Fragata francesa Forbin no Rio PDF Print E-mail
Written by Alex Galante e Felipe Salles   
Monday, 30 March 2009 03:23

 

    

O Brasil se encontra na máxima prioridade da indústria naval DCNS e da DGA – Diretoria Geral do Armamento – da França.

Nesta quarta-feira atracou no Armazém 8 do porto do Rio a mais moderno navio de escolta francesa a ser lançado ao mar, a Fragata Forbin, a primeira unidade a ser construída da classe Horizon.

O Poder Naval Online e a Alide estiveram hoje pela manhã a bordo da fragata de defesa aérea Forbin, onde foram recebidos pelo comandante do navio, Capitaine de Vaisseau Balducchi, que concedeu entrevista exclusiva e nos apresentou o Centro de Operações de Combate e o passadiço da Forbin. 

O navio já foi recebido pela Marine Nationale, mas, ainda se encontra no processo final de avaliação. Da mesma forma que passou com o navio anfíbio Tonnerre , dois anos atrás, esta sua primeira viagem visa levar o navio a ambientes de temperatura diferente para testar o funcionamento dos sistemas ambientais e dos sensores do navio nestas condições variadas.

 

    

 

No dia 3 de março, a novíssima fragata de defesa aérea deixou sua base em Toulon para uma travessia de longa duração (TLD). A missão de cerca de três meses trouxe o primeiro navio de projeto franco-italiano para este lado do Oceano Atlântico. Após uma escala no Marrocos (cliente da primeira fragata FREMM de exportação) e no Brasil, o navio seguirá para o Caribe, Estados Unidos e Canadá. A visita da Forbin ao Brasil faz parte da programação envolvendo a Aliança Estratégica Brasil-França e permitiu aos oficiais brasileiros conhecerem pessoalmente as tecnologias presentes nas futuras fragatas FREMM, que estão sendo oferecidas à Marinha do Brasil, para substituição de suas escoltas atuais.

 

Após dois anos de provas de mar, segundo os processos de controle industrial, a Forbin está fazendo sua primeira navegação oceânica de duração significativa, para avaliação operacional.

 

Segundo o capitão Christophe Balducchi, o navio já foi incorporado à Marine Nationale, mas ainda não atingiu a FOC (Full Operational Capacity). A Forbin está embarcando um helicóptero Panther da Flottille 36F e deve retornar à França em meados em maio. A fragata suspende amanhã de manhã do Rio de Janeiro e fará exercícios com um navio e um submarino brasileiro.

 

   

 

A Origem e o Futuro das Horizon

 

O programa Horizon nasceu da inabilidade das marinhas européias de chegar a requisitos comuns dentro do ambicioso programa NFR90, a “Fragata OTAN para a década de 90”. França, Itália e Grã-Bretanha, então, cooperaram para criar uma grande fragata anti-aérea moderna. Os requerimento de Estado Maior comuns foram emitidos em 1992 e dois anos depois um Program Office foi montado em Londres para adiantar os primeiros estudos de viabilidade. No coração deste agrupamento estava o sistema ítalo-franco-britânico PAAMS – Principal Anti Air Weapons System.


 

Ao final da fase de definição, no verão de 1999, devido a divergências crescentes ao redor do radar a ser usado, o Reino Unido acabou se retirando do programa. França e Itália seguiram adiante e no final poucas diferenças existiram entre as Horizon francesas e as Orizzonte italianas. As principais distinções sendo o tipo de míssil antinavio selecionado, um radar de busca de superfície adicional e um terceiro canhão de 76mm presentes no modelo italiano.

Inicialmente a previsão era de se construir quatro Horizons para a Marinha Francesa, substituindo inicialmente os destróieres Suffren e Duquesne comissionados entre 1967 e 1970. No entanto, o alto custo das duas primeiras Horizon do primeiro lote (Forbin e Chevalier Paul) forçou uma drástica reavaliação por onde foi decidido que as duas fragatas de defesa aérea ainda pendentes seriam construídas sobre a plataforma menor e mais barata das novas fragatas FREMM. Estas unidades especializadas do projeto FREMM são, atualmente, chamadas de FREDA – Frégates de Défense Aérienne. Estes novos navios deverão substituir os destróieres Cassard e Jean Bart ainda em serviço.

 Um navio inteligente

Durante esta visita não foi possível fotografar outras áreas internas do navio, mas podemos dizer que a configuração do Centro de Operações de Combate é impressionante, sendo muito parecida com a da Type 45 da Royal Navy, inclusive o formato dos consoles e disposição dos displays. O COC é muito espaçoso, tomando o convés de boreste a bombordo, com displays em número suficiente para o embarque de Comandantes de Força e seu staff.

 

O sistema de combate CMS 3.2 (Combat Management System ) usa tecnologia COTS, rodando software dedicado sobre plataforma Unix. O software do CMS inclui 22 módulos em 24 consoles, 10 computadores e 3,5 milhões de linhas de código.Se o COC do navio for atingido em combate, um mini-COC que fica na popa do navio entra em ação. Os consoles do CMS do navio são ligados por dois barramentos de dados separados, um em cada bordo, para garantir o funcionamento em caso de avaria.

