Chinex - a Aventura do NDCC Garcia D'Ávila do outro lado do globo PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Monday, 03 May 2010 00:00
 

 

Introdução

Os marinheiros acreditam que “os mares unem as nações, não as separam”, como poderia imaginar uma pessoa que não tenha maior intimidade com o mar. Nenhuma grande nação no plano econômico chegou a este posto, sem antes contar com duas grandes marinhas, a de guerra e a mercante. Isso é fato desde o tempo dos atenienses, passando pelos romanos, britânicos e finalmente culminando com os norte-americanos. Mas, financiar a montagem e a operação de grandes frotas é sempre uma proposta cara, e cada nação deve saber a sua própria hora de se lançar neste desafio.

Lentamente, a expansão econômica brasileira, evidenciada por sua inserção no grupo dos BRICs, parece ter chamado a atenção da classe política nacional que vem repensando o tamanho e o tipo de missões esperadas da Marinha do Brasil. Após muitos anos, onde, por restrições orçamentárias, as viagens e operações com outras marinhas no exterior eram praticamente exceções, nos últimos anos é visível o crescimento das oportunidades para que os navios da Marinha possam ir para cada vez mais longe das costas brasileiras. Em 2009, a comemoração dos 60 anos da Marinha do Exército de Libertação Nacional chinesa foi celebrada com uma grande parada naval, e, tendo sido convidada, a MB decidiu que mandaria um de seus navios até o outro lado do mundo. Aqui está a história desta grande aventura.

0---FEV21---Suspender-1
0---FEV21---Suspender-10---FEV21---Suspender-1
0---FEV21---Suspender-8
0---FEV21---Suspender-80---FEV21---Suspender-8
001---Derrota-para-a-China
001---Derrota-para-a-China001---Derrota-para-a-China
001
001001
002---Conferencia
002---Conferencia002---Conferencia

002
002002
003---Conferrncia
003---Conferrncia003---Conferrncia
003---Fuzibossa
003---Fuzibossa003---Fuzibossa
003
003003
004---Coberta-de-rancho-(mau-tempo)
004---Coberta-de-rancho-(mau-tempo)004---Coberta-de-rancho-(mau-tempo)
 

A notícia de uma grande viagem

Ironicamente, para a tripulação do Garcia d’Ávila, a história de sua grande viagem começou na realidade com uma grande frustração, um verdadeiro “balde d’água”. Em setembro de 2008, todo o navio se encontrava envolvido na preparação para realizar mais uma missão de apoio logístico para as tropas brasileiras na Missão de Paz no Haiti, a chamada Minustah. Duas vezes ao ano, no mínimo, os navios da Marinha realizam a viagem ao país caribenho transportando carga, mantimentos, material de construção e veículos. Esta é uma missão tranquila, e bem conhecida dos nossos marinheiros. Desta vez, no entanto, houve um agravante, antes da partida do Rio, o Governo decidiu que além dessa carga padrão o navio carregaria mais material humanitário para ser entregue no Haiti, Cuba e Jamaica, países pesadamente afetados por uma forte sequencia de furações que causaram importantes danos à infraestrutura civil e à população. A expansão do escopo dessa missão e o aumento da carga a ser transportada, subitamente, fez com que o Garcia d`Ávila não fosse mais o meio logístico melhor adequado para esta tarefa. Dali para frente, a missão ao Caribe passou a ser responsabilidade da tripulação do NDCC Mattoso Maia.

Essas missões normalmente são planejadas com bastante antecipação, e os oficiais e praças do Garcia após tanta preparação, subitamente ficaram sem nenhuma missão operacional em vista. No entanto, coincidentimente, nesse mesmo momento começaram a aparecer informações, ainda bastante informais, que uma hipotética comissão “muito longa” estava sendo estudada nos postos mais altos da Marinha do Brasil. 

004---Conferencia
004---Conferencia004---Conferencia
004
004004
005---Baixa-visibilidade-(17ABR)
005---Baixa-visibilidade-(17ABR)005---Baixa-visibilidade-(17ABR)
005---Conferencia
005---Conferencia005---Conferencia
005---Fuzibossa-e-Grupo-de-Pagode-do-Navio
005---Fuzibossa-e-Grupo-de-Pagode-do-Navio005---Fuzibossa-e-Grupo-de-Pagode-do-Navio
 

005
005005
006---Baixa-visibilidade-(17ABR)
006---Baixa-visibilidade-(17ABR)006---Baixa-visibilidade-(17ABR)
006---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)
006---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)006---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)
006---Conferencia
006---Conferencia006---Conferencia
006
006006

Entre setembro e dezembro daquele ano o navio simplesmente seguiu com suas atividades de manutenção regular, a espera de receber alguma outra tarefa de transporte logístico. No princípio de dezembro a realização da viagem à China já estava decidida, mas o que não se sabia ainda era: qual navio caberia realizá-la.  Além do Garcia dois outros navios tinham chance de ser escalados, o Mattoso Maia ou um dos dois NDDs. Naquele momento, o Mattoso estava voltando da sua missão ao Haiti, e dificilmente teria tempo suficiente para se preparar adequadamente para realizar outra comissão longa, logo em seguida a esta. As chances do Garcia aumentavam a cada nova notícia.

Perto do Natal de 2008 o nome do Garcia d’Ávila já era naturalmente associado à viagem ao Oriente, mas nada estava decidido ainda. O Comandante Biasoli, preocupado principalmente com o prazo apertado de preparação, optou por antecipar, com discrição, aos seus oficiais sobre o “risco” que o navio estava correndo. O começo do ano é sempre um período complicado para a realização de serviços na Marinha, muita gente escolhe esta época antes do Carnaval para sair de férias e assim as Organizações Militares (OMs) tem uma disponibilidade menor de pessoal para atender as necessidades do navio, que teve que correr atrás de ajuda por todo lado. O Esquadrão de Navios de Apoio atuou muito próximo ao navio para zerar os problemas mecânicos e para completar a tripulação para a viagem ao outro lado do mundo.

A determinação da rota a ser percorrida até a China foi feita em conjunto com a Força de Superfície, órgão da Esquadra que é responsável pelos navios antes de qualquer partida em missão. A ForSup tem experiência neste tipo de planejamento porque lhe cabe planejar as viagens de instrução anuais tanto do Navio Escola Brasil, quanto do Veleiro Cisne Branco, justo os dois navios da Marinha que, regularmente, vão mais longe das costas brasileiras.

007---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)
007---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)007---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)
007---Competicao-de-Volei-de-Praia
007---Competicao-de-Volei-de-Praia007---Competicao-de-Volei-de-Praia
007---Conferencia
007---Conferencia007---Conferencia
007
007007
008---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)
008---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)008---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)
 

008---Conferencia
008---Conferencia008---Conferencia
008
008008
009---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)
009---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)009---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)
009---Competicao-de-Pedalo-Jousting
009---Competicao-de-Pedalo-Jousting009---Competicao-de-Pedalo-Jousting
009---Visita
009---Visita009---Visita
 

Para basear o planejamento desta viagem foram usadas 17-23 de abril, as datas fixadas de início e fim do evento de Qingdao, na China. Destas, derivaram as data de partida e de retorno ao Rio. A passagem do navio por Cingapura coincidiu com a realização da feira naval IMDEX-Asia 2009 o que levou a Marinha a agendar uma parada do Garcia d’Ávila naquele porto para este evento. Assim a rota a ser seguida e as paradas para reabastecimento e descanso, sempre visando não sacrificar nem a máquina nem os marinheiros, foram sendo firmadas e planejadas em paralelo pela tripulação do navio e pelo pessoal da ForSup.

