Comandantes dos GTs nacionais da UNITAS falam à imprensa no Rio de Janeiro PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Wednesday, 27 April 2011 02:51

 

 

No mesmo dia em que seus navios entraram no porto do Rio de Janeiro, a terça-feira 26 de abril, o comandante da Primeira Divisão da Esquadra (Div-1) da Marinha do Brasil, Almirante Edlander Santos, se juntou ao Cte Mark Weeks da Marinha Americana, ao Capitán de Navio Luis López Mazzeo da Armada Argentina e ao Capitán de Navio José Barradas Cobos da Marina de México, para apresentar as atividades já realizadas desde o início da Unitas, assim como aquelas previstas para a outra fase que se inicia em breve.  

Perguntado sobre as características desta edição UNITAS o Almirante Edlander contou “a UNITAS não mudou”, apenas que na sua posição de país anfitrião o Brasil mais preocupado com a defesa da nossa “Amazônia Azul” teve a oportunidade de propor que se retornasse, desta vez, a ênfase em exercícios navais clássicas, exercícios de “águas azuis” como guerra de superfície, antisubmarina e antiaérea, e que por isso houvesse um menor foco nas “novas ameaças” que tem norteado quase todos os exercícios da US Navy e até certo ponto da OTAN nos últimos anos. Edlander completou dizendo que as “Novas ameaças são importantes, mas não devem ser o foco principal do adestramento. Como na programação anual de exercícios navais internacionais regionais já existe a Panamax que tem uma ênfase clara nas ‘novas ameaças’ a UNITAS não precisa ter uma atuação também nesta área.

O termo “Novas Ameaças” querem dizer para os americanos, essencialmente, guerras assimétricas dirigidas não contra outras marinhas tradicionais no meio do oceano, mas, operações mais litorâneas, respondendo a ações de grupos transnacionais envolvidos diretamente com terrorismo, trafico de drogas e de pessoas, assim como o combate à pirataria e outras atividades de cunho muito mais criminosas que militares. Os demais participantes aceitaram a proposta brasileira e nesta direção correu todo o planejamento.

O Cte Weeks adicionou, ainda, que “os princípios das duas formas de atuação não são assim tão diferentes, pois ambos tratam de preparar os marinheiros para saber como reagir à imprevisibilidade do ambiente do conflito”. No Total, estarão envolvidos no exercício cerca de 2300 militares, dois quais, aproximadamente, 1200 brasileiros e outros 1100 estrangeiros. Além dos marinheiros destes quatro países também estão embarcados nos navios observadores do Chile, Colômbia, Peru e Portugal.

A UNITAS 52 foi dividida em duas etapas, a primeira ocorrendo em Salvador a partir do dia 13 de abril com uma série de reuniões em terra, com os navios suspendendo no dia 19 para realizar a pernada de Salvador / Rio de Janeiro. Foi aqui onde ocorreram os exercícios iniciais de familiarização das tripulações dos navios. Neste ano, quebrando uma longa tradição, a FAB não terá qualquer parte na UNITAS, nem com caças, nem com os seus aviões P-95 Bandeirulha de patrulha marítima. Na primeira etapa coube aos aviões A/F-1 Skyhawk da Marinha do Brasil realizar o papel de atacantes aéreos vindo de bases em terra, na segunda etapa, estão agendadas mais duas oportunidades de ataques aéreos contra o GT naval combinado pelos Falcões da Aviação Naval. Para o Commander Weeks um dos pontos mais marcantes desta fase inicial foi o exercício de tiro noturno de canhão, realizado contra alvos remotamente tripulados.

O Cte Cobos da Marinha do México explicou que a decisão de enviar um navio de patrulha, e não uma fragata, ou navio maior, para participar da UNITAS foi tomada pelo Congresso de seu país, e que a tripulação do ARM Baja Califórnia estava tratando de  aproveitar ao máximo a oportunidade, neste exercício, de trocar experiências sobre as atividades e procedimentos de abordagem de barcos suspeitos no mar com o pessoal Cutter Escanaba da Guarda Costeira americana, navio que completa do GT americano.

