A Constituição, os canadenses, chilenos, colombianos, mexicanos, peruanos e americanos PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Thursday, 13 August 2009 22:58

 

ALIDE teve a oportunidade de colocar seus repórteres em cinco dos navios participantes e ainda visitou alguns outros no porto antes do início da fase de mar. A variedade de navios e de marinhas fez com que nós tivéssemos que criar  outro artigo, só para contar as histórias dos demais navios, aeronaves, tropas e meios de desembarque.

 

 

 

 

A UNITAS GOLD vista desde a Fragata Constituição

A Constituição suspendeu de Mayport logo após o Navio de Patrulha Oceânico Oaxaca da Armada do México. Reunidos os navios no mar, foi realizada uma PHOTEX (sessão de fotos aéreas) realizada por um MH-60S da US Navy.  Por alguma razão não explicada o exercício de Cross Deck que seria realizado pelo esquadrão HA-1, voando o Lynx 4004 entre os diversos navios foi cancelado. Por isso, o esquadrão perdeu a chance de realizar pousos em navios com convôos de variados tamanhos, formatos e características de aproximação. Em seguida, o navio brasileiro partiu para a realização das Manobras Táticas, onde o posicionamento dos navios é alterado a todo o momento, a fim de apurar nível do adestramento e a confiança mútua entre as tripulações. 

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No dia 24, ocorreu um exercício de tiro contra alvo rebocado. Normalmente este tipo de exercício ocorre na superfície, com rebocadores puxando por cabos a uma grande distância, alvos flutuantes a mais de 1.000 metros. Mas, desta vez, para nossa surpresa, o alvo vinha rebocado por um jato executivo Lear Jet. Este alvo aéreo tinha o tamanho e formato adequado para simular o vôo de um moderno míssil antinavio. Os diversos navios foram posicionados em coluna, com o Learjet serpenteando por entre eles. Isso permitiu a todos a chance de disparar contra o alvo. Surpreendentemente a fragata brasileira optou por disparar o canhão de proa de 4,5 polegadas contra o alvo, em lugar dos seus dois canhões Trinity. No total, foram gastos 13 tiros nesta fase. Praticamente invisível, pelo seu pequeno tamanho e alta velocidade, o alvo foi um grande desafio para ser fotografado. Quando, finalmente, em sua última passada, aprendemos a acompanhá-lo no ar, já não havia mais luz para fotografar. Uma pena. Em seqüência foi realizado um tiro aéreo contra um drone disparado pelo USNS Prevail. Desta vez a Constituição deu apenas três tiros contra o alvo, pois este era número de disparos pré-determinado para cada navio. A formatura para esse exercício foi uma coluna com os seguintes navios:

 

Prevail – Cartagena de Indias – USS Doyle – HMCS Montreal – Constituição – Blanco Encalado – Lubeck.

 

Neste exercício, a mira de todos os canhões é propositadamente descalibrada, a fim de que não se destrua o alvo. O drone caiu no mar assim que terminou seu combustivel. O Super Lynx 4004 da Constituição estava escalado para decolar e localizá-lo, mas esta faina foi cancelada e perdemos mais uma oportunidade de registrar um lado inusitado da missão. O navio USNS Prevail acabou incumbido de recuperar o drone, porém ainda houve a inesperada oportunidade de decolar e ir ao encontro de nosso submarino, o Tikuna, que veio a superfície. O Super Lynx N-4004, ao passar ao lado do submarino, fez um movimento lateral para cumprimentar os tripulantes do Tikuna. Para ALIDE esta foi uma oportunidade para realizar várias fotos dele e dos navios que faziam parte do exercício, antes de retornarmos ao navio.

 

Na parte da tarde, o Tikuna voltou a superfície e se posicionou entre os navios que navegavam lado a lado. Após algum tempo o submarino brasileiro mergulhou, se posicionando entre as colunas e avançando lentamente com todos os seus mastros para fora d’água. Neste momento, apareceu uma aeronave P-3C da US Navy que lançou várias sonobóias para marcar a posição do Tikuna. Estava prestes a se iniciar o CASEX, o exercício anti-submarino. Uma das sonobóias passou a dois metros da Constituição permitindo que nós a fotografássemos. Veio então a ordem para que os navios “abrissem” a formação e se afastassem o mais rápido possível do Tikuna a fim de dar uma chance ao submarino de tentar se evadir. 

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O P-3C sabendo que o adversário era um “osso duro de roer”, não abandonou a área e continuou lançando as suas sonobóias. Alguns minutos depois, um helicóptero SH-60B se juntou à caçada ao submarino brasileiro. Após os navios se afastarem e se reposicionarem, teve início o CASEX. Muitos contatos “quentes” foram declarados, porém em exercícios como a Unitas não existe de-briefing com cinemática, nunca saberemos se os “caçadores” estavam certos ou não. Como em outras Unitas, o exercício de Maritime Interdiction Operations – MIO - foi executado pelos participantes e em nossa SAG, a Alpha, coube à Constituição, ao Montreal e ao Thetis  realizarem as inspeções entre si.

O exercício SINKEX desta Unitas estava marcado para o dia 28, mas, foi adiado para o dia seguinte por problemas de comunicação. SINKEX é o nome que se dá aos exercícios que terminam com o afundamento de um casco de navio previamente descomissionado. No dia 29, os navios das duas SAGs(Surface Action Group) se reuniram em um ponto do oceano e, em formação, começaram a disparar seus canhões, a medida que iam passando pelo alvo. O alvo era o casco do ex-USS Connolly, um destróier da classe Spruance retirado de serviço em setembro de 1998 e meticulosamente limpo para ser afundado. A Constituição recebeu uma mensagem do DESRON 40 (Destroyer Squadron 40) informando que seu desempenho foi destaque e que todos da SAG Alpha deveriam se espelhar nela, o que obviamente encheu de orgulho toda sua tripulação.

