Missão Jeanne d'Arc volta ao Rio, desta vez a bordo do BPC Dixmude PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Thursday, 07 June 2012 00:29


Nesta terça-feira a Marinha Francesa apresentou seus planos para o exercício PASSEX do BPC Dixmude que será realizado na semana que vem com diversos meios da Marinha do Brasil.

Segundo o seu comandante, Capitaine de Vaiseau (CMG) Guillaume Gautay, o Grupo Jeane d'Arc é composto pelo Navio de Projeção e de Comando (BPC na sigla em francês) L9005 Dixmude e pelo destróier D640 Georges Leygues. Os dois navios. além de suas próprias tripulações, levam nesta viagem 135 alunos da Escola Naval da França. Além deles, outros 15 oficiais recém formados de outras marinhas, entre os quais um segundo tenente brasileiro, acompanharão os navios no cruzeiro de "longa duração e de grande distância" que passará por três dos teatros de operação mais importantes para a Marinha Francesa: Mediterrâneo, Oceano Índico e Atlantico. 

Originalmente, a realização desta missão anual era exclusividade do porta-helicópteros Jeanne d'Arc. Com sua aposentadoria em 2010, coube à frota de BPCs, neste ano aumentada para três navios após o comissionamento do Dixmude, assumir seu papel em um esquema de rotação. Assim, cada ano um dos BPC será incumbido de realizar esta missão. Segundo o comandante, o Jeanne d'Arc já se encontrava muito defasado do ponto de vista tecnológico ao final de sua carreira, o que acabava não preparando adequadamente os aspirantes para a realidade operacional que eles encontrariam ao deixar a escola e assumirem seus primeiros cargos nos novos navios. Outra vantagem é que, ao usar-se três navios distintos para esta missão, as tripulações mantém por mais tempo sua plena experiência operacional, uma vez que apenas um terço do tempo se dedicarão à função peculiar de ser navios-escola. 

O simples fato do grupo ser composto de dois navios diferentes, por si só, já adiciona muita flexibilidade na montagem das situações e cenários de instrução. O Cte Goutay contou que pelo fato da Georges Leygues ser um navio especializado na guerra antisubmarino, dentro do grupo é ele quem dá este tipo de experiência aos alunos. Por sua vez, o BPC ensina tudo sobre as operações de desembarque anfíbio, usando para isso suas lanchas de desembarque e os helicópteros da Marinha e do Exército Francês que operam desde seu convôo. Um quarto dos alunos do grupo Jeanne d'Arc fica a bordo do George Leygues, mas para que todos experimentem todos os ambientes disponíveis, este contingente é trocado em períodos regulares.

Desta vez, no primeiro trecho da viagem, ainda no Mediterrâneo, um grupo de 10 alunos da academia militar de Saint-Cyr-Cöetquidan do Exército francês, esteve a bordo para conhecer o funcionamento das operações conjuntas Exército-Marinha que o BPC permite realizar. A Marinha da França não tem um corpo de fuzileiros navais, assim, os desembarques são responsabilidade do seu Exército operando em conjunto com a Marine Nationale. 

O Grupo Jeanne d'Arc partiu em 5 de março da Base Naval de Toulon, na costa do Mediterrâneo, e seguiu para leste treinando continuamente suas habilidades anfíbias até cruzar o Canal de Suez em direção ao Oceano Índico. Deixando o Mar Vermelho, os navios descarregaram veículos e carga variada no porto de Djibuti, sede das operações militares francesas naquela região. Em seguida, eles executaram durante todo o mês de abril operações antipirataria na área do "chifre da África", incluindo o Golfo de Áden e o Oceano Índico ocidental, antes de seguirem viagem na direção do sul do continente. Uma parada providencial em Capetown serviu para dar uma oportunidade de descanso para a tripulação e também para exibir o BPC para a Marinha sul africana que se encontra analisando o mercado com vistas à aquisição de um navio justamente desta categoria.

O Brasil também é um dos países que já declarou publicamente que precisa de navios de característica semelhante a dos BPC franceses. Na linguagem da Marinha do Brasil eles são conhecidos como NPM, ou Navios de Propósitos Múltiplos, e quatro deles constam nos planos de reequipamento da Marinha para os próximos anos. O período empenhado pelos navios franceses no Atlântico Sul segundo os folhetos distribuídos à imprensa é dedicado à "cooperação bilateral" e à "diplomacia de Defesa".

Após esta escala no Rio de Janeiro, os navios franceses operarão ao lado de duas fragatas, um navio patrulha, um submarino, um navio tanque, helicópteros e caças A/F-1 brasileiros na realização de um exercício Passex, evento este descrito pelo comandante do Dixmude como "um exercício de alto nível e de grande porte". Para o exercício de desembarque anfíbio 220 fuzileiros navais brasileiros e três blindados anfíbios CLAnfs foram embarcados no BPC Dixmude, que realizará o seu desembarque na base da Marinha existente na restinga da Marambaia, em seguida evacuando para o navio "civis ameaçados por uma situação de calamidade pública". O destróyer Georges Leygues, por sua vez, operará no alto mar em frente à costa carioca, num ambiente de ameaça de submarino. Para o comandante do grupo francês, o submarino será "a pimenta do jogo". Para maximizar o valor do aprendizado, marinheiros brasileiros acompanharão o exercício no BPC e em contra partida alguns cadetes franceses viajarão a bordo dos navios brasileiros durante este trecho.

Encerrada esta fase os navios seguem para Dakar no Senegal onde ocorrerá o desdobramento no Golfo da Guiné durante os meses de junho e julho partindo em seguida para a Base Naval de Brest onde chegarão de volta de sua viagem no final de Julho.

Alide embarcará neste navio e, como sempre, na volta, contará todos os detalhes desta operação inovadora.

Last Updated on Thursday, 07 June 2012 00:52
 

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