NaPaOc francês L'Adroit passa pelo Rio PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Tuesday, 02 February 2016 02:59

 

A cidade do Rio de Janeiro foi a parada inicial da viagem de circunavegação do continente africano realizada pelo Navio Patrulha Oceânico (NaPaOc) L’Adroit da Marinha francesa. A nova família Gowind de navios da DCNS é composta de navios de superfície de médio porte com variados níveis de armamento e design stealth. Primeiro navio desta linha, o L’Adroit foi construído do estaleiro francês da DCNS em Lorient e deverá visitar ainda nesta viagem Montevideo, no Uruguai; Buenos Aires na Argentina; Cape Town, na África do Sul, terminando com uma parada em Moçambique. Em seguida, o navio executará um período de patrulha antipirataria dentro da operação europeia Atalanta ao largo da Somália. Seu retorno ao Mediterrâneo irá ocorrer via o Mar Vermelho e Canal de Suez. A partida desta missão se deu em Toulon no dia 11 de janeiro e a volta à França está prevista para o mês de maio.

Já há alguns anos que o Uruguai é citado na imprensa especializada como um potencial destino para o L’Adroit, por sua vez, a Argentina se encontra neste momento no pior ponto da sua história recente em termos de disponibilidade de meios navais. Se o novo presidente Macri quiser demonstrar uma vontade de reverter o legado de abandono característico dos três governos Kirchener nessa área, o patrulheiro francês pode vir a ser uma aquisição de oportunidade emblemática. A África do Sul está nesse momento avaliando ofertas para a aquisição de seis novos navios de patrulha oceânicos e Moçambique, por sua vez, comprou três modernos patrulheiros trimarans e seis “interceptadores” do estaleiro francês CMN.

Numa estratégia empresarial ousada a DCNS decidiu construir o L’Adroit totalmente com seus próprios fundos. Seu objetivo era dar ao modelo a indispensável “experiência operacional” necessária para acalmar possíveis compradores estrangeiros, o que lhe faz ter um status único na Marinha francesa. O convenio inicial assinado em 2011 colocou os custos de combustível e de pessoal nas mãos da Marinha Francesa e os de manutenção a cargo da DCNS, que, ainda retém a posse legal do navio. Atualmente para a DCNS o L’Adroit é um protótipo do modelo “OPV 90”, desenhado pela DCNS mas comercializado e construídos pela Kership, joint venture da DCNS junto com o grupo de construção naval Piriou. Medindo 87 metros e com uma boca de 13.6 metros, deslocando cerca de 1500 toneladas. O L’Adroit pode operar um helicóptero e um drone, além das duas lanchas rápidas infláveis Zodiac com casco rígido lançadas por duas rampas independentes da popa.  A maior é uma Zodiac Hurricane 935, equipado com radar, sistema optrônico TV/IR dia/noite, 10 lugares, capaz de atingir velocidade de 45 nós, e a menor uma Zodiac Hurricane 780 com seis lugares e 30 nós de velocidade máxima. Segundo fonte na imprensa francesa esta deve ser a última viagem de longo curso do navio uma vez que o convênio assinado com a DCNS não deve ser renovado para mais um ano. Este fato ainda não foi confirmado formalmente pela DCNS, que segue acreditando numa renovação.

O comandante do navio, capitão de fragata Nicolas Guiraud, disse que vários sistemas embarcados são comuns com outros navios da marinha francesa dando como exemplo, o sistema de comunicação. Toda a manutenção de primeiro nível é realizada pela tripulação, enquanto as fases mais avançadas ficam sob a inteira responsabilidade da DCNS. O sistema de combate do L’Adroit é o Polaris, desenvolvido recentemente pela própria DCNS com foco no mercado de navios médios como NaPaOcs e corvetas. Neste caso o treinamento é dado pelos próprios tripulantes para os que embarcam no navio. A tripulação normal prevista para este navio é de apenas 33 militares. Isso constitui “um desafio”, segundo o seu comandante, ainda que, para viagens mais longas, como esta, seja feito um reforço temporário de pessoal, embarcando 15 tripulantes adicionais. Assim mesmo, dispondo de camarotes para um máximo de 59 pessoas, o navio ainda tem disponíveis 11 camas para qualquer eventualidade.

