A Corveta Barroso em África PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Tuesday, 10 August 2010 00:00

 

 

 

Seguindo um improvável exemplo do governo militar de Ernesto Geisel, o Governo Lula nos seus seis primeiros anos, claramente priorizou a expansão das relações comerciais do Brasil com os países africanos. Destes, os mais visados são naturalmente o grupo de ex-colônias portuguesas que agora compõem a CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa. No entanto, algo muito importante mudou desde os tempos de Geisel. Vários destes países, como Angola por exemplo, passaram a ser importantes exportadores de petróleo. Por esta razão, estes países passaram a ter um atrativo adicional econômico, o que nos une muito além de uma simples empatia histórica e ideológica com o Brasil. Neste ano, coube à Marinha do Brasil levar à África seu navio mais moderno com uma dupla motivação: prestigiar os maiores interlocutores do Brasil no Golfo da Guiné e ao mesmo tempo abrir as portas para a venda de navios militares brasileiros naquele continente para além da pioneira Namíbia.

Cv Barroso deixa o Rio de Janeiro
Cv Barroso deixa o Rio de JaneiroCv Barroso deixa o Rio de Janeiro
Cruzando pelo Pão de Açúcar
Cruzando pelo Pão de AçúcarCruzando pelo Pão de Açúcar
Mares pesados
Mares pesadosMares pesados
A corveta resistiu bem às ondas
A corveta resistiu bem às ondasA corveta resistiu bem às ondas
voleibol (com bola amarrada) no convoo
voleibol (com bola amarrada) no convoovoleibol (com bola amarrada) no convoo

Festa Junina no meio do Atlântico
Festa Junina no meio do AtlânticoFesta Junina no meio do Atlântico
O Arraiá Barroso!
O Arraiá Barroso!O Arraiá Barroso!
Chegando a Walvis Bay
Chegando a Walvis BayChegando a Walvis Bay
Bandeira namibiana no mastro
Bandeira namibiana no mastroBandeira namibiana no mastro
O cais do porto em Walvis Bay
O cais do porto em Walvis BayO cais do porto em Walvis Bay

Os brasileiros a caminho da África

A África vem se tornando mais e mais importante como mercado consumidor e como produtora de commodities, especialmente as minerais demandadas cada vez mais pelas indústrias do mundo, especialmente as chinesas. A instabilidade político/religiosa e o alto risco de terrorismo que vem se associando à extração de petróleo no Oriente Médio trouxe um grande crescimento do interesse dos EUA e dos países europeus pelo petróleo de boa qualidade e bem menos ideologizado dos países do Golfo da Guiné.

Os países europeus ainda são muito associados pela classe política, historicamente, como “exploradores coloniais” da África. Ainda assim a maior parcela do comercio exterior das ex-colônias ainda é realizado com suas antigas metrópoles. Mas estas ligações antigas vêm sofrendo a concorrência cada dia mais forte de novos candidatos a "player" geopolítico externo principal naquele continente, especialmente a China e os EUA, mas com o Brasil cada vez mais marcando presença.

Dentro deste contexto, o Departamento de Defesa dos EUA criou o seu Africa Command, entidade responsável por coordenar os esforços das três forças militares americanas sob um único comando. Surpreendentemente,  os diplomatas americanos não conseguiram fechar nenhum acordo até agora para a instalação da sede deste AfriCom no próprio continente africano. Alguns dos países suspeitam das reais intenções dos americanos enquanto outros imaginam que tal sede seria necessariamente um ícone da Pax Americana, se constituindo num alvo preferencial para a Al Qaeda ou outros grupos terroristas anti-americanos atuarem dentro do país anfitrião.

Visita oficial à sede da Marinha da Namíbia
Visita oficial à sede da Marinha da Namíbia Visita oficial à sede da Marinha da Namíbia
Comunidade brasileira local visita a Barroso
Comunidade brasileira local visita a BarrosoComunidade brasileira local visita a Barroso
Vacinando os brasileiros
Vacinando os brasileirosVacinando os brasileiros
Entrega da Medalha da Ordem do Mérito Naval
Entrega da Medalha da Ordem do Mérito NavalEntrega da Medalha da Ordem do Mérito Naval
O deserto ao redor de Walvis Bay visto do ar
O deserto ao redor de Walvis Bay visto do arO deserto ao redor de Walvis Bay visto do ar

A estrada asfaltada corta o deserto
A estrada asfaltada corta o desertoA estrada asfaltada corta o deserto
Base criada para o treinamento dos Fuzileiros Navais da Namíbia
Base criada para o treinamento dos Fuzileiros Navais da NamíbiaBase criada para o treinamento dos Fuzileiros Navais da Namíbia
Base criada para o treinamento dos Fuzileiros Navais da Namíbia
Base criada para o treinamento dos Fuzileiros Navais da NamíbiaBase criada para o treinamento dos Fuzileiros Navais da Namíbia
O correspondente chega à Namíbia após mais de 24 horas de viagem
O correspondente chega à Namíbia após mais de 24 horas de viagemO correspondente chega à Namíbia após mais de 24 horas de viagem
O por do sol visto da Namíbia
O por do sol visto da NamíbiaO por do sol visto da Namíbia

A China essencialmente busca garantir seu acesso às matérias primas ao oferecer financiamento, as construtoras e o material de construção para acelerar a transformação daquela riqueza potencial em riqueza real. Diferente das empreiteiras brasileiras que se especializaram em obter financiamentos internacionais para com mão de obra local construir estradas, hidroelétricas e aeroportos, as corporações chinesas privadas ou públicas procuram ganhar na base do menor preço e no menor tempo de construção. Para tanto eles usam quase que exclusivamente mão de obra chinesa, possivelmente, presidiários como se comenta em Angola. Mas talvez justamente por suas presenças ostensivas, americanos, europeus e chineses, por variadas razões, tem apresentado um acolhimento cada dia menos entusiástico por parte dos governos locais africanos. E isso abre uma clara janela de oportunidade para o Brasil. Resta saber se estamos preparados como nação, para aproveitá-la.