Durante fevereiro algumas das datas do evento chinês ainda se moveram, o que exigiu um contínuo replanejamento por parte desse time. Com a viagem alinhavada foram contratados os adidos para que eles se preparassem para apoiar a passagem do navio brasileiro. Estes por consequência envolveram, os Embaixadores da representação local que em sua maioria aproveitariam a visita para fazer eventos diplomáticos. A viagem sairia do Rio e seguiria para Cape Town, na África do Sul. De lá o navio pararia em Diego Garcia, atol britânico no Oceano Índico onde existe uma grande base militar americana. Reabastecidos, os brasileiros iriam então para Cingapura, antes de seguir adiante para o porto de Qingdao no nordeste da China.

À volta esta prevista para ser o inverso da ida, com apenas uma breve parada em Maputo, capital de Moçambique.  Há anos que os moçambicanos convidavam os navios da Marinha do Brasil para passar por lá e a passagem do Garcia d’Ávila seria a melhor oportunidade para aceitar este convite. O ministério das Relações Exteriores brasileiro, depois disso, ainda solicitou que o navio passasse também no Vietnam. Como 2009 representava o 20º aniversário das relações bi-laterais entre os dois países esta seria uma ótima forma do Brasil mostrar sua bandeira no oriente. Os planejadores da viagem atenderam ao MRE colocando esta parada na pernada de retorno, assim o trecho de navegação no rio, o ponto mais crítico desta nova etapa, não colocaria qualquer risco para a presença do Garcia na Parada Naval.

Foi nesta época também que a data de partida foi fixada no dia 21 de fevereiro em vez do dia 22. O passo seguinte foi mandar uma mensagem para cada um dos adidos, confirmando as datas de passagem do navio pelos portos locais e também para solicitar as devidas autorizações de entrada nas águas territoriais dos países visitados. A autorização de passagem por Diego Garcia foi gerenciada pelo nosso adido naval em Londres.

009
009009
010---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)
010---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)010---Churrasco-01MAR-(mau-tempo)
010---Visita
010---Visita010---Visita
011
011011
012---Fuzibossa
012---Fuzibossa012---Fuzibossa
 

013
013013
015
015015
017
017017
02
0202
020A---Recepcao-a-bordo---mosaico
020A---Recepcao-a-bordo---mosaico020A---Recepcao-a-bordo---mosaico

No plano administrativo interno, foi feita a solicitação para providenciar o pagamento dos extras por dias de mar e por dias no exterior para todos os marinheiros do navio e também para aqueles outros que foram adicionados à tripulação para esta missão. Como a viagem era de cunho eminentemente de representação, haveria um grande número de recepções a bordo e assim foi decidido embarcar também, entre estes tripulantes extras, os cinco músicos da banda de Bossa Nova dos Fuzileiros Navais, a “Fuzibossa”. Para reforçar a segurança orgânica do navio um contingente de 26 Fuzileiros Navais foi igualmente agregado à tripulação do navio. A longa duração da viagem causou reforços no número de cozinheiros e de Praça d’Armas. Segundo disse o Comandante Biasoli com um sorriso: “Achar voluntários para se juntar à tripulação nesta missão não foi nada difícil. A nossa tripulação em tempos normais é de 180 homens, para esta viagem, por segurança, levamos um total de 280.”

Durante os meses de janeiro e fevereiro, todos os tripulantes foram devidamente vacinados, tiraram seus passaportes e receberam os vistos dos países a serem visitados. A pintura do navio foi totalmente refeita, o material de uso administrativo foi reforçado, o óleo carregado. Para atender a sobre carga do número maior de tripulante e dos eventos de representação um contêiner frigorificado foi instalado no convés externo, bem no meio do navio. Um contêiner cheio de peças de uniforme foi carregado o que permitiria aos tripulantes contar com uma “loja” embarcada garantindo a todos os tripulantes meios para poder comprar qualquer peça de roupa (macacões, roupas de ginástica, sapatos, cintos, etc.) que por acidente se danificasse durante o longo período fora do país.

03---ABR07---Chegada-Cingapura-2A
03---ABR07---Chegada-Cingapura-2A03---ABR07---Chegada-Cingapura-2A
03---ABR19---0---Cais-QINDAO---Posicao-Navios
03---ABR19---0---Cais-QINDAO---Posicao-Navios03---ABR19---0---Cais-QINDAO---Posicao-Navios
03---ABR19---0---Chegada-DEM-QINGDAO
03---ABR19---0---Chegada-DEM-QINGDAO03---ABR19---0---Chegada-DEM-QINGDAO
03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO---China
03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO---China03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO---China
03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO---CUAUHTEMOC
03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO---CUAUHTEMOC03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO---CUAUHTEMOC

03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO-1
03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO-103---ABR19---0---Chegada-QINGDAO-1
03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO-4-Estacao-Salva
03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO-4-Estacao-Salva03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO-4-Estacao-Salva
03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO-6
03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO-603---ABR19---0---Chegada-QINGDAO-6
03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO
03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO03---ABR19---0---Chegada-QINGDAO
03---ABR19---0---Prep-Chegada
03---ABR19---0---Prep-Chegada03---ABR19---0---Prep-Chegada
 

É dada a partida!

Naqueles dias antes da partida, sempre surgiam novidades. O adido naval na África do Sul solicitou uma parada do navio por três dias na principal base naval do país, Simonstown, antes dele parar na vizinha Cape Town. Pedido seria atendido, mas para isso o plano da viagem seria novamente ajustado.

Finalmente, após longa preparação, no dia 21 de fevereiro, o navio deixou o Rio de Janeiro.

A cada novo porto caberia ao Chefe de Intendência a tarefa de adquirir os produtos necessários para a alimentação e o conforto dos tripulantes. Na área de alimentação eram adquiridos especialmente os itens perecíveis: verduras, legumes e frutas. Localmente cabia aos Adidos e a algum operador logístico local dar apoio ao navio nesta função.

O Garcia d’Ávila embarcou um helicóptero Esquilo do Esquadrão HU-1, com um Destacamento Aéreo Embarcado (DAE) composto por três pilotos e dez praças. O helicóptero Esquilo foi escolhido por duas razões: primeiro, porque não ocorreria nenhum exercício naval complexo nesta comissão, e, segundo, porque ele é bem mais simples e barato de se manter, durante aqueles cinco meses e meio da missão. Por todo o período da viagem o helicóptero brasileiro apenas voaria sobre águas internacionais além de não ter se programado qualquer exercício de “cross-deck”, o seu pouso em navios de outras marinhas. Estes vôos treinaram tanto os pilotos quanto o pessoal de convôo e de controle de operações aéreas no COC do navio. Uma única vez o helicóptero foi utilizado para exercitar o recolhimento de náufrago do mar.

