Operação Atlântico: As Forças Armadas brasileiras a caminho de uma maior integração PDF Print E-mail
Saturday, 21 February 2009 13:42

 

 

 

Coroando um conceito criado pela Marinha do Brasil, o da "Amazônia Azul", a descoberta dos mega-campos de gás e de petróleo no pré-sal, colocou nova ênfase e destaque nos exercícios combinados realizados pela Marinha, Exército e FAB. A cada ano, o esforço de operações combinadas é testado numa grande operação na nossa costa sudeste.

Em 2008 foi a vez da Operação Atlântico. Embarque conosco!

 

Os desafios das operações militares conjuntas.

 

Ao longo das últimas décadas as forças armadas brasileiras, como ocorreu também em diversos outros países, acabaram se especializando demais em seus ambientes primários de guerra (mar, terra e ar) ignorando quase que completamente os procedimentos e doutrinas operacionais das demais forças. Os conflitos recentes tem enfatizado a importância desta coordenação inter-forças, cobrando preço altíssimo das nações que falharam e implementá-la. Na Guerra das Falklands/Malvinas, o Exército Argentino não conseguia se comunicar por rádio com as unidades da Marinha naquele teatro, fato que ajudou em muito aos britânicos em sua retomada do arquipélago. Mas os desafios não são meramente técnicos, mas envolvem variações consideráveis de terminologia militar e de procedimentos operacionais. 
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Com a criação do Ministério da Defesa em 10 de junho de 1999 amadureceu a oportunidade para que o Brasil passasse a ter forças militares verdadeiramente integradas. O Almirante Edlander, Sub Chefe de Operações do Comando de Operações Navais, e, Chefe do Estado Maior do Comando Combinado da Operação Atlântico 2008 explicou a situação:”Busca-se nestes exercícios, não somente, a interoperabilidade de equipamentos e sistemas, mas, principalmente, a unificação doutrinária. Vamos alcançar uma organização militar que maximize o efeito dissuasório, até a simples realização de um exercício desta escala, com entre 10000 e 11000 militares é raríssima no hemisfério sul, e serve, sim, como estratégia de dissuasão. São muito poucas as forças armadas do mundo que conseguiriam realizar uma operação como esta”. 

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A cada ano, o planejamento dessas missões é realizado de forma integrada por militares das diversas forças militares. Em cada nova oportunidade, buscamos corrigir as restrições identificadas no exercício anterior. Simultaneamente, o desafio a ser atingido vai ficando cada vez mais complexo e exigente. O Almirante Edlander arremata: “A evolução das operações conjuntas no Brasil ainda não alcançou o grau desejado. Mas não podemos esquecer que nós apenas iniciamos este processo em 2004/2005. Ainda falta um grande salto real, dentro das forças, da importância das operações conjuntas. Mas não se pode esquecer que o prazo decorrido é ainda muito curto, outros países que partiram antes neste processo acabaram tendo mais dificuldades do asa que estamos encontrando, justamente por termos partido mais atrasados.

 

Preocupações do mundo real

Albacora, em 2007, focava na proteção das plataformas de petróleo localizadas na Bacia de Campos. Neste ano, a Atlântico foi bem além. Mais do que apenas as plataformas, a proteção de toda a cauda logística nacional de petróleo e gás foi enfatizada. Todas as refinarias e terminais de recepção e embarque de petróleo do sudeste são interligados pelos oleodutos e gasodutos da Transpetro, esta rede, eficiente em tempo de paz alguns pontos destes geram gargalos que poderiam ser aproveitados por hipotéticos inimigos do Brasil.