A preparação e a partida

A Corveta Barroso é o navio de combate mais moderno da nossa Esquadra, tendo sido finalmente incorporada à Armada somente em 19 de agosto de 2008. Neste período inicial de sua vida operacional, a Corveta e sua tripulação estão intensamente envolvidos nos treinamentos e nas várias avaliações e testes que são necessários para garantir que ambos se encontrem aptos para assumir suas responsabilidades dentro da Marinha. Nesta fase, sob a coordenação do CAAML, o Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão – o famoso ”Camaleão” - cada um dos sistemas do navio é aferido detalhadamente. É aqui onde se avalia a tripulação para saber se ela se encontra adequadamente adestrada para seu uso eficaz e seguro. Estas avaliações são realizadas em terra e durante inúmeras saídas do navio ao mar. Este processo é muito detalhado e demorou um ano além das expectativas iniciais.

O Gastão Motta visto do Passadiço da Barroso
O Gastão Motta visto do Passadiço da BarrosoO Gastão Motta visto do Passadiço da Barroso
O porto de Walvis Bay ao entardecer
O porto de Walvis Bay ao entardecerO porto de Walvis Bay ao entardecer
O Gastão Motta tingido pela luz do por do sol
O Gastão Motta tingido pela luz do por do solO Gastão Motta tingido pela luz do por do sol
As ruas tranquilas de Walvis Bay
As ruas tranquilas de Walvis BayAs ruas tranquilas de Walvis Bay
Walvis Bay
Walvis BayWalvis Bay

Walvis Bay
Walvis BayWalvis Bay
A tripulação torce no jogo Brasil-Costa do Marfim
A tripulação torce no jogo Brasil-Costa do MarfimA tripulação torce no jogo Brasil-Costa do Marfim
A visita do Adido Naval na Namíbia
A visita do Adido Naval na NamíbiaA visita do Adido Naval na Namíbia
A visita do Adido Naval na Namíbia
A visita do Adido Naval na NamíbiaA visita do Adido Naval na Namíbia
A visita do Adido Naval na Namíbia
A visita do Adido Naval na NamíbiaA visita do Adido Naval na Namíbia

Originalmente estava previsto que a viagem inaugural da Barroso seria para o Reino Unido, no ano passado para tomar parte de um grande evento comercial da indústria naval de defesa internacional, a feira Defence Systems and Equipment International (DSEi). Infelizmente os atrasos no processo de certificação do navio impediram que aproveitássemos esta oportunidade de ouro para exibir amplamente a tecnologia da indústria nacional para uma qualificadíssima platéia vinda do mundo todo.

Mas a despeito disso durante os últimos meses, muitas comitivas estrangeiras integradas por políticos e oficiais de marinhas com potencial para se tornarem clientes dos nossos navios de patrulha de 200 e 500 toneladas, assim como das próprias corvetas da classe Barroso, vieram ao Brasil. Estes navios são os mais recentes frutos da renovada indústria naval militar do nosso país. Comitivas do Uruguai, Gana e Guiné Equatorial, entre outros, foram levados pela Emgepron para visitar nosso navio mais moderno. Por isso, não é de se estranhar que o roteiro desta primeira viagem da Barroso incluísse paradas nestes dois últimos países a despeito deles não fazerem parte da CPLP Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 . A Guiné Equatorial, no entanto é atualmente membro convidado da CPLP, uma vez que o Português foi tornado língua oficial, por decreto, em 2007, quando foi solicitada a sua adesão plena à CPLP.

A comissão para a África estava prevista para ocorrer de maio a junho de 2010, no entanto, para se adequar as agendas do Comandante da Marinha em Angola e do Presidente da República na Guiné Equatorial, houve um adiamento de cerca de um mês e meio na sua data de partida original.

O Gastão Motta é o primeiro a deixar o cais
O Gastão Motta é o primeiro a deixar o caisO Gastão Motta é o primeiro a deixar o cais
O Gastão Motta em Destaque Especial para o Mar
O Gastão Motta em Destaque Especial para o MarO Gastão Motta em Destaque Especial para o Mar
O Gastão Motta
O Gastão MottaO Gastão Motta
Um visitante curioso
Um visitante curiosoUm visitante curioso
Um visitante curioso
Um visitante curiosoUm visitante curioso

Ameaça submarina?
Ameaça submarina?Ameaça submarina?
Deixando Walvis Bay
Deixando Walvis BayDeixando Walvis Bay
Navios de patrulha pesqueira que não são da Marinha
Navios de patrulha pesqueira que não são da MarinhaNavios de patrulha pesqueira que não são da Marinha
Ao longe, na Base Naval namibiana, a ex-Corveta Purús
Ao longe, na Base Naval namibiana, a ex-Corveta PurúsAo longe, na Base Naval namibiana, a ex-Corveta Purús
As dunas marcam o fim da pequena cidade de Walvis Bay
As dunas marcam o fim da pequena cidade de Walvis BayAs dunas marcam o fim da pequena cidade de Walvis Bay

No sábado 5 de junho, uma manhã fria e encoberta, com seus paióis carregados de gêneros, os tanques cheios de óleo e com os 145 membros da tripulação muito motivados, a Barroso deixou o seu cais no Arsenal de Marinha. Ela dava início à sua primeira comissão de longa duração, uma viagem de  dois meses que seria, ao mesmo tempo, também sua primeira comissão internacional.

