A palestra do Secretario da Defesa Leon Panetta na Escola Superior de Guerra Print
Written by Felipe Salles   
Tuesday, 08 May 2012 00:52

 

 

A palestra aconteceu na 4ª feira, 25 de abril, no Rio de Janeiro, o dia seguinte à entrevista do Secretario de Estado (posto equivalente ao de Ministro no Brasil) dos EUA com o Ministro Amorim no Ministério da Defesa em Brasília. Esta palestra aparentemente buscava ser uma janela para o grande público onde se transmitiria a mensagem americanda de cada dia melhores e mais igualitárias relações entre o seu país e o Brasil.

No entanto, o evento acabou ecoando apenas na imprensa especializada, passando majoritáriamente em branco pela imprensa não-especializada. Isso ocorreu, provavelmente, pelo que o secretário não disse... Ele não veio ao Brasil declarar abertamente o apoio do Governo americano às pretensões brasileiras de passar a fazer parte do Conselho de Segurança da ONU.

A Escola Superior de Guerra, criada em 1949 com importante apoio dos Estados Unidos, era um palco sintomático: faz parte da comunidade Acadêmica, é subordinada diretamente ao Ministério da Defesa, mas, é também um espaço aberto igualmente à participação de militares e de civis nos seus cursos. É um ambiente essencialmente dedicado ao pensar do ambiente estratégico futuro da nação e também de sua inserção no mundo.

O secretário Panetta iniciou sua palestra salientando sua condição de filho de imigrantes italianos para os EUA e fez um paralelo entre as histórias de Brasil e dos EUA, ambos como grandes países contruídos necessáriamente a partir de massas de imigrantes oriúndos de todas as partes do planeta. Ele falou que : “os dois países se encontram num ponto crítico da história em comum. Está na hora de forçarmos o nascimento de um novo acordo, simultaneamente forte e inovador, baseado nos interesses mútuos dos dois países, enquanto potências ocidentais.” E aqui ele tocou de uma forma suave e elíptica no tema da presença do Brasil no CS da ONU, dizendo: “O Brasil se encontra prestes a tomar o seu justo lugar na comunidade das nações”.

E, infelizmente, disto ele não passou, seguindo sua palestra com: “Os EUA se encontram em um momento pivotal das guerrras no Iraque e no Afeganistão, alcançamos ganhos notáveis, com a Al Qaeda tendo ficado severamente enfraquecida. No Iraque buscamos uma conclusão responsável à guerra enquanto no Afeganistão finalmente aquele povo tem uma chance de se auto governar. Alí a nossa estratégia está tendo sucesso, o objetivo final já é visível. E partimos agora para novos desafioscomo o extemismo violento, países desestabilizadores como Irã e Coréia do Norte, potencias ascendentes no Pacífico”. Aqui ele preferiu se servir de outra metáfora em vez de apontar o dedo diretamente para a China, e seguiu na mesma toada sem elaborar o ponto que que poderia ser percebido como um ponto delicado para o Brasil, que tem neste país asiático seu maior parceiro econômico. E sua a lista de “desafios” seguiu por: “a mudança na arte da guerra, a proliferação nuclear, a ‘intrução cibernética’ (que ele explicitamente chamou de o ‘campo de batalha do futuro’)”. Para o hemisfério ocidental Panetta [ainda] apontou exclusivamente para o tráfico de drogas e aos desatres naturais como sendo as nossas “maiores ameaças”, um tema que ele retomaria num tom algo diferente mais adiante na palestra.

Para o secretário Panetta está claro que: “todas estas ameaças são maiores do que as capacidades de qualquer país, atuando individualmente. E se referiu ao grande déficit econômico que seu país vem acumulando nos últimos anos. Em seguida ele tratou de elencar a estratégia americana para o futuro. Uma nova visão baseada em forças armadas norte americanas mais ‘magras’, mais flexíveis, mais ágeis e mais rápidas e mobilizáveis globalmente com uma clara vantagem tecnológica sobre seus oponentes. Depois de décadas nos desertos do Oriente Médio os EUA estavam se redirecionando de lá para à região da Ásia-Pacífico. Em vez do unilateralismo da era Bush agora Panetta prega uma “retomada dos acordos de segurança entre os EUA e seus parceiros, e a construção de novas alianças ao redor do mundo. Mas ainda assim os americanos esperam que suas forças armadas sejam capazes de confrontar qualquer inimigo, sendo ainda capazes de sustentar duas guerras simultaneamente”.

