Entrevista com o Ten.Brigadeiro Juniti Saito PDF Print E-mail
Written by Pedro Paulo Rezende   
Tuesday, 03 February 2009 20:51

 


Especial para a Alide

A Força Aérea Brasileira (FAB) anunciará o vencedor da concorrência F-X2 no final do ano. As empresas finalistas — Boeing, Dassault e Gripen International — entregaram suas propostas ontem em São José dos Campos e a Gerência do programa já iniciou a análise dos documentos. “Precisamos de tempo para analisar atentamente o conteúdo de cada uma”, disse o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Juniti Saito hoje em Brasília, em café da manhã com a imprensa. “Por isso decidimos adiar a decisão”. Originalmente, previa-se a escolha para maio próximo. 

“Trata-se de uma concorrência extremamente complexa, por isso decidimos dar mais tempo às empresas para preparação do RFP (requirement for proposal), que deveria ser entregue no início de janeiro. Vamos estudar cada proposta atentamente, porque nelas está o futuro da força”, afirmou Saito. 

Para ele, a escolha de um avião de 4,5ª geração é um passo necessário para o desenvolvimento de um aparelho de 5ª geração, furtivo ao radar. “Ninguém nos repassaria a tecnologia”, ressaltou. “Quando estive no Japão, o ministro da Defesa reclamou da recusa norte-americana relativa ao pedido de venda de caças F-22. Eu até brinquei com ele. Disse que para eles, Grã-Bretanha e Austrália, é mera questão de tempo receberem F-22. Para nós, é um sonho distante.” 

Segundo o comandante da Aeronáutica, o programa não sofre restrições de verbas. “Não há nenhum gasto de monta. As empresas exigem um down payment (depósito) de cerca de 15% no momento da assinatura do contrato, e o primeiro dispêndio deverá ocorrer no próximo exercício. É uma parcela pesada, mas as outras prestações serão bem mais baixas”, afirmou. Ele também ressaltou que não há, agora, como estabelecer um valor para o contrato. “Depende de cada proposta e ainda está muito cedo para sabermos quanto iremos gastar”, ressaltou. 

Contingenciamento

O brigadeiro Saito disse que ainda não foi informado de qualquer contingenciamento orçamentário — o Ministério do Planejamento pretende segurar 50% das verbas aprovadas para o primeiro semestre do ano. “Sabe como é”, comentou bem humorado. “O presidente Lula manda gastar para gerar emprego, mas a área econômica quer segurar os dispêndios. Nós estamos preparados para enfrentar o desafio. Pretendo cortar 30% no custeio da força, sem prejudicar a operacionalidade, com medidas de conscientização, como diminuição das contas de água e luz, redução do número de celulares e de viaturas para cargos de representação.” 

Uma outra medida seria a desativação de aeronaves obsoletas, de alto custo de operação. “Os KC-137 (Boeings 707 convertidos como reabastecedores e transportes de tropas) estão nos dando muitos problemas. A revisão da turbina não é mais feita no Brasil e a compra de componentes está cada vez mais cara. Sempre apresentam defeitos em missões de longa duração, inclusive na última delas, durante a Operação Red Flag com a Força Aérea dos Estados Unidos. Temos de pensar numa alternativa de curto prazo”, declarou. O programa, ainda não lançado, abrangeria a conversão de aeronaves civis. 

A redução dos gastos, por enquanto, não afetaria a modernização dos A-1 (AMX). “A entrega dos primeiros aviões modernizados está marcada para 2012”, disse Saito. Perguntado se haveria interesse brasileiro nos caças F-5III disponibilizados ao mercado pela Força Aérea do Chile, negou: 

— Já temos F-5 demais. 

Ele também lembrou que, apesar de cortes, as verbas para investimento são bem maiores que as do ano passado. 

Transportes

Saito demonstrou entusiasmo pelo novo avião de transporte em desenvolvimento pela Embraer, o C-390. “Esse programa, que batizamos de KC-X, visa à construção de um total entre 50 e 60 cargueiros birreatores, capazes de transportar até 19 toneladas. É um mercado bastante amplo e que está relativamente aberto e que atenderá a substituição de centenas de aparelhos C-130. A versão C-130J não agradou aos usuários. É cara e tem problemas de motor. Estive na CASA para ver o A-400, que também apresenta problemas de motorização e que sofrerá um atraso de dois a três anos.” 

Segundo o comandante da Aeronáutica, o programa KC-X exigiu a completa reformulação do C-390. “A Embraer queria empregar as asas e empenagens do C-190 mas analisamos a proposta e vimos que não era viável. Exigimos também a troca do motor e o reposicionamento da asa para ampliar o espaço interno da aeronave.” O vôo do primeiro protótipo está previsto para 2012. “Enquanto isso, vamos nos virar com os C-130, que dão muita dor-de-cabeça na área de manutenção. Dá muito trabalho manter os motores funcionando”, ressaltou. 

Perguntado, ele negou os rumores de um novo programa para aviões pesados, de 40 toneladas de carga. 

Patrulha

Para o comandante da Aeronáutica, o Brasil estará bem suprido de aviões de patrulha com a chegada, ainda neste ano, dos primeiros Lockheed P-3ª Orions convertidos ao padrão BR. “Estive na cerimônia de roll out e fiquei impressionado com os equipamentos embarcados. Estaremos servidos com um aparelho superior em tudo aos Nimrod britânicos e aos P-3C que atuam por todo o mundo. Além disso, vamos modernizar nossos P-95 Bandeirulhas, junto com a força de C-95 Bandeirantes, que ficarão num padrão muito bom.” Com isso, o projeto de um novo patrulheiro, o P-190, que seria desenvolvido pela Embraer, será colocado na lista de espera. 

Para modernizar os 53 Bandeirantes e Bandeirulhas ainda operados pela FAB, o Comando da Aeronáutica contratou, ao custo de R$ 80 milhões, a Aeroeletronica, subsidiária da Elbit. “Há um grupo de 17 técnicos em Israel nesse momento estudando a revitalização dos aviões, que incluirá a revisão da parte estrutural”, ressaltou Saito. 

Reformulação das bases

Segundo o tenente-brigadeiro, a força estuda a redistribuição de seus efetivos para se adequar à Estratégia Nacional de Defesa (END), aprovada em 10 de dezembro do ano passado. “É um documento extremamente importante, feito com a cooperação das Forças Armadas, que permitirá o planejamento conjunto e a coordenação de Aeronáutica, Exército e Marinha. Não podíamos continuar operando sem um Livro Branco”, declarou. 

Um dos possíveis efeitos seria a transferência da Base dos Afonsos para o Brasil Central. “O tráfego aéreo sobre o Rio de Janeiro está intenso demais. Às vezes, um avião fica até uma hora parado na cabeceira à espera de autorização para decolar. Temos, aqui em Anápolis, um espaço perfeitamente adequado para nossas necessidades, com ampla capacidade de expansão. Só que antes, precisamos conversar com o Exército para saber o que estão pensando.” 

Controle de vôo

Com verbas oriundas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e das novas taxas aeroportuárias, a Aeronáutica terá R$ 900 milhões para custear e modernizar o Sistema de Defesa e Controle do Espaço Aéreo. “Conseguimos completar a modernização dos DACTA 1, 2, 3 e 4. Agora, podemos começar os trabalhos na área da Amazônia. O SIVAM/SIPAM já tem 10 anos de operação e está na hora de revitalizá-lo”, afirmou. “Posso assegurar que não teremos mais problemas como os que enfrentamos num passado recente”, completou.

 

Last Updated on Thursday, 13 August 2009 10:21
 

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