03---ABR19---0---Recepcao-no-cais-0
03---ABR19---0---Recepcao-no-cais-003---ABR19---0---Recepcao-no-cais-0
03---ABR19---0---Recepcao-no-cais-1
03---ABR19---0---Recepcao-no-cais-103---ABR19---0---Recepcao-no-cais-1
03---ABR19---2---Papel-importante
03---ABR19---2---Papel-importante03---ABR19---2---Papel-importante
03---ABR20---Almoco-CM-e-Embaixador-5
03---ABR20---Almoco-CM-e-Embaixador-503---ABR20---Almoco-CM-e-Embaixador-5
03---ABR20---Atracado-em-Qingdao-1
03---ABR20---Atracado-em-Qingdao-103---ABR20---Atracado-em-Qingdao-1
 

03---ABR20---Cerimonia-de-Abertura-11
03---ABR20---Cerimonia-de-Abertura-1103---ABR20---Cerimonia-de-Abertura-11
03---ABR20---Cerimonia-de-Abertura
03---ABR20---Cerimonia-de-Abertura03---ABR20---Cerimonia-de-Abertura
03---ABR20---Noticias-de-jornal-0
03---ABR20---Noticias-de-jornal-003---ABR20---Noticias-de-jornal-0
03---ABR20---Noticias-de-jornal-1
03---ABR20---Noticias-de-jornal-103---ABR20---Noticias-de-jornal-1
03---ABR20---Recepcao-a-bordo-1
03---ABR20---Recepcao-a-bordo-103---ABR20---Recepcao-a-bordo-1

A passagem do navio por Cape Town coincidiu com a realização do 3º “Sea Power for Africa Symposium”, um encontro regional de marinhas do continente africano, onde o Brasil era um dos países convidados. Nesta ocasião o Almirante Palmer, Comandante da Diretoria de Hidrografia da MB e representante da Marinha neste evento recebeu, diversas autoridades militares e civis africanas num coquetel a bordo do Garcia d’Ávila.

Entrando no Oceano Índico

Deixando o Atlântico para trás, o navio brasileiro cruzou o Cabo da Boa viagem navegando numa corrente favorável de 5/6 nós, num dia com clima perfeito, “céu azul e com uma temperatura ideal para se ir à praia, para sair de bermudas e de tênis”, exemplificou o Comandante Biasoli.

Após vários dias de mar o navio chegou ao Atol de Diego Garcia, perfazendo a primeira visita de um navio militar brasileiro por aqui na história. O Atol tem uma grande lagoa em seu interior onde ficam fundeados os navios da Força de Pre-posicionamento Marítimo (estratégico) dos EUA. Em seu interior estes navios levam armamento, peças de reposição e combustível que pode ser necessário caso alguma crise militar se conflagre em qualquer região localizada ao redor do Índico, Pacífico e do Oriente Médio. Estes estoques estratégicos dão às forças armadas americanas, a capacidade de intervir imediatamente sem que seja necessário realizar uma mobilização emergencial dos estoques localizados no continente americano. A escala do Garcia foi uma “parada técnica”, uma oportunidade para realizar algumas manutenções menores no navio, que não passou de dois dias. Um prático militar guiou o navio brasileiro até o interior da lagoa. Após fundear, o navio foi imediatamente cercado por uma barreira flutuante daquelas usadas para precaver contra possíveis vazamentos de óleo ou de outros contaminantes.

03---ABR20---Recepcao-a-bordo-4
03---ABR20---Recepcao-a-bordo-403---ABR20---Recepcao-a-bordo-4
03---ABR21---Regata-de-SAMPAN-3
03---ABR21---Regata-de-SAMPAN-303---ABR21---Regata-de-SAMPAN-3
03---ABR22---1---JU-MAO-LU
03---ABR22---1---JU-MAO-LU03---ABR22---1---JU-MAO-LU
03---ABR22---2---QINGDAO---Recepcao-da-India---CM-Brasil
03---ABR22---2---QINGDAO---Recepcao-da-India---CM-Brasil03---ABR22---2---QINGDAO---Recepcao-da-India---CM-Brasil
03---ABR22---2---Recepcao-Mexico---Esposas-Adidos-1
03---ABR22---2---Recepcao-Mexico---Esposas-Adidos-103---ABR22---2---Recepcao-Mexico---Esposas-Adidos-1
 

03---ABR23---1---Parada-Naval-5A
03---ABR23---1---Parada-Naval-5A03---ABR23---1---Parada-Naval-5A
03---ABR23---1---Parada-Naval-5C
03---ABR23---1---Parada-Naval-5C03---ABR23---1---Parada-Naval-5C
03---ABR23---1---Parada-Naval-10
03---ABR23---1---Parada-Naval-1003---ABR23---1---Parada-Naval-10
03---ABR23---1---Parada-Naval-16
03---ABR23---1---Parada-Naval-1603---ABR23---1---Parada-Naval-16
03---ABR23---2---Oficiais-3
03---ABR23---2---Oficiais-303---ABR23---2---Oficiais-3
 

O território é britânico, mas a imensa base aérea e o porto militar são americanos. O pequeno contingente militar britânico ali, se incumbe unicamente da manutenção, da lei e da ordem no atol. Na ocasião desta visita, tanto o comandante britânico quanto o americano estavam viajando, assim coube aos seus imediatos receber os brasileiros. Foi aqui que a os músicos da Fuzibossa realizaram seu primeiro evento internacional. Neste atol não existe uma cidade tradicional. Os civis que estão aqui, muito mais homens que mulheres, foram contratados para prestar serviços por no máximo dois anos, a partir do qual eles voltam aos seus países de origem. Para ajudar a passar o tempo são criadas aqui várias gincanas e competições esportivas como futebol, vôlei e até mesmo o tradicional cabo de aço... O Comandante do Garcia d’Ávila comentou que: “no atol, sem qualquer morro ou montanha, nos faltam às tradicionais referências visuais geográficas que nos acostumamos usar para nos orientação. O ponto mais alto de Diego Garcia fica a apenas quatro metros do nível do mar!” A base militar e os amplos sistemas de coleta de dados ficam concentrados no lado oeste do atol. No lado noroeste ficam as residências do pessoal militar e civil.

No mesmo dia da partida dos brasileiros, chegou em Diego Garcia a fragata canadense HMCS Winnipeg (338) para também realizar uma breve parada. O navio canadense da classe Halifax se encontrava a caminho do Golfo de Aden onde haveria de se juntar ao 1º Nato Standing Maritime Group (NSMG1), em sua missão anti-pirataria ao longo da costa da Somália. 

03---ABR23---Suspender-Parada-Naval-QINGDAO
03---ABR23---Suspender-Parada-Naval-QINGDAO03---ABR23---Suspender-Parada-Naval-QINGDAO
03---ABR26---Churrasco-OPE-e-ANIV-Bandeiras
03---ABR26---Churrasco-OPE-e-ANIV-Bandeiras03---ABR26---Churrasco-OPE-e-ANIV-Bandeiras
03---ABR26---OPE-e-ANIV---Fuzibossa-2
03---ABR26---OPE-e-ANIV---Fuzibossa-203---ABR26---OPE-e-ANIV---Fuzibossa-2
03---ABR26---OPE-e-ANIV---Grupo-da-Cozinha
03---ABR26---OPE-e-ANIV---Grupo-da-Cozinha03---ABR26---OPE-e-ANIV---Grupo-da-Cozinha
03---ABR26---OPE-e-Aniversariantes-do-mes
03---ABR26---OPE-e-Aniversariantes-do-mes03---ABR26---OPE-e-Aniversariantes-do-mes
 

04---MAI01---1---Chegada-0
04---MAI01---1---Chegada-004---MAI01---1---Chegada-0
04---MAI01---1---Chegada-Ho-Chi-Minh
04---MAI01---1---Chegada-Ho-Chi-Minh04---MAI01---1---Chegada-Ho-Chi-Minh
04---MAI01---Carta-Vietna
04---MAI01---Carta-Vietna04---MAI01---Carta-Vietna
04---MAI01---Passe-Vietna
04---MAI01---Passe-Vietna04---MAI01---Passe-Vietna
04---MAI02---0---Postos-de-continencia-1
04---MAI02---0---Postos-de-continencia-104---MAI02---0---Postos-de-continencia-1

Cingapura e o Estreito de Málaca

Cingapura, é um país muito peculiar, praticamente uma única grande cidade, dentro de uma ilha de apenas 700 km2 e com uma população de 5 milhões de habitantes, este país é atualmente um dos maiores centros bancários do planeta, abrigando três grupos étnicos principais, os chineses, os malaios e os indianos.  A ilha fica espremida entre a Malásia e a Indonésia, no extremo oeste do Estreito de Málaca uma das passagem marítimas mais importantes do mundo ligando o Oceano Índico ao Pacífico. Em 2001 estimava-se que duas vezes mais navios passavam por aqui do que pelo Canal do Panamá. Em relação ao Canal de Suez, no Estreito de Málaca, o trafego marítimo seria nada menos que três vezes maior. É seguro dizer que o incessante crescimento das exportações e importações chinesas nesta última década a importância desta passagem asiática só tenha crescido.

