National Museum of Naval Aviation: Do berço à memória. PDF Print E-mail
Wednesday, 15 July 2009 11:04

 

A região de Pensacola, no noroeste da Flórida, é um lugar especialmente bonito, com praias de águas azuis e uma atração a mais. Um belíssimo museu de aviação, o Museu Nacional da Aviação Naval.

O local não poderia ser mais bem escolhido. O museu fica dentro da Naval Air Station (NAS) Pensacola, local onde nasceu a aviação naval americana, e onde são treinados seus cadetes.

As origens do Museu remontam ao ano de 1955 quando os capitães Magruder H. Tuttle e Bernard Strean tiveram a idéia de formar um museu que contasse a história da aviação naval americana aos alunos da Academia de Aviação Naval.  Esta foi uma idéia brilhante. Ensinar à nova geração de aviadores navais o legado dos homens que os precederam e também a importância de preservar o passado.

 

Criando um novo Museu.

O museu foi criado formalmente em 1962 pelo já então Almirante Magruder. Em 8 de junho de 1963 o Museu finalmente abriu as portas, ocupando apenas uma casa da época da II Guerra.

As primeiras aeronaves expostas foram um avião inflável da Goodyear, o XA029 e um N3N-3 “Canário”. Este último, um modelo usado nos anos 30 e 40 ali mesmo em Pensacola. Mas a primeira aeronave de combate do Museu chegou apenas em 1964, era um F9F-2 Panther veterano da  Guerra da Coréia.

F-14A Tomcat como Gate Guardian
F-14A Tomcat como Gate GuardianF-14A Tomcat como Gate Guardian
F-14A Tomcat como Gate Guardian
F-14A Tomcat como Gate GuardianF-14A Tomcat como Gate Guardian
A homenagem ao aviador naval
A homenagem ao aviador navalA homenagem ao aviador naval
Uma visão para lá de pragmatica
Uma visão para lá de pragmaticaUma visão para lá de pragmatica
A ilha do ex-USS Cabot
A ilha do ex-USS CabotA ilha do ex-USS Cabot

Em 1975 o Museu abriu suas portas de novo, mas dessa vez com estilo. Era a Fase I, que compreendia um prédio moderno, octogonal e projetado para ser um museu. Ao ser feita em aço pré moldado, a construção permitia a expansão futura das instalações. Tudo isso foi feito com fundos próprios, sem depender do orçamento da marinha.  

O ano de 1980 marcou a inauguração da Fase II, com a construção de um anexo ao prédio anterior da Fase I. E o crescimento não parou mais. A Fase III foi  concluída em 1990, e em 1996 houve a inauguração de um fantástico cinema IMAX de tela gigante e em 2007 se iniciou a Fase IV dando continuidade à expansão do Museu.

Visitando o Museu.

 

O National Naval Aviation Museum é o maior dos doze museus oficiais da US Navy. Em sua sede ele abriga mais de 150 aeronaves utilizados pela aviação da US Navy, dos Marine Corps, e da US Coast Guard, contando com mais de 4000 itens em seu vasto acervo. O Museu fica posicionado entre as duas pistas da Base Aeronaval de Pensacola e as águas da Baía Columbia em meio a um terreno de cerca de 150 mil metros quadrados. As aeronaves históricas são apresentadas dentro de 28 mil metros quadrados de área de exposição coberta.

Grumman F4F-3 Wildcat
Grumman F4F-3 WildcatGrumman F4F-3 Wildcat
Grumman F7F-3 Tigercat
Grumman F7F-3 TigercatGrumman F7F-3 Tigercat
Brewster SB2A Buccaneer
Brewster SB2A BuccaneerBrewster SB2A Buccaneer
Brewster SB2A Buccaneer
Brewster SB2A BuccaneerBrewster SB2A Buccaneer
Douglas SBD Dauntless
Douglas SBD DauntlessDouglas SBD Dauntless
 

Na manhã da minha visita ao Museu estava agendada uma apresentação da equipe de demonstração aérea da US Navy. Infelizmente, por problemas diversos chegamos mais tarde do que o ideal na Base. Perdemos a apresentação, mas não o show. No meio do caminho, os Blue Angels nos deram as boas vindas ao Museu rasgando o céu a baixa altura, bem na frente do carro e já quase no portão da base fizeram outra passagem. NAS Pensacola é o lar dos Blue Angels, por isso, nas manhãs de terça e quarta-feiras, entre março e novembro, quase que como um “bônus”, eles praticam suas rotinas acrobáticas bem diante dos visitantes do Museu.