O convoo do navio foi projetado para acomodar helicópteros de até 10 toneladas como o NH-90 e o SuperPuma, o hangar, no entanto, só pode ser usado por aeronaves de até cinco toneladas como são o SuperLynx e o Pantera (Dauphin). O hangar do L’Adroit não tem o guincho de teto que permite a troca de motores a bordo nem os mezaninos, tradicionalmente usados para armazenar peças de reposição. Além de ter uma boca larga, o navio tem um sistema de estabilidade passiva composto por tanques de água segmentados em seu interior que lhe garante boa estabilidade até mares de nível cinco ou seis. O helicóptero podem realizar operações de pouso e decolagem até em mar cinco. Sobre o convoo havia uma aeronave não tripulada Carcará II da empresa brasileira Santos Lab. Isso se explica pelo fato da DCNS estar conduzindo um programa de compatibilização dos UAVs nacionais com os navios desenvolvidos por ela.

Na proa fica um canhão de 20mm que é complementado por duas metralhadoras  .50. Estas são operadas manualmente e montadas nas duas asas do passadiço, para permitir a defesa aproximadas do navio. Na proa também existem dois lançadores octuplos de "chaff", contramedida de fitas metalizadas despistadoras de emissões de radar inimigo. A lancha Zodiac 90CV de oito lugares existente na lateral da superestrutura a boreste é usada normalmente em situação de emergência uma vez que as da popa são muito mais praticas para embarque e desembarque. A lateral do L’Adroit inclui uma porta quase no nível do mar, o que facilita bastante a entrada e a saída de pessoal do navio para pequenas lanchas. O comandante salientou que “a aquisição de quatro navios B2M pela Marinha da França não representa qualquer tipo de concorrência direta ao L’Adroit”. Estes navios são bem maiores, deslocando 2300 toneladas, e eles “têm uma missão muito mais logística do que propriamente de combate”. O NaPaOc L’Adroit “já comprovou poder levar o combate ao trafico de drogas, atuar contra imigração ilegal e em prol da defesa da soberania nacional no mar”, completou ele.

Tendo obtido sucesso em vender seis bem armadas corvetas de 2500 toneladas da família Gowind para a Malásia e quatro para o Egito, a DCNS agora busca um cliente para comprar o L’Adroit.  Philippe Missoffe, representante da DCNS no evento de imprensa, disse  que no entendimento da DCNS “a aquisição dos os NaPaOcs não consta da mais alta prioridade da Marinha do Brasil neste momento”, mas que “alguns de seus sistemas poderiam ter utilidade” em projetos de desenvolvimento e projeto brasileiro. Participaram do evento de impresa o Sr. Laurent Bili, Embaixador francês no Brasil e o Adido de Defesa francês em Brasilia, CMG Yannick Rest.

 

Meios de coleta de dados/informação.

Radar de vigilância combinada ar/superfície : SCANTER 4102

Radar de vigilância superfície SCANTER 6002

Dois radares de navegação THEMYS

Guerra eletrônica THALES (interceptor rádio, possibilidade interceptor radar)

Vigilância ótica/infravermelha : EOMS NG e FLIR

Sistema de combate POLARIS / ligação de dados táticos (L11) / ADS-B / warship AIS

Capacidade de recepção de uma célula de reforço SIC (testada e validada em operações)

 

Não deixem de ler também a primeira visita de ALIDE ao L'Adroit, quando ele ainda se encontrava no estaleiro de Lorient durante sua construção.

Last Updated on Tuesday, 02 February 2016 23:10
 

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