Este é uma parte do mundo que o Comandante Biasoli já tinha visitado antes. Durante seu intercambio na US Navy entre 93 e 95, ele embarcou no destróier USS Merrill (DDG-976), um navio da classe Spruance, que por razões de segurança cruzou o Estreito de Málaca a uma velocidade de 30 nós. Justamente pelo este alto tráfego de navios mercantes a principal preocupação do navio brasileiro seria o risco de serem atacados por piratas.  200 milhas náuticas antes do Estreito, o comandante do Garcia d’Ávila programou uma estratégia de segurança extraordinária. Os Fuzileiros Navais, o reforço à segurança orgânica, foram distribuídos ao longo dos conveses laterais, 24 horas por dia. Aquelas aberturas laterais do casco foram feitas para facilitar o desembarque das tropas durante um ataque anfíbio, mas aqui poderiam muito bem ser convidativas e convenientes para piratas mais “empreendedores”. Além do mais, o formato externo do Garcia d’Ávila poderia, à noite, confundir os piratas, sugerindo que ele não passava de um navio mercante civil. Não havia porque dar chance ao azar. Málaca é uma região de tráfego marítimo muito intenso, alguns navegando em alta velocidade, vinte nós por lá é comum, e muitos outros fundeados. Assim, quem passar por lá de madrugada tem sempre que se preocupar também com o risco de colisão contra navios menores e mal iluminados.

04---MAI02---Almoco-Embaixador-e-Dr-Wladimir-Pomar-0
04---MAI02---Almoco-Embaixador-e-Dr-Wladimir-Pomar-004---MAI02---Almoco-Embaixador-e-Dr-Wladimir-Pomar-0
04---MAI02---Coletiva-de-Imprensa-0
04---MAI02---Coletiva-de-Imprensa-004---MAI02---Coletiva-de-Imprensa-0
04---MAI02---Coletiva-de-Imprensa-1
04---MAI02---Coletiva-de-Imprensa-104---MAI02---Coletiva-de-Imprensa-1
04---MAI02---HCMC---Postos-de-continencia-Embaixador
04---MAI02---HCMC---Postos-de-continencia-Embaixador04---MAI02---HCMC---Postos-de-continencia-Embaixador
04---MAI03---0---Cu-Chi-4---Esquema-dos-Tuneis-0
04---MAI03---0---Cu-Chi-4---Esquema-dos-Tuneis-004---MAI03---0---Cu-Chi-4---Esquema-dos-Tuneis-0
 

04---MAI03---0---Cu-Chi-4---Filme
04---MAI03---0---Cu-Chi-4---Filme04---MAI03---0---Cu-Chi-4---Filme
04---MAI03---0---Cu-Chi-5---Tunel-de-Comando-e-Controle-2
04---MAI03---0---Cu-Chi-5---Tunel-de-Comando-e-Controle-204---MAI03---0---Cu-Chi-5---Tunel-de-Comando-e-Controle-2
04---MAI03---0---Cu-Chi
04---MAI03---0---Cu-Chi04---MAI03---0---Cu-Chi
04---MAI03---1---HCMC-1
04---MAI03---1---HCMC-104---MAI03---1---HCMC-1
04---MAI03---1---Palacio-da-Reunificacao-3
04---MAI03---1---Palacio-da-Reunificacao-304---MAI03---1---Palacio-da-Reunificacao-3

Ao chegar à ilha-estado, o Garcia foi imediatamente direcionado para a Base Naval de Changi, e não para o porto comercial como imaginavam originalmente. A base fica 40 minutos afastada do centro da cidade, o que junto com as restrições múltiplas de segurança, gerou algumas dificuldades de transporte para atender ao desejo da tripulação de conhecer o local. Para isso foi alugado um ônibus para realizar este transporte.  Para os oficiais aquela seria a última oportunidade, para garantir que o navio estaria impecável no evento da China e por isso muitos marinheiros se envolveram na tarefa de pintar toda e qualquer mancha ou marca de ferrugem no casco e na superestrutura. O Comandante teve ainda que se reunir com o Embaixador do Brasil no país, para receber as mais recentes informações sobre o evento naval de que o navio participaria no caminho da volta.

Na base estavam algumas das cinco belas fragatas da classe Formidable, contratadas pela Marinha de Cingapura aos estaleiros franceses. Também estava ali um submarino nuclear de ataque americano da classe Los Angeles, o USS Charlotte (SSN766), junto a uns navios anfíbios de Cingapura.

04---MAI04---2---Visita-Comando-Naval-0B
04---MAI04---2---Visita-Comando-Naval-0B04---MAI04---2---Visita-Comando-Naval-0B
04---MAI04---2---Visita-Comando-Naval-5F
04---MAI04---2---Visita-Comando-Naval-5F04---MAI04---2---Visita-Comando-Naval-5F
04---MAI04---2---Visita-Comando-Naval-8A
04---MAI04---2---Visita-Comando-Naval-8A04---MAI04---2---Visita-Comando-Naval-8A
04---MAI04---3---Almoco-Comando-Naval-2
04---MAI04---3---Almoco-Comando-Naval-204---MAI04---3---Almoco-Comando-Naval-2
04---MAI04---3---Visita-G29-1
04---MAI04---3---Visita-G29-104---MAI04---3---Visita-G29-1
 

04---MAI04---4---Aposicao-Floral-3
04---MAI04---4---Aposicao-Floral-304---MAI04---4---Aposicao-Floral-3
04---MAI04---5---Visita-Comite-do-Povo
04---MAI04---5---Visita-Comite-do-Povo04---MAI04---5---Visita-Comite-do-Povo
04---MAI05---Despedida-Embaixador-8
04---MAI05---Despedida-Embaixador-804---MAI05---Despedida-Embaixador-8
04---MAI05---Prep-Suspender
04---MAI05---Prep-Suspender04---MAI05---Prep-Suspender
04---MAI05---Saindo-HCMC-2
04---MAI05---Saindo-HCMC-204---MAI05---Saindo-HCMC-2

No Mar do Sul da China

Saindo de Cingapura o navio seguiu para o nordeste, contornando a costa do Vietnam em direção à China. Biasoli contou que: “Este foi um trecho de navegação complicada, passamos por três dias com milhares de pesqueiros adiante de nós e tudo agravado pela baixíssima visibilidade devido à neblina que baixava especialmente à noite”.  Essa é uma região com importantes problemas fronteiriços ainda hoje. “Quando passamos pelo canal de Taiwan, a marinha daquele país solicitou por rádio que nos afastássemos das costas da ilha.