Grumman F9F-6Cougar
Grumman F9F-6CougarGrumman F9F-6Cougar
Kawanishi N1K George
Kawanishi N1K George Kawanishi N1K George
Kawanishi N1K George
Kawanishi N1K George Kawanishi N1K George
Curtiss P-40 do AVG na China
Curtiss P-40 do AVG na ChinaCurtiss P-40 do AVG na China
Os militares que receberam a Congressional Medal of Honor
Os militares que receberam a Congressional Medal of HonorOs militares que receberam a Congressional Medal of Honor
 

Na a entrada da base a burocracia é surpreendentemente pouca, apenas me perguntaram se havia armas no carro. Após minha negativa, recebi um adesivo para o painel e me desejaram boa visita. Entrei na base seguindo as placas para chegar ao Museu. No caminho, novamente passaram os Blue Angels, desta vez ainda mais  perto! Sempre ouvi falar da hospitalidade da Florida, mas desta vez exageraram. Ainda no caminho, passei perto do Forte Barrancas, um forte antigo que descobri depois, compõe o complexo turístico da base. 

Finalmente achei o Museu. Não que fosse difícil de enxergar um F-14 de “gate guardian”, mas a base é muito grande com enormes áreas verdes, incluindo um campo de golfe. O estacionamento é amplo e se encontrava cheio. O Tomcat no pedestal, nas cores dos “Black Aces”, aparentando ser recém-pintado, identificava a entrada do Museu . Embaixo do F-14, há esculturas em tamanho natural, de um piloto, de pessoal de convôo de porta-aviões e de outros marinheiros vestindo uniformes variados.

O tesouro afundado
O tesouro afundadoO tesouro afundado
McDonnell F2H-2P Photo Banshee
McDonnell F2H-2P Photo BansheeMcDonnell F2H-2P Photo Banshee
Um Catalina com o todo o seu interior revelado
Um Catalina com o todo o seu interior reveladoUm Catalina com o todo o seu interior revelado
Manequins no interior do Catalina
Manequins no interior do CatalinaManequins no interior do Catalina
 

Cruzando a porta automática a primeira coisa que salta aos olhos é uma escultura com cinco pilotos em tamanho natural. Cada um deles representa uma geração tecnológica, da I Guerra Mundial, até a Guerra do Golfo. Uma das figuras está demostrando com suas mãos aos demais pilotos, manobras de um combate aéreo. Uma alegoria poética. No pedestal em granito a inscrição: O ESPÍRITO DA AVIAÇÃO NAVAL. Mais explícito impossível.  Aqui, confesso que fiquei um pouco perdido, sem saber por onde começar a visita.

O prédio tem dois andares, mas a visualização para o andar inferior é ótima. Atrás da escultura está a entrada do cinema IMAX, uma das maiores atrações deste museu. Comecei a visita pelo hall, onde há algumas maquetes de porta-aviões, todas extremamente bem executadas. Acima delas, um pôster gigantesco de um CVN Classe Nimitz, com uma  mensagem que não deixa dúvidas sobre o entendimento dos políticos americanos sobre o valor das forças armadas. Basta clicar na foto para o leitor  entender a mensagem nada sutil.

