da coluna para lançar o SAS Galeshewe se afasta da coluna para lançar o
SAS Amatola
SAS AmatolaSAS Amatola
Defensora emoldurada entre as proas da Isandlwana e da Karmuk
Defensora emoldurada entre as proas da Isandlwana e da KarmukDefensora emoldurada entre as proas da Isandlwana e da Karmuk

Mumbai e Isandlwana no porto em Simon's Town antes do início da fase de mar da IBSAMAR
Mumbai e Isandlwana no porto em Simon's Town antes do início da fase de mar da IBSAMARMumbai e Isandlwana no porto em Simon's Town antes do início da fase de mar da IBSAMAR
Defensora atracada em Simon's Town
Defensora atracada em Simon's TownDefensora atracada em Simon's Town
Varredor SAS Umhloti em Simon's Town
Varredor SAS Umhloti em Simon's TownVarredor SAS Umhloti em Simon's Town
Karmuk partindo de Simon's Town para IBSAMAR
Karmuk partindo de Simon's Town para IBSAMARKarmuk partindo de Simon's Town para IBSAMAR
IBSAMAR-Final-1H-206
IBSAMAR-Final-1H-206IBSAMAR-Final-1H-206

IBSAMAR-Final-1H-207
IBSAMAR-Final-1H-207IBSAMAR-Final-1H-207
IBSAMAR-Final-1H-208
IBSAMAR-Final-1H-208IBSAMAR-Final-1H-208
IBSAMAR-Final-1H-209
IBSAMAR-Final-1H-209IBSAMAR-Final-1H-209
IBSAMAR-Final-1H-210
IBSAMAR-Final-1H-210IBSAMAR-Final-1H-210
IBSAMAR-Final-1H-211
IBSAMAR-Final-1H-211IBSAMAR-Final-1H-211
   

Preparando-se para uma viagem mais longa

A grande maioria das comissões dos navios da Marinha do Brasil ocorre ao longo da costa brasileira. Normalmente elas partem do Rio de Janeiro para o norte ou para o sul. Nestas missões, os helicópteros estão sempre ao alcance de aeródromos em terra e os navios estão a no máximo um ou dois dias de algum grande porto. No entanto, quando surge uma missão como a IBSAMAR, o planejamento todo muda, e uma série de precauções específicas tem que ser tomadas antes da partida dos navio da base. Segundo o Imediato da Independência, Cte Leitão, uma missão como essa demanda uma ausência de cerca de 60 dias e por isso muita coisa tem que ser acertada antecipadamente. Um navio militar nunca deixa de ser, essencialmente, um órgão publico flutuante. Assim, existe toda uma burocracia, relatórios, etc que devem ser entregues em datas pré-determinadas e que, ao vencerem durante a viagem, tem que ser preenchidos e entregues, por todos os departamentos, antes da data da partida. Todos os militares a bordo tem que adiantar suas inspeções regulares de saúde, caso estas caiam durante a viagem. O pagamento dos marinheiros tem de ser feito em moeda estrangeira e um extra deve ser providenciado por conta da viagem. Finalmente, todo o municiamento do navio deve ser providenciado. O termo “municiamento” aqui se refere a todos os gêneros que o navio vai demandar, não apenas munição para o armamento. Em viagens de menos de 90 dias, a política é que o navio deixe o porto com cerca de 95% de todo os alimentos que vai consumir, os 5% faltantes são essencialmente itens de horti-fruti que não resistem se estocados por longos prazos. Itens básicos da nossa dieta, como farinha de trigo para a padaria e feijão e arroz, são carregados na partida para cobrir o consumo previsto para toda a viagem.

Numa fragata classe Niterói, com 250 militares embarcados, o consumo de carne alcança cerca de 180 Kg por dia. Nos dias de porto, acontece normalmente uma redução do consumo de alimentos a bordo em cerca de 40%, uma vez que, normalmente, a tripulação acaba deixando o navio para conhecer a nova localidade, realizando algumas refeições fora.

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No caso de medicamentos, também é feito um carregamento extra, superior ao levado normalmente pelo navio em suas viagens mais curtas. Um dentista, que normalmente não faz parte da tripulação normal do navio, é embarcado como precaução de emergências dentárias aproveitando a oportunidade para realizar um programa de profilaxia na tripulação.

