A Fragata Leve Furtiva Courbet PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Monday, 03 May 2010 00:00

 



Introdução

Quando o Porta-Helicópteros francês Jeanne d’Arc  (R97) passou pelo Rio, em janeiro de 2010, na sua última viagem antes de ser descomissionado, ele veio escoltado pela fragata Courbet.

Seu acompanhante tradicional, o destróier Georges Leygues, não veio porque se encontrava no meio de um programa de manutenção profundo que o permitiria, partir em alguns meses mais com o moderno navio de múltiplos usos, o BPC Tonnerre, (que ALIDE também já visitou anteriormente) . Na matéria sobre o estaleiro e centro industrial de Lorient ALIDE comentou sobre ara razões que levaram a Marinha francesa encomendar à indústria a classe Lafayette , mas naquela ocasião o nosso foco principal eram as classes mais modernas, a Horizon e a FREMM. Agora vamos falar um pouco mais sobre a primeira classe de navios projetado, desde o seu início com a furtividade em mente.

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As fragatas da classe Lafayette

A marinha da França encomendou ao estaleiro cinco unidades de um novo modelo de fragata leve projetada para operar longe da Europa, nas regiões e coletividades de além-mar francesas (Régions et Collectivités d`outre-mer, em Francês). Estes territórios ficam espalhados por todo o globo, embora, não se constituam áreas absolutamente vitais para a defesa da França continental, precisam ser protegidas e patrulhadas regularmente para garantir o direito de posse francês sobre eles. No Caribe, ficam as ilhas de Guadalupe e Martinica, Saint Barthélemy e Saint Martin. Um pouco mais ao sul está a  Guiana Francesa, território francês localizado na costa norte da América do Sul. Bem mais ao norte, na costa da Terra Nova, no nordeste do Canadá, ficam Saint Pierre and Miquelon. No, indico, por sua vez se localizam os arquipélagos de Reunião e Mayotte e no Oceano Pacífico, o arquipélago da Polinésia Francesa e as ilhotas de Wallis e Futuna.

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Estas são regiões muito espalhadas que exigem navios de patrulha de grande porte capazes de passar muitos meses no mar, bem longe dos arsenais franceses na Europa. Estes navios podem se dar ao luxo de serem consideravelmente mais simples, em termos de armamento e propulsão, porque eles não foram projetados para enfrentar esquadras de navios modernos do bloco comunista no meio do oceano Atlântico ou no Mar do Norte . Seu ambiente de operações primário é na periferia, realizando o controle da Zona Econômica Exclusiva destas regiões de além-mar francesas, especialmente, contra pesqueiros ilegais, contrabandistas e traficantes de drogas. As fragatas Lafayette contrariando a norma atual, não possuem turbinas de propulsão movidas a gás, dependendo unicamente de dois motores a diesel. Esta configuração simplificada reduz brutalmente tanto o custo de aquisição quanto o custo de operação do navio. Assim mesmo os navios foram projetados usando modernos sistemas de CAD CAM (projeto e construção por computador) o que permiti que sua construção pudesse ser feita em módulos, ou “anéis” como são chamados pelos franceses. Essa modularidade permite que cada segmento do navio seja construído em uma localidade distinta, sendo transportado para um único estaleiro apenas na hora de sua montagem final e, subsequente,  lançamento ao mar. Com os projeto em módulos a distribuição do trabalho de construção pode ser realizada em pequenas “porções”, seções estruturais que se adaptam muito melhor ao espaço e aos meios de construção disponíveis em cada estaleiro existente no país, ou, mesmo, no exterior. Vários estaleiros da DCN (antigo nome do estaleiro francês DCNS) cooperaram na produção das Lafayette francesas e estrangeiras.

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O sucesso internacional do programa Lafayette

A classe Lafayette incluía um porte adequado e uma inserção interessante de tecnologia moderna. Estes fatos fizeram com que as marinhas da Arábia Saudita, Taiwan e Cingapura se interessassem por adquirir respectivamente 3, 6 e 6 navios da classe, ou de derivados diretos dela.