Panetta apontou em sequência como “tecnologias do futuro”: o espaço, os UAVs (aeronaves não tripuladas), os sistemas de coleta e a coleta e o processamento de inteligência assim como a mobilização rápida dos meios militares. Complementand à declarada incapacidade das FFAA americanas de fazer tudo sozinhas, o secretário disse “que mais nações precisariam passar a realizar uma contribuição crescente para manter a segurança global. Novas parcerias como a que queremos ter com o Brasil são um exemplo disso. Um novo diálogo, dirigido por ambos os presidentes, transformará a relação entre Brasil e Estados Unidos na área da Defesa”.

“O Brasil é um hoje líder global e chegou nesta condição por merecimento. Durante as décadas de 80 e 90 a única politica militar para a América do Sul era a de focar combate ao crime transnacional. Estamos felizes com o crescimento do Brasil e gostaríamos de ver um maior envolvimemento do Brasil nas questões militares internacionais. A cooperação mais próxima já começou na resposta ao terrível terremoto de janeiro de 2010 no Haiti nossas forças armadas trabalharam lado a lado. Recentemente assinamos dois acordos de cooperação, uma para permitir a troca de informação sensível e outro parta dinamizar o treinamento conjunto. Novos convites foram feitos para envio de brasileiros para cursar as escolas militares nos EUA e para americanos curasem escolas no Brasil como o CIGS [Centro de Instrução de Guerra na Selva em Manaus]. Além disso estamos convidando a Marinha do Brasil para participar de exercícios desde a costa do Rio até a da África. A Força Aérea dos Estados Unidos já participou pela primeira vez do último Exercício Cruzex e no ano que vem a FAB aceitou participar novamentre do exercício Red Flag [em Nevada].

“Nossa relação atualmente é o mais forte que já foi desde 1945. A partir de agora desenvolveremos uma profunda cooperação científica entre os Estados Unidos e o Brasil, aproximando as instituições de pesquisa militar para a realização de projetos em comum. A áreas de ciber-segurança é uma das áreas de maior potencial para desenvolvimento conjunto nos tópicos de políticas cviber e compartilhamento de melhores práticas neste setor” explicou o norte-americano.

No plano geográfico, Panetta apontou o continente africano como sendo um foco possível para a cooperação dos dois países uma vez que ambos compartilham interesses estratégicos por lá. “A realização de exercícios conjuntos naquela área é um bom caminho adiante. Na resposta aos desastres naturais, Brasil e EUA podem se aproximar mais um do outro para cooperar e para aprender como responder de uma forma conjunta”.

O secretário da Defesa norte-americano deixou para o final um dos temas mais espinhosos da relação entre o s dois países. Ele falou: “O Brasil é uma ‘Potencia Econômica’ e que a cooperação em alta tecnologia binacional que precisa fluir em ambas as direções parece estar sendo limitada pelos controles de exportação existentes atualmente. Respondendo a isto, tomamos a decisão de liberar 4000 licenças de exportação diferentes para o Brasil, um patamar semelhante ao que temos com nossos melhores parceiros globais”. Neste momento, conforme esperado pela platéia ele finalmente “vestiu o boné” da Boeing para tentar reforçar as chances do caça F-18 Super Hornet daquela empresa no F-X2. Na ESG ele “garantiu” o pleno apoio tanto do executivo quanto do legislativo americanos a esta exportação para o Brasil. “Ligado a esta venda existe o potencial de se transformar a relação entre a indústrias de defesa dos dois países radicalmente” ele completou.

Panetta fechou sua palestra dizendo que ele realmente esperava que o Brasil optasse pelos F-18. “O Ministro Amorim está sendo aguardado em Washington em breve para a próxima etapa do nosso ‘diálogo’. No fundo Brasil e EUA são dois países que têm muitos interesses e valores em comum e esta oportunidade de trabalharmos juntos agora é finalmente algo tangível”.

Last Updated on Tuesday, 08 May 2012 01:26