Segundo ele, “uma Panamax, como a do ano passado, durou 76 dias. E uma viagem à Índia, não duraria menos que 90 dias. Mas estas viagens estão se tornando mais e mais comuns na Marinha do Brasil. Neste momento, além da IBSAMAR/Atlasur estão ocorrendo várias comissões internacionais importantes na Marinha do Brasil. A Swordfish, com a Fragata Liberal; a Comptuex nos EUA, com a Greenhalgh; além da Unitas e a Espabras na costa do Brasil. Muito em breve haverá também uma Bogatun com a Armada do Chile. Este será um ano bem movimentado.” Em termos de dias de mar, o objetivo declarado da MB é que as fragatas Niterói acumulem uns 80/90 dias por ano, com as Greenhalgh alcançando um pouco menos e as corvetas um pouco mais que isso.”

Longas viagens trazem à baila a questão de comunicações permanentes com o Brasil. No porto, da mesma forma como o navio recebe água fresca, combustível e eletricidade os portos modernos já estão ofertando acesso banda larga por fio. Apenas nestas horas é que é ativada uma rede wireless que permite que os militares possam navegar a Internet para suas necessidades individuais, usando seus lap-tops pessoais. Para o Cte Leitão isto é uma questão de conforto, que a partir de agora, passa a ser garantida aos nossos militares. No mar a Independência conta com uma antena de conexão de voz e dados via satélite na superestrutura à ré. No mar a rede wireless é desligada mas a de serviço, com fio, segue operacional. Até 300 milhas náuticas da costa do Brasil a MB usa os satélites da Embratel e no resto do oceano ela é obrigada a se utilizar dos  serviços da provedora comercial multinacional Intelsat, naturalmente numa banda mais estreita e a custos muito mais salgados. Apenas estes dois fatos restringem o pleno acesso da tripulação à Internet, mas com o tempo isso tende a mudar para melhor.

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Simon's Town

A Base Naval de Simon's Town fica na costa leste da Península do Cabo, de frente para a False Bay. Por terra, a distância da Base Naval até a cidade de Cape Town não passa de 40 Km. Foram os britânicos que em 1806 tomaram a decisão de mover o porto militar de Cape Town para Simon’s Town. Seu objetivo visava encontrar um local protegido para basear o seu South Atlantic Squadron, principalmente durante o inverno. É deste período o quebra-mar artificial que define os limites da Base Naval. Desde então, a infra-estrutura da base tem crescido continuamente. O porto atual de Simon’s Town foi concluído, junto com o dique seco, em 1910. A Base Naval só foi entregue definitivamente pela Royal Navy à Marinha da África do Sul em 1957.

O clima neste canto da África é bem frio, pois a base fica na mesma latitude que Buenos Aires. Mas, diferentemente desta cidade argentina, a área da grande Cape Town não conta com um vasto território seco, como a Patagônia, para temperar as massas polares que vem da Antártica.

Recém-incorporados, os dois submarinos classe U209 estavam na base, o S 101 SAS Manthatisi fora d'água para manutenção, e o S 102 SAS Charlotte Maxeke, atracado num dos piers lateriais píer da bacia interna. A Base de Simon's Town conta com um equipamento Sinchrolift capaz de retirar submarinos e navios menores de dentro d'água, para manutenção sem a necessidade do uso de diques seco. Em frente ao vão do Sinchrolift, existe um “pátio de manobras” sobre trilhos, que permite a movimentação do navio recém erguido e sua colocação num espaço lateral, para  manutenção. Como forma de geração de renda adicional, a infra-estrutura de reparos da base é usada para prestar serviços para navios privados da região.

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Partindo do porto

Até a véspera da partida, havia grandes incertezas ligadas ao desenvolvimento do tempo na região costeira de Cape Town. Se o cenário negro que se delineava nas previsões dos dias anteriores de concretizasse, talvez fosse necessário cancelar a partida dos navios na quarta.