 

Saí do hall em direção à ala oeste do Museu,  não fazendo muita diferença começar por um lado ou pelo outro. A museografia ousada e moderna coloca em perfeito contexto  uma das melhores coleções de museus de aviação do mundo. Primeiro um mini-deck de navio aeródromo apresentando algumas aeronaves e parte da ilha do USS Cabot [http://pt.wikipedia.org/wiki/USS_Cabot_(CVL-28)], porta aviões leve que após dar baixa na US Navy seria rebatizado Dédalo, servindo na da Armada Espanhola de 1967 a 1989.  Embora a ilha seja do Cabot, a cena reproduz o convoo do USS Lexington, e aqui estão expostas aeronaves da II Guerra que serviram a bordo dos porta aviões americanos. Dentre as aeronaves, um Grumman F6F Hellcat que ostenta as marcas do LTG Ray Hawkins, ex-piloto do USS Cabot, com suas 14 vitórias aéreas. 

 

Mikoyan Gurevitch MiG-15
Mikoyan Gurevitch MiG-15Mikoyan Gurevitch MiG-15
Quatro A-4 Skyhawks dos Blue Angels
Quatro A-4 Skyhawks dos Blue AngelsQuatro A-4 Skyhawks dos Blue Angels
Convair Coronado em restauração
Convair Coronado em restauraçãoConvair Coronado em restauração
Biplano Nieuport 28
Biplano Nieuport 28Biplano Nieuport 28
Navy/Curtiss NC-4
Navy/Curtiss NC-4Navy/Curtiss NC-4
 

Outra aeronave que chamava a atenção era o F7F Tigercat, desenvolvido para combate noturno, mas que não tendo chegado a tempo para atuar na II Guerra, destacou-se na Guerra da Coréia. Uma aeronave surpreendentemente grande em exposição é o Grumman TBM Avenger. Num dos extremos desta ala, há uma pequena homenagem ao ator e comediante Bob Hope. Desde a II Guerra, até a Operação Tempestade no Deserto, Hope, voluntariamente apresentou-se para as tropas americanas. Um manequim parecido com ele de pé num palco vestindo roupas de época com bordados motivacionais diante de um típico microfone dos anos 40. Uma gravação reproduz repetidamente trechos de shows feitos pelo ator. Esta é uma homenagem merecida a um dos mais importantes show-man dos EUA.

Uma aeronave lendária neste convôo é o Douglas SBD Dauntless. O Museu possui 14 aeronaves deste tipo, sendo que uma delas é a última aeronave remanescente da Batalha de Midway. As demais aeronaves de ataque aqui são um Brewster SB2A Bucanneer e um Vought SB2U Vindicator.

Fokker D.VII
Fokker D.VIIFokker D.VII
A ala dos biplanos
A ala dos biplanosA ala dos biplanos
Curtiss F6C-1 Hawk
Curtiss F6C-1 HawkCurtiss F6C-1 Hawk
Grumman J2F-6 Duck
Grumman J2F-6 DuckGrumman J2F-6 Duck
Vought F-8A Crusader
Vought F-8A CrusaderVought F-8A Crusader
 

Uma aeronave que imediatamente chama a atenção devido a sua  pintura é o Curtiss P-40B nas cores do American Voluntary Group (AVG), que lutou na China antes dos EUA entrarem na guerra oficialmente. Este avião levas as marcas do ás americano Robert Neale com 15 vitórias. O curioso é que esta aeronave específica não voou no AVG. Inicialmente ela estava com a RAF, sendo posteriormente  repassada aos soviéticos onde foi abandonada  após um pouso forçado perto de Murmansk.

Dentre as aeronaves desta seção há duas estrangeiras que merecem destaque. Uma pelo mérito de ter se tornado lendária em seu próprio tempo, outra por ser raríssima. A aeronave lendária é um Mitsubishi A6M Zero, a outra é um Kawanishi N1K2-J “George”. O Zero foi encontrado numa pista de pouso na Ilha de Bouganville, atualmente parte do território de Papua, Nova Guiné. O “George”, além de raro, foi pilotado pelo ás Mitsuo Hori com 11 vitórias no logbook. Outra curiosidade sobre este avião é que durante sua restauração foi encontrada uma inscrição em japonês, cuja livre tradução é: “Embora minha vida possa acabar sobre o Sul do Oceano Pacífico, meus pensamentos voltam às muitas primaveras que vieram e as que ainda estão por vir”.

