40 anos no Brasil, Rockwell-Collins fica um pouquinho mais brasileira com o KC-390 PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Friday, 05 April 2013 04:43

Num encontro com a imprensa especializada em São Paulo, Thierry Tosi, o Vice-Presidente e diretor-geral para as Américas e outros executivos contaram sobre o momento pela qual a empresa está passando para poder melhor acompanhar as grandes mudanças que a estratégia Nacional de Defesa produziu na industria de defesa local nos últimos anos. Presente no Brasil desde o início do programa EMB-120 Brasília o negócio da empresa só fez crescer. Segundo os executivos a empresa emprega 40 pessoas no país agora, mas em apenas cinco anos este número deve alcançar a marca de mais de 350 profissionais. O ritmo atual do crescimento da operação brasileira é tremendo, apresentando taxas compostas da ordem de 20 a 30%. A Rockwell-Collins já investiu desde que chegou aqui cerca de 10 milhões de dólares e este número só tem como crescer daqui para frente.

Mais recentemente a primeira linha da Embraer a receber o painel Pro Line Fusion da Rockwell-Collins foi a dos novos jatos executivos  Legacy 450 e 500 que se encontram na sua fase final de certificação. Os painéis que serão fabricados no Brasil ao menos nesta fase inicial serão destinados exclusivamente aos aviões da Embraer e não devem ser exportados para instalação em outras aeronaves civis fabricadas por outras empresas. No ano passado, a Gol encomendou da Boeing um lote de 60 737 MAX de última geração com este mesmo painel, mas não está definido ainda se estes aviões também receberão as telas fabricadas no Brasil. No plano de nacionalização deste painel, o próximo passo será selecionar a empresa brasileira que realizará a montagem dos displays, uma vez que as caixas pretas que controlam o painel digital, aquelas com os processadores, memórias, etc. seguirão vindo inteiramente montadas dos EUA. Escolhido o parceiro nacional virá, em seguida, a fase dedicada a garantir a qualidade da nova linha de produção nacional.

Dentro do programa KC-390, um dos diferenciais da empresa americana foi justamente oferecer à Embraer o seu painel padrão comercial Pro Line Fusion. Por ser um produto “comercial” este painel integrado não está sujeito às restrições do ITAR. O “International Traffic in Arms Regulation” institui rígidos controles sobre a venda e a revenda/repasse de produtos com tecnologia militar americana, fato este que limitaria a liberdade da Embraer de vender seus novos cargueiros militares pelo mundo. Evidentemente, os requerimentos para os painéis militares são distintos dos de um operador civil. Algumas destas coisas, como, por exemplo, o uso do painel com óculos de visão noturna (NVG-Night Vision Goggles) precisavam ser resolvidas e foram. Para isso a empresa tratou de desenvolver novas e criativas soluções que atendessem ao cliente sem necessariamente infringir as regras do ITAR.

Segundo Steven Keane VP para programas de Defesa e Segurança:  “todos os países tem restrições de exportação de produtos sensíveis, isso existe na Europa também, apenas não se chama ‘ITAR’”. Os produtos que se encontram sob as restrições do ITAR são aqueles que a princípio foram desenvolvidos com verbas militares americanas, sendo isso o que garante ao governo americano a palavra final sobre para quem o sistema, após industrializado, poderá ser exportado. Mas o ITAR não é uma lei desmesuradamente abrangente. Exemplo disso é que uma subsidiária da Rockwell-Collins na Alemanha vende componentes para satélites, desenvolvidos naquele país, para empresas chinesas sem qualquer tipo de restrição do governo americano. Para garantir que não se infringirá as regras do ITAR um time de engenheiros trabalhando num programa externo ao ITAR precisa estar, física e logicamente, segregado dos seus colegas que trabalham com outros produtos controlados. São prédios, computadores, redes e discos rígidos totalmente separados. Para aconselhar seus engenheiros e homens de marketing neste tema delicado a Rockwell-Collins conta ainda com um escritório interno de especialistas no ITAR apenas para garantir que a empresa está desenvolvendo programas que respeitem ao pé da letra este sistema de controle governamental. Além do painel na cabine, a Rockwell-Collins ainda fornecerá o sistema DF-430 Direction Finder e o rádio de alta frequência HF-9000 para o KC-390.