Mas na manhã de quarta a previsão do tempo melhorou e os planos do exercício foram mantidos. Os navios deixaram o pier em Simon's Town na manhã do dia 7 de maio, uma quarta-feira sob um céu carregado de nuvens negras. Foi determinado que a ordem da partida ocorreria por marinha. Os indianos saindo primeiro, seguido dos brasileiros e finalmente os donos da casa. O quadro de meteorologia da Independência informava que a temperatura local estava nos 16 graus centígrados e que à tarde, ela alcançaria modestos 18 graus. Às 8h00 o Mumbai suspendeu levantando uma grossa fumaça negra de suas chaminés, ele foi seguido meia hora depois pelo Karmuk. Às nove, foi a vez da Independência partir, a Defensora desatracando às 9h30. A SAS Amatola (F145) com o Comandante do GT sul-africana a bordo seguiu-se, com a fragata Islandwana (F146) e o navio-logístico Drakensberg (A301) deixando o porto por último. Os primeiros exercícios ocorreram dentro das águas abrigadas da False Bay, uma forma de evitar que o mal tempo que se aproximava da Antártica, dificultasse mais ainda esta primeira edição da IBSAMAR.     

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A False Bay, ainda que nos abrigasse do mal tempo, acabava por criar seu próprio leque de problemas. Especialmente na sua área ao norte, o fundo não é profundo, apresentando inclusive várias ocorrências de cascos submersos que poderiam gerar acidentes sérios. Isso exigiu muita atenção 24hs por dia das equipes que controlavam o passadiço. Nesta primeira fase do exercício os navios ficaram navegando em GT em várias curtas pernadas norte-sul de cerca de 15 milhas náuticas (30 Km), seguidas por um retorno na direção sul-norte e sucessivamente assim por diante. O exercício de trânsito sob ameaça aérea foi realizado com todos os navios em setores cobrindo o Drakensberg que fazia o papel do alvo de maior valor. A aeronave atacante nesta ocasião foi um colorido Pilatus PC-7 MkII, um dos treinadores da Central Flying School da Força Aérea Sul-africana, baseado em Langebaanweg (GE: 32°58'25.24”S 18°10'21.47”E). O “atacante” fez três ataques, vindo de direções diferentes antes de finalmente deixar a área.  

Em outra iniciativa visando a simplicidade neste primeira edição na fonia os navios eram identificados por trigramas mnemônicos, muito mais fáceis de serem compreendidos. Assim a Independência era chamada pelo rádio de “Índia-November-Delta” (IND), o Mumbai, de “Mike-Uniform-Mike” (MUM), e assim por diante.

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Neste exercício estava prevista a participação de um dos submarinos IKL U-209, recém incorporados pela South African Navy, como figurativo inimigo. No entanto, na última hora dificuldades técnicas impediram isso. Especificamente para embarcar neste submarino como shiprider, foi incluído um oficial submarinista no staff do GT brasileiro que, em função disso, acabou por realizar a comissão toda a bordo da Fragata Independência.

Antes de os navios finalmente entrarem no porto de Cape Town, na sexta-feira, o navio Drakensberg se destacou do Grupo Tarefa da IBSAMAR, seguindo direto para o norte para encontrar e escoltar o S103, SAS Queen Modjadji I, o último dos três submarinos U-209/1400 Mod comprados na Alemanha, até Simon’s Town. [http://www.southafrica.info/news/modjadji-220508.htm]

Cape Town

O elemento político deste primeiro exercício foi quase tão importante quanto o opercional. Após dois dias de mar os navios entraram no porto de Cape Town na manhã de sexta-feira dia 9 de maio. Os navios ficaram amarrados no prestigioso Victoria and Albert Waterfront, bem longe do porto comercial localizado mais ao norte. No V&A foram construídos recentemente um grande shopping e um hotel de luxo, se transformando em um dos mais importantes destinos de turismo da cidade. Na noite de sexta feira coube à marinha do Brasil receber representantes das demais marinhas em um cocktail a bordo da Defensora, que por esta razão entrou antes que a Independência no porto.