Hora de reabastecer. O USNS Arctic realizava RAS com o destróier USS Oscar Austin por boreste, quando nos aproximamos por bombordo, a fim de iniciarmos os procedimentos para as passagens de cabos entre os navios. Recebidos os 200 mil litros de óleo saudamos a tripulação do Arctic e nos afastamos em alta velocidade para que tanto o USCG Thetis quanto o Almirante Padilha também realizassem seus reabastecimentos. Após o RAS, a Constituição lançou o Super Lynx 4004 afim de realizar a identificação de dois contatos. A aeronave foi recolhida após a conclusão da missão. No dia seguinte começou o Final Battle Problem e a nossa primeira tarefa foi enviar a nossa equipe do Grupo de Visita e Inspeção/Grupo de Presa (GVI/GP) a bordo de navios suspeitos. Em todas as ocasiões o Prevail fez o papel de navio suspeito para isso, a toda hora mudava sua bandeira. O nosso GVI foi a bordo do Prevail por duas vezes,  e o inverso aconteceu com os grupos do Canada e da USCG que nos visitaram.

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Dentro do Final Battle Problem, por várias vezes, a Constituição precisou imprimir altas velocidades acionando suas turbinas Olympus, a fim de proteger o nosso “alvo de maior valor”, neste caso, o USS Mesa Verde. Findo o FBP, todos os navios se reposicionaram para, no dia seguinte realizarem a Parada Naval com a US Navy no caminho de retorno a Mayport.  

A Constituição e a Marinha do Brasil: no comando de SAG

Mesmo num exercício multinacional como o UNITAS toda a operação interna, a gerência e a operação de máquinas, sensores, armamento, etc. do navio pouco muda em relação ao dia-a-dia nos exercícios puramente brasileiros. Ao contrário, toda a atividade de comunicações, a interação entre o navio e o Grupo Tarefa e com os demais navios é uma operação absolutamente nova, começando pelo uso da língua inglesa. O “Comando da Força”, especialmente, é uma atividade incrivelmente diferente. Cada navio, mesmo operando dentro de uma operação multinacional, segue rigorosamente um conjunto de regras de engajamento que seja aceitável para sua marinha/governo. Se o comando tático transmitido pelo controle da força para o navio conflitar com suas próprias regras de engajamento o navio não realizará a instrução, causando um verdadeiro caos no planejamento tático da operação.  Repetindo o que ocorreu na última Panamax, coube à Marinha do Brasil indicar o comandante do GT Caribe, ou seja: todos os navios militares navegando a leste do Canal do Panamá.  

Nesta UNITAS GOLD o CMG Jefferson, Chefe do Estado Maior do Comando da Segunda Divisão da Esquadra, foi escolhido para embarcar com seu staff na fragata Constituição para realizar este “Comando de SAG”. O Com-Div2 se envolveu desde o início do planejamento enviando representantes para as duas reuniões de planejamento do exercício. Nestas ocasiões, os representantes dos diversos países optaram por acatar todas as sugestões dos americanos, assim a UNITAS passou a contar com situações como as de MIO (Maritime Interdiction Operations) num cenário de “harassment”, ou, em bom português, de oposição clara à atividade de inspeção no mar conduzida pelos tripulantes dos navios militares. Também foram planejados exercícios não tradicionais para nossas marinhas sulamericanas, como, o combate ao terrorismo e antipirataria. Houve até um caso de reação emergencial a uma hipotética situação de calamidade pública, como aquela verificada no recente tsunami do Oceano Indico.

Os Grupos de Ação de Superfície (SAG é a na sigla em inglês) foram ativados entre especialmente para o “Scenario Phase”, o exercício final de combate simulado, também conhecido por “Free Play”. Em termos essencialmente profissionais esta oportunidade de comandar um Grupo Tarefa incluindo navios brasileiros e estrangeiros ainda é uma oportunidade rara, mas que cada vez mais tem se apresentado para oficiais da MB. O Comandante Jefferson contou que “a US Navy operou o seu próprio software de jogo, um sistema considerado por eles secreto”. Na fase de aquecimento (a “Workup Phase”), realizada entre 24 e 27 de abril, o comando dos grupos de navio se alternava a cada exercício, permitindo a todas as marinhas experimentarem com seus oficiais as lições do comando de forças multinacionais. Nesta etapa o grupo da Constituição incluía também as fragatas Lübeck, Montreal, Blanco Encalada, o destróier americano Doyle e os navios logísticos USS Oak Hill e Cartagena de Índias. Os demais navios da operação se encontravam distantes, em outras áreas, realizando exercícios semelhantes. 

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Comunicação "COTS" para todos

Logo de partida percebia-se que os grandes desafios da UNITAS se encontravam na área da comunicação verbal por rádio. A presença dos alemães fez com que os membros do GT tivessem quatro línguas nativas diferentes, inglês, espanhol, francês e português. Para compensar isso os americanos implementaram um sistema de “chat”, usando as conexões de dados via satélite e terminais (micros) padrão comercial civil. Diferente do sistema de comunicação textual RTD (sigla de Rede Tática de Dados) que a MB usa nos seus navios, que comunicam ponto a ponto, o “chat” dos americanos usava uma Data Center (um CPD) em Houston, Texas, para acomodar o servidor dedicado a esta tarefa. Esta rede, o chamado “Unclassified Enclave” era totalmente isolada das redes de dados operacionais da US Navy, o que evitava qualquer risco de acesso não autorizado aos ambientes de dados críticos dos americanos. Este servidor estava “no ar”, em condição plenamente operacional, quinze dias antes do início do exercício.