Recursos humanos é sempre uma área delicada na indústria de defesa, sobre isso a empresa parece não estar preocupada: “temos um ‘turnover’ (entrada e saída de profissionais) muito pequeno aqui no Brasil. Um bom exemplo disso é o nosso Diretor-Gerente no Brasil, Nelson Aquino, que trabalha na Rockwell-Collins há trinta anos ininterruptamente.

Outra área onde a empresa é dominante é a de rádios de uso militar  tanto para voz quanto para dados. Eles, inclusive, estão trabalhando duro para poder fazer parte da solução escolhida pela Embraer para o projeto inicial do SISFRON (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras) recentemente adjudicado pelo Exército.  O SISFRON e o projeto Projeto Estratégico Sistema Integrado de Proteção de Estruturas Estratégicas Terrestres - PROTEGER, ambos do Exercito e o SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul) da Marinha do Brasil demandarão um imenso números de terminais de rádio com estas características o que instiga a empresa a buscar este mercado. Segundo eles sua atuação neste segmento tem se pautado por conversas com todos os possíveis “primes” e também com as forças armadas envolvidas. “Como não temos como vencer estas concorrências sozinhos, estamos avaliando muitas opções. Neste segmento tudo é muito dinâmico, e a melhor maneira de entrar nos negócios é realmente convencer ao parceiro que ele precisa de você. Estamos 100% disponíveis para atender nossos parceiros e as forças armadas e para isso vamos conversar com todos que estão no mercado”.

Atualmente a linha 170/190, os “E-Jets”, empregam um cockpit digital Primus da Honeywell enquanto os Phenom 100 e 300 usam o sistema G1000 da Garmin. Segundo Thierry Tosi este público caso de “infidelidade” da Embraer, o seu principal parceiro no país, é algo normal, e que não lamenta a perda para a Honeywell do painel da nova geração de E-Jets. Ele continuou: “Existem muitos programas nos quais estamos envolvidos neste momento, assim, seria bem difícil estar presentes em todos os programas da Embraer no mesmo momento. Mas temos a certeza de que com nosso investimento em apoio pós-vendas, nós seremos aqueles que serão os mais amados”. “A concorrência é um processo saudável e deve sempre haver concorrência nos programas industriais”. Ao encerrar, Thierry Tosi brincou: “é claro que eles gostam de todos os fabricantes, mas tem sempre alguém que você ama mais, e é este que nós queremos ser”.

ALIDE surpreendeu os executivos da empresa ao perguntar sobre os impactos do processo de corte linear do orçamento do governo americano, o chamado "sequestration". Segundo Thierry Tosi a Rockwell-Collins preventivamente fez uma provisão no seu plano de negócios para este ano para cobrir o impacto do "sequestration" nos seus resultados. Ela prevê que haverá uma redução de cerca de 10% no seu negócio com o governo americano o que coloca ainda mais pressão nas filiais estrangeiras da corporação para tentar cobrir este "buraco". Aqui no Brasil, a nova legislação brasileira sobre as Empresas Estratégicas de Defesa acabou gerando renovado interesse pela constituição de “Joint Ventures” entre empresas nacionais e estrangeiras. Sobre a experiência da empresa com "Joint Ventures" com empresas locais ele contou que a Rockwell-Collins tem uma longa história de estabelecimento de “Joint Ventures” variados ao redor do mundo, sendo uma a montada na China para apoiar o programa o avião civil COMAC C919 e outra no Oriente Médio junto com com Arábia Saudita e Emirados Árabes, dois bons exemplos desta habilidade da empresa.

Segundo Thierry: “Nossa maior ambição para a esta próxima LAAD é que todos os clientes deixem nosso stand satisfeitos, e que nossa credibilidade perante eles aumente ainda mais”.

Last Updated on Friday, 05 April 2013 12:47
 

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