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Segundo o Almirante Edlander: “O alvo primordial de qualquer adversário militar será sempre a infraestrutura do país a ser atacado. Para realizarmo nosso trabalho de planejamento tivemos que estudar cada gargalo, cada ponto de concentração que pudesse ser usado pelo inimigo em seu proveito.” Apenas as refinarias localizadas no Estado de São Paulo (REVAP, RECAP, REPLAN e RPBC) respondem por cerca de 44% da capacidade de refino do país, com outros 20,5% ocorrendo entre os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais (REDUC e REGAP). A concentração neste segmento da indústria é significativa, a REPLAN, em Paulínia, e a REVAP, em São José dos Campos, representam, juntas, 50% da produção nacional de querosene de aviação (QAv). Por sua vez, a REDUC produz 90% dos lubrificantes fabricados no Brasil. Na costa norte de São Paulo, um pouco adiante do porto de Santos, existe o Terminal de São Sebastião, é lá que os navios petroleiros descarregam óleo bruto e carregam combustíveis refinados para exportação. No Rio, dois terminais de carregamento/descarregamento de combustíveis, Ilha d’Água e o TBig em Angra dos Reis, complementam a atividade no Terminal paulista.

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O Almirante Edlander continuou: “Hoje, mais do que em qualquer momento anterior, temos claro da importância de dispormos de uma defesa antiaérea moderna e dissuasória. Temos certeza que os planos decorrentes da estratégia Nacional de Defesa colocarão a defesa antiaérea como a mais alta prioridade. È exatamente em exercícios como a Atlântico que temos que confrontar de frente as nossas vulnerabilidades e deficiências da nossa estrutura de defesa nacional. A aquisição das novas escoltas de 60000 toneladas, com seus mísseis SAM de maior alcance, provavelmente demandará uma completa reavaliação da doutrina de defesa aérea da Esquadra, e, quem sabe, provavelmente até mesmo a da Defesa Aérea nacional”.

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O “TeCab”, terminal de óleo/gasodutos de Cabiúnas, fica localizado apenas dez quilômetros ao norte da cidade de Macaé. É por aqui que todo o petróleo que vem da Bacia de Campos em oleodutos submarinos se conecta à rede de dutos terrestres da Transpetro, por isso, esta foi uma das localidades chaves a ser que ser ocupadas e defendidas pelas tropas do Exército. Todo o gás natural consumido no Grande Rio de Janeiro passa por Cabiúnas.

 

O Cenário de Fundo

 

Para que os desafios do exercício fiquem bem claros sempre se recorre a inventar uma crise internacional fictícia que norteará todo o processo de planejamento de empregos das forças da mesma maneira que ocorreria numa crise real. O Almirante explicou: “quanto mais realista for o cenário utilizado, mais útil ele será para nos ajudar a estruturar nosso planejamento futuro. No ponto onde nos encontramos atualmente, percebemos que teremos que implementar primeiro o sistema de vigilância do Atlântico Sul, algioo nos moldes do que se fefez com o SIVAM na ‘Amazônia Verde’, antes de passarmos a pensar em efetivamente nos mísseis, por exemplo”.

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Desta vez foram criados dois países: Verde e Amarelo, que fazem fronteira exatamente na divisa entre os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Em disputa a posse de um novo megacampo de petróleo localizado na costa, bem perto desta fronteira. A crise começa com Amarelo questionando o direcionamento da fronteira marítima entre os dois países. Verde por sua vez acredita que a sobre o mar a fronteira segue um rumo de 0° enquanto Amarelo alega que deveria seguir um rumo de 45°, Não coincidentemente, a admissão da validade desta nova linha de fronteira, automaticamente, colocaria o megacampo de YPTU dentro de suas águas territoriais. Para fazer impor sua vontade, Amarelo atacou e ocupou por terra toda a região localizada entre o Rio Paraíba do Sul e a fronteira.

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A resposta militar de Verde foi, justamente, a Operação Atlântico. O Comando Combinado Atlântico foi criado pelo Governo de Verde para conceber e executar uma campanha militar escalonada em três fases distintas.

