O South African National Military History Museum PDF Print E-mail
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Wednesday, 13 August 2008 11:20

 

 

O Museu Nacional de História Militar da África do Sul

 

Em Johannesburg, bem no meio de um grande parque de belos e bem cuidados gramados, se esconde um diamante entre os museus militares do mundo, o South African National Military History Museum.

 

Introdução

 

O Museu acaba de completar seu 60° aniversário e aparenta claramente o recente investimento para modernizar seu espaço de exibição. A entrada principal é um hall alto onde com grande dignidade se lembra ao visitante o alto custo humano existente nas guerras.

 

Seguindo adiante, se seguem três salões amplos, climatizados e bem iluminados se seguem. O primeiro, apresentando exclusivamente três importantes aviões alemães da 2ª GG: Um Bf 109E, num diorama em escala real do exato estado em que foi encontrado pelas forças sul-africanas, após um pouso de emergência no norte da África. Ao seu lado, um impecável Fock-Wulf Fw190 e um raríssimo Me 262B-1a /U1. Este avião é um dos poucos Me 262 biplaces que receberam o radar no nariz para auxiliar na função de caça noturno nos últimos meses da guerra na Europa. Este é o único sobrevivente de um total apenas 15 células destas fabricadas. Os halls seguintes exibem um Spitfire F.Mk.VIII, com acabamento em metal natural e spinner da hélice pintado de vermelho, um outro Messerschmitt Bf109, e um Hawker Huricane totalmente recuperados. No exterior dos prédios ao redor de uma praça ampla gramada fechada, estão os aviões maiores mais modernos como o Mirage III, o Blackburn Buccaneer, e um Atlas Impala (a versão sul-africana do nosso conhecido Xavante). A coleção de blindados e de artilharia é espetacular. Aqui estão obuseiros da 1ª e da 2ª Grande Guerra. Tanques e artilharia anti-aérea russos capturados na Namíbia e em Angola. Tanques e carros blindados britânicos, italianos e americanos, usados no exército sul-africano, em vários momentos de sua história.

 

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No canto oposto desta área se encontram duas criações locais de grande importância, os obuseiros/canhões de 155mm: G5 (rebocado) e G6 (auto-propelido), fabricados pela empresa Armscor. Estes dois sistemas foram criados a partir de 1977 tendo em vista as lições aprendidas no conflito em Angola. O G6, em especial, com sua estrutura de 36 toneladas e seis rodas, agrega uma grande flexibilidade operacional, sendo capaz de atingir velocidades de até 40km/h sobre terrenos não pavimentados. Este sistema precisa de apenas 60 segundos para se preparar para a tirar e outros trinta segundos para deixar a área após o último tiro. Também no lado de fora se encontra um mini-submarino alemão Molch M391 da Segunda Guerra Mundial com seus dois torpedos carregados externamente. 

 

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Porque um Museu de História Militar?

 

A melhor forma de se entender a África do Sul de hoje em dia é estudar a história de sua formação e constituição como nação independente, e comparar isso com a história do Brasil. A “descoberta”, seja ela através das navegações portuguesas, ou posteriormente com as “bandeiras” e “entradas” foi inegavelmente a temática maior do “nascimento” do Brasil. Ao contrário, na África do Sul, o tema central sempre foi a “guerra”, de todas suas formas e escalas e permutações que consolidou a nação. Por isso a história da nação tem um museu espetacular dedicado quase que exclusivamente à guerra e a seus efeitos na história daquele país.A história moderna da África do Sul começa com a chegada na região do Cabo da Boa Esperança de famílias de colonizadores holandeses, a cidade de Cape Town sendo fundada em 1652. Eles foram para lá para criar e plantar alimentos para vender aos muitos navios holandeses que faziam a rota das índias. Sem este porto seguro para reestocar suas provisões, uma verdadeira escala intermediária, não havia como se chegar à Índias. Nesta primeira fase, a relação entre as tribos africanas e os colonizadores não era muito conflituosa, eles se sentiam “diferentes” mas se toleravam e até realizavam trocas comerciais. Em 1806 a Holanda não teve mais meios militares com os quais manter a posse desta parada tão importante no ponto de vista econômico e acabou sendo conquistado pela Royal Navy.