Cuidando do motivacional da tripulação numa longa comissão

Uma das preocupações mais importantes durante o planejamento desta viagem residia em como manter felizes os marinheiros brasileiros que, diferente dos americanos, franceses e ingleses, não tem tradição de ficar vários meses fora de casa. A tripulação precisa estar motivada, saudável e sempre capaz de realizar suas atividades a bordo. Um problema da geração anterior simplesmente desapareceu com a mudança tecnológica: acabou o “regime de aguada”. Os navios modernos produzem muita água fresca nos seus sistemas dessalinizadores. Assim no Garcia d’Ávila, em toda sua viagem jamais faltou água para que cada um dos tripulantes tomasse quantos banhos por dia lhe aprouvesse.

04---MAI03---2---Museu-da-Guerra-4
04---MAI03---2---Museu-da-Guerra-404---MAI03---2---Museu-da-Guerra-4
04---MAI03---2---Museu-da-Guerra
04---MAI03---2---Museu-da-Guerra04---MAI03---2---Museu-da-Guerra
04---MAI03---Noite-atracado-HCMC-1
04---MAI03---Noite-atracado-HCMC-104---MAI03---Noite-atracado-HCMC-1
04---MAI04---1---Recepcao---Palavras-Representante-Comite-do-Povo-0
04---MAI04---1---Recepcao---Palavras-Representante-Comite-do-Povo-004---MAI04---1---Recepcao---Palavras-Representante-Comite-do-Povo-0
04---MAI04---1---Recepcao---Palavras-Representante-Comite-do-Povo
04---MAI04---1---Recepcao---Palavras-Representante-Comite-do-Povo04---MAI04---1---Recepcao---Palavras-Representante-Comite-do-Povo
 

04---MAI04---1---Visita-VII-Regiao-Militar-3B
04---MAI04---1---Visita-VII-Regiao-Militar-3B04---MAI04---1---Visita-VII-Regiao-Militar-3B
04---MAI04---1---Visita-VII-Regiao-Militar-5A
04---MAI04---1---Visita-VII-Regiao-Militar-5A04---MAI04---1---Visita-VII-Regiao-Militar-5A
04---MAI04---1---Visita-VII-Regiao-Militar
04---MAI04---1---Visita-VII-Regiao-Militar04---MAI04---1---Visita-VII-Regiao-Militar
04---MAI04---2---Recepcao-G29--3
04---MAI04---2---Recepcao-G29--304---MAI04---2---Recepcao-G29--3
04---MAI04---2---Visita-Comando-Naval-0
04---MAI04---2---Visita-Comando-Naval-004---MAI04---2---Visita-Comando-Naval-0
 

Um dos outros grandes avanços na área de conforto a bordo, a antena giro-estabilizada de TV por satélite, por exemplo, parou de funcionar ao sair do alcance do sinal de satélite do provedor brasileiro, a 200 milhas náuticas a leste do Rio. Este é um item que só virou aparelho padrão nos navios maiores da MB recentemente. Se as viagens de longa duração passarem a ser regulares no futuro, sem dúvida a Marinha precisará de novos provedores com serviço por todo o mundo. Em termos de acesso privado à Internet, sempre que o porto oferecia este tipo de serviço, o navio o contratava para que através do MSN e do Skype os brasileiros pudessem entrar em contato com suas famílias.

As longas pernadas de mar exigem que os fins de semanas sejam marcados de alguma forma especial, no Garcia os domingos inicialmente eram o dia de churrasco no convés, depois este dia festivo passou para os sábados. Cada um dos churrascos era gerenciado por um dos departamentos do navio, assim até rolava um clima de competição saudável, cada time querendo fazer sempre melhor quer o dos seus colegas. Este evento social de bordo se projetou algumas vezes para além do mundo culinário, virando caraoquê e, inclusive, um deles montando um legítimo boliche. No final da viagem a tripulação inovou ao realizar uma verdadeira festa junina a bordo, um evento que, provavelmente, ocorreu pela primeira vez em toda a história da Marinha do Brasil.

04---MAI05---Saindo-HCMC-11
04---MAI05---Saindo-HCMC-1104---MAI05---Saindo-HCMC-11
04---MAI08---Chegada-CIngapura-2B
04---MAI08---Chegada-CIngapura-2B04---MAI08---Chegada-CIngapura-2B
04---MAI08---Primeira-Saida---Singapore-Flyer---Box-corrida-F1
04---MAI08---Primeira-Saida---Singapore-Flyer---Box-corrida-F104---MAI08---Primeira-Saida---Singapore-Flyer---Box-corrida-F1
04---MAI08---Primeira-Saida---Templo-Hindu-1
04---MAI08---Primeira-Saida---Templo-Hindu-104---MAI08---Primeira-Saida---Templo-Hindu-1
04---MAI08---Primeira-Saida---Templo-Hindu
04---MAI08---Primeira-Saida---Templo-Hindu04---MAI08---Primeira-Saida---Templo-Hindu

04---MAI09---Atracado-Changi-Naval-Base-0
04---MAI09---Atracado-Changi-Naval-Base-004---MAI09---Atracado-Changi-Naval-Base-0
04---MAI10---Turismo-0---MERLION-2
04---MAI10---Turismo-0---MERLION-204---MAI10---Turismo-0---MERLION-2
04---MAI10-Manha-1---TFC-x-BFA
04---MAI10-Manha-1---TFC-x-BFA04---MAI10-Manha-1---TFC-x-BFA
04---MAI11---Vista-Camara
04---MAI11---Vista-Camara04---MAI11---Vista-Camara
04---MAI12---IMDEX---Exposicao---AUSTAL-Ships
04---MAI12---IMDEX---Exposicao---AUSTAL-Ships04---MAI12---IMDEX---Exposicao---AUSTAL-Ships

Para a manutenção do tônus muscular e do condicionamento físico da tripulação fez com que obrigatoriamente, todas as segundas, quartas e sextas; entre 8h00 e 9h00, o convés externo do navio se transformava em academia com dezenas de militares fazendo exercício junto. No meio das grandes travessias os fonoclamas (alto-falantes) do navio tocavam MPB direto, de vários tipos distintos, para entreter os marinheiros. Segundo o Comandante Biasoli: “a escolha da programação musical era democrática, todos a bordo podiam votar nas suas musicas e conjuntos preferidos.” E com bom humor ele completou, “talvez por isso o estilo brega tenha dominado a parada, a Banda Calipso foi o conjunto que mais tocou no nosso navio.”

Finalmente a China!

O NDCC chegou em Qingdao, sede da Esquadra Chinesa do Norte precisamente no dia 19 de abril. Qingdao (ou Tsing Tao como era escrito até recentemente) faz parte da província de Shandong e fica localizada na face sul da península com este mesmo nome. A península se projeta para dentro do Mar Amarelo e a área de responsabilidade da Esquadra Chinesa local vai dali, passando pelo Mar Bohai, até a fronteira com a Coréia do Norte. Dentro da política adotada naquela época, Qingdao foi cedida ao Império Alemão no final do século XIX, e teve seu desenvolvimento, de pequena cidade pesqueira até virar importante porto regional, guiada pela mão dos alemães, por isso ainda apresenta inúmeros edifícios com arquitetura germânica, um caso único na Ásia. Outro resquício da colonização alemã na cidade é a cervejaria TsingTao, uma das mais notórias marcas de cerveja na Ásia. Foi aqui, também, onde se realizaram as competições de vela da Olimpíada de Pequim em 2008.