 

Fase 1  (de 15 Jun a 16 Set)

 

Esta data inicial de junho (fictícia) indica o tempo necessário, em um caso real, para realizar o preparo adequado de todos os meios a serem empregados na Operação Atlântico
  • Operações preliminares de inteligência
  • Infiltração de 70 homens das unidades de Operações Especiais
  • Operações Psicológicas
  • Conquista da Superioridade Aérea (Simulada/Real)
  • Defesa dos portos e pontos sensíveis no território de Verde (Simulada/Real)
Objetivos de Verde para a 1ª fase 
  • Obter a colaboração dos cidadãos de Verde, residentes em Amarelo, em prol da campanha militar empreendida;
  • Desmotivação das tropas amarelas concentradas nas proximidades de Serra do Mar;
  •  Redução do poder de combate aéreo e antiaéreo do país Amarelo; e
  •  Manter a integridade dos portos e pontos sensíveis de Macaé e São Sebastião, e do terminal de Cabiúnas.
 Fase 2  (17 a 24 Set)
  • Assalto Aerotático (lançamento de paraquedistas atrás das linhas inimigas)
  • Operação Anfíbia
  • Controle de Área Marítima CAM
  • Manutenção da Superioridade Aérea
  • Interdição/Sustentação ao Combate
  • Ofensiva Terrestre/Assalto Aeromóvel (tropas inseridas por helicópteros)
  • Defesa dos Portos e Pontos sensíveis
  • Operações Especiais
  • Operações Psicológicas
  • Operações de inteligência
Objetivos de Verde para a 2ª Fase 
  • Garantir a integridade dos portos e pontos sensíveis de Macaé e São Sebastião, e do terminal de Cabiúnas;
  • Controlar a área marítima de interesse de Verde;
  •  Manter a segurança das plataformas petrolíferas de interesse de Verde;
  •  Reduzir em 80% o poder militar do país Amarelo; e
  • Neutralizar a Base Logística de Amarelo em Iconha
 Fase 3  (25 a 26 Set)
  • Desmobilização e Controle Civil (somente para fim de planejamento)
  • Os meios envolvidos na Operação Atlântico 2008
 Objetivos de Verde para a 3ª Fase 
  • Retirar os efetivos militares deslocados para o TO;
  • Restabelecer a atuação normal dos órgãos públicos municipais, estaduais e federais.
Detalhamento dos meios empregados na Operação Atlântico 2008 

Força Combinada ICONHA (a cargo do ComemCh)           

