LAAD 2011 - DCNS BRAVE um navio de apoio logístico de nova geração PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Tuesday, 19 April 2011 17:28

 

 

 

A empresa francesa de engenharia naval DCNS, é inegavelmente o “campeão” nacional neste setor. Além de lançar uma série de novos produtos nos ramos de submarinos e de navios de escolta a DCNS está ainda, em paralelo, desenvolvendo produtos em diversos segmentos que não são sua especialidade. Na exposição EURO NAVAL do ano passado em setembro, o gigante francês apresentou as primeiras imagens de uma nova família de navios-tanque/logísticos que agregará uma série de novas funcionalidades que vem sido requisitadas tanto pela Marinha da França quanto por seus potenciais clientes de exportação.

Historicamente, os Navios Tanques tendiam a se focar unicamente na sua função básica, deixando funções como Comando e Controle, transporte de veículos, atuação hospitalar e transporte de peças de reposição/contêineres, cada uma para um modelo específico de navio. Hoje as missões militares se sobrepõem, demandando um alto grau de multifuncionalidade dos novos meios. Para isso foi criado o conceito “BRAVE”, o Batiment RAVitailleur d’Escadre (ou Navio Reabastecedor da Esquadra, em português). Este segmento de mercado é particularmente interessante para a DCNS, neste momento, porque a maioria dos navios-tanque hoje em uso pelas marinhas do mundo dispõe unicamente de um casco simples, solução esta que não mais atende às exigências da legislação global contra o derramamento de óleo no mar por acidente, a chamada MARPOL. A adição de uma segundo casco nos navios atuais geralmente não vale a pena em termos de custo-benefício, sendo mais eficaz a compra de navios novos.

BRAVE não é apenas um modelo, mas uma família de navios. Externamente ele parece claramente com uma evolução dos N/Ts Durance, que o procederam, devido ao seu passadiço na proa. Pode-se ver, no entanto, que agora houve uma maior preocupação com o uso de laterais lisas como aquelas usadas nos escoltas Horizon e FREMM. A proa é totalmente fechada permitindo à tripulação operar os cabos e as âncoras se ficar ao relento, no calor ou no frio. Usando uma filosofia modular no projeto o novo navio concentra os espaços habitáveis na proa, os tanques de combustível no centro e outras cargas (e/ou veículos na popa. As cavernas centrais apresentam um casco duplo e podem ser facilmente “jumborizadas” recebendo novos segmentos que permitem a configuração de navios tanque de diversos portes, variando entre 160, 180 e 195 metros de comprimento. O modelo médio desloca 20.000 toneladas a plena carga e o maior até 29000 toneladas. Desta forma, qualquer marinha pode adquirir o modelo melhor dimensionado para as suas necessidades operacionais particulares. Nos três modelos, as extremidades, dianteira e traseira, são praticamente idênticas variando unicamente o centro. O BRAVE apresenta duas estruturas de suporte dos mangotes, cada uma contando com duas estações de transferência no Mar (ETOM) uma para bombordo e outra para boreste.

Na Marinha Francesa estes novos navios devem ser os substitutos dos atuais navios logísticos da classe Durance, o Meuse (A607), o Var (A608), o Marne (A630) e o Somme (A631). Para os franceses, é fundamental que este novo modelo de navio tenha uma bem desenvolvida capacidade de Comando e Controle. Seguindo o exemplo dos N/T da classe Durance, é nos novos navios em que ficará embarcado permanentemente o almirante e o estado-maior do comando marítimo do Oceano Índico, o chamado ALINDIEN.

Ao lado da Marinha Francesa, a Marinha do Brasil se constitui como uma das melhores perspectivas de venda para a nova família de navio de apoio logístico da DCNS. A Marinha do Brasil opera atualmente dois navios-tanque oceânicos, ambos com  casco simples. O N/T Marajó (G-27) deslocando 16.000 a plena carga, entrou em operação em 1969 e o Almirante Gastão Motta (G-23), deslocando 10.300 toneladas a plena carga foi entregue de 1991. Destes dois, apenas o Marajó pode transportar o combustível pesado MF-40 (“bunker”) queimado pelas caldeiras do NAe São Paulo. Ambos os navios, no entanto, carregam o combustível leve usados nas fragatas e corvetas, o MAR-C. A Estratégia Nacional de Defesa publicada no final de 2008 deu a partida para o Programa de Articulação e Equipamento da Marinha do Brasil que previa a existência de duas frotas, uma no Rio de Janeiro e outra nova a ser localizada em base naval a ser criada no Norte/Nordeste do país. O PEAMB determinava, ainda, a operação de dois novos Navios Aeródromos, além do atual São Paulo, um dos quais como o núcleo da segunda Esquadra. Para atender a este plano ousado de expansão, foi decidido que a Marinha precisaria de cinco novos navios de Apoio Logísticos Oceânicos (os “NApLog”) para se juntar ao Gastão Motta em serviço.