Todos os exercícios exigiam que um conjunto mensagens de exrcício fosse escrito por cada uma das unidades em comando. Assim, o staff do Comandante Jefferson realizou o upload de todo esse material para a Intranet da UNITAS, antes mesmo dele voar para embarcar na Constituição nos Estados Unidos. O software cliente desta rede de chat foi distribuído e instalado por pessoal da US Navy nos navios estrangeiros, quando estes chegaram pela primeira vez em Mayport. Não só os navios faziam parte do chat mas também toda uma série de outros participantes da UNITAS GOLD, baseados em terra, tinham acesso e participavam ativamente das comunicações. Este sistema, da mesma maneira que o popular MSN permitia muitos modos diferentes de comunicação. Desde diálogos interativos abertos entre dois ou mais participantes, ou a criação de salas privadas de chat, passando também pela troca de arquivos digitais como arquivos de aplicativos Windows, como, DOC, XCL e PPT. 

O Comandante Jefferson explicou: “O sistema RTD brasileiro, em comparação, está em permanente melhora. Já se pode fazer conexões de voz e de vídeo quando se usa o padrão de comunicação (comercial) IP sobre VHF. Desta forma, velocidades de até 1,2 Kilobits por segundo podem ser alcançadas no meio do mar. O limite de distancia desta configuração segue sendo ainda, o alcance de rádio do navio até o horizonte. A migração futura para uma conexão via satélite é possível e interessante, além de gerar uma troca de dados que não seria passível de interferência pelos sistemas de Guerra Eletrônica do inimigo”. Ele continuou: “A MB está usando antenas das bandas Ku e X para levar a sua Intranet a todos os seus navios, começando a introdução deste serviço pelos navios que realizam as comissões mais longas. Os NDDs e NDCCs já tem o sistema e as fragatas Niterói e Type 22 estão sendo equipadas com ele neste momento. As corvetas, ao contrário, por operarem mais perto da costa não receberão este sistema de comunicação via satélite. O uso de SatCom é muito conveniente no mar, mas, o navio militar não pode nunca depender de um único sistema. No dia do Sinkex, um dos navios mais modernos do GT, o Mesa Verde perdeu todas as suas conexões via satélite, fato esse que gerou o atraso o adiamento por 24 horas deste evento.” A fragata peruana Aguirre perdeu sua comunicação satelite e, assim acabou excluída do exercício por incapacidade de ser comandada pelo comandante da SAG. 

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Em termos de datalinks táticos, apenas as Type 22 da MB dispõem do antigo sistema Link11 da OTAN. Por sua virtual obsolescência, esse sistema não foi usado por ninguém durante a UNITAS GOLD. Já os navios que tinham o moderno Link 16 tiveram muita oportunidade para exercitar seu uso. O CMG Jefferson lembrou que: “Num ambiente de guerra atual, pode acontecer de a atmosfera se encontrar tão saturada de interferência eletromagnética que as tradicionais bandeiras venham que ser usadas para a comunicação entre navios. A maior restrição para o uso eficaz das bandeiras de sinalização no entanto, está no fato que cada vez mais neste ambiente das ‘novas ameaças’, os navios tendem a navegar independentemente e fora do alcance visual um do outro. 

No exercício final do cenário (o “Free Play”), durante quatro dias, os navios foram divididos em três SAGs. A SAG “Alpha” sendo comandada pelo Brasil; a “Bravo”, pela Alemanha e a “Charlie” pelo Peru. A cada UNITAS um novo leque de lições é aprendido. Conforme está previsto na Estratégia Nacional de Defesa a compra de oportunidade esconde o risco de não darmos saltos tecnológicos junto com o das potencias navais globais. Se o “gap” entre nós ficar grande demais, estaremos condenados a perder aquilo que é o mais caro de se obter, o conhecimento operacional.

O nível de adestramento da MB é de primeira qualidade, mas, os nossos meios materiais precisam ser atualizados. Isso se percebe em pequenos detalhes como na falta de tanque séptico ou estação de tratamento de dejetos na fragata Constituição. Por falta deste equipamento, a US Navy exigiu que os marinheiros brasileiros usassem unicamente banheiros químicos instalados no píer, enquanto nossa fragata estivesse atracada em Mayport. Outro exemplo é que como não temos por política nacional a atuação em inspeções tipo MIO, nossas lanchas de bordo são equipadas com motores de potencia insuficiente para transportar rapidamente os homens do nosso Grupo de Visita e Inspeção/Grupo de Presa (GVI/GP) da fragata até os navios a serem inspecionados. São novas missões exigindo novas capacidades técnicas. 

Enquanto todas estas mudanças são implementadas, o número de exercícios só cresce. No retorno ao Brasil a Constituição participou do exercício "Alianza" na Colômbia, e, ainda foi enviada para participar do resgate aos destroços do Airbus da Air France do vôo AF447 que caiu em 1º de junho na região entre o nordeste brasileiro e a África. Por esta razão a tripulação da Constituição mostrou sua dedicação e profissionalismo ficando mais dias do que previsto fora de sua base no Rio de janeiro. Bravo Zulu, Urso.  

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Os chilenos 

A Fragata Almirante Blanco Encalada FF15 é uma das quatro fragatas compradas da Marinha Real Holandesa pelo Chile. Originalmente batizada HNLMS Abraham van der Hulst, a Blanco Encalado veio à UNITAS GOLD sob comando do Capitán de Fragata Enrique Marin Palma. A Blanco Encalada deixou sua base em Valparaíso no dia 31 de março, cruzando o Canal do Panamá em 13 de abril. Este navio e sua tripulação já têm uma considerável experiência em exercícios multinacionais, tendo participado anteriormente do RIMPAC 2006 no Havaí.