Além da tripulação regular, embarcou após a partida um Destacamento de Aviação Embarcada do Esquadrão HU-1 com três oficiais pilotos e seis praças com seu Esquilo mono UH-12 operando sob o callsign “Águia 57”. Um oficial destacado do CAAML embarcou para ajudar a tripulação em sua preparação para a Inspeção Operativa completa que os esperava no seu retorno ao Rio.

Cruzando o Atlântico

A viagem de onze dias, segundo relato dos tripulantes, logo começou com mares revoltos, transicionou para uma fase intermediária de mar calmo e terminou com alguns dias de mar novamente revolto. Estes trechos de mar grande provaram de forma terminal o sucesso do casco modificado, com a nova proa mais elevada, na Barroso. As grandes ondas varreram o convés de proa, e o navio jogou bastante como se é de esperar para um navio de seu porte, porém, as viagens desconfortáveis das corvetas Classe Inhaúma já são coisa do passado para a tripulação da Corveta Barroso.

O USNS Sumner
O USNS SumnerO USNS Sumner
Sensores especiais na proa do USNS Sumner
Sensores especiais na proa do USNS SumnerSensores especiais na proa do USNS Sumner
Antena para acompanhar o lançamento de mísseis
Antena para acompanhar o lançamento de mísseisAntena para acompanhar o lançamento de mísseis
Gastão Motta no Photex
Gastão Motta no PhotexGastão Motta no Photex
Gastão Motta
Gastão Motta Gastão Motta

A Barroso vista do ar
A Barroso vista do arA Barroso vista do ar
As linhas afiladas de uma nova classe de navio
As linhas afiladas de uma nova classe de navioAs linhas afiladas de uma nova classe de navio
O NPa Brendan Simbwaye
O NPa Brendan SimbwayeO NPa Brendan Simbwaye
O grande convoo da Barroso é evidente
O grande convoo da Barroso é evidenteO grande convoo da Barroso é evidente
Barroso e Brendan Simbwaye juntos
Barroso e Brendan Simbwaye juntosBarroso e Brendan Simbwaye juntos

Esta pernada inicial até a África, com seus onze dias de duração, se constituía num dos maiores ponto de preocupação dos planejadores da Esquadra brasileira. Segundo seus Requerimentos de Estado Maior e Requerimentos de Alto Nível (REN/RANS), as especificações técnicas exigidas da Diretoria de Engenharia Naval, a nova corveta Inhaúma reprojetada, como era chamada inicialmente a classe Barroso, deveria ter um alcance sem reabastecimento de apenas 10 dias, um dia a MENOS que o necessário nesta pernada. Para agravar a situação, o Navio Tanque Marajó se encontrava em período de PMG e o outro N/T, o Almirante Gastão Motta, estava comprometido com a Fraterno a ser realizada na Argentina neste ano.

Numa solução salomônica o Gastão Motta abandonou a Fraterno antes de seu retorno à Base Naval do Rio de Janeiro, cruzando o Atlântico independentemente até encontrar com a Barroso no porto de Walvis Bay. Felizmente o desempenho de consumo de combustível da Barroso surpreendeu positivamente a todos, como veremos adiante.

Uma comunidade “bem brasileira” em Walvis Bay

Walvis Bay, a “Baía das Baleias”, na língua Africâner, é a segunda cidade em população da Namíbia. Aqui fica também o único porto comercial de águas profundas da costa sudoeste africana, e naturalmente é a casa da Marinha Namibiana. Como resultado da independência de Angola e de outras ex-colônias portuguesas na África, durante a década de 70, muitos dos portugueses que viviam nesses locais optaram por abandoná-los e se transferir para a cidade na costa namibiana.

Barroso e Gastão Motta em coluna sendo ultrapassados pelo Brendan
Barroso e Gastão Motta em coluna sendo ultrapassados pelo BrendanBarroso e Gastão Motta em coluna sendo ultrapassados pelo Brendan
Brendan acelerando
Brendan acelerandoBrendan acelerando
A evidente diferença de porte entre o Brendan e a Barroso
A evidente diferença de porte entre o Brendan e a BarrosoA evidente diferença de porte entre o Brendan e a Barroso
Brendan e Barroso
Brendan e Barroso Brendan e Barroso
Brendan se aproxima do Gastão Motta
Brendan se aproxima do Gastão MottaBrendan se aproxima do Gastão Motta

Brendan e Gastão Motta
Brendan e Gastão MottaBrendan e Gastão Motta
Brendan e Barroso abrem para assumir a form Delta
Brendan e Barroso abrem para assumir a form DeltaBrendan e Barroso abrem para assumir a form Delta
O Brendan tem um raio de curva bem pequeno
O Brendan tem um raio de curva bem pequenoO Brendan tem um raio de curva bem pequeno
O Brendan tem um raio de curva bem pequeno
O Brendan tem um raio de curva bem pequenoO Brendan tem um raio de curva bem pequeno
V-34!
V-34!V-34!

Mais recentemente devido ao importante programa de apoio da Marinha do Brasil para a estruturação e o treinamento do pessoal da marinha namibiana, a cidade abriga dois importantes grupos de brasileiros naquele país. O Grupo de Apoio Técnico dos Fuzileiros Navais trabalha para estruturar o sistema de treinamento das novas tropas de fuzileiros e em paralelo a Missão Naval Brasileira que se encontra trabalhando dentro da sede da marinha local ajudando a organizar seu nível de estado maior. Hoje perto de 80 brasileiros incluindo oficiais, praças e seus familiares chamam Walvis Bay de, “casa”. Enquanto estes programas estiverem em andamento o número de brasileiros na cidade só tende a crescer. Foi aqui que a tripulação da Barroso e do Almirante Gastão Motta se reuniram num clube da cidade para ver juntos o segundo  jogo da Copa do Mundo 2010, Brasil contra Costa do Marfim.

