F-X2: Boeing atira suas últimas cartas na mesa. Print
Written by Felipe Salles   
Tuesday, 11 August 2009 00:11
 

Boeing vem ao Brasil “em peso” com seis de seus maiores executivos.

 

Nesta segunda-feira o Vice- Presidente da Boeing Company, Presidente, o  CEO da divisão militar da empresa americana, a Integrated Defense Systems, Jim Albaugh, recebeu a imprensa especializada e repórteres das maiores agências de noticias internacionais para atualizar o status de sua proposta dentro da concorrência para a aquisição do novo avião de caça da Força Aérea Brasileira.

 

No evento, ao lado de Albaugh, estavam John Lockard, Chief Operating Oficer (COO) da Boeing IDS; Chris Chadwick, presidente da Boeing Military Aircraft; Roger Krone; presidente da Divisão Network and Space Systems da Boeing IDS; Dennis Muilenburg, Presidente da Boeing Global Services and Support e Darryl Davis Presidente da Phantom Works, a unidade de pesquisa e desenvolvimento avançado que a Boeing herdou da McDonnell Douglas após sua aquisição. Albaugh, em sua apresentação sobre a Boeing e sobre o F-18E/F Super Hornet mostrou alguns dos pontos considerados chaves para os americanos:

 

- A área de defesa da Boeing conseguiu aumentar sua lucratividade nos últimos cincos anos de 5% a 16%, e deve nos próximos cinco superar os 25%

- Para a Boeing o Brasil é um dos “powerhouses” emergentes, uma potência futura e a Boeing não pode ficar de fora deste mercado.

- A presença deste time VIP da Boeing visa permitir que todos os executivos principais da empresa possam “conhecer as necessidades brasileiras”. Antes da sua partida dos EUA, Albaugh exigiu que cada um deles lesse a tradução para o inglês da Estratégia Nacional de Defesa brasileira.

- Albaugh disse também que as necessidades enumeradas no texto da END são todas atendidas pelos serviços e produtos ofertados pela Boeing. A Boeing é líder nas áreas de caças, helicópteros, aeronaves cargueiras militares, cyber guerra, entre outros muitas segmentos

- Na proposta encaminhada à FAB, consta uma lista de programas de transferência de tecnologia orçada em US$ 1,5 bilhões (materiais, manufatura e suporte).

- Alguns destes contratos devem ser concretizados mesmo que o F-18E/F não seja selecionado pela FAB. Questionado sobre quais seriam estes projetos Albaugh citou a participação da Boeing no cargueiro C-390 da Embraer, uma empresa que a “nós admiramos” e na oferta do UAV ScanEagle através da empresa brasileira Santos Lab. Ainda sobre o C-390, Albaugh salientou que “nós conhecemos aeronaves de transporte militar”!

- Para a Boeing, a carta da Secretária de Estado Hillary Clinton, recentemente entregue, apóia claramente a o projeto de transferência de tecnologia exigido pelo Brasil. Albaugh disse que o que se deseja é uma “Parceria de Iguais” entre o Brasil e os EUA.

- As discussões com a FAB já se focaram numa venda via o programa governamental americano FMS (Foreign Military Sales). Não está em consideração a hipótese da produção do Super Hornet no Brasil. As 27 empresas nacionais contatadas eventualmente entrariam para a cadeia logística global da Boeing fabricando peças e subconjuntos estruturais para todos os F-18E/F fabricados para a US Navy e para clientes estrangeiros.

- Albaugh admitiu a perda de receita devido ao cancelamento da produção do F-22 pelo Senado Americano, mas garantiu a despeito da receita deste programa está “longe de insignificante”, que os diversos outros programas militares em curso na empresa, como o F-15, F-18, C-17, 737 AWACS, etc; tem bom potencial para repor a receita perdida.

 

Chris Chadwick tomou o microfone para adicionar algumas considerações.

 

- A parceria em andamento no caso brasileiro se dará em três planos: Governo/governo, US Navy/FAB e Boeing/industria brasileira.

- A US Navy tem planos para empregar o F-18 até pelo menos 2030. Além desta data, garante ele, os planos ainda não foram escritos.

- O Super Hornet é um produto do “Hornet Industry Team”, uma parceria da Boeing, GE e Raytheon. O Super Hornet pode se transformar numa plataforma de 5ª Geração em tempo real, adotando um upgrade de cada vez.

 

Também foi comentado neste evento que o Operational Flight Program, OFP, o software que controla todos os aspectos da aeronave, por decisão da US Navy será único, assim as aeronaves americanas e australianas terão a capacidade de usar todos os armamentos exigidos pelo Brasil para seus Super Hornet. Isso evita que cada cliente tenha um software próprio e único, o que inviabiliaria a sua manutenção e suporte no futuro.

 

A estória dos mísseis “retidos” e não entregues pelos EUA, estória que há anos assombra a oferta do Super Hornet e de outros caças americanos ao Brasil, seria falsa e teria nascido de um mal entendido durante o fornecimento dos F-16C/D chilenos. Neste caso, os mísseis teriam ficado prontos antes da hora prevista e a FACh teria pedido sua entrega antecipada, o que teria sido negado pelo governo americano por razões exclusivamente logísticas. Segundo a estória, um transporte aéreo teria sido solicitado pelos chilenos, mas isso não teria sido aceito por questões de segurança. Finalmente, quando os demais componentes encomendados ficaram prontos, tudo teria sido entregue via transporte marítimo,  dentro do cronograma acertado.  

 

Finalmente, foi comentado que na proposta americana está prevista a montagem final, os testes de aceitação e a manutenção da turbina GE 414 no Brasil, caso o SH venha a ser contratado pela FAB.

 

O grupo de executivos da Boeing chegou ao país no final de semana e deve ficar em São Paulo até a manhã de quinta feira, dia 13. O único compromisso deles confirmado é uma visita à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional no Senado na quinta feira à tarde. O resto da programação do grupo é um mistério guardado a sete chaves. Não deixa de ser interessante essa vinda em massa DEPOIS da entrega do RFI (Pedido de informação), dos RFP (Pedido de Proposta) e do BAFO (Proposta Comercial Melhorada e Final), às vésperas da entrega do relatório final da FAB para o Ministério da Defesa. Qual será a opinião da FAB e do Ministério da Defesa ao ver os americanos falando com outras partes externas ao processo de seleção?

 

Para agravar a situação, nesta mesma semana começou a circular a versão de um possível atraso da data de conclusão do processo do F-X2, saindo de “agosto”, para “meados de outubro” (coincidindo, talvez, com a data do Dia do Aviador em 23 de outubro). Muitas dúvidas ainda persistem ao redor deste programa de reequipamento militar tão importante para o país. Será que a Dassault e a Saab também irão ao Congresso explicar suas propostas? O tempo dirá.

Last Updated on Wednesday, 12 August 2009 18:32