Sede sul americana da Thales agora fica no Brasil PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Monday, 03 September 2012 13:37

 

Entrada da sede da Omnisys em São Bernardo Bancada de testes de vivração para componentes de satélites Equipamento para testes dos radares Banda L Bastidores para teste das gavetas dos radares Banda L Julien Rousselet. Cesar Kuberek e Edgard Menezes Edgard Menezes

No dia 30 de agosto, a empresa Thales e sua subsidiária no Brasil Omnisys, anunciaram um novo foco de atuação no Brasil e na America do Sul.

Nesta ocasião também foram apresentados os novos diretores que capitanearão esta mudança de rumo: Cesar Kuberek, novo Vice-Presidente para a região da América Latina, e Julian Rousselet, o novo Diretor Geral da Thales Brasil. A multinacional francesa está focada globalmente em cinco segmentos de mercado, os tradicionais Defesa, Segurança, Aeronáutica e Espaço e daqui para frente com mais energia na nova área de "transportes terrestres". Todas estas áreas para a empresa se unem por comporem seu tema central: todas elas fazem parte de uma  “cadeia de decisões críticas” de seus clientes, sejam eles estatais ou privados.

Para César Kuberek, a America Latina é um mercado muito bom pra a Thales por combinar um grande potencial, com grandes problemas que ainda precisam ser resolvidos. “Existe uma demanda por soluções para o aproveitamento de seus recursos naturais, mas também de soluções para evitar maiores danos em tragédias naturais como terremotos, inundações, etc. A região tem países já estruturados como Brasil, México e Chile, e outros países em crescimento rápido como Colômbia e Peru. Existem ainda outros países que precisam de todo tipo de ajuda em muitos segmentos.” Com surpreendente franqueza, o executivo argentino ainda salientou que como a região concentra três dos maiores produtores de drogas, seus vizinhos acabam sendo usados como canais para o transporte destas drogas para os mercados consumidores primários na Europa e nos EUA. “O combate ao tráfico acaba sendo uma prioridade para todos os países. Em paralelo a isso, problemas decorrentes, como crime urbano aumentado e o tráfico de armas, acabam afetando os 70% da população da região que mora nas grandes cidades. 130.000 mil homicídios com armas ocorrem por ano na América Latina. Isso é muito mais gente morta do que acontece em locais com guerras conflagradas.” César continuou sua apresentação apontando que "no Brasil, em especial, a perspectiva da realização de grandes eventos como a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, em rápida sequência, apresenta um claro mercado para nossa empresa, se somamos isso ao importante programa de expansão das forças armadas locais, justifica-se nossa decisão de realizar a mudança da sede da empresa na região do México para cá”.

Dentre os "países estruturados", César comentou que, enquanto no México as oportunidades se concentram primariamente na área da segurança pública, no Brasil e no Chile a oportunidade no segmento militar será ainda mais forte do que a da segurança, citando os programas Prosub, Prosuper, do Satélite nacional, além do Sisfron.

Sobre a atuação da sua concorrência, a Thales percebe uma clara retração da presença comercial de material de defesa americano na região, enquanto nota um crescimento das iniciativas, nesta mesma área, de chineses e russos. No caso do Brasil, em específico, ele caracterizou a relação atual com a França na área de defesa como um “romance”. A retração americana, segundo ele, ocorre "em benefício direto do Brasil que vem assim se tornando o grande player da região o que apenas reforça a decisão da Thales de fazer do país sua base industrial local através da Omnisys".

Na nova área de foco da Thales, a de transportes, por exemplo, a região ainda não tem o número necessário de pontes, de estradas e de infraestrutura em geral de que precisa. No Brasil existem claras oportunidades nas áreas de metrô, de auto-estradas com a anunciada privatização pelo governo federal de 7500 km e de outros 10.000 km na área ferroviária. Isso tudo sem falar no programa do Trem de Alta Velocidade previsto para ligar Rio, São Paulo e Campinas. No segmento de satélites a Thales é especializada no desenvolvimento e fabricação de "payloads", os sistemas de sensores e equipamentos embarcados nos satélites, sejam eles de imageamento ou de comunicações. No Brasil, mais de 100 dos radares atualmente em operação foram produzidos pela Thales. Na América Latina, 70% dos radares em operação são da Thales. e ainda que muitas pessoas ainda não saibam, 94% das transações realizadas com cartões de crédito são feitas em equipamentos da Thales. O próprio avião VC-1 (Airbus A319BJ) da FAB que serve à Presidência da República usa sistema de comunicação satelital da Thales.

Segundo Julien Rousselet, a América Latina é uma região de grande crescimento para a Thales, apenas nos últimos 10 anos, a empresa conseguiu decuplicar sua receita aqui. Ao redor do mundo a Thales emprega 67000 pessoas e opera em 53 países diferentes. Na América Latina a Thales opera há 40 anos e hoje tem seis escritórios com 600 funcionários, a maioria dos quais engenheiros. No Brasil são 250 colaboradores, 98% deles brasileiros.

Edgard Menezes, co-fundador e atual presidente da Omnisys, por sua vez, comentou que a sua empresa era uma empresa de serviços quando a Thales venceu a concorrência para a modernização dos radares de tráfego aéreo brasileiros. Para o atendimento deste contrato a empresa francesa precisava de uma parceira no Brasil e foi assim que as duas empresas se aproximaram. Em 2005 a Thales adquiriu 51% das ações da Omnisys e, posteriormente, em 2010, comprou as ações restantes. Isto ampliou em muito os horizontes da empresa brasileira que hoje atua em mais de 10 países.