O sistema de defesa aérea das duas fragatas “M” conta dois lançadores laterais para um total de 16 mísseis Sea Sparrow e é mais simples e de menor alcance do que os Standard SM-1, instalado nas também ex- holandesas fragatas da classe “L” que foram recebidas dentro do mesmo programa de reequipagem naval. Enquanto as “L” são essencialmente navios especializados na guerra antiaérea, as “M” são navios multipropósito, aptos a enfrentar e engajar ameaças no ar, na superfície e sob o mar. Perguntado sobre as características marinheiras desta classe o oficial chileno que nos acompanhava na visita disse que: “Diferente dos navios ingleses que sua armada também comprou, os quatro navios holandeses foram projetados com menor ênfase em operações em “águas azuis”, com cascos mais estreitos, por isso, naturalmente, balançam mais”.

As fragatas “M” usam um radar de busca combinada 3D ar-superfície Thales Nederland SMART-S com alcance de 70 quilômetros, dois radares direção de tiro STIR e um radar 2-D de busca aérea de longo alcance LW08 da Thales Nederland. Para guerra antisubmarina o navio leva dois sonares, um sistema rebocado Thales Anaconda DSBV 61 (passive towed array) e o de casco Thales Nederland PHS-36 (active search and attack). Na proa fica um canhão de 76mm Oto Melara Mk 100 e nas laterais, dois canhões Oerlikon de 20mm para defesa aproximada. À ré existe um sistema integrado de defesa antimíssil Thales Nederland Goalkeeper com um canhão automático de 30mm. A principal arma anti-navio deste classe são os seus mísseis Harpoon Block 1C armazenados em dois lançadores quádruplos.  Logo ao chegar ao Chile, o navio recebeu um prolongamento de cerca de um metro à ré do convôo para permitir a operação segura nesta classe dos seus grandes helicópteros Super Puma. O navio como é de praxe nas marinhas modernas dispõe de uma antena de conexão para a Internet via satélite. Um diferencial deste projeto é a instalação “embutida” dos tubos de torpedo MK-46 dentro das laterais da superestrutura.

Para conhecer um pouco mais sobre a fragata classe “L” chilena, a Almirante Latorre, não deixe de visitar nossa cobertura da UNITAS XLVIII [http://www.alide.com.br/joomla/index.php/component/content/article/38-ed30/114-UNITAS-xlviii].  

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O “Amphibious Partnership”da UNITAS Gold

Aproveitando a presença dos navios anfíbios, USS Mesa Verde e USS Ashland, na UNITAS GOLD foram trazidos para os Estados Unidos 289 fuzileiros navais estrangeiros para realizar um desembarque anfíbio usando os grandes hovercrafts LCAC da US Navy existentes dentro destes dois navios. O Capitão de Corveta (FN) Campos Mello foi o oficial comandante dos 45 militares do 2º Batalhão de Infantaria dos Fuzileiros Navais presentes ali.

A etapa de planejamento prévio ocorreu em fins de 2008 e coordenou a vinda de uma companhia (150 militares) de canadenses, uma companhia completa de Marines americanos (com uma Companhia de Comando, cerca de 300 homens), um pelotão mexicano, um colombiano e um Peruano Os fuzileiros uruguaios limitaram-se a mandar um grupo de combate de 20 militares. 

A etapa anfíbia começou no dia 14 com uma sequência de eventos em terra, e se encerrou no 1° de maio, depois do desembarque em Jacksonville Beach, dez quilômetros ao sul da base naval de Mayport. A primeira fase de treinamento, entre 14 e 21 de abril, foi no Camp Blanding Joint Training Center [GE: 29°57′07″N 81°58′48″W], uma grande base de treinamento conjunto administrada pelo Florida Army National Guard. Aqui houve exercícios de tiro, de emprego de artes marciais, de evacuação de não combatentes (Non-combatant evacuations, ou “NEO” em inglês) e muitas horas de exercícios de Planejamento Operacional. A fase seguinte foi o embarque no Mesa Verde e o desembarque propriamente dito. A organização da Força de Desembarque era no mesmo formato usado no Brasil, um Elemento de comando controlando um Elemento Terrestre, um Elemento Aéreo e um Elemento de Logística de Combate.

O Ground Combat Element (Elemento de Combate Terrestre) tinha três Companhias subordinadas a ele: a 1ª Companhia (canadense) agrupava os dois pelotões canadenses e o grupo de combate uruguaio. A segunda companhia, comandada pelo Brasil, continha um pelotão brasileiro, um peruano e um americano, e a terceira companhia (americana) continha um pelotão americano, um mexicano e um colombiano. Nesta fase o CC Campos Mello foi chamado a fazer parte do Estado Maior do Ground Combat Element. Este Estado Maior era composto de capitães de corveta e de fragata dos diversos países participantes do exercício e  comandado por um Ten-Cel Marine americano. Segundo Campos Mello, um dos quesitos básicos para tomar parte desta missão era o domínio de línguas, pois além do português os oficiais precisavam ter fluência também no inglês e no espanhol. Para os fuzileiros as lições mais importantes desta UNITAS foram de como trabalhar num ambiente multinacional, especialmente no que envolve o planejamento operacional. No Brasil os Fuzileiros usam o Processo de Planejamento Militar para operações singulares e empregam o Processo de Planejamento Conjunto para ambientes em que as três forças estão presentes. O processos de planejamento das diversas marinhas participantes são em geram muito semelhantes ao Marine Corps Planning Process dos americanos, com apenas variações e particularidades locais. Nos Marines, o planejamento operacional é simplificado por se apoiar no preenchimento de tabelas e formulários padrão. A diferença dos meios disponíveis para cada marinha, como LCACs e helicópteros em grandes números dos EUA, por exemplo, faz com que o gerenciamento de risco varie bem de uma marinha para a outra. Em sua volta ao Brasil os Fuzileiros farão um relatório detalhado elencando detalhadamente desde o aprendizado, passando pelas questões doutrinárias e concluindo com os temas ligadas ao equipamento moderno. 