Nas palavras do comandante, os navios desta classe têm como missão principal atuar como “torres de controle de vôo no mar” ou “AWACS marítimos”, provendo o controle do espaço aéreo para as Forças-Tarefas.

A missão secundária é a proteção de unidades de alto valor, contra aeronaves e mísseis. Para isso, o navio pode detectar, localizar, identificar e possivelmente engajar simultaneamente 12 aviões e mísseis antinavio.) e uma suíte de guerra eletrônica, incluindo jammers e chamarizes de nova geração. A tecnologia empregada no navio é voltada para o combate, baseada nas lições da guerra das Malvinas e a Guerra Irã-Iraque. O navio é capaz de oferecer proteção contra ataques aéreos maciços, de mísseis supersônicos e aeronaves.

Ao perguntamos qual era a ordem de grandeza da RCS (Radar Cross Section - Seção Reta Radar) do navio e qual a principal vantagem da tecnologia stealth em combate, o capitão Christophe Balducchi nos respondeu que a RCS é dado classificado, mas que sua grande vantagem é ocultar totalmente o navio quando este lança nuvens de chaff, oferecendo alvos alternativos de maior intensidade para mísseis atacantes. A Forbin também tem baixíssima assinatura infravermelha, pois os gases de exaustão das chaminés são tratados.

Tecnologia para o Século XXI

 

Os sistemas embarcados nas Horizon foram criados especialmente para poder fazer frente a disparos maciços em salvas de mísseis antinavio, a estratégia de ataque favorecida pela marinha russa. Com isso em mente, toda a capacidade de processamento digital do COC do navio é superlativa. Em questão de segundos as informações de alvos devem ser discriminados de ruídos espúrios, depurados de interferência de guerra eletrônica, calcular trajetórias de interceptação e disparar os mísseis, tudo isso antes que o primeiro míssil inimigo ache seu alvo.  

 

Esta classe é um programa binacional junto com a Itália e prevê a construção total de quatro navios, dois para cada país. O foco principal das Horizon é a missão de defesa aérea do GT e para tanto elas são equipadas com os modernos mísseis antiaéreos EUROSAM (uma joint venture entre as firmas européias MBDA e Thales] Aster, tanto da versão 15 (30 km) quanto da 30 (120 km). [http://www.eurosam.com/blocks/aster.htm]

Os Aster podem ser vistos como a resposta européia à longa dominação no mercado ocidental dos mísseis americanos Standard SM2 que equipam os destróieres da classe Arleigh Burke e os cruzadores da classe Ticonderoga. Os mísseis Aster tem como principal característica sua altíssima mobilidade, fazendo manobras de até 60G ao longo de sua trajetória em direção ao alvo. França e Itália constroem de forma completamente independente seus próprios navios, sem que módulos estruturais sejam intercambiados entre os respectivos estaleiros encarregados de construir esta classe. As fragatas Horizon deslocam 7000 toneladas, o dobro das fragatas Niterói da Marinha do Brasil.medindo 153m de comprimento, 20m de boca e 8m de calado. Sua propulsão é CODOG (COmbined Diesel or Gas) com duas turbinas GE LN2500 (de 28000HP) r dois motores diesel SEMPT 12 PA 6 STC da Pielstick (5875 HP) movendo dois hélices de passo variável. Os navios apresentam um bow thruster na proa. Alcançado a velocidade máxima de 29 nós e um alcance de 3500 milhas náuticas à velocidade econômica de 25 nós.  

O lançador vertical SYLVER, instalado na proa, pode transportar e lançar até 48 mísseis ASTER. Os oito mísseis antinavio Exocet MM40 Block 3 da versão francesa, quatro apontados para cada bordo, são transportados sobre a superestutura. Dois canhões de Oto Melara 76mm “superrapido” foram montados avante do passadiço para defesa de ponta. Para a defesa anti-submarino o navio carrega 24 torpedos MU90. O convôo e o hangar foram dimensionados para a operação do novo helicóptero NH90 com 16 toneladas de peso máximo.

Em termos de sensores a Forbin apresenta um sonar de proa Alenia Selex/Thales MFS 4110 um sistema towed array com decoy antisubmarino SLAT, um radar 3D EMPAR montado no domo superior do mastro de vante. Este radar consegue acompanhar até 300 alvos simultaneamente. Complementando o PAAMS, existe um radar de longo alcance de busca aérea modelo Signaal S 1850M no mastro de ré. Este último sistema é capaz de identificar e acompanhar aeronaves voando a até 400 quilômetros de distância. Para comunicações satelitais o navio usa a suíte padrão francesa Syracuse III. Também é possivel utilizar os dois sistemas de datalink Link11 e um de Link16, garantindo comunicações padrão OTAN.

 

 

Last Updated on Thursday, 13 August 2009 10:18
 

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