França e Brasil demonstraram maior interesse pelo modelo maior do BRAVE, aquele com 195 metros de comprimento. A versão francesa será mais multifuncional que a brasileira, podendo transportar um número maior de contêineres ISO e apresentando um convés dedicado ao transporte de veículos leves (“Ro-Ro”) o que não foi requerido pela MB. Por seu lado, apenas o Brasil necessita a capacidade de transporte de óleo “bunker”, uma funcionalidade não mais demandada pela Marinha Francesa desde a venda do Foch ao Brasil. As capacidades avançadas de Comando e Controle são um requerimento-chave para os franceses, mas não o são para a Marinha do Brasil. Segundo o pessoal da DCNS, o hospital embarcado no BRAVE será do mesmo porte do que existe nos Mistral, com duas ou três salas de cirurgia e dezenas de leitos para os doentes. Curiosamente, não está solicitado aos fabricantes que o novo navio tanque da Marinha do Brasil receba terminais do sistema Siconta. Finalmente, o BRAVE deverá, com suas oficinas variadas a bordo e sua capacidade de transporte de peças de reposição, atender às necessidades de reparo no mar dos navios da Esquadra, substituindo o navio-oficina Jules Verne recentemente aposentado na Marinha da França. Não está claro ainda até que ponto esta capacidade será interessante/útil na Marinha do Brasil.

Para o transporte de pallets de carga pesada para os demais navios da frota no mar o BRAVE irá dispor de duas formas complementares e independentes: o VERTREP, usando helicópteros a partir de seu grande convôo, e o sistema de linha pesada (um peso máxime entre 2 e 3 toneladas) “Stream”, criado pela própria DCNS. Quatro postes do sistema “Stream” ficam dispostos ao redor da superestrutura do BRAVE. Este sistema se constituindo, essencialmente, de um guindaste automatizado que é controlado remotamente para erguer, trasladar e baixar a carga, com toda a segurança, no convés do navio recipiente. Igualmente, no BRAVE o sistema de tensionamento do cabo de aço (spanwire) e de movimentação dos mangotes são franceses, produzidos pela unidade da DCNS em Ruelle, onde também foram concebidos e construídos os lançadores verticais Sylver usados nas fragatas FREMM. Operando com navios grandes, como, por exemplo, o NAe São Paulo, a distância entre as ETOMs do BRAVE deixará passar dois mangotes simultaneamente, permitindo um reabastecimento dobrado, o que reduz sensivelmente o tempo de reabastecimento no mar. Além de óleo “bunker” e MAR-C, o BRAVE pode passar aos demais navios do GT água potável e combustível JP-5 para as aeronaves.

Nenhum dos atuais navios tanque brasileiros sequer conta com convés de vôo, mas, o BRAVE apresenta um de enorme porte com dois spots e capaz de receber helicópteros pesados como o Sikorsky CH-53 americano de até 30 toneladas. No entanto, os hangares e o sistema de movimentação automática de helicópteros do novo navio estão limitados ao uso de dois helicópteros orgânicos de até 10 toneladas. Na proximidade do convoo haverá vários elevadores alguns dedicados a armamento e outros a outras cargas. Estes elevadores conduzem as cargas diretamente aos paióis de peças de reposição e de sólidos. No convés abaixo do convoo existem dois carretéis para lançar os mangotes usados na faina de reabastecimento pela popa. Segundo a DCNS ainda não é possível divulgar as velocidade de cruzeiro do novo navio, mas se pode, sem erro, dizer que ela certamente será próxima a 18 nós. Em sua velocidade mais econômica, o BRAVE de apresentar um alcance de cerca de 10000 milhas náuticas. Para facilitar a sua entrada nos portos e dispensar o máximo possível o auxílio de rebocadores o BRAVE será equipados com dois propulsores bow thruster na proa, para isso também, o requerimento da Marinha do Brasil exige que o calado em condição de máxima carga do seu NApLog não seja superior aos oito metros. Este requerimento pode ser difícil de ser atendido com projetos mais desenvolvidos como os ofertados pelos demais fornecedores.

O projeto BRAVE ainda pode ser chamado de “navio de papel”, uma vez que ainda não existe nem mesmo um orçamento devidamente alocado pelo governo da França para seu detalhamento e sua industrialização, mas isso não preocupa aos engenheiros da DCNS uma vez que o navio de apoio logístico é naturalmente uma proposta tecnológica imensamente mais simples e menos arriscada do que as fragatas ou mesmo os navios de patrulha oceânica incluídos nos mesmo pacote brasileiro.

Cada um dos concorrentes internacionais participando no programa ProSuper terá que escolher antecipadamente um parceiro nacional para ser seu receptor de tecnologia, com a Marinha escolhendo um par de vencedores composto por uma empresa estrangeira e uma nacional. No final, a DCNS entende que diferente do BRAVE 195, os modelos dos seus concorrentes tendem se posicionar mais perto dos 175 metros de comprimento, o que os colocaria na faixa inferior dos requerimentos publicados da Marinha do Brasil. Para ela o elemento mais crítico para ganhar este negócio será justamente o pacote de transferência de tecnologia para as empresas brasileiras. 

 

Fonte: ALIDE

Last Updated on Tuesday, 19 April 2011 17:38
 

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