Esta operação permitiu uma grande troca de experiências pessoais e operacionais entre os participantes, uma vez que cada um tinha alguma coisa para contar. Os Marines do 24º Regimento estiveram em Faluja, no Iraque; os canadenses estiveram tanto na Bósnia quanto no Afeganistão, os brasileiros passaram pelo Haiti, os colombianos operaram contra as FARC e os Peruanos combateram o Sendero Luminoso. Ainda assim ficou claro para os fuzileiros visitantes que a US Navy, a despeito de todos os esforços nesta direção, ainda não conseguiu implementar plenamente sua visão de desembarque “além do horizonte”. Enquanto o USS Mesa Verde e o USS Oak Hill operaram os LCACs além do horizonte, o USS Ashland que transportava os AAAVs, os seus blindados anfíbios sobre lagartas, para efetuar seu desembarque teve que se posicionar a apenas 2500 jardas da praia. 

Comentou-se informalmente a bordo do Mesa Verde que, na ocasião do embarque dos AAAV no Ashland. Um dos veículos da base de Camp Lejeune, com quatro militares a bordo, perdeu a força no mar e ao ser rebocado com mar meio picado, o cabo de aço se rompeu. A água penetrou no compartimento interno pelas escotilhas superiores e o AAAV afundou numa área com profundidade de aproximadamente 12 metros. Felizmente nenhum dos Marines veio a falecer neste acidente. No futuro, os EFVs (Expeditionary Fighting Vehicles) substituirão os CLAnfs mas diferente deste conseguirá navegar com segurança a cerca de 40 nós. Para que a doutrina “além do horizonte” funcione a contento, os navios de desembarque têm que poder operar, sem restrições o helicóptero pesado Sikorsky CH-53 Super Stallion, o tiltrotor Boeing Bell V-22 Osprey e os LCACs. 

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O 3rd Battalion do 12nd Canadian Armed Regiment 

O Canadá foi um dos países que rompeu com a tradição e acabou com a independência das forças singulares em 1968. Mas cedendo à pressão, Exército, Marinha e Força Aérea voltaram a usar uniformes individualizados a partir de meados dos anos 80. As Forças Armadas do Canadá tem três regimentos ativos, cada um deles composto de três batalhões, sendo dois deles Motorizados e o terceiro de Infantaria Ligeira. Na infantaria as Forças Armadas Canadenses buscam agrupar seus militares em função do seu idioma primário, assim, os soldados que falam francês, acabam servindo juntos numa mesma unidade. Nos navios da Marinha e nas unidades da Força Aérea, isso não é necessário, sendo a unidade efetivamente bilingue. O uniforme dos canadenses desde 2001/2002 já apresenta a padronização digitalizada, que só agora começa a ser vista em outras forças armadas pelo mundo. Uma curiosidade é que no uniforme canadense enquanto as “platinas”, os identificadores da patente do militar, que nos nossos soldados ou ficam nos ombros ou nas golas, neles é posicionado bem no meio do peito, na vertical, logo abaixo da gola. 

Os Landing Craft Air Cushion - LCACs

Segundo os fuzileiros que andaram no LCAC, ele é mais quente do que as lanchas de desembarque normais e sua “navegação” em alta velocidade sobre as ondas é tudo, menos suave. Por esta razão é que os LCACs não conseguiram ainda aposentar as veteranas EDCG (ou LCU – Landing Craft Unit, na nomenclatura militar americana). Enquanto a LCU é um meio absolutamente rústico e espartano, o LCACs foi descrito por diversos tripulantes como um “helicóptero que voa muito baixo”. Sua propulsão fica muito exposta, bastando um tiro certeiro para destruir e afundar o LCAC. Em termos de capacidade de carga, cada LCU consegue transportar até três vezes a carga paga de um LCAC. Numa situação de evacuação emergencial enquanto cada LCU pode levar até 500 passageiros um LCAC não passaria de 150 pessoas se fosse usado o seu módulo opcional de transporte de passageiros, o PTM. Este módulo parece um grupo de containeres de alumínio colocados lado a lado e apoiados firmemente no convés central do LCAC. 

No dia 30 de abril, ALIDE teve a oportunidade de experimentar, pessoalmente, a aventura de andar num LCAC. Os dois LCACs que estavam da doca do Mesa Verde não carregavam os módulos de desembarque de pessoal, estando configurados primariamente para o transporte de veículos. Perto da hora do almoço, um grupo de políticos ligados à região do norte da Flórida foi levado para andar nos LCACs e logo em seguida foi à vez dos repórteres dos jornais e canais de televisão locais que vieram a bordo contar a história da UNITAS para o público da Flórida. Foi nessa oportunidade que foi agendada a volta no hovercraft, num dia bonito e de mar tranqüilo. Na primeira saída à equipe de TV ocupou os jump seats atrás do piloto. Para mim, sobrou ficar no andar de baixo da cabine, um espaço apertado, com seis assentos, e sem nenhuma janela para o exterior. Como se pode ver, este foi um local bastante “enjoativo” para os demais repórteres. Cada um dos assentos de passageiro já vinha com seu próprio saco plástico grande para ser “usado em caso de emergência gástrica”. O nível de barulho dentro da cabine é alto, mas, não chega a um ponto desconfortável.