Há um anexo no Museu que é chamado de Sunken Treasure”(Tesouro Afundado). Trata-se de uma sala com duas aeronaves que foram retiradas do fundo do mar. Um Grumman F4F Wildcat e um Dauntless. Com efeitos de luz e uma ambientação perfeita, você tem a sensação de estar no fundo do mar. Ao lado um monitor projetava imagens sobre arqueologia marinha.

Sikorsky HO4S/HRS/H-19
Sikorsky HO4S/HRS/H-19Sikorsky HO4S/HRS/H-19
Grumman A-6 Intruder
Grumman A-6 IntruderGrumman A-6 Intruder
Grumman F8F-2P Bearcat
Grumman F8F-2P BearcatGrumman F8F-2P Bearcat
Chance Vought F-4U
Chance Vought F-4UChance Vought F-4U
Grumman F-14 Tomcat
Grumman F-14 TomcatGrumman F-14 Tomcat
 

Sikorsky CH-37C Mojave
Sikorsky CH-37C MojaveSikorsky CH-37C Mojave
North American RA-5C Vigilante
North American RA-5C VigilanteNorth American RA-5C Vigilante
F/A-18A dos Blue Angels
F/A-18A dos Blue AngelsF/A-18A dos Blue Angels
C-130G dos Blue Angels
C-130G dos Blue AngelsC-130G dos Blue Angels
Sikorsky SH-3
Sikorsky SH-3Sikorsky SH-3
  

Nesta seção do Museu encontra-se também a biblioteca e a galeria de arte, onde Pode-se encontrar objetos de forte apelo emocional. Dentre estes objetos, um pedaço do encouraçado USS Arizona e um bracelete usado pela senhorita Mary Ann Ramsey, filha do Tenente-Comandante Logan Ramsey que emitiu o alerta na manhã de 7 de dezembro de 1941: “Air raid Pearl Harbour - This is not a drill” (‘Ataque aéreo Pearl Harbour – Isto não é um exercício). Ela nunca mais usou o bracelete depois do ataque.

Entre os jatos que estão nesta ala, há alguns interessantes e pouco vistos em museus, como o F2H Banshee, na sua versão foto reconhecimento. Próximo dele um Mig-15 com marcas vietnamitas  é apresentado ao lado um Douglas Skyraider.

Um dos verdadeiros destaques do Museu é o PBY Catalina. Na verdade são dois. Um acima do outro. A fuselagem do de baixo está exposta,  com os painéis laterais removidos, e “tripulado” por manequins usando uniformes da época da II Guerra.  Museograficamente simples, mas espetacular.

Um grande avião que chama muita atenção é o Curtiss NC-4, um enorme hidroavião que em 1919 fez a primeira travessia do Atlântico. Após o vôo a aeronave fez um tour pelos EUA e depois foi desmontada e preservada, sendo remontada apenas em 1969 para as comemorações dos 50 anos do vôo.

Grumman F-14 Tomcat
Grumman F-14 TomcatGrumman F-14 Tomcat
Rockwell Bronco OV-10
Rockwell Bronco OV-10Rockwell Bronco OV-10
McDonnell Douglas RF-4B Phantom II
McDonnell Douglas RF-4B Phantom IIMcDonnell Douglas RF-4B Phantom II
General Dynamics F-16N usado como Aggressor
General Dynamics F-16N usado como AggressorGeneral Dynamics F-16N usado como Aggressor
F-18 Hornet
F-18 HornetF-18 Hornet
 

Como NAS Pensacola é  a terra dos Blue Angels, não poderia faltar uma ala com o nome do esquadrão. Neste “atrium” há um impressionante conjunto suspenso de quatro Douglas A-4 Skyhawks voando em formação diamante. Aliás, neste hall, os pilotos dos Blue Angels vem para dar autógrafos depois da exibição que eles fazem toda semana em Pensacola.

