Chief of Naval Operations da US Navy fala em novas parcerias no Rio PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Friday, 12 August 2011 00:35

Na agenda da visita: cooperação com países da África e o envio de submarinistas brasileiros para estágio nos submarinos nucleares de ataque americanos.

Em uma passagem rápida pelo Brasil, o Almirante de Esquadra Gary Roughead, o militar mais graduado da US Navy, recebeu das mãos do seu homólogo, Almirante Moura Neto, no grau de Grande Oficial a mais alta comenda da Marinha Brasileira. A decisão de conceder a medalha ao Almirante Roughead foi tomada em 2009, ainda no governo Lula. Moura Neto disse que este gesto visa salientar os “laços de amizade histórica que unem as duas marinhas e os seus países”.

Roughead respondeu agradecendo a deferência e lembrando que Brasil e Estados Unidos estão juntos no combate às “Novas Ameaças, especialmente o tráfico de pessoas, de drogas e de armas; além dos crimes ambientais, da pirataria e da pesca ilegal.” Ele continuou, ressaltando que “o respeito e a admiração que a US Navy tem pela Marinha Brasileira não tem paralelo”. A MB, segundo ele, ”tem uma mão na sua herança histórica enquanto a outra se estende para diante, para o futuro”. E terminou dizendo que “a Marinha do Brasil é a marinha mais versátil com a qual ele já interagiu”.

Com uma metáfora poderosa, o Almirante Roughead concluiu sua fala: “hoje, aqui, nós plantamos juntos as árvores que no futuro se tornarão a sombra sob a qual outros irão se sentar. Este é um ótimo relacionamento!”.

Na coletiva que se seguiu, a imprensa geral estava focada num possível papel americano na segurança da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Esta oferta, feita pelo Presidente Obama em sua visita recente ao Brasil, foi reiterada pelo almirante americano dizendo que eles estavam à disposição do Brasil para o que quer nós precisássemos. O Almirante Moura Neto garantiu em seguida que a despeito da gentil oferta americana não havia nenhuma razão concreta para imaginarmos que as potenciais ameaças à segurança nestes vários eventos de grande porte não possam ser devidamente contidas e enfrentadas pelas nossas próprias Forças Armadas independentemente de auxílios externos. Moura Neto lembrou, ainda, que os ” Jogos da Paz”, realizados há poucas semanas, já envolviam nada menos que 6000 competidores, e que o sistema de segurança implantado funcionou muito bem. “As Forças Armadas estão prontas para a realizar a segurança do que vier a seguir”, fechou ele.

ALIDE perguntou sobre o que exatamente versavam as conversas sobre ações navais conjuntas entre Brasil e EUA na costa da África, conforme sugeria o convite para o evento. Roughead respondeu dizendo que sua Marinha tinha um programa de interação com as marinhas da África ocidental chamado “Africa Partnership Stations”. Este é um programa regular que visa o desenvolvimento do pessoal das marinhas africanas para que elas, no futuro, possam realizar operações cada vez mais complexas e úteis, especialmente contra as tais novas ameaças. O Americano lembrou a ligação particular que o Brasil tem com muitos países na África e disse que “a US Navy já conta com uma variedade de programas em andamento no Golfo da Guiné”.

Por sua vez, Moura Neto revelou que “oficiais do Brasil já participaram como observadores, desde o início, das missões americanas do Africa Partnership Stations”. E disse ainda que o “Oceano Atlântico nos une à África, onde temos ‘laços lingüísticos’ com alguns dos países e ainda ‘laços atlânticos’ com outros tantos”.

Perguntado pelo repórter da Reuters sobre a atividade da 4ª Frota na região, o Almirante americano lembrou que sua criação derivava primariamente do fato deste ser o único canto do planeta onde não havia uma “Frota numerada” americana. Para ele, esta estrutura pré existente ajudou muito a organizar resposta americana na crise após o terremoto haitiano, por exemplo. A 4ª Frota auxilia na interação da US Navy com as marinhas do continente, e também, é chave para manter o sucesso do programa de patrulhas anti-droga no Caribe e nas costas do Pacífico.

Perguntados sobre o impacto do início das provas de mar do primeiro Navio Aeródromo Chinês (o Shi Lang) na véspera, Moura Neto argumentou que os chineses aparentemente queriam “completar seu poder naval”, e que o programa de treinamento de tripulações de NAe que estava sendo discutido entre a China e o Brasil se encontrava efetivamente parado, não tendo progredido, nem sido formalizado, nestes últimos dois anos. O Almirante Roughead, por sua vez, disse apenas que os chineses estavam desenvolvendo uma capacidade semelhante a que tinham Brasil e EUA.

O almirante Moura Neto disse, ainda, que dois torpedos Mk.48 de treinamento já haviam sido disparados por submarinos da MB com total sucesso. Estes torpedos estão entrando em serviço na Marinha do Brasil como parte do programa de modernização de meia vida dos submarinos das classes Tupi e Tikuna. Roughead retrucou apenas que “a US Navy está muito satisfeita com este torpedo”.

Na última pergunta permitida, ALIDE indagou se os EUA estavam prontos a permitir que a US Navy participasse do treinamento dos oficiais que tripularão nossos futuros submarinos de propulsão nuclear. Surpreendentemente, o Comandante da Marinha do Brasil, ali, revelou que este tema se encontrava na pauta desta reunião e que o Almirante Fragelli, responsável pelo programa de construção de submarinos do Brasil, haveria de se reunir em breve com o Comandante da Força de Submarinos dos Estados Unidos para examinar as possibilidades deste treinamento ocorrer. Se isso se concretar não deixará se ser uma considerável reviravolta da posição dos EUA em relação a uma das principais peças do nosso programa nuclear.

 

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