No sábado foi a vez dos Indianos receberem e no domingo os anfitriões foram os sul-africanos. Estes encontros são importantes ao permitir trocas diretas e até informais entre os oficiais das diversas nações que participam do IBSAMAR. Um ponto parecia ser de concordância universal nas conversas nos cocktails, todos convergiam na idéia de que a interação próxima entre Brasil, África do Sul e Índia acabaria por tornar o Atlântico Sul e o Índico muito mais seguros evitando que haja necessidade futura de intervenção direta por marinhas de potências de outras áreas do globo.

A segunda fase de mar

Na segunda feira às 9:32 a Independência foi o primeiro navio a deixar o porto de Cape Town, seguido pela fragata Defensora, o Karmuk e o Mumbai.

Depois de realizar muitos vôos durante o trânsito para a África uma peça crítica da aeronave deu defeito e acabou  impedir que o Super Lynx voasse na primeira fase da IBSAMAR. Apenas ao chegarem em Cape Town é que o componente enviado do Brasil num vôo comercial foi entregue ao navio. Durante o fim de semana a o pessoal técnico do DAE correu para disponibilizar a aeronave para que assim que deixássemos o porto pudesse ser realizado uma seqüência de pousos e decolagem para servir de qualificação e requalificação de seus pilotos para pouso a bordo  - QRPB.

15:00 segunda feira Leapfrogs com o Karmuk. Nesta primeira ocasião os leapfrogs foram realizados com uma distância maior do que se pratica nas Unitas e Atlasur. Na próxima, as distâncias serão encolhidas progressivamente. O exercício Surfex foi uma experiência curta e simplificada de “free-play” onde a Independência , a Karmuk e uma das fragatas sul-africanas fizeram o papel de “vilão” tendo que atacar os demais navios. Coube ao staff do Comandante Onias, na fragata Independência, comandar as forças “vermelhas”. Para essa missão os oficiais brasileiros enviaram a Karmuk adiantadada emrelação aos demais navios e assim que ela identificou os alvos disparou seus mísseis 16 Oran em rápida sucessão e deixou a área. Em seguida as duas fragatas se aproximaram da zona de conflito para dar os “golpes de misericórdia” nos navios que tivessem sobrevivido ao ataque inicial. Esse é o procedimento militar padrão para uso de lanchas missileiras leves e de corvetas da classe da Karmuk. Os alvos dos vermelhos não tiveram nenhuma chance.

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“Gunnex” e Photoex

Para realizar o Photex, o exercício de manobras para fotografia os navios assumiram às 11h00 de terça feira 13 de maio os navios assumiram a formatura em coluna, melhor conhecida como “Form Uno”. Na frente seguia o Mumbai, seguido por Amatola, Isandlwana, Independência, Defensora, Karmuk, UKS, Galeshewe. O primeiro movimento foi a abertura para as duas laterais das fragatas sul-africanas e dos outros dois navios sul-africanos a ré da coluna. No passo seguinte,as duas fragatas brasileiras se separaram, cada uma indo para uma das posições a ré e do lado exterior da Amatola e Isandlwana. O ultimo passo foi o fechamento da formatura com a movimentação adiante do Karmuk e dos seus dois “alas”. Neste ponto, a distância entre os navios era de 500 jardas, sendo em seguida, reduzida para apenas 200 jardas.  A conclusão do Photex foi a separação da formatura num clássico “starburst”. O helicóptero incumbido de fotografar o exercício foi o Chetak (Aerospatiale Alouette III fabricado na Índia pela HAL) embarcado no INS Mumbai, infelizmente a ALIDE não teve como fazer estas fotos.


Ainda nesta tarde, já novamente dentro da False Bay, foram realizados os dois exercícios de tiro contra alvo no mar. Entre 14h00 e 15h30 foram feitos disparos das baterias principais (Canhão 4,5” no nosso caso) e de 15h30 até 18h00 foram feitos tiros com as baterias secundárias, nos navios brasileiros os Trinity 40mm. O alvo era um flutuador de cor vermelha jocosamente apelidado de “Tomate Assassino” – ou Killer Tomato, em inglês) lançado por outro navio.Na primeira passada a Independência deu quatro tiros certeiros de 4,5“ e na segunda foram disparados 47 tiros de 40mm.

