DCNS: uma atualização sobre o programa FREMM da França PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Sunday, 21 October 2012 07:01

Lorient na Bretanha é onde fica o estaleiro da DCNS dedicado aos navios de superfície. Aqui, numa área de 45 hectares trabalham 2000 pessoas da empresa francesa de construção naval, quinhentas das quais envolvidas com o projeto de novos navios. Adicionalmente outros 1000 profissionais de empresas terceiras trabalham aqui também.

Nesta viagem estava prevista uma nova visita dos jornalistas internacionais à primeira das FREMM francesas, a “Aquitaine”. Infelizmente isso não ocorreu devido a um desencontro de agenda em que o navio se encontrava no mar justo no dia da visita. Segundo informado pela DCNS, até o dia da visita, a Aquitaine já havia realizado 24 saídas ao mar, totalizando 106 dias em testes longe do estaleiro.  Já ocorreram os testes de propulsão, de velocidade máxima, de estabilização, de lançamento de lanchas e de manobrabilidade. Um dos testes exigidos é o de frenagem em emergência. Neste caso, a partir de uma velocidade inicial estipulada de 27 nós, um navio deve chegar à total imobilidade em uma distância não superior a 15 comprimentos de seu casco. A Aquitaine atingiu a marca de apenas 5,5 comprimentos.

Os testes com helicópteros se entram adiantados, tanto com os Agust Westland Lynx quanto com os novos helicópteros NH-90, inclusive com o emprego de óculos de visão noturna pelos pilotos. Sem revelar números específicos foi contado que em termos de resultado do seu design stealth a FREMM conseguiu apresentar um eco radar ainda menor do que o das fragatas da classe Lafayette. Esta classe desenvolvida anteriormente pela DCNS se destaca pelo fato de, a despeito de ser um navio de 3500 toneladas, ter o eco radar igual ao de um navio pesqueiro. Alide perguntou ao Cte Bernard Longepe, vice-gerente do programa FREMM pela DGA em Lorient, a agência de compra de material militar da França se o número de 108 militares para tripular a FREMM tinha se confirmado suficiente para operar o navio. A resposta foi: “as provas de mar da Aquitaine tinham confirmado plenamente que o número previsto era suficiente”. Todos os novos sistemas das FREMM colaboram para permitir esta significativa redução de pessoal embarcado, por exemplo, o sonar rebocado da Thales pode ser colocado na água por um militar apenas.

O cronograma do programa prevê a entrega do navio à marinha francesa até o fim do ano. No entanto, justo no momento em que nosso ônibus deixava o estaleiro da DCNS de Lorient, lá estava a Aquitaine chegando das suas provas de mar. Os blocos pré-montados das FREMM são unidos entre si no interior do grande dique seco coberto de Lorient. Ali se encontrava o casco quase pronto da Normandie, o terceiro navio, e a parte central do casco da fragata seguinte, a Provence. Em 29 de outubro o dique foi inundado e a Normandie foi flutuada para fora dele. Na mesma ocasião o casco da Provence, já composto pelos blocos 3, 4, 5, 6, 7, 26 e 25, também flutuando, foi reposicionado sobre os picadeiros vagados pela Normandie. A partir deste ponto começara a montagem final do casco da próxima fragata desta classe, a Languedoc. As FREMM estão sendo construídas em uma verdadeira “linha de produção”. Stefanie Mest, engenheira da DCNS responsável pela integração dos módulos do casco comentou que: “No momento em que o primeiro navio está prestes a ser entregue ao cliente, a fragata para o Marrocos e outras cinco FREMMs para a marinha francesa se encontram em diferentes estágios de completamento. A curva de aprendizado da equipe de montagem fez com que os blocos da Normandie tenham sido mais os mais ‘integrados’ até aqui reduzindo o trabalho dos 250 construtores que trabalham no dique seco. A cadeia de suprimentos está melhor agora”, concluiu ela. Para otimizar o processo, todo o trabalho de solda ocorre diariamente, sempre entre 6h e 12h, o serviço de instalação elétrica no meio do dia e a pintura é feita unicamente à tarde.

Segundo ALIDE apurou recentemente no Brasil a MB gostaria de ver na sua nova fragata de 6000 toneladas uma torreta do canhão de 30mm “Millenium Gun” sobre o hangar e ainda dois canhões laterais de 40mm daqueles que serão fabricados no Brasil pela ARES. Aparentemente, existe ainda a intenção de equipar estes novos navios com ambos os modelos da família de mísseis antiaéreos Aster da MBDA, o 15 e o 30.

A Euronaval está programada para ocorrer do dia 22 ao 26 de outubro e ALIDE estará presente.

 

Last Updated on Sunday, 21 October 2012 21:21
 

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