Nesta visita a Barroso ainda foi usada para realizar uma mini-campanha de vacinação dos militares brasileiros na Namíbia e de suas famílias contra o vírus H1N1 e outras doenças comuns.

A costa da Namíbia é banhada pela corrente fria que vem do Pólo Sul, por isso a região litorânea é composta de um imenso deserto de dunas que cria um visual muito distinto da floresta verde tropical que estamos acostumados a ver do nosso lado do Atlântico. As águas frias por sua vez trazem muitos nutrientes e explicam o porque a costa da Namíbia é um ponto tão fértil para a atividade pesqueira industrial do mundo todo. Criada em 1990, a Namíbia é um dos países mais recentes a se tornar independente no mundo.

A Barroso quase de frente...
A Barroso quase de frente...A Barroso quase de frente...
... e vista de ré.
... e vista de ré.... e vista de ré.
O Águia 57 fazendo QRPB
O Águia 57 fazendo QRPBO Águia 57 fazendo QRPB
O Esquilo no convoo da Barroso
O Esquilo no convoo da BarrosoO Esquilo no convoo da Barroso
Decolando mais uma vez
Decolando mais uma vezDecolando mais uma vez

Passando pela proa da Barroso
Passando pela proa da BarrosoPassando pela proa da Barroso
De novo!
De novo!De novo!
Uma bela vista do Águia
Uma bela vista do ÁguiaUma bela vista do Águia
O Águia 57 no QRPB
O Águia 57 no QRPBO Águia 57 no QRPB
Gastão Motta aóps o primeiro TOM
Gastão Motta aóps o primeiro TOMGastão Motta aóps o primeiro TOM

Originalmente uma colônia alemã, a África do Sudoeste foi desde o fim Primeira Guerra Mundial, um protetorado da África do Sul. Durante as décadas de 70 e 80 tropas terrestres sul-africanas baseadas na Namíbia invadiram a vizinha Angola em apoio ao movimento anti-comunista UNITA, contra o governo socialista do MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola. Com a posse de Nelson Mandela e o fim do Regime do Apartheid foi finalmente possível a criação, com apoio da ONU, deste novo país.

Suspendendo para Angola

Às 8:30 da manhã de segunda-feira 21 de junho os dois navios brasileiros já pareciam verdadeiros formigueiros, com os tripulantes correndo para ter tudo pronto para a partida em direção a Luanda. Nesta hora veio a bordo, o Adido Naval do Brasil na Namíbia para as despedidas formais e foi recebido com todas as honras no convôo da Barroso. Poucos minutos depois ele desembarcou e foi recolhida a prancha. O Gastão Motta partiu primeiro, sendo auxiliado por dois rebocadores para girar lentamente para boreste e seguir pelo canal em direção à boca da Baia de Walvis Bay. Antes de suspendermos  servimos de área de recreação para uma foca solitária, que aproveitava como podia a luz do sol fraco.

O rebocador Onyati suavemente puxou a nossa proa para longe do cais enquanto um outro fazia o mesmo pela popa. Mais ao norte , ainda dentro da baía podia se ver os grandes navios de patrulha pesqueira que, inusitadamente, pertencem não à Marinha mas ao Fisheries Patrol daquele país africano. Ainda um pouco mais ao norte, estava ao longe o perfil inconfundível da Ex-Corveta Purús, navio que foi doado pelo Brasil à Marinha da Namíbia se constituindo no seu primeiro navio de combate. Na Namíbia a Purús recebeu o nome de NNS Lt Gen Dimo Hamaambo. Em homenagem ao primeioro comandante das Forças de Defesa da Namíbia independente. Bastou sair um pouco da baía para ver que a cidade de Walvis Bay também se encerrava ali dando lugar a um deserto de areias claras aparentemente sem fim.

A neblina cerrada de Luanda
A neblina cerrada de LuandaA neblina cerrada de Luanda
Uma fresta de sol na neblina
Uma fresta de sol na neblinaUma fresta de sol na neblina
A extremidade da Ilha de luanda
A extremidade da Ilha de luandaA extremidade da Ilha de luanda
Nossa escolta na chegada em Lunada
Nossa escolta na chegada em LunadaNossa escolta na chegada em Lunada
Muitos petroleiros fundeados
Muitos petroleiros fundeadosMuitos petroleiros fundeados

Chega o prático
Chega o práticoChega o prático
Destaque Especial para o Mar
Destaque Especial para o MarDestaque Especial para o Mar
Navios da Marinha de Guerra de Angola fundeados
Navios da Marinha de Guerra de Angola fundeadosNavios da Marinha de Guerra de Angola fundeados
Navios da Marinha de Guerra de Angola na Base Naval
Navios da Marinha de Guerra de Angola na Base NavalNavios da Marinha de Guerra de Angola na Base Naval
Navio patrulha Angolano
Navio patrulha AngolanoNavio patrulha Angolano

Mas neste ponto, a curiosidade de todos foi chamado pela passagem do navio de pesquisa hidrográfica americano  USNS Sumner (T-AGS 61), todo pintado de branco e com tripulação civil teceirizada, o Sumner é um navio do programa de navios para “missões especiais”. Na US Navy esta expressão designa um amplo leque de serviços que vão desde a avaliação do perfil do solo oceânico, a análises acusticas, biológicas, físicas e geofísicas; além da monitoração de ensaios de mísseis balísticos. Para atender a  este último objetivo o navio usa sua imensa antena parabólica instalada à ré.

Após deixarmos a costa a uma distância segura foi realizado Passex entre a Barroso, o Gastão Motta e o navio patrulha Brendan Simbwaye, que foi construído no Brasil para a Marinha da Namíbia. O Águia 57 decolou do convôo da Barroso neste momento para documentar do ar este importante primeiro evento de operação conjunta entre as duas marinhas sendo ainda esta a primeira operação do Brendan com outra marinha estrangeira.