Um auspicioso início

A IBSAMAR concentra três nações com declarada ambição de fazerem parte do Conselho de Segurança das nações Unidas, por isso este evento interessa não apenas os países envolvidos, mas, também a diversos outros, incluindo aí, as grandes potências. A hipótese inicialmente prevista era a de receber a Marinha da Índia, como convidada, dentro de uma Atlasur regular. Mas os próprios indianos solicitaram a criação de um novo exercício naval específico.

O planejamento da Marinha do Brasil previa a participação da fragata Liberal, acompanhada de uma fragata da classe Greenhalgh. Mas a confirmação do exercício Swordfish na Europa, a convite da Marinha de Portugal, alterou os planos com a inserção da Independência e da Defensora nesta comissão. Normalmente, as Atlasur são realizadas com o apoio de um navio tanque, mas com o Marajó em inspeção profunda no AMRJ e o Gastão Motta atendendo a todos os requerimentos, sozinho, foi decidido mandar o Gastão até a metade do Atlântico na companhia das fragatas. Deste ponto ele se destacaria e retornaria ao Rio de Janeiro para poder emendar direto com sua participação da UNITAS XLIX.  Sem um navio tanque, e sem o desejo de reabastecer os navios ao longo da comissão, o planejamento colocou restrições ao uso das turbinas Olympus, usando exclusivamente, os motores diesel do navio como forma de reduzir o consumo de combustível.

O óleo usado nas fragatas da MB é chamado no Brasil de “Mar-C”. Este é essencialmente um óleo diesel marítimo purificado com teor de enxofre e ponto de fulgor precisamente controlados. O Mar-C, na terminologia da OTAN, é conhecido como “F-76”. Apenas em alguns países da Europa e nos EUA é que a Marinha do Brasil encontra um combustível tão puro quanto o da Petrobras. Ao saber que seu navio tomará parte de uma comissão tão importante e com as restrições identificadas acima qualquer comandante desejaria passar o máximo de tempo disponível atracado de maneira a realizar o máximo de reparos pendentes e usar o tempo disponível para reciclar a tripulação na língua inglesa, uma vez que ela é fundamental para permitir a realização da troca de mensagens operacionais durante o exercício. A Defensora ainda estava no seu período de Avaliação Operacional após a realização do seu Mod Frag. Este período se caracteriza pela identificação precisa de todas as capacitações técnicas de cada navio modernizado. Só para se ter uma idéia, a primeira fragata modernizada na ModFrag, a Niterói, ficou um total de dez anos em Avaliação Operacional,


Os exercícios UNITAS e Panamax usam publicações padrão de origem americana e/ou da OTAN. Na IBSAMAR foi decidido usar um conjunto de regras publicado pela OTAN. Na UNITAS são usados o MTP (Multinational Tactical Procedures) e o MXP (para exercícios acima da linha d'água). As diferenças entre cada um deles é muito pequena, variando apenas em alguns detalhes..A Marinha do Brasil, após esta primeira IBSAmar deve propor a criação de um documento de Basic Instructions específico para esse exercício. No Atlasur, já em sua sétima edição, as marinhas participantes já contam com uma OpOrder (Operational Order) que é o documento que se segue ao Basic Instruction.

Questões básicas como estas acima, de procedimentos e de combustível, devem ser elaboradas e resolvidas nas próximas edições do exercício, simplificando cada vez mais a interoperabilidade operacional das três marinhas, independentemente de que lado do Atlântico (ou do Índico) os navios se encontrem.

Conclusão

Segundo o Comandante Onias, comandante do GT brasileiro “os indianos devem pedir para serem os anfitriões da próxima edição da IBSAmar no ano de 2010. Pelo que vimos nestas reuniões, a IBSAMar tem tudo para virar um compromisso regular no calendário de adestramento da Marinha do Brasil. O Comandante do destróier Mumbai, CMG Ajit Kumar disse “estar muito satisfeito com estes primeiros exercícios. A despeito dos poucos dias de mar previstos nesta operação, as três marinhas já chegaram quase ao ponto de atingir a tão desejada interoperabilidade”. IBSAMAR 2008 foi apenas o primeiro passo, muitos outros virão em seguida.

 

Last Updated on Wednesday, 19 November 2008 15:57
 

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