O desenvolvimento do Radar de Controle de Tráfego Aéreo civil na Banda L foi feito totalmente no Brasil, com financiamento pelo órgão de fomento industrial FINEP. Dentro de toda a Thales, a Omnisys é a única fabricante do Radar Banda L. Segundo Edgard, existem neste momento novas oportunidades para venda de radares desta classe no Canadá, na China, na África e no Brasil. Especificamente no caso do Brasil ele disse que os pedidos do ano costumam ser liberados quase sempre entre os meses de novembro e dezembro. Diferente daquilo que se pensa normalmente um "radar" não é a antena. No caso dos Banda L civil ele é um conjunto de cinco bastidores com seus equipamentos eletrônicos montados em diversas gavetas metálicas removíveis. A antena do radar, para eles, não passa de um "periférico" que, por ser simples demais, não convêm ser fabricada no Brasil e assim segue sendo importada do Canadá. A parte de baixa frequência do Radar de Banda L brasileiro é idêntica a do Banda S europeu e por isso não precisou ser re-desenvolvida. O número de gavetas de cada radar indica sua potência. Se ele tiver apenas oito gavetas, o seu alcance é de 200 milhas náuticas. Se o radar tiver 16 gavetas, o alcance passa a ser 250 milhas náuticas. Na fábrica de São Bernardo da Omnisys existe um destes gabinetes exclusivamente para que se possa testar as gavetas que foram retiradas do campo e mandadas para manutenção. Uma vez concluída esta manutenção a gaveta é inserida no gabinete de testes e avaliada profundamente antes de ser devolvido ao campo.

No Brasil, a Omnisys realiza a manutenção de todos os radares da FAB, menos aqueles adquiridos dentro do programa SIVAM. Posteriormente a isso a empresa brasileira foi contratada para realizar a modernização dos radares de "trajetografia", galicismo que indica o rastreio de lançamento de mísseis e foguetes franceses. Existe um grande interesse da Thales pelos programas de modernização da Marinha do Brasil. A notícia revelada com exclusividade por ALIDE da intenção da Marinha de construir mais quatro corvetas derivadas da Barroso abre para a Thales uma janela para o fornecimento de mais sistemas MAGE "Defensor", criado por eles conjuntamente com Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM). A Thales ainda está envolvida no desenvolvimento da cabeça de guiagem (o "seeker") e do radar autodiretor do futuro Míssil Antinavio lançado de meios de superfície (MANSUP) em desenvolvimento no Brasil. A participação da Thales neste projeto segundo Edgard reduz significativamente o risco deste programa. Segundo o Presidente da Omnisys, a área de desenvolvimento da empresa é composta unicamente por brasileiros. Para o Exército Brasileiro a Thales é a única responsável por prover o sistema de comunicações da sua nova família de blindados 6x6 "Guarani". O sistema SOTAS foi desenvolvido pela Thales Nederland e já houve a Transferência de Tecnologia para sua fabricação no Brasil. Esta solução é montada em "camadas" e pode usar qualquer sistema de rádio que o Exército venha a escolher. Com o SOTAS além da simples transmissão de voz, é possível até mesmo interligar os veículos uns aos outros via uma rede de pacotes IP como a Internet. Segundo Edgard a proposta derrotada da Thales na concorrência do projeto piloto do Sisfron "era tecnicamente excelente e, particularmente, a ToT era muito boa!" Nesta concorrência a Thales estava pareada com a construtora brasileira Andrade Gutierres e com a Oi num consórcio chamado "Genesys". Embora a Omnisys seja 100% de propriedade de estrangeiros a Genesys atendia à cláusula de que pelo menos 60% das empresas estratégicas de Defesa tenham pelo menos 60% de seu capital na mão de Brasileiros.César emendou: "A Embraer sempre foi o maior favorito para levar este contrato". O Sisfron, quando completado, terá que cobrir uma fronteira de nada menos que 17.000 km de extensão. "Para nós, nós não perdemos, dizemos isso porque chegamos muito perto do primeiro colocado", completou Cesar.

No último evento da Thales de qual ALIDE participou o tema era a decisão de se fabricar no Brasil o modelo GM400. Segundo seus executivos uma concorrência da FAB foi aberta recentemente pela Comissão Aeronáutica Brasileira em Washington (CABW) para a aquisição de cinco radares desta classe. Competem com a Thales a empresa israelense Elta e a espanhola Indra, num negócio estimado entre 60 e 70 milhões de euros.

Edgar foi muito enfático ao dizer que a grande janela potencial de crescimento diante da Omnisys seria a vitória do Rafale no F-X2. Neste caso a empresa quadriplicaria de tamanho passando a ter cerca de 10.000 funcionários. Segundo ele nem a Saab, nem a Boeing os procuraram para tentar fazer qualquer acerto caso seus aviões vençam esta concorrência da FAB. É possível que, para facilitar a relação com a Embraer no caso de vitória do Rafale, a empresa opte por abrir um escritório novo de desenvolvimento de software lá em São José dos Campos.

Fonte: ALIDE

Last Updated on Monday, 03 September 2012 23:27
 

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