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Manutenção do canhão
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Equipes do HA-1 e do navio formam no convôo
Equipes do HA-1 e do navio formam no convôoEquipes do HA-1 e do navio formam no convôo
Jantarex
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CT Bessa agradece a participação do OF.Português
CT Bessa agradece a participação do OF.PortuguêsCT Bessa agradece a participação do OF.Português
CF Sertã homenageia Oficial Português
CF Sertã homenageia Oficial PortuguêsCF Sertã homenageia Oficial Português
CHEOP-CC Pablo com Padilha da ALIDE
CHEOP-CC Pablo com Padilha da ALIDE CHEOP-CC Pablo com Padilha da ALIDE
 

Padilha da ALIDE recebe das mãos do CF Sertã, lembrança da Unitas
Padilha da ALIDE recebe das mãos do CF Sertã, lembrança da UnitasPadilha da ALIDE recebe das mãos do CF Sertã, lembrança da Unitas
CMG Jefferson recebe a Flâmula de Comando das mãos do CF Sertã
CMG Jefferson recebe a Flâmula de Comando das mãos do CF SertãCMG Jefferson recebe a Flâmula de Comando das mãos do CF Sertã
Desfile naval ao fim da Unitas
Desfile naval ao fim da UnitasDesfile naval ao fim da Unitas
Tripulação formada no convôo
Tripulação formada no convôo Tripulação formada no convôo
Capitão de Fragata Sertã se dirige à sua tripulação
Capitão de Fragata Sertã se dirige à sua tripulaçãoCapitão de Fragata Sertã se dirige à sua tripulação
        

Quando as turbinas são ligadas, as “saias” de borracha do hovercraft se inflam, e sente-se claramente o veículo se erguer do fundo da doca. A sensação que se tem é que o LCAC esta deslizando sobre um piso de mármore coberto de sabão. O hovercraft é dirigido ao mesmo tempo por três sistemas em paralelo, o leme vertical atrás dos dutos das hélices principais, os bocais orientáveis das saídas das turbinas e o passo variável das hélices. A saída da doca, é feita apenas com a reversão do passo das hélices. Quando o navio está lançando ou recolhendo os hovercrafts, metade da área do seu convôo, acima, fica isolada para “minimizar o risco de acidentes”. Da mesma forma que o convôo conta com uma “torre” para controlar pousos e decolagens. Dentro da doca, na parede a bombordo, existe uma sala de controle com grandes janelas de onde se coordena todas as operações da doca. A grande porta traseira da doca do Mesa Verde para lançar os LCUs abaixa além do que os 90° necessários para despachar os LCACs. Diferente do verificado com as lanchas de desembarque, para operar os hovercrafts a doca do LPD nem precisa ser inundada. 

Saindo da doca, guinamos para boreste e aceleramos, deixando o grande USS Mesa Verde para trás. A alta velocidade do hovercraft dava a nítida impressão que o navio se encontrava rigorosamente parado no mar. Contornamos o navio e cruzamos com o outro LCAC que também já estava fora da doca. No mar, o hovercraft transmite a sensação de que se desloca não apenas no plano, mas, também na vertical. Ele realiza um movimento de “serra”. Toda vez que passa uma onda, o veículo sobre colchão de ar afunda rapidamente e volta a subir em seguida. Isso ocorre uma vez a cada 10 segundos, repetidamente. É justamente este movimento antinatural que enjoa os passageiros com estômagos mais “frágeis”. Com os repórteres voltando “mal” da primeira volta, apenas um pediu para sair novamente na segunda volta, o da ALIDE, e desta vez, andamos no jumpseat, atrás da tripulação de cabine, com uma boa vista para fora. 

Cada LCAC é tripulado por três operadores. Eles ficam sentados na cabine existente no lado direito do veículo. Da esquerda para a direita, dentro da cabine, ficam sentados: o navegador, o engenheiro e o piloto. Já faz mais de vinte anos desde sua introdução operacional, assim está em andamento um programa de modernização e atualização dos LCACs da marinha americana, o chamado Service Life Extension Program – SLEP. O hovercraft da nossa primeira saída já havia recebido o novo painel digital dos veículos modernizados, enquanto aquele usado na segunda volta, ainda tinha mostradores analógicos na cabine. No PEAMB, Plano de Equipamento e Articulação da Marinha do Brasil, consta a proposta da aquisição de uns cinco LCACs para serem usados como meio de desembarque no novo navio de múltiplo emprego (LHD) a ser construído futuramente no Brasil. 

VX-1: o Esquadrão de testes de aeronaves da costa leste.

O VX-1 Composite Squadron é um dos esquadrões na aviação da Marinha Americana dedicado a testar e certificar novos modelos de aeronaves que serão no futuro adotado pelos demais esquadrões. Sua base é a Naval Station Patuxent River [GE: 38°17′10″N 76°24′42″W] que fica no Estado de Maryland, bem próxima de Washington D.C., a capital americana. Originalmente, o esquadrão veio da comunidade de patrulha tendo iniciado seus testes com aeronaves de asa fixa com o E-2 e o P-3. Os helicópteros só aparecerem posteriormente.  

Segundo o LCDR Benjamin Williamson, comandante do destacamento embarcado: “O esquadrão se aproveitou da realização da UNITAS GOLD para acelerar os testes dos novos modelos de Sea Hawks e processo de certificação, iniciado em fevereiro de 2009, do MH-60R (conhecido como "Romeo”) e do MH-60S (o “Sierra”). Uma das vantagens de se juntar a um ambiente complexo e “quase real” como o da UNITAS é a de poder testar o novo datalink Link-16 com um grande número de meios navais e aéreos diferentes. Ainda que por definição, a UNITAS seja um ambiente que prioriza as comunicações por voz, todos os navios americanos assim como alguns dos estrangeiros, como os alemães, podem se comunicar via esse sistema de enlace de dados digitais. Para o Romeo, que deve substituir igualmente os Sea Hawks dos modelos anteriores B e F, os quatro submarinos diferentes em ação nestas águas, se transformam no teste perfeito para o novo sonar de mergulho”. Comparado com o “Bravo” original, o MH-60R adiciona um novo radar e sonar, uma suíte de ESM moderna, mas, abre mão do detector magnético de submarinos, o “MAD”.  O “R” ainda é compatível com o sistema LAMPS (Light Airborne Multiporpose System) de guerra antisubmarino, só que de uma geração muito mais moderna e atualizada. O VX-1 opera atualmente dois SH-60R e três MH-60S, e trouxe dois  “Sierras” e um “Romeo” para o Mesa Verde.