  • 01 Navio Desembarque Doca NDD, o Rio de Janeiro G-31                      
  • 02 Navio Desembarque de Carro de Combate NDCC, o Mattoso Maia G-23 e o
  • Garcia d'Ávila G-29
  • 01 Navio de Transporte de Tropas NTrT, o Ari Parreiras G-21
  • 01 Navio Tanque NT, o NT Gastão Motta G-23
  • 01 Fragata Classe Niterói FCN , a Fragata Niterói F-40
  • 02 Fragatas Classe Greenhalgh FCG Fragatas Greenhalgh F-46, Bosísio F-48 e Rademaker F-49
  • 03 [CVI] Corvetas Inhaúma V-30 e Frontin V-33
  •  02 Embarcação de Desembarque de Carga Geral [EDCG]            
  •  02 Embarcação de Desembarque de Veículos e Material [EDVM]
  •  01 Rebocador de Alto Mar [RbAM] (Com1ºDN)
  •  02 Navio varredor [NV]      
  •  09 Helicópteros [He]
  •  01 Destacamento de Mergulhadores de Combate [Dst MeC]       
  •  01 Unidade Anfíbia [UAnf]
  • Brigada de Infantaria Paraquedista [Bda Inf Pqdt]
  • 01 Grupo Tático de Operações Psicológicas                        
  • 03 Fragatas Classe Niterói [FCN] (FICTÍCIAS)                
  • 02 Fragatas Classe Greenhalgh [FCG] (FICTÍCIAS)
  • 02 Navios Mercantes [NM] Mobilizados (FICTÍCIOS)
 Força Combinada MACAÉ (a cargo da 1ª DE/CML)                                                        
  • 1a Divisão de Exército [1a DE]       
  • Comando e Base Div [1a DE]
  • 6a Brigada Infantaria Blindada [Bda Inf Bld]        
  • 12a Brigada Infantaria Leve [Bda Inf L] (Amv)     
  • 1a Brigada Artilharia Anti-Aérea [Bda AAAe]       
  • Brigada de Aviação do Exército [Bda Av Ex] (Ct Op, Mdt O)     
  • 01 Grupo Tático de Operações Psicológicas
  • 01 Destacamento de Fuzileiros Navais [DstFuzNav] do Grupamento de Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro [GptFNRJ]    
  • 01 Destacamento de Fuzileiros Navais DstFuzNav do Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra [ComFFE]
  • Lanchas Orgânicas da Delegacia da Capitania dos Portos Macaé DelCPMacaé   
  • 6o Grupo Lançador Múltiplo de Foguetes (FICTÍCIO)     
  • 01 Grupamento combinado de Apoio à Defesa Civil [Gpt Cbn Ap Def Civ] (FICTÍCIO)
Força Combinada São Sebastião (a cargo do Com8ºDN)                                      
  • 01 Corveta Imperial Marinheiro do Com5ºDN        
  • 02 Navios Varredores [NV] (fictícios)         
  • 01 Elemento Anfíbio [ElmAnf] do Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra  [ComFFE]   
  • 01 Destacamento da 1ª Brigada de Arilharia Anti-Aérea [Dst 1ª Bda AAAe]      
  • 01 Helicóptero [He] do Comando do 5º Distrito Naval Com5ºDN
  • Lanchas Orgânicas da Delegacia de São Sebastião
  • 02 Navios Patrulha [NPa] (Com2ºDN e Com5ºDN)
 Força Combinada de Operações Especiais (a cargo da BdaOpEsp) Brigada de Operações Especiais [Bda Op Esp]       
  • Destacamento de Operações Especiais da Marinha do Brasil [Dst Op Esp da MB] Batalhão de Operações Especiais dos Fuzileiros Navais [BtlOpEspFuzNav]
  • Destacamento Combinado de Operações Psicológicas [Dst Cbn de Operações Psicológicas]
Força Aérea Componente (FAC) 108 (a cargo da II FAE)
  • 02 C-130H Hércules (1°/1° GT "Gordo")
  • 01 C-99 Condor     
  • 02 C-105 Amazonas (1°/9° GAv "Arara")
  • 01 H-34 Super Puma         
  • 04 A-29 Super Tucano       
  • 02 R-99A Guardião            (2°/6° GAv "Guardião")
  • 02 P-95 Bandeirulha (4°/7°GAv "Cardeal")         
  • 01 SC-95 Bandeirante       
  • 04 C-95 Bandeirante         
  • 06 A-1 AMX (FICTÍCIOS)
  • 06 RA-1 AMX (FICTÍCIOS)        
  • 06 F-5M Tiger II (FICTÍCIOS)    
  • 01 C-105 Amazonas (FICTÍCIO) 
  • 02 H-1H Bell (FICTÍCIOS)
  • Sistema EDT FILA (FICTÍCIO)
     

Efetivos do Comando Combinado Atlântico                         

 Força  Quantidade
 C Cbn ATLÂNTICO 

48

 F Cbn ICONHA

3.646

 F Cbn MACAÉ 

2.869*

 F Cbn Op Esp

256

 FAC 108   

687

 F Cbn São Sebastião

335

 Bda Pqdt 

850

 Bda AAAe  

102

 DIREX / FIGIN 

630

 ACISO  

414

 ORGACOTRAM

378

 TOTAL   

10.215

Inesperadamente, nos dias que antecederam as eleições municipais de 2008, o Governo do Estado do Rio de Janeiro solicitou formalmente ao Governo Federal a disponibilização de homens do Exército para garantir o acesso livre dos diversos candidatos às áreas de comunidades carentes dominadas pelo tráfico e pelas milícias. Isso fez com que toda a participação do Exército na Força Combinada Macaé fosse cancelada, esta parte do exercício no entanto continuou como força fictícia, exercitando unicamente o pessoal de Comando e Controle.