O legado do Almirante Courbet

Na Praça d’Armas da fragata Courbet existe praticamente um museu dedicado ao almirante francês do século XIX que deu seu nome ao navio. Lá está uma espada original do almirante com os nomes gravados na lâmina de cada uma das batalhas vencidas por ele durante a Campanha de Tonquim no mar do Sul da China. Amédée Courbet nasceu na cidade francesa de Abbeville em 1828. Entre os anos de 1849 e 1853 ele serviu como aspirante na fragata La Capricieuse, em sua circunavegação do globo. Em seguida ele serviu em vários postos importantes da Marinha Francesa operando em locais distintos  e distantes entre si como Esmirna, na costa turca; o Canal da Mancha e Mar do Norte, na Europa; nas Antilhas, e novamente no Mediterrâneo.

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Em 1883 Courbet foi indicado para comandar a nova “Divisão Naval das Costas do Tonkim” na Indochina. Seu objetivo principal seria o de conquistar um protetorado para a França naquela região. A morte de Tu Duc, imperador vietnamita, gerou um vácuo de poder na região que os franceses prontamente aproveitaram para atuar militarmente, conquistando seu protetorado na região através do Tratado de Hue.  O maior desafio militar para o Almirante Courbet naquela região era o “Exercito da Bandeira Negra” de Liu Yongfu um importante mercenário entre os vários bandos armados que existiam no sul da China.  Em 1865, após uma forte reação do exército chinês, O “Exército da Bandeira Negra” cruzou a fronteira do Vietnam, onde, por anos viveram  extorquir e cobrar pedágio dos navios que cruzavam o Rio Vermelho.  Anos depois disso Liu passou a receber apoio indireto dos próprios chineses e dos vietnamitas em sua oposição aos militares franceses.

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As tropas do almirante Courbet se enfrentaram com o Exército da Bandeira Negra em Son Tay, numa batalha histórica que causou fortes danos às tropas insurgentes, ao ponto de tirá-los definitivamente da lista de ameaças. A estrela de Courbet brilhava fortemente naquele momento, e quando a Divisão Naval do Extremo Oriente foi fundida com a Divisão das Costas do Tonquim, coube a ele, novamente, assumir o comando da nova Esquadra do Extremo Oriente. Resolvida a questão no Vietnam, Courbet e sua esquadra foram enviados a Fuzhou, cidade no sul da China, para pressionar a esquadra chinesa de Fujian e o importante Arsenal de Fuzhou. As negociações de paz fracassaram, e os franceses atacaram, devastando a esquadra chinesa e deixando vários navios afundados, fortes em terra destruídos e mais de 3000 chineses mortos num único dia.  As ações bélicas dos franceses contra os chineses em Shipu, Taiwan e na Baía de Zhonhai, perto da cidade de Ningbo, quase tiveram sucesso em destruir os três navios mais modernos e poderosos da esquadra chinesa. Mas, no final, foi um surto de cólera nas ilhas. Pescadores que derrotou, por fim, o grande almirante francês.

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Seu corpo foi transportado de volta à França no encouraçado Bayard onde ele recebeu um funeral de estado nos Invalides em Paris. A morte de Courbet causou uma grande comoção na no país com milhares de pessoas saindo às ruas para acompanhar a passagem do caixão. Seu corpo foi em seguida levado de volta a Abbevile, para ser enterrado. Devido as bastantes  conquistas militares de Courbet , é que os franceses puderam permanecer em controle de uma grande fatia o sudeste asiático até a chegada das tropas do Exército Imperial Japonês no início da segunda Guerra Mundial, 50 anos depois.