O Almirante Edlander contou ainda que um total de sete helicópteros orgânicos estão embarcados nos navios da UNITAS, dois Lynx  e um Esquilo da Marinha do Brasil, três Sikorsky SH-60B nos navios americanos e um Eurocopter Fennec no Almirante Brown. Os mexicanos vieram com um único helicóptero MBB BO-105 a bordo do seu navio patrulha. Na aproximação pelo GT da área do Rio, dois dos SH-60 embarcados visitaram a Base Aeronaval de São Pedro d’Aldeia para que os membros do Esquadrão HS-1 pudessem conhecer de perto uma variante do modelo que eles passarão a operar em breve. Simultaneamente, um piloto do HS-1 embarcou em Salvador num dos navios americanos visando acompanhar bem de perto a maneira dos pilotos daquela marinha operarem seu SH-60B.

Perguntado sobre o interesse e a conveniência de se equipar os navios da UNITAS para permitir a troca de dados em tempo real, o Almirante Edlander explicou que “existem dois tipos básicos de datalink: O mais simples apenas serve  para trafegar mensagens de texto entre os navios, enquanto uma implementação muito mais complexa pode transmitir informações táticas diretamente entre os computadores do COC. Enquanto o primeiro acaba sendo de benefício marginal para o exercício sua implementação é apenas uma questão de disponibilidade de dinheiro por parte dos participantes. Já o segundo caso naturalmente levanta uma série de problemas de segurança de dados e de protocolos de comunicação encriptada entre países aliados o que pode por questões essencialmente políticas acabar inviabilizando seu emprego”. Para Edlander, “numa perspectiva mais realista isso não deve ocorrer tão cedo”. O Cte Weeks complementou dizendo que “ainda que devido as múltiplas demandas operacionais reais neste momento e aos cortes que estão sendo feitos na US Navy hoje, infelizmente, nem os terminais mais simples de transferência de texto via satélite estavam disponíveis para uso nesta UNITAS.” Mas ele alertou: “os datalinks são ótimos... quando eles funcionam. Se isso não ocorre, temos que saber como operar sem eles”.

A segunda fase do exercício ocorrerá a partir do dia 4 de Maio e se desenrolará até o porto de Rio Grande, na costa do estado do Rio Grande do Sul. É aqui onde se dará o exercício de tiro de mísseis contra alvos remotamente controlados simulando as aeronaves atacantes. Apenas navios brasileiros lançarão mísseis desta vez, a fragata Constituição disparando um míssil Áspide, e a Bosísio, um dos seus SeaWolf. Culminando o exercício, os navios serão divididos em dois GTs, um comandado pelo CMG americano e outro pelo CMG argentino que se enfrentarão dentro de um cenário criado cuidadosamente para testar sua capacidade de operar estritamente dentro das regras de engajamentos com de um GT multinacional com importantes restrições operacionais que variam de marinha para marinha.

Perguntado sobre o estado atual de prontidão da Armada Argentina o CMG Luis López, comandante da Divisão de Destructores, comentou que “todos os principais navios argentinos estão operativos e que a corveta Parker, uma Meko 140, deve se juntar ao Almirante Brown em Rio Grande para o exercício Fraterno que começará naquela cidade gaúcha logo em seguida à UNITAS”.

 

Participam da 52ª UNITAS (Fase Atlântico) os seguintes navios:

 

Brasil:            Fragata Niteroi (F40)

Fragata Constituição (F42)

                     Fragata Bosísio (F48)

                     Navio-Tanque Gastão Motta (G23)

Submarino Tikuna (S34 - figurativo inimigo)

Submarino Tamoio (S31 - figurativo inimigo)

           

EUA:              Destróier USS Nitze (DDG-94)

                     Fragata USS Thatch (FFG-43),

                     Fragata USS Boone (FFG-28)

USCG Cutter Escanaba (WMEC-907)

 

Argentina:      Destróier ARA Almirante Brown (D10)

 

México:          Navio Patrulha ARM Baja Califórnia (PO-162)

Last Updated on Wednesday, 27 April 2011 08:42
 

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