No andar superior há exposições sobre como era a vida nos EUA durante a Segunda Guerra e como era um campo de aviação nas ilhas do Pacífico, além de uma sala de briefing de um porta aviões da II Guerra, aqui  transformada em sala de cinema.

Bell UH-1 e Sikorskys: CH-53A, VH-3A e HH-3F
Bell UH-1 e Sikorskys: CH-53A, VH-3A e HH-3FBell UH-1 e Sikorskys: CH-53A, VH-3A e HH-3F
Lockheed WV-2 AEW Constellation
Lockheed WV-2 AEW ConstellationLockheed WV-2 AEW Constellation
Convair C-131F, Douglas C-117, Douglas C-118, Lockheed WV-2
Convair C-131F, Douglas C-117, Douglas C-118, Lockheed WV-2Convair C-131F, Douglas C-117, Douglas C-118, Lockheed WV-2
Martin P5M Marlin
Martin P5M MarlinMartin P5M Marlin
Convair P4Y-2G (PB4Y-2) Privateer
Convair P4Y-2G (PB4Y-2) PrivateerConvair P4Y-2G (PB4Y-2) Privateer
 

PBY Catalina
PBY CatalinaPBY Catalina
Lockheed PV-2 Harpoon
Lockheed PV-2 HarpoonLockheed PV-2 Harpoon
R-4D, o C-47 para a US Navy
R-4D, o C-47 para a US NavyR-4D, o C-47 para a US Navy
C-9A Skytrain II
C-9A Skytrain IIC-9A Skytrain II
O repórter com Neil Armstrong
O repórter com Neil ArmstrongO repórter com Neil Armstrong

 

Dois presentes especiais.

 

Após concluir a visita para ALIDE, fiz uma nova visita “turística”, ou seja voltei para ver tudo com calma e sem olhar crítico. Uns 20 minutos depois de iniciado esse passeio, perto do F-8 Crusader, vejo um grupo de quatro senhores que conversavam  animadamente e um deles me parece familiar. Me aproximei para certificar. Já bem perto, o reconheci. Sem acreditar muito no que meus olhos mostravam fico atônito. Fiquei ainda em dúvida, pois em teoria, uma figura conhecida, um dos maiores heróis do século XX, não deveria conseguir passear calmamente pelo museu sem absolutamente ninguém se aproximar ou lhe pedir um autógrafo. Será que o único a reconhecê-lo sou eu? Aproximo-me ainda surpreso e os outros três amigos, percebem minha aproximação e obviamente sabendo que me dirijo para falar com ele, discretamente afastam-se. Pelo menos é o que acho.


O repórter brigando com a tecnologia digital
O repórter brigando com a tecnologia digitalO repórter brigando com a tecnologia digital

 

Quando ele percebe que os amigos o estão deixando só, vira-se para ir ao encontro deles e eu, já bem perto o chamo e, com um olhar curioso ele se vira e responde: 

 

-Sim?

 

Então eu faço a pergunta mais sem sentido do mundo, mesmo sabendo quem ele era. Pergunto se ele era Neil Armstrong. Calmamente ele responde: 

 

-Sim...

 

Diante de mim em carne, osso e agora, cabelos brancos, estava o homem que deu o  “salto gigantesco” em nome da Humanidade. Estendi a mão para cumprimentá-lo e ele se assustou. Acho que pensou que eu fosse agredi-lo. Pobre de mim. Expliquei-lhe quem era e o que estava fazendo e disse-lhe da enorme honra em cumprimentá-lo. Ele agradece com enorme simplicidade. Pedi para tirar uma foto, e ele concedeu, pedindo a um dos amigos que assumisse a câmera e avisou rindo:

 

-Ele cobra caro pelo serviço de fotógrafo!

 

-Isso não é problema, eu não tenho dinheiro! – Respondi.

 

Ele deu uma gargalhada e tiramos a foto. Ele ainda pediu ao amigo que tirasse outra.  Agradeci pelo tempo dele e ele retribuiu, dizendo:  “My pleasure!”