Seus prefixos eram: 

MH-60R 166515 “JA”

MH-60R 166519 “JA”

MH-60S 167815 “JA” 

O LCDR Williamson explicou também que “o VX-1 opera não exclusivamente helicópteros, mas praticamente todo o tipo de aeronaves em uso na US Navy, inclusive UAVs, como o Northrop MQ-8B FireScout que esta sendo testado naquele momento na fragata USS McInerney (FFG-8)”. Para ele, “os UAVs deverão compartilhar os convôos dos navios da US Navy com os helicópteros tripulados pelos próximos 30-40 anos, quando então os substituirão por completo. O FireScout apresenta um sensor FLIR (infravermelho) com alcance maior que a maioria dos radares tradicionais, além de poder transportar um grande carga de armamentos e sensores extras. Tanto que além da Marinha, o Exército e a Guarda Costeiras também estão interessados neste modelo”. 

Além do VX-1, estava embarcado no Mesa Verde um destacamento do HSC-26 “Chargers” que já opera os MH-60S. Eles trouxeram os seguintes SeaHawks para o navio: 

MH-60S 166334 “HW”

MH-60S 166337 “HW” 

Os três Surface Action Groups (SAGs)

Nesta UNITAS comemorativa, o número de navios realmente foi maior do que o normal, por essa razão, foi adotado o expediente padrão da OTAN nestes casos, ou seja, dividir os navios em três grupos independentes para que mais oficiais dos países convidados pudessem ter a oportunidade de alternarem-se no comando dos Grupos Especiais de Superfície. Um grande retângulo de mar foi separado na frente da costa da Florida e da Geórgia para a UNITAS. Deixando apenas um “corredor” desimpedido em seu meio para o “Submarine Transit Lane Delta”, uma passagem dos submarinos americanos que se deslocam de e para o meio do Atlântico. Este retângulo foi dividido nas áreas Jags, Cardinals, Gators e Giants para a realização dos distintos exercícios. 

O Sinkex

Um dos pontos mais importantes e marcantes desta UNITAS foi inegavelmente o exercício Sinkex onde muitos dos navios e suas aeronaves teriam a chance de disparar contra o casco do ex-destróier USS Conolly. Membro da classe Spruance, o casco era particularmente grande, deslocando 7.800 toneladas totalmente carregado e medindo 172 metros de comprimento e 16,80 metros de boca. O navio havia sido despojado de tudo que pudesse ser reciclado ou ainda ter valor para os demais navios da frota e limpo por completo de liquidos poluentes, como: combustível, óleo lubrificante, combustível de aeronaves, etc.O casco do Conolly foi levado até o ponto do Sinkex por um navio de resgate da classe Safeguard, o USNS Grapple (T-ARS-53).  

A bordo do USS Donald Cook

Como o USS Mesa Verde não ia ficar próximo da área do evento Sinkex, a US Navy propôs que todos os repórteres que estavam a bordo se transferissem para o USS Donald Cook (DDG-75) de forma a que pudessemos ter uma visão privilegiada do evento todo. Antes do por do sol no dia 27, o Super Lynx chegou no Mesa Verde para realizar dois voos “PAX Transfer” para o Donald Cook. Tudo naquele vôo foi “corrido”, nada poderia atrasar, porque no dia seguinte as sessões de tiro começariam logo cedo e nesta hora não poderia haver nenhum helicóptero no ar.  O USS Donald Cook, um destróier da classe Arleigh Burke, teria a honra de disparar três dos seus mísseis contra o casco do USS Conelly. Infelizmente, no dia marcado para o Sinkex houve uma severa falha no sistema de comunicação do GT deixando mais de dez dos navios, inclusive com o USS Mesa Verde, incomunicável. Sem os canais de comunicação operantes, os procedimentos de segurança seriam impossíveis de serem implementados, e, por isso, o “Sinkex” foi passado para o dia seguinte. Este atraso causou uma conseqüente redução de um dia no exercício de “Free Play” que o seguiria.

Durante a tarde do dia 28 os navios aproveitaram o tempo livre como oportunidade para praticar a formatura que seria usada para o Sinkex. A fragata alemã Sachsen usou esta "janela" para fazer uma simulação inopinada de homem ao mar. Mas como nem todos os navios haviam sido avisados sobre esta simulação, a granada fumígena lançada na água gerou certa preocupação e desconforto dentro do COC do Donald Cook. 

O Donald Cook é baseado em Norfolk, a maior base naval americana, localizada cerca de 1000 Km ao norte de Mayport. Na UNITAS GOLD apenas quatro navios participantes vieram de Norfolk, o resto em sua maioria já eram baseados em Mayport. O Commander Granger, comandante do Donald Cook, contou que seu navio se encontrava "nos preparativos para um deslocamento de longo prazo para uma missão do outro lado do Atlântico". Segundo ele “provavelmente o nosso navio foi selecionado para disparar os mísseis porque sua tripulação havia passado com muito bom resultado numa avaliação recente de simulação de disparo de mísseis”. Este tipo de avaliação podem ser anuais e/ou bianuais, sendo conduzidas pelo Afloat Training Group Atlantic, unidade da Força de Superfície da US Navy, incumbida destes treinamentos em toda a costa leste americana.