044
044044
05
0505
07
0707
5---JUN10---Futebol-G29-x-MOZ---Termino-11
5---JUN10---Futebol-G29-x-MOZ---Termino-115---JUN10---Futebol-G29-x-MOZ---Termino-11
5---JUN10---Futebol-G29-x-MOZ-7
5---JUN10---Futebol-G29-x-MOZ-75---JUN10---Futebol-G29-x-MOZ-7

5---JUN11---Cerimonia-4
5---JUN11---Cerimonia-45---JUN11---Cerimonia-4
5---JUN11---Cerimonia-6
5---JUN11---Cerimonia-65---JUN11---Cerimonia-6
5---JUN11---Cerimonia-30
5---JUN11---Cerimonia-305---JUN11---Cerimonia-30
5---JUN14---Cabo-das-Tormentas-0
5---JUN14---Cabo-das-Tormentas-05---JUN14---Cabo-das-Tormentas-0
5---JUN14---Cabo-das-Tormentas-1
5---JUN14---Cabo-das-Tormentas-15---JUN14---Cabo-das-Tormentas-1

Para a surpresa dos nossos marinheiros, a Marinha do Exército de Libertação Nacional da China exibia com pelo menos dois submarinos nucleares na Bahia de Qingdao. Assim que o Garcia atracou foi recebido por uma tropa em uniforme de gala incluindo na recepção um casal de crianças chinesas trazendo um buque de flores para o seu comandante. A despeito de ser um importante porto internacional, do domínio da língua inglesa de pouco ajudou aos brasileiros que se aventuraram a explorar Qingdao. Na maioria das vezes, a comunicação tinha que se apoiar unicamente na, internacionalmente aceita, mímica.

Mas nem todos os brasileiros acham a China tão exótica quanto os demais. Três deles, recém-embarcados, vieram diretamente de sua “Viagem de Ouro” a bordo NE Brasil,  que por coincidência tinha parado nos portos de Xangai, Cingapura e em Mumbai, na Índia. 

Uma vez no porto o Comandante Biasoli participou de uma série de eventos oficiais, entre eles, uma visita guiada ao destróier chinês Lanzhou (170) da classe 052C (“Luyang II”, na nomenclatura da OTAN).

Houve no dia 21 de abril uma competição multinacional de remo, usando os Sampan, um tipo de barco característico da China. Os brasileiros remaram no barco numero 7, mas o barco chinês no final ganhou a disputa. Já em terra a disputa foi, mesmo, no futebol.

5---JUN15---Vigilancia
5---JUN15---Vigilancia5---JUN15---Vigilancia
5---JUN16---Chegada-Cape-Town-1
5---JUN16---Chegada-Cape-Town-15---JUN16---Chegada-Cape-Town-1
5---JUN16---Chegada-Cape-Town-2
5---JUN16---Chegada-Cape-Town-25---JUN16---Chegada-Cape-Town-2
5---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-15
5---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-155---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-15
5---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-16
5---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-165---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-16

5---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-18
5---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-185---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-18
5---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-22
5---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-225---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-22
5---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-45
5---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-455---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-45
5---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-52
5---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-525---JUN18---Almoco-Ministro-Turismo-52
5---JUN26---Vista-da-Camara-1
5---JUN26---Vista-da-Camara-15---JUN26---Vista-da-Camara-1

Na cerimônia oficial de boas vindas, os comandantes dos navios presentes junto com os mais de quarenta Comandantes de Marinhas, como o brasileiro, Almirante Moura Neto, ouviram que os chineses pretendem aumentar sua presença por todo o mundo, incluindo a América do Sul, no futuro próximo. Curiosamente, coube ao próprio Moura Neto, a honra de saudar os anfitriões em nome dos militares visitantes. No dia seguinte houve um almoço de confraternização oferecido pelo nosso embaixador na China a bordo do Garcia. Neste evento participaram o Comandante da Marinha da India  e de Portugal. O segundo Sea Lord Britânico, o almirante da Marinha Neozelandesa e o Almirante Comandante Chinês da Área também prestigiaram o evento. Nesta oportunidade o Comandante da Marinha da Índia reforçou o convite ao Almirante Moura Neto para que o Garcia d’Ávila, aproveitando sua presença na Ásia, desviasse de sua rota e passasse, também, pela Índia, antes de retornar ao Brasil. A idéia seria uma visita ao porto de Mormugão, no distrito de Goa, uma antiga colônia portuguesa localizada na costa oeste da Índia.  Os demais navios também deram festas onde os convidados estrangeiros puderam se aproximar e criar novos vínculos, com as demais marinhas presentes, e com seus comandantes. Nestes dias os brasileiros puderam visitar os navios da Austrália, Canadá, Índia, Cingapura e México. No navio indiano, a tripulação do Garcia obteve algumas cartas náuticas da costa da Índia, ferramenta fundamental para poderem traçar a nova derrota de retorno do navio, agora via Índia. A população da cidade pode, ainda, visitar o navio brasileiro durante um dia. Encerradas as atividades no porto, no dia 23 de abril eles suspenderem para se dirigir para o local da parada naval comemorativa. A Marinha Chinesa deu para cada navio as suas coordenadas GPS precisas, para não haver qualquer confusão na parada.

Os navios foram separados em dois segmentos, um composto apenas de navios chineses e outro só de estrangeiros. Fazia frio naquela manhã, perto dos 5 graus centígrados e a neblina estava bem pesada. O presidente da China, Hu Jintao e seus ministros e dignitários militares locais passaram os navios em revista a bordo do destróier do Tipo 051B (classe Luzhou para a OTAN)  Shijiazhuang (116). Este navio era seguido pelo navio de treinamento Zeng He (81), onde viajavam os adidos militares e os comandantes de marinhas estrangeiras, convidados para o evento.  Vinte e cinco navios chineses, incluindoneste número dois submarinos nucleares (que jamais haviam participado de um evento público anteriormente), e 21 navios de 14 marinhas estrangeiras participaram da Parada Naval. A Aviação Naval Chinesa participou do desfile com um total de 31 aeronaves. Os navios foram ordenados em função de seu deslocamento, começando pelo cruzador russo Varyag, os destróieres vindo em seguida, e aí por diante.

5---JUN29---V&A---Vista-do-Passadico-4
5---JUN29---V&A---Vista-do-Passadico-45---JUN29---V&A---Vista-do-Passadico-4
6---JUL04n---G29
6---JUL04n---G296---JUL04n---G29
6---JUL07---G29-visto-ro-Table-Bay-hotel
6---JUL07---G29-visto-ro-Table-Bay-hotel6---JUL07---G29-visto-ro-Table-Bay-hotel
6---JUL09---Fainas-0
6---JUL09---Fainas-06---JUL09---Fainas-0
6---JUL09---Fainas-1a
6---JUL09---Fainas-1a6---JUL09---Fainas-1a

6---JUL09---Fainas-4
6---JUL09---Fainas-46---JUL09---Fainas-4
6---JUL09---Fainas
6---JUL09---Fainas6---JUL09---Fainas
6---JUL09---Pavilhao-e-Table-Mountain
6---JUL09---Pavilhao-e-Table-Mountain6---JUL09---Pavilhao-e-Table-Mountain
6---JUL09---Servico
6---JUL09---Servico6---JUL09---Servico
6---JUL10---Fainas
6---JUL10---Fainas6---JUL10---Fainas

Os navios chineses que participaram da Parada Naval foram:

Destróieres:Shenyang (115) - Type 051C (Classe Luzhou)

Lanzhou (170) - Type 052C (Classe Luyang II)

Guangzhou (168) - Type 052B (Classe Luyang I)

Harbin (112) - Type 052 (Classe Luhu)

Dalian (110) - Type 051 (Classe Luda)

Fragatas:Zhoushan (529) - Type 054A (Classe Jiangkai-II)

Xuzhou (530) - Type 054A (Classe Jiangkai-II)

Luoyang (527) - Type 053H3 (Classe  Jiangwei-II)

Mianyang (528) - Type 053H3 (Classe  Jiangwei-II)

Wuhu (536) -Type 053H2 (Classe Jianghu-III)

Cangzhou (537) -Type 053H2 (Classe Jianghu-III)

NDD:Kunlushan (998) -Type 071 (Landing Platform Dock)

6---JUL11---Primeira-virada-MCP-BE---Inspecao-COLIN-0
6---JUL11---Primeira-virada-MCP-BE---Inspecao-COLIN-06---JUL11---Primeira-virada-MCP-BE---Inspecao-COLIN-0
6---JUL11---Primeira-virada-MCP-BE-1
6---JUL11---Primeira-virada-MCP-BE-16---JUL11---Primeira-virada-MCP-BE-1
6---JUL11---Primeira-virada-MCP-BE-5
6---JUL11---Primeira-virada-MCP-BE-56---JUL11---Primeira-virada-MCP-BE-5
6---JUL13---Chuva-2
6---JUL13---Chuva-26---JUL13---Chuva-2
6---JUL13---Vale-na-faina-1
6---JUL13---Vale-na-faina-16---JUL13---Vale-na-faina-1

6---JUL15---Briefing-OpAer
6---JUL15---Briefing-OpAer6---JUL15---Briefing-OpAer
6---JUL16---Por-do-Sol-0
6---JUL16---Por-do-Sol-06---JUL16---Por-do-Sol-0
6---JUL16---Por-do-Sol-8
6---JUL16---Por-do-Sol-86---JUL16---Por-do-Sol-8
6---JUL17---EXC-resgate-de-Naufrago---Pacific
6---JUL17---EXC-resgate-de-Naufrago---Pacific6---JUL17---EXC-resgate-de-Naufrago---Pacific
6---JUL17---EXC-resgate-de-Naufrago-3
6---JUL17---EXC-resgate-de-Naufrago-36---JUL17---EXC-resgate-de-Naufrago-3

Voltando da China, o começo da longa viagem para casa

O NDCC Garcia d’Ávila partiu para o Vietnam logo após o encerramento da Parada Naval, no próprio dia 23.  Para chegar em Ho Chi Min City, (a antiga capital da Viet Nam do Sul, Saigon) o navio brasileiro na localidade turistica de Vung Tau entrou pelo rio Saigon a dentro, navegando a 12 nós de velocidade por quatro horas. Havia alguma apreenção a bordo sobre as potenciais restrições exigidas para este trecho, mas aA marinha local só solicitou duas coisas do Garcia d’Ávila que a bandeira do Brasil e do Vietnam e do Brasil fossem içadas na mesma altura no mastro e que nos tripulantes não exibissem armas ao cruzar o rio. Os vietnamitas obrigaram também que os militares brasileiros que saíssem da base estivessem fardados, mas isso foi contornado no segundo dia quando eles aceitaram como “farda” uma camiseta com o mascote do navio impresso. O passe de entrada e saída da base valiam das 07h00 até a meia-noite. Curiosamente Ho Chi Minh City foi o porto que mais agradou aos tripulantes do Garcia, a despeito de seu trânsito alucinado. Para quem se interessou, houve uma visita guiada aos tuneis subterrâneos usados durante a Guerra do Viet Nam para contrabandear gente e armas para os Viet Congs que lutavam contra os americanos. No evento organizado pela Embaixada Brasileira a bordo do Garcia vieram, inclusive, jogadores de futebol brasileiros que jogam nos times deste país. Isto voltaria a se repetir, novamente, nos coquetéis realizados em Cingapura e na Índia.

13
1313
17
1717
21
2121
26
2626
DSC00185
DSC00185DSC00185

DSC01558
DSC01558DSC01558
DSC01560
DSC01560DSC01560
DSC01562
DSC01562DSC01562
DSC01577
DSC01577DSC01577
DSC01582
DSC01582DSC01582

Encerrada a passagem pelo Vietnã o navio voltou a descer o Rio Saigon para voltar ao Mar do Sul da China e em seguida se dirigir para Cingapura e para a sua participação na feira naval IMDEX-Asia.  O Garcia chegou a Cingapura três dias antes da inauguração da feira. O Oficial de Relações Públicas do navio usou este tempo para preparar a “exposição brasileira” a bordo com os pôsteres e banners enviados pela Engeprom para este evento. Segundo o Comandante Biasoli a iniciativa de usar o interior do navio como “show room” foi dos seus próprios oficiais. Vários dos navios que estiveram na comemoração chinesa voltaram a se encontrar aqui. Muitos VIPs de Cingapura visitaram o navio brasileiro, inclusive o Comandante da Marinha local, surpreendentemente, um oficial de apenas 42 anos de idade.  Na Marinha de Cingapura as promoções ocorrem muito rapidamente, e a idade máxima para passar para a reserva é de apenas 45 anos. A feira foi aberta com uma apresentação do Perimeiro Ministro e do Ministro da Defesa da ilha, posteriormente Ministro da Defesa, na companhia do Vice-ministro da defesa, visitaram o Garcia d’Ávila. Aqui, também, houve visitas aos navios participantes.

No dia 14 de maio o navio se lançou na pernada “inesperada”, a visita a Goa na Índia. Abril marca o início da temporada de monções no Índico, se a viagem tivesse programada para duas semanas depois, essa vista provavelmente teria sido impraticável. Ao chegar no porto o navio foi direcionado para um cais de minério que ficava distante entre 10 e 15 minutos, a pé, até a saída do porto. Este era um porto civil, sendo que na região a única presença da Marinha da Índia é a base aeronaval INS Hansa na cidade vizinha de Dabolim. Nesta base ficam várias importantes unidades, os Sea Harriers Mk.51 do esquadrão operacional INAS 300 “White Tigers” e do INAS 552 de treinamento. Os outros modelos que operam aqui são os treinadores HAL Kiran HJT-16 do INAS 551, os “Phantoms”, os Dornier Do-228 de guerra eletrônica do INAS 310 “Cobras” e os Il-38SD (“May” para a OTAN) recém modernizados para o padrão “Sea Dragon” do INAS 315 “Winged Stallions”.

DSC06444
DSC06444DSC06444
DSC06466
DSC06466DSC06466
DSC06530
DSC06530DSC06530
DSC06531
DSC06531DSC06531
DSC06532
DSC06532DSC06532

DSC06533
DSC06533DSC06533
DSC06534
DSC06534DSC06534
DSC06535
DSC06535DSC06535
DSC06536
DSC06536DSC06536
DSC06537
DSC06537DSC06537

O anfitrião dos brasileiros foi o Comandante da Base Aeronaval que fez de tudo para que nossos marinheiros se sentissem em casa, inclusive, um ônibus foi disponibilizado pata levar a tripulação para aproveitar as belas praias da região. Como seria de se esperar, o cônsul brasileiro em Mumbai visitou o navio em sua parada indiana. A crescente aproximação entre os dois países fez com que o Brasil, que até então, não tinha um adido de defesa na nossa Embaixada decidisse por enviar o seu primeiro em fevereiro de 2009.