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Os Meios do país "Amarelo" 

A maioria das unidades participantes no Exercício estava servindo no lado "Verde". Na oposição havia poucos meios reais, complementados por muitos meramente virtuais. Eles são conhecidos como “FigIn”, ou Figurativo inimigo, e eles testarão as capacidades dos planejadores brasileiros.  Como não existe “guerra” sem um “inimigo”, para realizar o papel dos vilões foram escalados os seguintes meios Navais:

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  • Dois NaPas Classe Grajaú
  • Três submarinos classe Tupi
 Aéreos
  • A-1 AMX (3°/10° GAv "Centauro")
  • P-95 Bandeirulha (2°/7° GAv "Phoenix")

No total, na Operação Atlântico, foram empregados 17 navios, 40 aeronaves e 327 viaturas. Uma comunicação inovadora Demonstrando uma grande preocupação com a visibilidade deste exercício na mídia o Ministério da Defesa estabeleceu uma unidade combinada de Imprensa para envolver tanto a mídia especializada, quanto a mídia geral. Jornais, revistas e canais de televisão, tomando ciência da crescente importância das nossas forças armadas no futuro das questões geopolíticas globais devotaram um bom espaço para apresentar o exercício com muitas fotos e imagens na televisão, sem dúvida uma grande conquista para as forças armadas brasileiras.  A imprensa do cenário fictício foi realizada por um grupo de alunos de comunicação da PUC/RJ, que gerando notícias da “guerra” ofereceram mais elementos de inteligência, ora verdadeiros, ora pura propaganda, para dar pistas ou simplesmente para confundir os comandantes de guerra simulada.

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Exatamente como ocorreria numa situação real. Os alunos da PUC produziram folhetos pôsteres, busdoors e outdoors para a informação da população local saber o que estava acontecendo na sua região.    Para dinamizar a participação da imprensa geral aviões e helicópteros foram disponibilizados para trazer os repórteres, fotógrafos e cinegrafistas do Rio de Janeiro até a região de Itaóca, no litoral sul do Espírito Santo, ao lado do balneário de Marataízes. Esta foi a primeira operação militar de grande porte em que tal proatividade foi implementada junto à imprensa.

Partindo com a Força Combinada Iconha da Base Naval do Rio de Janeiro 

O carregamento dos navios de desembarque se iniciou na quarta-feira dia 10 de setembro com o précarregamento das lanchas de desembarque, as "EDCG" - Embarcação de Desembarque de Carga Geral. Depois, o NDD Rio de Janeiro navegou até o meio da baía da Guanabara e recebeu a bordo os CLAnfs – Carros sobre Lagarta Anfíbios. O Mattoso Maia recebeu sua carga de caminhões, reboques, cisternas e jipes. Entre eles um raro blindado SK-105 equipado como veículo de resgate. Dentro do convés garagem do Mattoso Maia também se encontrava um imponente trator militarizado Pettibone. No convés externo, dois grupos geradores diesel-elétricos suplementares estavam imobilizados com peias de aço.

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No dia 17 de setembro, a esquadra de "Verde", transportando a Força de Combinada Iconha, suspendeu para iniciar sua operação anfíbia contra o território de "Amarelo". A partir das 07h00, as escoltas começaram a deixar a Base Naval do Rio de Janeiro. Primeiro saiu a corveta Inhaúma, seguida a cada 30 minutos, pelas fragatas Bosísio, Rademaker, Greenhalgh e a corveta Frontin. A última escolta a partir foi a Fragata Niterói que transportava um grupo de jornalistas para lhes exibir um exercício de guerra anti-submarino, logo do lado de fora da Baía da Guanabara.

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Às 9h30 suspendeu o Navio Transporte de Tropas Ari Parreiras, carregado de soldados dos Fuzileiros Navais. Este navio é um dos mais velhos em serviço na Marinha do Brasil e deverá ser substituído pelo novo NDCC "Almirante Sabóia". Este novo navio é o ex-Sir Bedivere, da Royal Fleet Auxiliary britânica que deve ser recebido em abril de 2009. Com o NT Marajó passando por uma série de avaliações técnicas de seu casco e sistemas, o NT Gastão Motta está pagando quase que todas as comissões maiores da MB, ele deixou Mocanguê às 10h00. Às 10h30 foi a vez da grande novidade desta comissão, o novo NDCC Garcia d'Ávila, navio recém comprado ao Reino Unido, onde era conhecido como RFA Sir Galahad, ALIDE acompanhou a primeira fase da Operação Atlântico a bordo dele. Por fim, saíram o Mattoso Maia e o NDD Rio de Janeiro. 