Granger continuou a explicar: “A maioria dos marinheiros tem grande vontade de poder participar destes lançamentos reais. Mesmo aqui isso não é um exercício trivial, nos meus 18 anos na US Navy esta será apenas a segunda vez que eu terei a chance de presenciar algo assim. A última vez foi há 15 anos quando eu servia a bordo de uma fragata”. Ele lembrou que é justamente no início de sua carreira na Esquadra é que os navios mais disparam seus mísseis. “Isso é uma forma de garantir que todos os seus novos sistemas estão corretamente configurados e operacionais, mas, para meu azar, o Donald Cook já se encontra numa fase mais ‘madura’”.

Um aspecto que ele fez questão de salientar é que nesta ocasião o seu navio iria disparar um míssil Standard contra um alvo de superfície ao invés de fazê-lo contra um alvo aéreo como é normal. “Atirar o Standard contra um alvo no mar é bem mais difícil do que fazer o mesmo contra uma aeronave em vôo”, contou ele. O Comandante Granger informou que o navio estava prestes a passar por uma grande inspeção pelo Board of Inspection and Survey (INSURV), órgão que certifica, a cada 60 meses, o navio, e a tripulação, como estando apts para assumir as operações na Esquadra.  O lado de Pessoal é particularmente importante e sensível dentro da US Navy. “No Donald Cook trabalham e vivem 270 homens e mulheres, a cada mês, próximo de 10% da tripulação deixa o navio e é substituída por gente nova”.   

Antes de qualquer tiro ser disparado, um outro DDG, o Oscar Austin, realizou sua função de acompanhar o casco até que todos os navios estivessem em posição. Em seguida ele saiu da linha de tiro e a verificação da segurança da área de tiro passou ao Seahawk “Magnum 444”. Era ele também que, encerrada cada sequência de tiros, ia lá próximo do ex-Conolly para verificar o resultado dos ataques anteriores.   Durante o Sinkex foram disparados os seguintes armamentos: 

              Arma    Quantidade          Atirador
  Míssil Standard SM-2  2x (Míssil de telemetria)  USS Donald Cook
  Metralhadoras disparada por tripulante de helicóptero   1200 tiros600 – HSL (SH-60)600 – Fennec colombiano
  Foguetes  2.75-Pol           5BO-105 mexicano
  Míssil Maverick           22x P-3
 Míssil NSSM (NATO Sea Sparrow Missile)           2FGS Lübeck
 Projetis de 5-Pol/ 76mm/ 57mm/ 40mm433Todas as unidades de superfície
Bomba Mk-8344x CVW-3 US Navy F-18 
Bomba JDAM22x MAG-31 Marines F-18 
Bomba GBU-12184x MAG-31 Marines F-18 10x USAF B-52 (Não foram lançadas)
Míssil Harpoon31x USS Donald Cook2x P-3

Antes dos tiros do Sinkex se iniciarem, o Donald Cook dispendeu cinco projetis para alinhar e regular os sistemas de tiro do canhão de 5 polegadas. Os mísseis Standard SM-2 lançados eram de um modelo de telemetria, com menos propelente e sem a cabeça explosiva. O primeiro atingiu o mastro destruindo junto o radar de controle de tiro. O segundo SM-2 acertou a lateral do passadiço. Se houvesse tripulantes ali naquele local, eles todos estariam mortos e o navio já estaria fora de ação. Nenhum dos tiros de canhão do Donald Cook atingiu a superestrutura do alvo e um dos mísseis Harpoon lançados pelos P-3 caiu direto no mar, apresentando uma pane fatal de turbina. O uso de mísseis menores como o SM-2 contra navios inimigos visa, basicamente, retirá-los de combate, sem ter que necessariamente gastar mais de dois milhões de dólares num míssil caro como o Harpoon.

Quando os aviões da USAF finalmente chegaram para realizar seu ataque, o casco já tinha ido a pique, assim os B-52 realizaram um sobrevôo dos navios e retornaram à sua base sem despender a munição. 

Uma marinheira brasileira no USS Donald Cook! 

No período em que esperávamos o início do Sinkex notei a presença de uma marinheira americana com um nome que eu tinha certeza não ser espanhol: “Saraiva”, provavelmente seria português de Portugal, já que existem várias comunidades de imigrantes lusos em diversas partes dos EUA. Quando tive uma oportunidade, perguntei em inglês: “De onde são seus antepassados?” E ela respondeu, meio que sem graça, em inglês: “Brazil...” Que surpresa! Imediatamente marcamos para realizar uma entrevista com mais calma. 

Graciela Saraiva nasceu em Brasília em 1990, e seus pais se mudaram para os EUA quando ela tinha apenas dois anos de idade. A família morou em Nova Iorque e depois veio a se estabelecer no estado de Maryland. Graciela tem uma irmã dois anos mais velha que serve nos US Marines, e como muitos nos EUA, elas enxergam o serviço militar como uma oportunidade de conseguir uma valiosa bolsa de estudos do Departamento de Defesa para chegar à carreira de medicina, seu objetivo maior. Até entrar na US Navy ela costumava vir ao Brasil a cada dois anos, em média. Seu contrato com a Marinha é por apenas um ano e meio de serviço na ativa, em seguida ela passa a ser reservista durante o período de faculdade e finalmente retornaria por um período como Oficial Médica da Marinha. Nos EUA vários “Colleges” e universidades tem o que se chama por lá de “Officer Programs”. Ela sairá da academia formada como oficial, sem ter que passar pela US Naval Academy. No total seu curso de medicina lhe exigirá algo próximo a oito anos de dedicação. 

Graciela ficou muito curiosa para conhecer os navios da Marinha do Brasil, mas infelizmente o Donald Cook voltou para Mayport, para reabastecer, e partiu para seu porto em Norfolk antes que a Constituição retornasse ao porto. Quem sabe se da próxima vez que Graciela passar pelo Brasil não será possível agendar uma visita sua à Base Naval do Rio de Janeiro para, finalmente, conhecer a fragata Constituição e sua tripulação.     

  

Last Updated on Tuesday, 18 August 2009 15:01
 

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