Houve uma recepção a bordo para os indianos da INS Hansa onde o Comandante Biasoli ficou sabendo que o oficial de ligação que atendeu aos brasileiros tinha acabado de retornar da Rússia onde ele tinha realizado o estágio de adaptação de pilotagem no novo MiG-29K . No dia seguinte foi a vez dos indianos receberem os brasileiros na área residencial da base aérea que segundo consta é bastante parecida com a área de casas dentro da Base Aero Naval de São Pedro d’Aldeia na Região dos Lagos fluminense. Nesta ocasião, havia dois bufês, um com comida indiana e outra com comida regional de Goa que ainda tem muita herança da cozinha portuguesa.

DSC06538
DSC06538DSC06538
DSC06539
DSC06539DSC06539
DSC06540
DSC06540DSC06540
DSC06541
DSC06541DSC06541
DSC06542
DSC06542DSC06542

DSC06543
DSC06543DSC06543
DSC06544
DSC06544DSC06544
DSC06545
DSC06545DSC06545
DSC06546
DSC06546DSC06546
DSC06547
DSC06547DSC06547

Para a África!

De Goa, o navio seguiu direto para um novo país, Moçambique. Esta foi a primeira passagem de um navio da MB por Maputo, capital daquele país. A marinha local é ainda pequena, mas deseja desenvolver um modelo de parceria com o Brasil, semelhante ao que fizemos com a Namíbia.

O Garcia foi colocado no porto civil da cidade, e a agenda foi muito cheia.Com visitas ao Comandante da Marinha Moçambicana, ao Vice-Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, ao Vice-Ministro da Defesa e até ao prefeito de Maputo. Os Adidos de Defesa e do Exército brasileiros visitaram o navio no porto. E o Comandante da Força Aérea e o Chefe de Operações do Estado Maior da Defesa de Moçambique prestigiaram o coquetel a bordo. Este foi segundo o Comandante do Garcia: ”um dos eventos mais badalados da viagem, até os adidos americano e da Índia vieram, além de vários adidos de outros países africanos”. O dia seguinte, 11 de junho, coincidentemente era o dia da Batalha de Riachuelo, a data mais importante da Marinha do Brasil. Motivados pelo sucesso do evento anterior e pela data festiva foi decidido realizar um outro evento onde foram trocaram as platinas dos militares promovidos e se entregaram medalhas. Encerrada esta festividade o navio partiu para seu próximo porto na África.

O que ninguém esperava era que a verdadeira aventura desta viagem, no entanto, ocorresse justo no curto trecho entre Maputo e Cape Town. Uma pane séria em um dos seus motores principais obrigou o navio, a navegar com apenas um motor em sua passagem do Oceano Índico para o Atlântico. Para agravar a situação ainda mais , eles tiveram que enfrentar um vento contrário de aproximadamente 50 nós (92km/h). Durante Doda esta viagem o tempo estava péssimo e, para piorar, ao chegarem a Cape Town à noite, eles foram instruídos pela Capitania local a fundear do lado de fora da barra, porque as lanchas dos práticos não estavam operando naquelas condições climáticas tão críticas. O comandante, no entanto, optou por não fundear, e, por uma questão de segurança, manteve o navio navegando até que o dia raiasse. Uma parada que estava prevista para durar apenas uma semana, devido a necessidade de manutenção do grande motor de nove cilindros danificado se prolongou por 25 dias. O serviço de manutenção externo contratado para reparar o motor era muito bom, mas o projeto antigo do motor Mirrlees-Blackstone KMR9 Mk 3 deu muito trabalho aos técnicos , especialmente pela dificuldade de se acessar alguns dos pontos importantes do motor.

Aproveitando o atraso na viagem várias esposas voaram para Cape Town para rever seus maridos depois de longos meses de separação. Também, nesta parada prolongada, o navio acabou recebendo num almoço a visita do Comandante da Base de Simonstown e do Ministro do Turismo brasileiro Luiz Barretto. O ministro, coincidentemente, se encontrava na cidade sul-africana para uma reunião preparatória internacional para a Copa do Mundo de 2010.

DSC06548
DSC06548DSC06548
DSC06549
DSC06549DSC06549
DSC06550
DSC06550DSC06550
DSC06551
DSC06551DSC06551
DSC06552
DSC06552DSC06552

DSC06553
DSC06553DSC06553
DSC06554
DSC06554DSC06554
DSC06555
DSC06555DSC06555
DSC06556
DSC06556DSC06556

Conclusão

Esta viagem serviu para demonstrar com grande clareza quantas coisas devem passar a ser prioritárias, tanto no aspecto logístico quanto no de recursos humanos para que a Marinha do Brasil possa atender às crescentes demandas que o projeto geopolítico atual da nação fará a ela. No campo do apoio às famílias a Esquadra já disponibilizou desta vez um núcleo de Assistência Social às famílias dos marinheiros embarcados no Garcia d’Ávila. Segundo Biasoli, “Houve um grande ganho  no desenvolvimento dos nossos marinheiros e da mudança da sua percepção sobre o mundo e, especialmente, da inserção do Brasil nele. Desta vez não houve nenhum problema de saúde ou disciplibar com a tripulação, mas, talvez no futuro venha a ser útil, especialmente nessas missões de mais longa duração, incluirmos um posto que ainda não é previsto no navio: o de um assistente social, ou psicólogo. Este novo membro complementaria o trabalho realizado hoje em dia pelos nossos médico e dentista.”

No final, no dia 21 de julho o navio chegou de volta ao Rio de Janeiro, após ficar 153 dias fora do Brasil. Este período foi maior do que o inicialmente previsto, mas ao sair daqui no dia 21 de fevereiro ninguém imaginaria que eles fariam um desvio de curso até a Índia ou que período de reparo do motor em Cape Town os prenderia naquela cidade por um adicional de duas semanas. Tudo deu certo. Isso é claramente fruto da soma de dois importantes itens característicos da marinha do Brasil: um planejamento e manutenção pré-comissão bem executado, com o alto grau de preparo técnico da tripulação fez com que a missão, a despeito das diversas alterações inopinadas de rota, fosse um sucesso. Do ponto de vista diplomático o navio cumpriu seu papel servindo de poderoso catalizador para a aproximação continuada do Brasil com as marinhas e os governos dos países visitados. A relação entre a Marinha e o Ministério da Defesa com o Itamaratí também recebeu uma grande ênfase com a realização desta missão que se tudo caminhar normalmente passará a ser cada vez mais comum no futuro. A Índia e a China, colegas do Brasil no grupo dos BRICs, demonstraram, de forma muito evidente, a importância que ambos países atribuem ao crescente estreitamento das relações diplomáticas e militares com o Brasil. Finalmente, foi demonstrada a capacidade, pelo comando da Marinha do Brasil, de redirecionar um navio seu, sem aviso prévio, no alto mar, o enviando para uma nova e desafiadora missão. Esta pernada imprevista representou um grande desafio logístico e humano, um sinal inequívoco de que as “peças” estão todas no seu devido lugar, e que, com o orçamento adequado, a Marinha do Brasil pode se posicionar como uma das mais importantes marinhas de águas azuis a cruzar, regularmente, os mares do nosso planeta. 

 
Last Updated on Wednesday, 05 May 2010 14:00
 

Translate

Browse this website in:

Busca Rápida
Serial
(FAB, MB ou EB)


Copyright © 2018 Base Militar Web Magazine. All Rights Reserved. Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.