Tive então a idéia de correr até a grande loja do Museu, e procurei algum boné da NASA, da Apollo 11 ou de qualquer coisa que pudesse ser autografada por ele, mas não encontrei. Paciência. Felizmente isso não deu certo. Acabei sabendo ao final que ele não mais dá autógrafos desde que descobriu que os estavam vendendo em sites de leilões. Autógrafos originais e também alguns falsos, inclusive. Descobriu também, que o barbeiro com quem ele cortava o cabelo há mais de 30 anos vendia suas mechas de cabelo após cada corte! Tenho certeza que deve existir maneiras mais decentes de se ganhar dinheiro.

O atual diretor do Museu, o senhor Robert L. Rasmussen, é um comandante reformado da US Navy e ex-membro dos Blue Angels.  Ele também é um artista plástico notável. Foi ele quem fez as esculturas na entrada do museu. Na saída da sala do diretor, encontrei sua secretária Robbie Musgrove novamente e ela me perguntou se eu queria conhecer a área de restauração. A oferta foi aceita no ato. Imediatamente, ela encaminhou-me até a porta que dava acesso a uma área restrita onde fica o hangar de restauração e um dos responsáveis pelo local providenciou dois guias para levar-me num pequeno tour.  Minha “escolta“ era um Marine, e um cadete da aviação naval, que serviam ali. Dois jovens que não esconderam sua curiosidade e interesse  sobre o Brasil.

Dentre as aeronaves que merecem destaque nesta área, uma se sobressaía, não só pelo tamanho, mas pela raridade. Um hidro-avião Convair PBY Coronado, que pertenceu ao milionário Howard Hughes. Gigantesco. Ofereceram-me para entrar nele, mas como ele estava em processo de restauração e havia diversos voluntários trabalhando em seu interior, eu, agradecido, declinei do convite.

Uma peça curiosa é um Douglas SBD Dauntless recentemente retirado do fundo do Lago Michigan. Como o lago é de água doce, a deterioração não foi das mais severas.

Saindo do hangar e os dois jovens me acompanharam para ver o restante das aeronaves, que se encontra no pátio externo, por absoluta falta de espaço no interior do museu. Entre elas havia um F-18 homenageando o capitão Scott “Spike” Speicher. O capitão Speicher pilotava um F/A-18 quando foi abatido na primeira noite da Operação Tempestade no Deserto, em 1991 [http://www.pownetwork.org/saudi/sd017.htm]. A marinha americana num relatório afirma até hoje que o que abateu foi um míssil SAM, porém um piloto que estava na mesma missão, contou para a esposa dele que foi um MiG que o derrubou. Um relatório da CIA, confirma a versão do piloto, apontando a aeronave iraquiana que abateu o americano como sendo um Mig-25 Foxbat. Como seu corpo não foi encontrado, ele faz parte da lista dos MIA (Desaparecidos em Ação.)

Outra aeronave de forte apelo para os visitantes é um OV-10 Bronco, que leva o nome do Tenente Pete Russel, um piloto que morreu no cockpit deste tipo de avião. A própria família do piloto está pagando a restauração da aeronave.

Neste imenso pátio também podem ser vistos dois dos 36 Tomcats que o Museu possui.

O Museu Nacional da Aviação Naval é uma referência para outros museus de aviação, não apenas para os de outros países, mas, até para os dos Estados Unidos. Um museu que até junho deste ano já recebeu mais de 300.000 visitantes é sem dúvida uma ótima razão para conhecer Pensacola.

Visitando Pensacola: 

Não há vôos diretos do Brasil para Pensacola. A melhor opção partindo do Rio ou São Paulo é ir para Atlanta ou Miami e de lá para Pensacola.

Hotel é o que não falta na cidade. Tem para todos os bolsos.

O melhor modo de se locomover pela cidade é alugando um carro. Sem carro, em Pensacola, eu diria nos EUA de modo geral, você está “perdido”.

O povo é hospitaleiro e sabe receber turistas.