Ainda neste trecho de mar, o Navio Tanque realizou sua primeira transferência de óleo no mar para encher os tanques da corveta brasileira. O método usado foi o de spanwire, usando o conector probe, pela proa. Diferentemente das fragatas Niterói que só dispõem do conector Robb, a Barroso pode usar tanto o Probe quanto o Robb o que lhe da uma flexibilidade extra. Desta vez, graças ao sucesso do reprojeto da proa da Barroso, a faina foi realizada toda pela proa, local normalmente evitado pelas corvetas anteriores.  Na separação dos dois navios soaram, na costa africana os acordes da trilha sonora do filme “Iron Man”, a marca registrada da Barroso.

O cais que nos aguarda
O cais que nos aguardaO cais que nos aguarda
Missao-africa 083
Missao-africa 083Missao-africa 083
Atracando sem a ajuda de rebocador
Atracando sem a ajuda de rebocadorAtracando sem a ajuda de rebocador
Atracando sem a ajuda de rebocador
Atracando sem a ajuda de rebocadorAtracando sem a ajuda de rebocador
Primeira reunião com os oficiais de ligação da MGA
Primeira reunião com os oficiais de ligação da MGAPrimeira reunião com os oficiais de ligação da MGA

Visita oficial à Governadora
Visita oficial à GovernadoraVisita oficial à Governadora
Visita à sede da Marinha de Angola
Visita à sede da Marinha de AngolaVisita à sede da Marinha de Angola
Briefing para os oficiais da Barroso
Briefing para os oficiais da BarrosoBriefing para os oficiais da Barroso
Apresentação da Barroso aos oficiais angolanos
Apresentação da Barroso aos oficiais angolanosApresentação da Barroso aos oficiais angolanos
Barroso no porto de Luanda
Barroso no porto de LuandaBarroso no porto de Luanda

A teoria dos dominós: O colapso do Ultramar Português

Angola era obviamente o território mais valioso do Império Português antes de seu ocaso no início da década de setenta. Nesta época, com a morte de António de Oliveira Salazar, praticamente chegava também ao seu fim o “Estado Novo”, a ditadura conservadora de direita que tinha controlado Portugal com mão de ferro desde a década de 30. Salazar foi um governante ferrenhamente anti-comunista e via no apoio incondicional dado pelos soviéticos aos grupos insurgentes negros na África, uma clara etapa no objetivo maior da eventual tomada do poder na metrópole lusitana. Para Salazar, abrir mão das suas colônias seria o mesmo que aceitar que Portugal não voltaria a ser apenas um pequenino país, economicamente irrelevante localizado na periferia geográfica, geopolítica e econômica da Europa. No entanto as pressões dos EUA sobre Portugal demandando a imediata descolonização e a independência dos povos locais, fazia de Portugal um país politicamente isolado dentro da Europa e dentro da OTAN. O contra-argumento do governo português a estas pressões era que já não mais existia a antiga figura da metrópole rica reinando sobre as colônias subjugadas e espoliadas. Na visão oficial, Angola, Moçambique e os outros territórios, compunham parte integral do território português no Ultramar. Pelo menos em teoria, elas seriam regiões no exato grau de importância que tinha o território localizado na Europa, sendo povoados por cidadãos portugueses fossem eles brancos ou negros.

Visita a bordo de unidade de escoteiros
Visita a bordo de unidade de escoteirosVisita a bordo de unidade de escoteiros
Em Luanda a tripulação usou ônibus para se locomover
Em Luanda a tripulação usou ônibus para se locomoverEm Luanda a tripulação usou ônibus para se locomover
A presença chinesa é evidente nas grandes obras.
A presença chinesa é evidente nas grandes obras.A presença chinesa é evidente nas grandes obras.
Sede suntuosa da China International Fund em Luanda
Sede suntuosa da China International Fund em LuandaSede suntuosa da China International Fund em Luanda
Luanda cresce a olhos vistos
Luanda cresce a olhos vistosLuanda cresce a olhos vistos

Nasce mais um shopping
Nasce mais um shoppingNasce mais um shopping
MAis um edifício gigantesco em obra
MAis um edifício gigantesco em obraMAis um edifício gigantesco em obra
A bandeira de Angola na Barroso
A bandeira de Angola na BarrosoA bandeira de Angola na Barroso
Comandante da Marinha do Brasil vem a bordo para inspeção
Comandante da Marinha do Brasil vem a bordo para inspeçãoComandante da Marinha do Brasil vem a bordo para inspeção
Almte Moura Neto no hangar da Barroso
Almte Moura Neto no hangar da BarrosoAlmte Moura Neto no hangar da Barroso

O primeiro golpe na integridade do Ultramar Português se deu em dezembro de 1961 com o início da retomada unilateral pelos militares indianos do Estado da Índia Portuguesa. Diu, Damão e Goa, enclaves portugueses no subcontinente indiano que passaram a ser territórios da União Indiana, efetivamente  cortando o acesso aéreo entre Portugal e Timor Leste e Macau no extremo oriente.

Luanda – uma capital de marcados contrastes

Após alguns dias de céu impecavelmente azul chegamos à Baía de Luanda, cedo na manhã do dia 25 de junho sob de uma forte neblina que deixava tudo ao redor absolutamente cinza. Exatamente como na Baía de Walvis Bay, esta era comprida e estreita, com a sua entrada voltada para o norte. A fina faixa de areia da Ilha de Luanda, a oeste, era o que definia o formato desta Baía. Fora da barra ficavam fundeados os grandes petroleiros aguardando sua vez de serem carregados e no interior da Baía, por sua vez, havia um grande número de rebocadores e de navios de serviço para a indústria do petróleo. No extremo sul da baía ficavam os píers do Porto de Luanda, e à direita de quem entra, via-se  a pequena base naval de Luanda com seus navios patrulha. Como claro sinal da importância atribuída pelo Governo Angolano a esta viagem, os navios brasileiros puderam ocuparam durante vários dias um dos dois principais píers do porto.