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Os navios maiores deixaram a boca da Baía da Guanabara em coluna, com separação de 1000 jardas, e guinaram para bombordo cumprindo um canal varrido de 400 jardas de largura num campo minado defensivo simulado, sob a ameaça de ataques de submarinos inimigos. O tempo estava fechado, com vento frio e ondulações de sul para norte. Como nosso canal ia de oeste para leste, o mar de través fez todos os navios balançarem bastante. Apenas por volta de 1h da tarde os escoltas identificaram um sinal que podia ser o submarino e realizaram um ataque contra ele.

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Na altura da cidade de Macaé o canal se encerrou e os navios assumiram uma formatura com os navios grandes ao centro e os escoltas dispostas num semi-circulo cobrindo o flanco direito e traseiro do GT. Os setores da formatura que ficaram desocupadas estavam sobre uma lâmina d'água rasa demais para as operações normais/seguras de submarinos.

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Nesta comissão, o GT de "Verde" operou nada menos que sete helicópteros:
  • 01 Super Lynx,
  • 02 Super Pumas,
  • 02 SH-3 Sea King 
  • 02 Esquilos.

Na sua primeira comissão brasileira o Garcia D'Ávila transportou apenas um grupo de 87 Fuzileiros Navais, sete dos quais oficiais e o resto praças. Os fuzileiros embarcaram em Mocanguê no dia 14 de setembro e se dividiam em uma companhia de comando, um Batalhão de Controle Aerotático, um Batalhão Logístico, uma Companhia de Polícia e um Batalhão de Artilharia. Os veículos e equipamentos maiores destes militares estavam sendo transportados nos demais navios.

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Cruzando o Campo Petrolífero de Campos, finalmente, o Sol!

 

Encerrado o nosso ensaio do desembarque em Cabo Frio, e com todos as nossas EDCGs e CLAnfs recolhidos, ao cair da noite “suspendemos ferro” para podermos nos dirigir para o norte e para o oeste, para a praia de Itaóca perto de Marataízes. Quando um navio ergue sua âncora, ou “ferro” na linguagem naval, tanto ela como a corrente que a prende vem cheias sujeiras, para preservar sua vida útil, durante todo o processo se enrolamento da corrente um militar aponta um jato de água doce para arrancar tanto o sal marinho como a areia, lodo, algas, poluentes e detritos. 

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Em tempos em que o tema “pré-sal” parece ter tomado conta totalmente da imprensa nacional, a navegação pelo campos de petróleo da bacia de Campos, serve como uma chamada gráfica sobre o poder transformador da indústria do petróleo. Na manhã da sexta-feira, dia 29, nosso GT encontrou finalmente um céu azul e ótima visibilidade, bem em tempo para enxergarmos o literal mar de plataformas, FPSOs  e navios de apoio que os orbitam nesta região. Subitamente, após dois dias de quase absoluta solidão no mar, nosso navio se viu completamente cercado por estruturas metálicas, das mais diversas formas, cores e tamanhos.  Nossa rota nos manteve seguramente à distância, mas para onde quer que se olhe ali estavam as plataformas queimando sem parar seu gás excedente, foi uma visão impressionante.

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Um Super Lynx veio buscar a ALIDE no Garcia D’Ávila para nos levar para o briefing para a imprensa do Comandante da Força Combinada Iconha a bordo do NDD Rio de Janeiro. Os demais membros da Imprensa chegaram ao Aeroporto de Campos num Bandeirante da FAB e foram levados até o navio num Super Puma do HU-2 da Marinha. Encerrado briefing e almoço todos fomos levados de volta a terra.

