Thales apresenta planos para fabricar Radar 3D Ground Master GM400 no Brasil PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Thursday, 24 March 2011 03:18

 

 

 

Em evento realizado no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (23), a gigante européia de radares e de material eletrônico de defesa Thales comunicou que, após um novo investimento de cerca de 5 milhões de euros na Omnisys, sua subsidiária no Brasil, deverá se iniciar em breve a fabricação do novo radar de defesa aérea Ground Master GM-400. Este modelo, feito para detectar alvos do porte de um caça a até 400km de distância, atualmente é fabricado unicamente na planta da Thales em Limours, na França. O GM400 dispõe de uma matriz de pequenas antenas ativas (AESA) com capacidade de emissão de múltiplos feixes independentes e simultâneos para cobrir segmentos distintos do céu. Isto, especialmente, lhe garante um excelente desempenho contra alvos a baixa altitude como helicópteros, UAVs e até mesmo ultraleves.

O GM-400 é um radar 100% digital, desde a própria antena, o que traz para a Omnisys a oportunidade de desenvolvimento nos campos do software e dos algoritmos avançados.

A partir do programa GM-400, a Thales está criando um novo modelo de radar especialmente desenvolvido para emprego naval em fragatas e corvetas, o chamado “Variant”. Este modelo pode ser uma boa opção para equipar os hipotéticos novos navios derivados do programa da Corveta Barroso na Marinha do Brasil. No entanto, neste momento, ainda não existe nenhum contrato ou mesmo decisão de aquisição pelas forças armadas brasileiras do GM-400 ou do “Variant”. A Thales acredita que o estabelecimento da linha de produção em São Bernardo tenderá a incentivar os militares brasileiros a selecionar o seu produto.

Em termos de desempenho, o GM-400 fica num segmento claramente acima dos modelos SABER 60 e SABER 200 da Orbisat, empresa cuja linha de radares foi recentemente comprada pela Embraer. Jean-Loic Galle, VP Sênior da Divisão de Operações Aéreas da Thales disse que sua empresa “globalmente tem ótimas relações com a Embraer, permirindo a discução das as sinergias entre as duas linhas de produtos. E como nenhuma empresa pode fazer tudo sozinha, poder discutir de igual para igual com a Embraer é muito positivo”.

O Responsável pela Thales no Brasil, Laurent Mourre, por sua vez, salientou que apenas cinco países no mundo fabricam radares, o Brasil “se torna, através da atividade da Thales, o sexto país nesta lista”. Para Mourre, a possível discussão sobre se os produtos da Thales feitos no Brasil são ou não “produtos e tecnologia nacionais”, ignora o fato de que a “tecnologia avançada reside não nas empresas, mas, sim nas mentes dos profissionais envolvidos, que no caso da Omnisys são inquestionavelmente brasileiros. A soberania reside verdadeiramente no capital humano, e não no capital financeiro”. Mourre disse ainda que: “se o Brasil optar por focar por demasiado no segundo tipo de capital, ele pode vir a ter dificuldades para a obtenção das tecnologias mais avançadas no futuro”.

Este novo modelo de radar militar se somará ao radar civil de controle de tráfego aéreo (2D) de longa distância de Banda L, o modelo LP23SST, que já é fabricado no Brasil desde 2007. Após um investimento. inicial estimado entre cinco e dez milhões de euros, o radar de banda L já conta com 26 unidades entregues ou em produção, para clientes no Brasil e no exterior, especialmente na América Latina. Três destes radares já foram entregues no Brasil, e dez deles se destinarão a clientes no exterior. A linha de produção brasileira está dimensionada para entregar três a quatro unidades deste modelo por ano. Para Jean-Loic Galle, este é um programa “já coroado de sucesso”. A Omnisys, de São Bernardo do Campo, é, atualmente, o centro chave de desenvolvimento deste modelo para o mercado mundial. Dentro do programa original, a Omnisys saltou de uma equipe de apenas 30 profissionais, para um total de 300 atualmente, dos quais cerca de 120 são engenheiros e técnicos. A equipe crescerá mais ainda com a chegada de outros duzentos profissionais e a área ocupada pela Omnisys aumentará de 6000m2 para 6500m2, tudo isso para poder acomodar as necessidades do novo programa.

Em 2010 a receita da Omnisys foi de 56 milhões de reais, dos quais R$42 milhões são referentes ao segmento de radares.

Luiz Henriques, presidente da Omnisys, comentou que, junto com a sua empresa, crescem um número de empresas terceirizadas que orbitam ao redor da Omnisys. Para ele, uma das maiores vantagens para as forças armadas brasileiras, neste caso, é o de dispor de suporte local da Omnisys capaz de garantir o uptime dos sistemas vendidos. Sem que seja necessário a vinda de especialistas do exterior para realizar a sua manutenção.

Henriques disse também que “A Omnisys já tem a capacitação para assumir mais este desafio tecnológico, mesmo o software do novo radar sendo muito mais complexo do que o que atualmente a empresa fabrica.“ Jean-Loic Galle contou, ainda, que o GM-400 é muito automatizado e pode ser ativado com um único apertar de botão, além de poder se configurar automaticamente para minimizar o ‘clutter’ (interferência) criado por diversos aspectos climáticos locais. Este modelo é transportável em um único C-130 e pode estar plenamente operacional apenas 30 minutos após ser desempacotado. Segundo o VP da Thales o GM-400 é muito mais robusto do que os radares da geração anterior, podendo operar sem problemas 365 dias por ano em um ritmo de 24x7, e que, por isso, este modelo não perdeu nenhuma das concorrências internacionais das quais participou.

O radar GM-400 foi inteiramente desenvolvido na França pela equipe de 3000 engenheiros e técnicos da Thales. Para Jean-Loic Galles “afirmar que a completa concepção e o desenvolvimento de um novo sistema de radar complexo como o GM-400 pode ser feita no Brasil, sem contar com a experiência de mais de 50 anos como a da Thales, seria uma mentira”.

No novo programa, caberá à Omnisys a certificação de fornecedores locais de componentes, a montagem final e realização dos testes pré-entrega e a manutenção e suporte pós venda junto aos seus clientes. Adicionalmente a empresa de São Bernardo terá toda a capacitação técnica necessária para realizar modificações no software de acordo com requerimentos específicos das forças armadas brasileiras e sul-americanas sem que seja necessário envolver profissionais europeus da Thales. Cada radar GM-400 levará 24 meses para ficar pronto, desde o início de sua fabricação. Exatamente o dobro do tempo demandado pelo radar civil anterior. A busca de clientes não é uma questão emergencial para a empresa, uma vez que o primeiro radar GM-400 somente estará pronto para entrega no primeiro semestre de 2013.

 

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