A Embaixadora do Brasil chega para o coquetel na Barroso
A Embaixadora do Brasil chega para o coquetel na BarrosoA Embaixadora do Brasil chega para o coquetel na Barroso
Comandantes das Marinhas da CPLP
Comandantes das Marinhas da CPLP Comandantes das Marinhas da CPLP
A presença do Brasil em Angola: Petrobras, nosso Adido e Banco do Brasil com o Cte Valicente
A presença do Brasil em Angola: Petrobras, nosso Adido e Banco do Brasil com o Cte ValicenteA presença do Brasil em Angola: Petrobras, nosso Adido e Banco do Brasil com o Cte Valicente
Gastão Motta deixa o cais em Luanda primeiro...
Gastão Motta deixa o cais em Luanda primeiro...Gastão Motta deixa o cais em Luanda primeiro...
...e logo some na neblina
...e logo some na neblina...e logo some na neblina

Este rebocador retirou o lixo da Barroso antes da partida
Este rebocador retirou o lixo da Barroso antes da partidaEste rebocador retirou o lixo da Barroso antes da partida
A Baía de Luanda na carta de navegação
A Baía de Luanda na carta de navegaçãoA Baía de Luanda na carta de navegação
Oficiais da MGA e nosso adido se despedem da Barroso
Oficiais da MGA e nosso adido se despedem da BarrosoOficiais da MGA e nosso adido se despedem da Barroso
Na carta, os pontos marcam o progesso da viagem
Na carta, os pontos marcam o progesso da viagemNa carta, os pontos marcam o progesso da viagem
Barroso se aproxima do Gastão para o segundo TOM
Barroso se aproxima do Gastão para o segundo TOMBarroso se aproxima do Gastão para o segundo TOM

Até hoje, oito anos após o seu fim, a longa Guerra Civil, que consumiu e virtualmente paralisou Angola entre 1975 e 2002, permanece bem viva nas conversas que se tem com os angolanos das mais diversas camadas sociais. Este período de Guerra Civil é ao mesmo tempo a razão e a justificativa para cada uma das dificuldades atravessadas atualmente pela população. A Guerra é culpada pelas evidentes carências na infraestrutura do país, a falta de investimento em escolas, hospitais, saneamento, etc. assim como é sempre apontada como a razão por trás da na flagrante desigualdade social e econômica existente entre angolanos ricos pobres. Como a maioria dos combates se deu no interior do país, um grande número de angolanos fugiu de suas regiões em busca de segurança e de melhores oportunidades econômicas na capital Luanda. Este processo causou uma imensa favelização da região ao redor da capital, fenômeno este que vem sendo revertido pelos imensos programas de desenvolvimento imobiliário do governo. Neste momento, três imensos bairros de classe média compostos de condomínios estão sendo construídos, a toque de caixa, ao leste, sul e norte da cidade de Luanda.

Em Angola, o Exército e Força Aérea são muito bem desenvolvidos e respeitados, para os padrões africanos, no entanto, a Marinha de Guerra de Angola hoje, ainda se resume apenas a um pequeno número de lanchas de patrulha de pequeno porte. Esta hipotrofia da Marinha, fenômeno comum por toda esta região, se explica pelo fato de que não houve nenhuma contribuição maior do teatro de operações naval, tanto nas guerras de libertação nacional, quanto na guerra civil angolana. Esta importante mudança conceitual deve levar ainda muitos anos para se modificar sensivelmente mas para as marinhas locais, como bem demonstra a experiência da Namíbia, o Brasil tem tudo para ser um importante fator de aceleração nesta mudança filosófica. Em Angola o Comandante Valicente cumpriu uma intensa agenda de visitas protocolares à Marinha local e também à Governadora da região de Luanda. Na noite do dia 30 de junho houve um coquetel a bordo dado pelo Comandante da Marinha do Brasil em homenagem aos demais participantes do 2º Simpósio de Marinhas de Países da Comunidade de Países de Linha Portuguesa.

Guarnição do convés se prepara para a transferência de óleo no mar
Guarnição do convés se prepara para a transferência de óleo no marGuarnição do convés se prepara para a transferência de óleo no mar
Todos os cabos tem que estar prontos
Todos os cabos tem que estar prontosTodos os cabos tem que estar prontos
A velocidade do TOM e...
A velocidade do TOM e...A velocidade do TOM e...
O rumo...
O rumo...O rumo...
Quase tudo pronto
Quase tudo prontoQuase tudo pronto

Bandeira Romeo a meio!
Bandeira Romeo a meio!Bandeira Romeo a meio!
Aproximando...
Aproximando...Aproximando...
Cte Valicente controla tudo da asa do Passadiço
Cte Valicente controla tudo da asa do PassadiçoCte Valicente controla tudo da asa do Passadiço
Realizando um TOM sem Span-Wire em close-in.
Realizando um TOM sem Span-Wire em close-in.Realizando um TOM sem Span-Wire em close-in.
Dentro da sacola vem um terminal telefônico do Gastão
Dentro da sacola vem um terminal telefônico do GastãoDentro da sacola vem um terminal telefônico do Gastão

Rumo a Malabo – A Barroso cruza o Equador pela primeira vez

Às 11h50 da manhã do dia 3 de julho, uma voz no fonoclama (sistema de alto-falante) do navio interrompeu os ruídos monótonos dos ventiladores do ar condicionado para anunciar a todos os tripulantes que o navio acabava de cruzar a linha do Equador. Vários oficiais e praças que se encontravam no passadiço naquele momento, fizeram questão preservar aquele momento fotografando ou filmando o painel do sistema de navegação GPS instalado na antepara de ré do passadiço. Como a Barroso navegava a 11,3 nós naquele momento, não houve uma medição precisa de 0,00 graus.