O papel das Lafayette na Marinha Francesa de hoje

Durante sua construção as Lafayette francesas (diferente das da marinha de Cingapura e da Arábia Saudita) não foram equipadas com mísseis antiaéreos de maior alcance, sua defesa principal sendo apenas um lançador óctuplo de mísseis de defesa de ponta Crotale. Na proa existe ainda um espaço adiante do canhão de proa que poderá ser usado para a instalação de um lançador vetical Sylver para mísseis antiaéreos Aster 15. O exterior da superestrutura das Lafayette tem grandes faces lisas e inclinadas construídas de material composto para reduzir o eco-radar do navio. A falta de cavidades tão comuns na geração anterior espalha boa parte da energia eletromagnética do radar inimigo para longe de suas antenas. Segundo seu comandante: “a Courbet produz um eco-radar que facilmente será confundido com o eco de um pequeno pesqueiro no mar. Isso gera uma confusão e incerteza que permitirá ao nosso navio ter a iniciativa num hipotético combate”.

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Mesmo tendo sido feita para conflitos mais leves a Courbet e suas irmãs tem uma atmosfera no seu interior totalmente estanque e preparado para sobreviver a um terrível ataque químico, bacteriológico ou químico. Uma das saídas laterais da superestrutura é projetada como câmara de descontaminação, para o tratamento de marinheiros que por ventura se encontrassem do lado de fora do navio na hora do ataque. A cor das paredes do corredor indica o grau de segurança da respectiva área. Paredes brancas são usadas em zona livre de contaminantes, aquelas pintadas de vermelho estão na zona contaminada e as de cor amarela demarcam o local de descontaminação/quarentena (com duchas e tudo). Para aumentar a resistência do navio a um possível ataque de míssil antinavio, a parede externa de fibra de carbono fica do lado de fora de um longo corredor. Assim estas duas camadas, ainda que relativamente finas e leves agem conjuntamente para absorver a energia cinética e para dispersar os gases da explosão da cabeça de combate do míssil antes que ele penetre mais profundamente dentro da superestrutura do navio.

Dados técnicos da Classe La Fayette

Dada de comissionamento do primeiro navio da classe: 22 de março de 1996

Active: France: La Fayette (F710), Surcouf (F711), Courbet (F712), Aconit (F713), Guépratte (F714)

Deslocamento: 3.200 toneladas, 3.600 toneladas (carga plena)

Comprimento: 125 m

Boca:15.4 m

Calado: 4.1 m

Propulsão: 4 motores diesel SEMT Pielstick 12PA6V280 STC2 com 21000 hp (15 400 kW)

Velocidade: 25 nós

Alcance: 4,000 milhas náuticas (7,000 km) a 15 nós, 9000 a 12 nós

Autonomia: comida para máximo de 50 dias no mar

Lanchas orgânicas: 2× barcos ETN

Capacidade: 350 toneladas de combustível, 80 m³ de querosene, 60 toneladas de água potável

Complemento: 12 oficiais + 68 subs e sargentos+ 61 cabos e marinheiros

Sensores e sistemas de combate:          

1 Radar de busca Ar/Superfície DRBV 15C

1 Radar de controle de tiro para o canhão de 100 mm gun

1 Radar de navegação DRBN34

1 Radar de pouso DRBN34

1 ECM Saïgon ARBG 1

1× ARBR 21

2 lançadores de chaff Dagaie Mk2

1 gerador de ruído rebocado (despistador torpedos)  AN/SLQ-25 Nixie

1 Sistema de redução de ruídos Prairie-Masker

1 Sistema de comunicação militar satelital Syracuse II

1 antena de comunicação satelital civil Inmarsat

Armamento:    

1 canhão automático de 100 mm na proa

2 canhões de 20 mm modelo F2

1 lançador Crotale CN2 (com 8 mísseis no lançador e 16 recargas)

Provisão para instalação futura de 16 mísseis Aster 15 em um lançador vertical

8 mísseis Exocet MM40 block II

Blindagem:Nas áreas sensíveis (paióis de munição e COC)

Aeronave orgânica: 1× helicóptero de 10 toneladas (Eurocopter Panther ou NH90) 

 

Last Updated on Wednesday, 05 May 2010 14:01
 

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