Le Bourget: Thales fala sobre Brasil para brasileiros PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Sunday, 14 August 2011 00:00

Laurente Mourre UAV WatchkeeperSonar para helicópteros Thales FLASH (Folding Light Acoustic System For Helicopters)

A gigante de eletrônicos de defesa européia Thales já identificou no mercado brasileiro um dos seus principais focos para os próximos anos, por isso na abertura da feira de Le Bourget neste ano ela fez questão de receber a imprensa brasileira privadamente para com toda a calma explicitar seus planos e  ambições.

O Diretor para o Brasil da empresa Laurent Mourre iniciou contando que eles vêem o Brasil como um destino fácil para a tecnologia da Thales, devido a já existência de um profundo acordo neste segmento firmado entre os governos brasileiro e francês.

Na área de radares a empresa está trabalhando no radar embarcado do Rafale (proposto no F-X2 da FAB), no radar de trafego aéreo civil de longo alcance na banda L e o radar de defesa aérea GM-400.  Outras oportunidades atraentes, segundo ele, estão na área de sonares e de rádios. Mourre disse também que a Thales deseja ir bem além de uma mera oferta de transferência de tecnologia como forma de ganhar o acesso ao mercado brasileiro. Para ele, a empresa pretende inserir a sua subsidiária brasileira na sua cadeia de suprimentos global. O diretor da Thales salientou que para eles o Brasil não se qualifica como uma "plataforma de fabricação de baixo custo" aos modos da China atualmente. O Brasil é uma local interessante especialmente pela seu leque de competências avançadas como o que existe nas universidades locais.

Radar de defesa aérea GM-400Radar Thales Raytheon GM-200

Para além do segmento de defesa, tendo em vista os dois importantíssimos eventos internacionais previstos para o país - a Copa do Mundo e a Olimpíada - a Thales acredita que aparecerão outras boas oportunidades nas áreas de segurança pública (um setor que se encontra profundamente fragmentado hoje) e também de produção de óleo e gás. Em todos estes segmentos haverá demanda por soluções que usam os variados sensores e sistemas de telecomunicações da empresa, que, combinados, servirão para direcionar os investimentos da empresa para o Brasil. O segmento de transportes civis, especialmente a área de sinalização ferro/metroviária é onde se configura outro nicho atraente para eles.

"O Brasil é um mercado em movimento", resumiu Mourre. E continuou: "para podermos nos beneficiar deste potencial de negócios, a Thales terá que se tornar uma empresa local, e como atualmente não temos presença relevante nestes segmentos, vamos precisar encontrar e trabalhar com parceiros brasileiros. Simplesmente, não basta mais a nossa empresa se comportar como um 'grande grupo internacional'. Para termos sucesso teremos que estar bem perto do cliente. Este será um novo modelo, um modelo de parcerias. Mas, nós não sentimos nenhuma pressão imediata para nos casarmos de qualquer maneira com uma companhia brasileira", seguiu o executivo francês. "Esta é a nossa estratégia, não seremos nem agressivos nem arrogantes, vamos nos mover tranquilamente por aqui. Mesmo após a Embraer comprar parte da empresa Orbisat, nós ainda a vemos mais como uma parceira potencial do que como concorrente."

O braço brasileiro da Thales, a Omnisys, tem a experiência de suporte de campo, trabalhando nos radares sistemas de guerra eletrônica e no segmento espacial institucional. Ela trabalhou no projeto de satélites sino-brasileiros CBERS e nas estações de acompanhamento (tracking stations) do complexo lançador de Alcântara. Lá trabalham entre 60 e 70 engenheiros topo de linha e fazendo da empresa a principal empresa de defesa eletrônica do Brasil. No curto prazo as maiores oportunidades identificadas pela Thales no Brasil são os sistemas do F-X2 (caso o Rafale seja selecionado), o SISFRON do Exército e os radares e sistemas das novas fragatas pertencentes ao pacote Prosuper. "Estas serão oportunidades de ouro para alavancarmos o crescimento da Omnisys", disse Laurent Mourre. O ex-presidente e fundador da Omnisys, Luiz Henrique, foi recentemente promovido e agora responde por todo o negócio de radares de trafego aéreo e de defesa aérea na América do Sul. perguntado sobre se a fabricação de produtos globais como os radares Ground Master GM-400 no Brasil não conflitaria com a política de desenvolvimento de tecnologia do Ministério da Defesa, Mourre ponderou que "realisticamente é difícil imaginar que o Brasil conseguiria desenvolver radares todos os segmentos internamente, por isso alguma coisa terá que ser comprada do exterior". Este tipo de desenvolvimento não sai nada barato, por exemplo, o próprio GM-400 custou à Thales perto de 50 milhões de euros para saltar de idéia a produto. Em contrapartida, a Thales estima que a demanda brasileira por radares desta classe seja restrita a apenas 14 ou 15 unidades.

Ha 10 anos atrás a Thales era uma empresa de 6,5/6,7 bilhões de euros de faturamento, 70% disso vindo do mercado francês. Hoje o faturamento é de 13 bilhões de euros e a fatia de negócios franceses não passa de 50%. Laurent Mourre contou que: "Nosso crescimento futuro será mais forte no exterior e o Brasil é para nós, junto com a Índia, a Rússia e a China, um dos maiores mercados potenciais. No programa Prosub os sonares e os sistemas de comunicação serão fornecidos por nós." E ele explicou: "Globalmente boa parte do crescimento futuro da Thales deverá ocorrer na área de serviços, que representando 16% destes 13 bilhões de euros hoje, deverá saltar para 25% do faturamento de 20 bilhões de euros previsto para 2020.”

Como a sede da Omnisys fica em São Bernardo do Campo, município fortemente assediado, atualmente, pelos três concorrentes do F-X2, ALIDE concluiu a entrevista perguntando que tipo de conversas eles vem tendo com o Prefeito Luiz Marinho. Laurent Mourre respondeu que eles discutem sobre vários programas, como, por exemplo, a  criação de um centro de testes na cidade para o novo radar GM-400. A uma pergunta feita sobre a incerteza dos programas de aquisição do Brasil atual, especialmente após o "congelamento" introduzido após a posse da nova presidente, os executivos da Thales disseram que "eles estão acostumados a conviver com estes longos ciclos comerciais. E sem dúvida é natural que qualquer novo presidente precise de algum tempo para poder se familiarizar com os programas de aquisição em andamento. O PIB brasileiro acaba de superar o da Itália, existem muitas riquezas a serem protegidas e, além disso, o Brasil começa a assumir suas ambições geopolíticas próprias. Não tenho dúvida que o país irá comprar estes sistemas de defesa. A ativa movimentação da Embraer e de outros players é prova de que eles também sabem que este mercado é real".

 

Não deixe de ler a cobertura superilustradada ALIDE sobre o Paris Air Show 2011!

Last Updated on Sunday, 14 August 2011 00:37
 

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