A Águia pousou - Obama in Rio PDF Print E-mail
Monday, 21 March 2011 00:00

 

 

Dando sequência ao seu primeiro giro pela América do Sul, o presidente americano Barack Obama passou por Brasília, neste sábado, onde foi recebido com todo o aparato do Cerimonial pela presidente Dilma e por seus ministros. O avião do presidente americano deixou Brasilia para o Rio no início da noite, precisamente às 19:00, chegando à Base Aérea do Galeão, pouco mais de uma hora depois. Todos os aviões da FAB que geralmente ficam no pátio daquela Base Aérea estavam ou em viagem, ou dentro dos hangares fechados ou ainda parados do outro lado da pista, próximo ao galpão dos Correios e da Infraero.

Desde à manhã, três cargueiros C-17, um da base de Travis (na Califórnia) e outros dois da Base de McChord (no Estado de Washington), trouxeram os veículos e os helicópteros que seriam usados por Obama na Cidade Maravilhosa. Antes do Air Force One chegar ao Rio estes já estavam dispostos ao redor do local onde Obama desembarcaria com os motores devidamente acionados e com o pre-flight check feito. Dois Sikorsky VH-3 Sea King (conhecidos como "Marine One" se o presidente americano estiver a bordo) e outros três helicópteros Sikorsky CH-46 pintados nas cores presidenciais estavam a postos. Estes últimos, muito provavelmente, transportavam o grupo de segurança presidencial. Todas estas aeronaves são operadas pelo Marine Helicopter Experimental Squadron - HMX-1 - da aviação dos Marines.

Ao chegar, o Air Force One abriu a porta normal existente no andar principal do avião do lado esquerdo da fuselagem e uma vez que a escada móvel tivesse posoicionada adequadamente a família presidencial desceu rapidamente para saudar os membros do Consulado e outros VVIPs que esperavam Obama ao pé da escada. Moto contínuo, a família presidencial se encaminhou para o VH-3 localizado mais perto da plataforma da imprensa, para então voar em direção ao campo do Flamengo na Gávea. Segundo o pessoal do Consulado os hoteis não tem helipontos e o heliponto da Lagoa não tem tamanho para a operação de aeronaves grandes como o SeaKing. Da Gávea para o hotel eles seriam transportados nas limusines blindadas Cadillac, trazidas especialmente nos C-17 desde os EUA. Seguindo o seu procedimento padrão de segurança, o destino do presidente americano naquela noite era propositalmente ambiguo, podendo tanto ser no Hotel Sheraton quanto no Marriott. No máximo 20 minutos após parar o Air Force One parar no pátio, os dois VH-3 e seus CH-46 de escolta decolaram.   

Obama deixa o Rio nesta segunda-feira dia 21 de março com destino ao Chile, continuando em seguida para El Salvador, na América Central, antes de retornar a Washington.

O Air Force One

O Air Force One é um dos mais icônicos meios de transporte presidenciais da atualidade. O Boeing 747-200 adaptado é uma das mais modernas aeronaves do mundo sendo feita não só para transportar o presidente dos EUA com máxima segurança, mas também para abrigá-lo em situações de incerteza e/ou risco, como fez com Bush filho após os ataques do 11 de Setembro. Estes dois aviões funcionam ainda como centro de Comunicação e Controle (C2) em caso de ameaça à segurança nacional dos EUA.

Até a II Guerra Mundial, vôos presidêncials não eram comuns nos EUA. A ausência de meios de comunicação adequados e o distanciamento do centro político do país (Washington DC) faziam das viagens presidenciais um fato incomum. Quando longas viagens eram necessárias, as ferrovias eram o meio escolhido. Todavia, o rompimento da política isolacionista americana demandava a existência de um adequado meio de transporte transcontinental. O primeiro avião presidencial serviu ao presidente Roosevelt, ele era um C-87A (versão de passageiro do bombardeiro quadrimotor Consolidated B-24 Liberator) batizado “Guess where to”. Todavia, por motivos de segurança, ele logo seria substituído por um Douglas C-84 Skymaster (versão militar do DC-4) apelidado de “Sacred Cow”. O Presidente Truman, em seguida, substituiu este avião por um Douglas DC-6, batizado de “Independence”. Em 1958, no apagar das luzes do governo Eisenhower, a USAF adquiriu dois Boeings 707 para assumirem o papel de aviões presidenciais definitivos. Após uma longa carreira operacional eles viriam a ser substituídos, no governo de Bush pai, pelos atuais Boeing 747.

A necessidade de um call sign específico para a aeronave presidencial surgiu em 1953, quando o avião do presidente e outro com o mesmo código de rádio dividiram o mesmo espaço aéreo, causando confusão entre os controladores. Desde então, a aeronave que o transporte, se for da USAF, é denominado “Air Force One”, caso pertença ao exército, “Army One”, e o helicóptero que o transporta de onde esteja até o AFO, “Marine One”.

O VC-25, como é chamado, fica na Joint Base Andrews Naval Air Facility Washington, uma base aérea compartilhada pela Marinha e os outros serviços no estado de Maryland. Nas viagens domésticas, normalmente, o avião não conta com escolta. Nas viagens internacionais também não é comum vê-lo escoltado por outras aeronaves, embora em situações consideradas críticas ou em sobrevôo a áreas de risco ele já tenha sido escoltado por pares de caças F-15 Eagle e mais recentemente de F-22 Raptor. Independente disso, ele sempre é precedido no país de destino por um ou mais Boeing C-17, que transportam os carros e limusines da comitiva, bem como armas e todo material necessário à manutenção da segurança do Presidente em terra.

Por dentro, o VC-25 tem, como qualquer Boeing 747, três pavimentos. O primeiro, de cima para baixo, é onde ficam a cabine e toda a parte de comunicações da aeronave. O segundo é o andar principal. Lá ficam a suíte presidencial, a enfermaria (que mantém até mesmo uma mesa de cirurgia), cozinha, escritório presidencial, sala de reuniões e salas de trabalho, que compõem a parte chamada de “White House”. Atrás dessa seção da aeronave, fica outra, onde são transportados os convidados, jornalistas e afins, acomodados em poltronas no padrão da Primeira Classe de um avião comercial. O Boeing presidencial americano leva até 70 passageiros e 26 tripulantes, podendo servir refeições paoa 100 pessoas e carregando mantimentos suficientes para um total de 2000 refeições sem precisar ser recarregado em terra. O pavimento inferior é o compartimento de carga, que contém, inclusive, um equipamento próprio para traslado de bagagem, dispensando, por motivos de segurança, o equipamento equivalente dos aeroportos onde tiver que pousar. O VC-25 tem ainda uma escada embutida na porta do andar inferior que permite a entrada e a saída dos tripulantes e passageiros sem que seja necessário o uso de uma escada externa.

O avião tem 370 metros quadrados de área interna. Atinge 1100 km/h e tem um teto de vôo de 45 mil pés. Ele carrega até 200 mil litros de combustível, o que lhe dá uma autonomia de 6000 milhas náuticas, ele pode, ainda, ser reabastecido no ar, o que lhe garante capacidade indeterminada de vôo. As autoridades americanas são muito reticentes quanto a revelar detalhes sobre as defesas do avião. Sabe-se que ele possui equipamentos de contramedidas eletrônicas (ECM) e pirotécnicos para despistar os sistemas de mísseis anti aéreos termoguiados. 

Last Updated on Monday, 21 March 2011 12:37
 

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