Site do museu:

www.navalaviationmuseum.org

Horários de abertura 

Horário de abertura: Diariamente das 9h00 às 17h00 com exceção dos feriados do Dia de Ação de Graça (4ª quinta-feira de novembro), de Natal e no Ano Novo. A entrada é gratuita.

O Cinema IMAX passa filmes de uma hora de duração ininterruptamente, a partir das 10h00. A última sessão se inicia às 16h00.

A coleção 

As seguintes aeronaves estão alocadas ao Museu

 

 

A-1 Triad
A-1 (AD) Skyraider
A-3 (A3D) Skywarrior
A-4 (A4D) Skyhawk (Quarterdeck)
A-4 (A4D) Skyhawk (Blue Angel nº 1 no Atrium )
A-4 (A4D) Skyhawk (Blue Angel nº 2 no Atrium)
A-4 (A4D) Skyhawk (Blue Angel nº 3 no Atrium)
A-4 (A4D) Skyhawk (Blue Angel nº 4 no Atrium)
AF Guardian
AH-1 Sea Cobra
AJ Savage
AM Mauler
A6M Zero
A-6 Intruder (Indoor Display)
A-7 Corsair II
AV-8 Harrier
BFC Goshawk
C-1 (TF) Trader
C-9B Skytrain II
C-45 (SNB/JRB) Navigator
C-47 Skytrain
C-117 (R4D-8) Skytrain
C-118 Liftmaster
C-131 Samaritan
C-130 Hercules (Fat Albert)
C-130 Hercules
CH-37 Mojave
CH-46 Sea Knight
CH-53 Sea Stallion
D-558-1 Skystreak
E-1 (WF) Tracer
EC-121 (WV) Warning Star
Hanriot HD-1
HH-1K                                         
HNS Hoverfly
HO3S
HO4S (H-19)
HO5S
HTE
HTL (TH-13) Sioux
HUP (UH-25) Retriever
HU-16 Albatross
H-2 Seasprite
H-3 Sea King
H-34 (HSS/HUS) Seabat/Seahorse
HH-52 Sea Guard
JD Invader
JN-4D Jenny
J2F Duck
J4F Widgeon
JRC
JRF Goose
K-47 Airship Control Car
LNS
L-8 Airship Control Car
MF Boat
MiG-15 Fagot
N1K2-J Shiden Kai (GEORGE)
NC-4
N2C Fledgling
N3N-3 (Wheels)
N3N-3 (Floats)
NR Recruit
N2S Kaydet
NT-1
N2T Tutor
N2Y
Nieuport 28
 
OS2U Kingfisher
O-1 Bird Dog
PBJ Mitchell
PBY Catalina (Suspended)
PBY Catalina (Cutaway)
PBY Catalina (Flight Line)
PB2Y Coronado
PB4Y-2 Privateer
P5M-2 (SP-5B) Marlin
PS-2
PV-2 Harpoon
P2V-1 Neptune  (Truculent Turtle)
P2V-7 (SP-2H) Neptune
P-3 Orion
P-40 Tomahawk
RA-5C Vigilante
R5C (C-46) Commando
RD Dolphin
RF-4B Phantom II
RR-5 Tri-Motor
SB2A Buccaneer
SBD Dauntless (Underwater Display)
SBD Dauntless (Mezzanine)
SBD Dauntless (Battle of Midway Veteran)
SB2U Vindicator
SNC Falcon
SNJ Texan (Indoor Display)
SNV Valiant
S-2 (S2F) Tracker
S-3 Viking
S-4C Scout
Skylab Command Module
TBM Avenger
TC-4 Academe
TDR
TH-57 Sea Ranger
TV-2 (T-33)
T-2 Buckeye
T-28 Trojan
T-34 Mentor
T-39 Sabreliner
U-1 (NU-1B) Otter
VH-3 Sea King (Marine One)
ZPG-2 Control Car (Snow Bird) 

 

  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
Last Updated on Monday, 05 October 2009 10:10
 

Translate

Browse this website in:

Busca Rápida
Serial
(FAB, MB ou EB)


Copyright © 2018 Base Militar Web Magazine. All Rights Reserved. Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.