Começa MAKS 2011 em Moscou e ALIDE está aqui PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Tuesday, 16 August 2011 00:00

 

 

Quando anos atrás criamos a Agência Linha de Defesa - ALIDE - nossa idéia básica era tratar de fazer algo diferente, de ser uma fonte de informações que fosse muito mais longe (conceitual e fisicamente!), com um conteúdo mais profundo e que fosse mais ilustrada do que tudo que existia até então no mercado de informação de defesa do Brasil. O ano de 2011 viu justamente isso. Já fomos um total de quatro vezes à Europa em busca de conteúdo que de outra forma simplesmente não existiria para nossos leitores. Agora, pela primeira vez, vamos a Moscou para assistir o debut público do caça de 5a Geração russo conhecido como PAK-FA, ou alternadamente como Sukhoi T-50.

A feira MAKS Aerosalon acontecerá do dia 16 ao 21 de agosto, no aeródromo militar de Zhukovsky, no sudeste da capital russa. Ela existe desde 1992, ocorrendo a cada dois anos. Hoje em dia a MAKS busca servir como ponto focal para as centenas empresas e institutos de tecnologia aeroespacial da Rússia encontrarem seus clientes potenciais e também poderem trocar com indústrias de outras partes do globo que estejam em busca de parceiros que tenham tecnologia de ponta própria em design aeronáutico, estruturas, motores e aviônicos.  Segundo os promotores da feira, mais de 200 aviões serão exibidos neste ano, com 100 deles participando das demonstrações de voo. A expectativa é que um público de aé 700mil pessoas visite a feira nesta edição. Quatro equipes acrobáticas russas se exibirão aqui na companhia de aeronaves de origem francesa, italiana e americana. O clima é de total otimismo, com vendas (civis e militares) de até 3 bilhões de dólares sendo esperadas.

Mesmo depois de ter sido dada como "morta" após o colapso da União Soviética, a indústria aeronáutica russa, que incluia nomes históricos como Mikoyan e Gurevitch, Sukhoi, Tupolev, Ilyushin e Yakovlev, entre outros, persistiu arduamente e sobreviveu através de tempos duros da nova Rússia. Ela até mesmo conquistou inesperados sucessos de exportação, como as várias vendas da família de caças pesados Su-27/Su30 Flanker, realizadas contra modelos ocidentais. No final, a indústria precisou ser completamente repensada e redesenhada, para poder seguir sendo relevante no Século XXI. Os diversos "bureaus" de design e as dezenas de fábricas criadas no tempo do comunismo foram sendo consolidadas e combinadas até serem quase todos concentrados numa mega-holding chamada em inglês United Aircraft Corporation (UAC).

Para fazer este verdadeiro colosso andar para frente, muitas barreiras (e por que não dizer alguns egos poderosos) tiveram que ser "dobrados". Muitas unidades serão fechadas ou fundidas, para desgosto de seus empregados, administradores e dos políticos locais. Mas, isso é um passo inevitável. Neste ano, a grande novidade da feira será mesmo o caça Sukhoi T-50, aeronave cujo segundo protótipo acaba de fazer seus voos iniciais. Os designers e engenheiros da Sukhoi, buscando responder ao desafio tecnológico representado pelos Lockheed F-22 e F-35 americanos, conseguiram assombrar o mundo aeronáutico ao fazer voar um avião, que, para um considerável número de analistas ocidentais, era considerado um projeto "absolutamente impossível" . Isto se deu justo no exato mesmo tempo em que estes engenheiros desenvolviam a versão definitiva do Su-35 Super Flanker, um caça da chamada "4a++ geração". Embora externamente as fuselagens de ambos os modelos sejam muito diferenciadas, e, diferentemente dos Flanker, o T-50 tenha compartimentos de bombas e mísseis internos, os motores e muitos outros sistemas críticos são compartilhados por ambos os modelos. Por um lado esta estratégia dá uma vantagem de desempenho ao Su-35, ao msmo tempo em que reduz o risco e o prazo de entrada em serviço do revolucionário T-50. Bem pensado, Sukhoi!

No mundo da aviação civil outra revolução está em andamento na Rússia. Capitaneada pelo novo modelo criado do zero pela Sukhoi, o Superjet 100, e com o apoio franco do governo central, se espera um número significativo de pedidos vindo das dezenas de empresas aéreas russas atualmente em serviço. A cooperação técnica inicial prestada pela Boeing permitiu que ele fosse certificável no ocidente, e, posteriormente, a associação comercial com a gigante italiana Finmeccanica, deram ao Superjet 100 uma real chance de ser o primeiro avião civil a penetrar no mercado das companhias aéreas ocidentais. A Finmecannica é ainda um dos dois sócios principais do consórcio ATR, criadores dos exitosos modelos ATR-42 e ATR-72. Estes aviões operam, inclusive, no Brasil já há anos.

Seguindo logo atrás da "trilha mercadológica" aberta pelo Superjet, vem o MS-21. Ele é um modelo ainda maior desenvolvido conjuntamente pelas empresas Irkut e Yakovlev para transportar entre 150-212 passageiros. Para sorte da indústria russa, estes dois modelos acabaram chegando ao mercado justamente no momento da "crise de meia vida" dos dois grandes players do segmento entre 120 e 160, o Boeing 737 e o Airbus A320. As decisões (ou falta de decisões) destas grandes indústrias podem sacudir o status quo, justamente abrindo um vácuo no mercado ocidental para novos entrantes, como são os russos. A Embraer é uma das empresas que também pode vir a sofrer com a concorrencia do Superjet 100, inicialmente nas suas ambições de exportação para a própria Rússia e para os países de sua zona de influência. O que vai acontecer depois disso não se sabe, mas que as condições nunca foram tão positivas para a indústria de construção aeronáutica civil russa, isso é fato. A Airbus européia participará deste evento com um dos protótipos do gigante A380. Ele vem à Rússia pela segunda vez, mas será sua primeira participação na MAKS.

Este ano, o antigo rival geopolítico dos russos também se fará presente à feira com a USAF trazendo vários aviões a Moscou. Entre eles estão sendo esperados: A-10, C-130J, C-5, F-16, B-52, KC-135, KC-10 e C-17.

Finalmente, os dezenas de fabricantes de radares e sensores, tanto para o mercado civil quanto militar, de armamento, de motores, e de eletrônica estarão na exposição em Zhukovsky com toda a gana de conquistar novos mercados. Seja isso entrando em programas nacionais com os de novos caças de 5a geração em andamento na Turquia e na Coréia do Sul, ou simplesmente nas várias oportunidades de modernização de caças, treinadores e aviões de transporte russos e soviéticos das gerações anteriores. Alta tecnologia, a indústria russa tem, falta saber se com esta ampla restruturação, eles conseguirão se apresentar de uma forma que consiga deixar tranquilos os administradores das companhias aéreas e comandantes das forças aéreas ocidentais e não alinhadas. A Embraer brasileira conseguiu justamente isso desde sua fundação até hoje. Se isso também ocorrer na Rússia, e as feiras MAKS certamente terão parte importante da responsabilidade por este fenômeno. o resultado será mais do que merecido.

Last Updated on Sunday, 14 August 2011 20:56
 

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