 

A imigração em massa de famílias britânicas iniciada em 1820 potencializou o atrito entre os imigrantes brancos, os boers (holandeses) acabando por se relocar cada vez mais para o interior do país. Em 1869, descoberta de imensos depósitos de diamantes e de ouro onde hoje fica Johannesburg levou a Coroa Britânica a mover seus exércitos para o interior de forma a impedir que os holandeses efetivasse sua independência do Império ou que na pior das hipóteses comercializassem suas riquezas através das possessões alemães ou portuguesas na África oriental. Deste processo militar nasceu a a Guerra dos Zulus e Guerra dos Boers (1877) que terminou por unificar toda a África do Sul como um novo país sujeito à coroa britânica. Esta guerra ocorreu no mesmo momento histórico da Guerra do Paraguai e da Guerra Civil Americana nos EUA.

 

Diferente do Brasil, que desde 1822 era sede de Império, a África do Sul após a unificação das colônias e repúblicas bôeres na Union of South África foi de 1910 a 1961 uma das mais importantes membros do Império Britânico, aquele em que o sol nunca se punha. Como tal, toda vez que a Grã Bretanha se envolvia em suas guerras coloniais, inevitavelmente os seus súditos sul-africanos ingressavam nas reais forças armadas para defender “Queen and Country (“a rainha e a nação”). A Grande Guerra de 1914 a 1918 fez com que unidades inteiras compostas de sul-africanos fosse estabelecidas e enviadas para a estagnação das planícies sulcadas de trincheiras do leste da França. Se para o Brasil a primeira guerra Mundial foi um fenômeno  “distante” para os sul-africanos, a despeito da imensa distancia que os separavam da Europa, os seus quase 12.500 mortos fez desta foi uma guerra muito mais “real”. Em Londres foi fundado o Imperial War Museum com o propósito explicito de marcar o sacrifício dos soldados do Império Britânico na Grande Guerra. Mas na África do Sul, pouco foi feito para resgatar esta memória.

 

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A Força Aérea Sul Africana foi a segunda a ser formada no mundo como arma independente do Exército e da Marinha em 1º de fevereiro de 1920. Ela seguiu o exemplo da Royal Air Force britânica formada apenas dois anos antes. Com o fim da guerra na Europa, em 1918, o governo da Grã Bretanha, como forma de reduzir seus gastos fixos militares, e ao mesmo tempo para indenizar seus principais domínios (colônias de além mar) pelo esforço de guerra ofereceu a eles um “Royal Gift”. Isto foi uma doação em massa de aeronaves militares, na época o “Imperial Gift foi percebido pelos sul-africanos como uma “Força Aérea Instantânea”, que ao fim formariam o início das forças aéreas destes países. Só a África do Sul recebeu nada menos que 100 aeronaves militares de última geração. O “Gift” para África do Sul consistiu de 48 bombardeiros AIRCO (de Havilland) DH9, 30 treinadores AVRO 504K e 22 caças Royal Aircraft Factory  SE5a. Infelizmente, por estes aeroplanos serem frágeis, e além disso, por serem propensos a acidentes fatais para seus pilotos, acabaram restando poucos deles em museus hoje em dia para contar sua história.

 

Em 1939 o esforço de mobilização de tropas do Commonwealth foi re-iniciado e milhares de sul-africanos se apresentaram para enfrentar o nazismo. O principal teatro onde os sul-africanos operaram com unidades próprias foi o do Norte da África, entre abril de 1941 e maio de 1943. Lá os onze esquadrões da SAAF voaram 33,991 surtidas e destruíram 342 aeronaves inimigas, criando assim vários ases entre os pilotos da SAAF neste processo.

 

Diferentemente dos brasileiros cujo governo se recusou a ir combater na Coréia junto às forças da ONU, a África do Sul mandou o Esquadrão número 2, os “Flying Cheetas”. Eles iniciaram operando 97 P-51D Mustangs doados pelos americanos, eventualmente trocando estes aviões por 22 caças a reação F-86F Sabre.

 

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Nasce um Museu

 

O Marechal de Campo Jan Smuts foi o maior herói militar da história da África do Sul, e seu presidente por duas vezes, membro dos gabinetes de guerra britânicos nas duas guerras ele foi um dos responsáveis diretos pela criação da Royal Air Force britânica. Por isso não é de se estranhar que tenha sido ele que em 1947 conseguiu finalmente criar o Museu Nacional Sul-africano de História Militar, para que nele fosse preservada, para a posteridade, a memória deste imenso sacrifício nacional.