No dia seguinte a Barroso já amanheceu de frente para a Baía de Malabo, pronta para atracar. No entanto, seu lugar no cais leste do pequeno porto da cidade ainda estava sendo ocupado pelo navio de contêineres Otterhound. Por isso tivemos que aguardar fundeados até as 11h00 quando o prático local veio a bordo para nos guiar até o porto. Antes disso a Barroso já tinha sido alcançada no mar por navios da Marinha da Guiné Equatorial. Duas lanchas rápidas pequenas e pelo navio patrulha rápido da classe Shaldag (do estaleiro Israeli Shipyards) “Isla de Corisco”, que apresentava o que aparentava ser dois reparos duplos de canhão de 23mm de origem russa do tipo ZU-23 além de metralhadoras  .50 instaladas lateralmente pelos dois bordos.  A grande novidade deste nosso período de imobilidade forçada foi o sobrevôo do navio por um helicóptero de ataque anfíbio de fabricação russa, Kamov Ka-29, código Helix-B na OTAN, armado com dois casulos lança-foguetes nas pontas de suas curtas "asas". Após duas voltas, o helicóptero tratou de retornar a terra. Malabo não é o ponto central da importante indústria de petróleo do país, por isso seu porto é pequeno e pouco movimentado.

Fomos recebidos no píer por um grupo de brasileiros, incluindo entre eles os representantes da Emgepron e pelo oficial de marinha que trabalha no Gabinete da Presidência da República.

Desta vez se usou o terminal Robb e não o probe
Desta vez se usou o terminal Robb e não o probeDesta vez se usou o terminal Robb e não o probe
Sem o Span-Wire a passagem do mangote é muito mais complexa
Sem o Span-Wire a passagem do mangote é muito mais complexaSem o Span-Wire a passagem do mangote é muito mais complexa
O terminal Robb engatado na Barroso
O terminal Robb engatado na BarrosoO terminal Robb engatado na Barroso
Uma roldana é instalada para manter a tensão nos cabos
Uma roldana é instalada para manter a tensão nos cabosUma roldana é instalada para manter a tensão nos cabos
A superestrutura do Gastão vista bem de perto
A superestrutura do Gastão vista bem de pertoA superestrutura do Gastão vista bem de perto

O oficial do CAAML observa toda a operação de perto
O oficial do CAAML observa toda a operação de pertoO oficial do CAAML observa toda a operação de perto
Para sua devolução o terminal Robb é sempre dobrado
Para sua devolução o terminal Robb é sempre dobradoPara sua devolução o terminal Robb é sempre dobrado
A tripulação do Gastão ao final do TOM
A tripulação do Gastão ao final do TOMA tripulação do Gastão ao final do TOM
Cruzamos o Equador!
Cruzamos o Equador!Cruzamos o Equador!
A lancha patrulha israelense da Marinha da Guiné Equatorial
A lancha patrulha israelense da Marinha da Guiné EquatorialA lancha patrulha israelense da Marinha da Guiné Equatorial

Malabo

A Guiné Equatorial é uma ex-colônia espanhola composta de duas ilhas e um pequeno território continental na costa oeste da África. Atualmente este pequeno país é o 5º maior produtor de petróleo do continente e desde sua independência em 1968 vem sendo dirigido pela família do atual presidente, Obiang Nguema. A descoberta de petróleo em grandes quantidades alavancou o país para se tornar dono de um dos maiores PIB/capita do planeta. Mas isso, infelizmente, não bastou para trazer qualquer grau de prosperidade para a maior parte da população do país.

Os bilhões de dólares obtidos com a exportação do petróleo fazem da Guiné Equatorial um grande importador de produtos variados, desde alimentos até automóveis e outros bens industrializados de produção em massa. Para um país como o Brasil, que precisa constantemente ampliar sua pauta de exportações para o mundo, a Guiné Equatorial é justamente o que buscamos para fazer nosso comércio exterior crescer nesta parte do mundo.

Numa visita recente ao Brasil, o Presidente Obiang foi levado pela Emgepron para visitar o Arsenal de Marinha onde ele visitaria a corveta Barroso com vistas a ele se interessar pelos nossos Navios Patrulha de 200 e 500 toneladas, mas para a surpresa geral dos que o acompanhavam na visita ele se enamorou mesmo foi pela corveta Barroso. Seguido a esta visita a Emgepron teve que acionar vários fornecedores e órgãos da Marinha ligados à construção da Barroso, como a DEN e o AMRJ para poder produzir rapidamente uma cotação de preço para a construção de uma nova Barroso para a Marinha da Guiné Equatorial. Tendo em vista as diversas interrupções e o decorrente longo período de construção da Barroso, o somatório final dos seus custos de construção jamais representaria a realidade atual do custo de um novo navio desta classe que fosse construído em uma tacada só.