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O domingo foi o primeiro VIP Day, o Ministro da Defesa e seus oficiais de Estado Maior, além do General Enzo, o comandante do Exército, foram recebidos no Garcia D’Ávila pelo Comandante da Marinha.

 

Em terra

 

Na segunda-feira, a janela ideal de desembarque, levando em conta a situação da maré, correntes e vento, foi bem cedo, antes do raiar do dia. Os primeiros a chegar na praia foram os Forças Especiais que defenderam o perímetro e selecionaram o melhor ponto da praia para a abicagem do Mattoso Maia. Os CLAnfs subiram na areia fofa em alta velocidade rapidamente se embrenhando na área coberta por árvores. As EDVM do Rio de Janeiro tocaram na praia e deixaram, sua carga de carros de combate e blindados M113, que seguiram os CLAnfs em busca de proteção.

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Encerrada esta fase os convidados VIP foram trazidos para terra para acompanharem o “resgate” de  tripulantes de aeronaves de Verde mantidos numa casa na orla de Marataízes. Neste cenário simulado, um sniper localizado em um prédio próximo abateu um vigia no telhado da casa, para em seguida outros FE se aproximarem pelo chão e colocarem um cordel detonador na parede externa gerando um ponto de entrada para o time atacante. Uma vez deflagrado o cordel, um helicóptero lançou mais tropas especiais no telhado para poder cortar a rota de fuga dos carcereiros de Amarelo. O tripulante capturado foi solto e extraído em direção à rua onde um Pantera do EB o retirou da área inimiga. Durante todo o tempo um Helicóptero Esquilo da Marinha orbitava a área continuamente com um atirador de elite na sua porta defendendo todos em terra contra qualquer tentativa de mobilização de reforço pelas tropas amarelas.

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Paraquedistas!

 

Para observarmos o lançamento da tropa de paraquedistas do Exército, os VIPs e os repórteres foram transportados da praia para uma região mais alta, próxima à cidade de Iconha, para poder ver o assalto aeroterrestre executado a partir de dois Hércules, dois CASA C-105 Amazonas e dois Bandeirantes.
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As aeronaves deram três passagens cada sobre a Zona de Pouso em cada passagem largando um grupo. Isso permite que um grande número de homens seja colocado, em segurança, numa área no solo de dimensões bastante restritas. Esta unidade paraquedista destruiu uma Base Logística de Amarelo que apoiava as unidades que haviam invadido o norte do território de Verde, se este apoio as forças invasoras não teriam como manter suas posições. Uma das grandes novidades da Atlântico reside justamente nesta tarefa de junção da Força Aeroterrestre do Exército com a a Força de Desembarque que capturou a cabeça de praia de Itaóca. O grande risco neste tipo de missão é que as duas forças não se reconheçam e que isso, tragicamente, gere um acidente do tipo “Blue-on-Blue” onde tropas aliadas atacam uma a outra sem saber, causando muitas baixas inutilmente. Desta vez tudo dfeu certo, conforme o previsto e novas lições foram identificadas para permitir o desenvolvimento desta interação interforças, com segurança, dentro do Teatro de Operações. Uma vez encontradas a tropa do Exército foi exfiltrada para a cabeça de praia e parte dela retornou ao Rio de Janeiro a bordo de navios da Marinha, completando o exercício.

Conclusão

A cada novo exercício conjunto, o nível de dificuldade aumenta, e no ano que vem novos desafios será colocados diante dos planejadores militares e eles criarão novas estratégias para atender aos requerimentos militares gerados pelo comando da nação. Do outro lado os navios, unidades e esquadrões envolvidos terão que se organizar para cumprir as missões que lhes foram confiadas sem erros ou acidentes. A Atlântico, a despeito de sua escala impressionante foi realizada sem qualquer fatalidade ou mesmo acidente relevante e isso é testemunho inequívoco da qualidade do adestramento dos homens e do processo de planejamento. Em 2009 haverá novos e mais duros desafios, como tem que ser! 

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Last Updated on Sunday, 22 February 2009 08:57
 

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