 

As raízes do museu surgiram da pré-existente Biblioteca Nacional de Johannesburg. Os espaços onde hoje estão as aeronaves foram as suas primeiras construções. Em 1976 foi tomada a decisão de se expandir a temática do Museu para abarcar também toda a história das guerras sul-africanas, desde as guerras de formação nacional, até as mais recentes como as Bush Wars em Angola e na Namíbia, durante as décadas de 70 e 80. A rica coleção de peças, uniformes, armas, aeronaves e veículos estavam guardados nas próprias forças armadas nacionais, mas muitas coisas foram doadas por pessoas físicas e por outros museus. Atualmente o acervo do Museu engloba nada menos que 44.000 itens diferentes. Para compor uma exposição recente o Museu trocou uma série de itens, especialmente uniformes militares de época, com o Museu Samora Machel em Moçambique.

 

A equipe do Museu entende que aeronaves históricas de grande valor não deveriam ser expostas ao risco de vôos regulares, pois, basta um pequeno problema no ar para destruir de vez um patrimônio cultural de forma irreparável. No entanto, bem seguros, no solo, alguns dos motores das aeronaves e dos veículos expostos são colocados para operar der tempos em tempos.

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Inicialmente o Museu fazia parte do Departamento Nacional de Artes e Cultura, o que gerava grandes dificuldades orçamentárias. Para atender aos seus objetivos de educar, descrever e preservar a história nacional no alto padrões exigido pelo público moderno o Museu precisava de funcionários especializados e de um espaço adequado.  Desde 1999 o museu foi transferido para a administração do Northern Flagship Institution, órgão do Estado de Gauteng, junto com o Museu de História Cultural e o Museu de História Natural. Com o fim do regime do Apartheid, a própria noção da História do país tem sido completamente reavaliada de maneira a melhor refletir os pontos de vista, muitas vezes conflitantes, de todos os grupos étnicos que formam a nação sul-africana. No atual cenário político interno o governo pós Apartheid necessita apresentar ao povo um novo e muito mais complexo quadro histórico. Os desafios são enormes e os novos tempos empolgantes”. As “Forças de Liberação”, movimentos políticos negros armados que se opuseram ao regime do Apartheid durante os anos 60, 70 e 80, finalmente terão sua história devidamente contada neste Museu. Estes movimentos não eram exércitos tradicionais mas atualmente a maioria dos oficiais generais das forças armadas sul-africanas é composta por vetaranos destes movimentos.

 

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O Museu fica aberto diariamente de segunda a domingo das 9:00 às 16:30, fechando apenas na sexta-feira Santa e no dia de Natal. O custo da entrada é de apenas 22 rand, ou, convertendo, cerca de US$ 1,50. Ele fica localisado na via Erlswold Way, ao norte de Johannesburg no bairro de Saxonwold, bem ao lado do Johannesburg Zoo

 

Um Museu como este não é nada barato de se manter, e a divulgação é chave em aumentar a visitação, que atualmente alcança os 80.000 por ano entre os quais, grupos de alunos de cerca de 162 escolas. Segundo o representante da administração, eles tem acordos com estações de rádio locais e com os canais de televisão para de tanto em tanto tempo lembrarem ao povo da existência do Museu. Adicionalmente o Museu também é usado regularmente para a realização de eventos privados, o que produz uma importante e considerável renda extra. O último evento destes foi uma grande recepção da indústria de matéria de caça esportiva. Caso o leitor tiver apenas um dia para dedicar a uma visita a um museu militar na África do Sul, este será, sem dúvida, o destino imperdível, a despeito da grande qualidade do acervo do Museus da Força Aérea da África do Sul, é só aqui que toda a história deste interessante e complexo país vai se revelar por inteira. Boa viagem!

 

ALIDE gostaria de agradecer o apoio e a colaboração do Adido Naval e de Defesa Brasileiro em Pretória, Cte Jorge Guimarães Dias, sem o qual não haveria como visitar os dois museus em Pretória e Johannesburg em apenas um dia.

Last Updated on Saturday, 30 August 2008 03:20
 

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