Os canhões duplos de 23mm
Os canhões duplos de 23mmOs canhões duplos de 23mm
Um, segundo reparo a ré
Um, segundo reparo a réUm, segundo reparo a ré
Um, segundo reparo a ré
Um, segundo reparo a réUm, segundo reparo a ré
Detalhe do canhão
Detalhe do canhãoDetalhe do canhão
A lancha se afasta da Barroso
A lancha se afasta da BarrosoA lancha se afasta da Barroso

Fundeados a espera de nosso espaço no cais em Malabo
Fundeados a espera de nosso espaço no cais em MalaboFundeados a espera de nosso espaço no cais em Malabo
Uma avis rara até na Internet um Ka-29 da Força Aérea da Guiné Equatorial!
Uma avis rara até na Internet um Ka-29 da Força Aérea da Guiné Equatorial!Uma avis rara até na Internet um Ka-29 da Força Aérea da Guiné Equatorial!
O Kamov Ka-29 é uma versão de transporte de tropas do Ka-27
O Kamov Ka-29 é uma versão de transporte de tropas do Ka-27O Kamov Ka-29 é uma versão de transporte de tropas do Ka-27
Armado com dois lançadores de foguetes sob as asas o Kamov se afasta
Armado com dois lançadores de foguetes sob as asas o Kamov se afastaArmado com dois lançadores de foguetes sob as asas o Kamov se afasta
O Otterhound ainda no cais
O Otterhound ainda no caisO Otterhound ainda no cais

No dia 5 de julho, a caminho da cerimônia de encerramento da Copa do Mundo na África do Sul, o Presidente Lula passou por Malabo e entre uma série de eventos binacionais, participou de um almoço oferecido pelo Presidente do país africano com toda a sua elite militar presente.  Neste evento foi anunciada a venda de uma corveta da classe Barroso para a Marinha da Guiné Equatorial que deverá ser entregue nos próximos anos. No dia seguinte o Ministro da Defesa da Guiné Equatorial visitou a Barroso e assinou o Protocolo de Intenções para a fabricação deste navio e almoçou a bordo na companhia de representantes da Emgepron e da Marinha local.

Com a missão “comercial” cumprida e com dezenas de visitas VIP realizadas na Barroso, na manhã do dia 8 o navio brasileiro deixou Malabo para se dirigir à sua próxima escala: São Tomé.

São Tomé e Príncipe

Arquipélago com duas ilhas principais e várias outras menores, localizado bem no meio do Golfo da Guiné, São Tomé e Príncipe foi uma colônia portuguesa desde sua descoberta em 1470. Por iniciativa dos portugueses dezenas de milhares de angolanos fora trazidos às ilhas, como escravos, para trabalharem nas plantações. Ao longo dos anos a economia das ilhas passou por diversos ciclos produtivos em torno da cana de açúcar, cacau e do café. Atualmente, seus cerca de 180 mil habitantes amargam altas taxas de desemprego enquanto ficam na expectativa de que a riqueza do petróleo, que empurrou adiante as economias de vários dos seus países vizinhos, venha a lhes beneficiar também. Nesta viagem, a Barroso trouxe no interior do seu hangar quatro botes infláveis com casco rígido e quatro motores de popa como um presente, um gesto de boa vontade, à Marinha local. Estes caixotes foram transferidos da Barroso para o Gastão Motta em Luanda, cujo pessoal se incumbiu de montá-los para o evento da entrega no dia 10 de julho.

O rebocador SEMA 2 traz o prático até a popinha
O rebocador SEMA 2 traz o prático até a popinhaO rebocador SEMA 2 traz o prático até a popinha
Entregue o prático o SEMA 2 se afasta
Entregue o prático o SEMA 2 se afastaEntregue o prático o SEMA 2 se afasta
O porto de Malabo é bem estreito e pequeno
O porto de Malabo é bem estreito e pequenoO porto de Malabo é bem estreito e pequeno
Nosso espaço no pier é limitado
Nosso espaço no pier é limitadoNosso espaço no pier é limitado
O Hotel Sofitel é o prédio mais visível da cidade...
O Hotel Sofitel é o prédio mais visível da cidade...O Hotel Sofitel é o prédio mais visível da cidade...

...ao seu lado esquerdo fica a redisencia presidencial
...ao seu lado esquerdo fica a redisencia presidencial...ao seu lado esquerdo fica a redisencia presidencial
Almirante Marcélio da Emgepron vem a bordo
Almirante Marcélio da Emgepron vem a bordoAlmirante Marcélio da Emgepron vem a bordo
Uma bela imagem de proa da Barroso
Uma bela imagem de proa da BarrosoUma bela imagem de proa da Barroso
O stande comercial da Emgepron no hangar já estava montado
O stande comercial da Emgepron no hangar já estava montadoO stande comercial da Emgepron no hangar já estava montado
Maquete da lancha patrulha Marlin
Maquete da lancha patrulha MarlinMaquete da lancha patrulha Marlin

A independência das ilhas (além de outras colônias africanas portuguesas) foi alcançada em 1975 após Portugal ser sacudido pela Revolução dos Cravos que encerrou o ciclo da ditadura instaurada no país por Oliveira Salazar na década de 30.

A cidade de São Tomé é pequena e bucólica. Devido às suas semelhanças culturais e históricas com o Brasil a impressão inicial é de imediatamente ser muito familiar para qualquer observador brasileiro. A orla da cidade tranqüila e vazia tem muitas semelhanças com uma Araruama ou Iguaba, cidades praianas da Região dos Lagos no estado do Rio de Janeiro, na década de 60.

A US Navy instalou em São Tomé uma grande central de rádio para controlar o tráfego marítimo em toda a região do Golfo da Guiné. Ali também ficam os transmissores da Voz da América, rádio de propaganda do governo americano para o mundo.

São Tomé e Príncipe ainda busca achar seu claro papel e destino naquela parte do mundo. O grupo hoteleiro Pestana, dono do único hotel cinco estrelas do país, acha que aqui surgirá um importante destino de turismos para os europeus que fogem do frio ou então do crescente custo de vida das cidades da costa mediterrânea da Europa. Um importante acordo foi assinado pelo governo local com a empresa CMA CGM francesa para a construção e operação de um novo porto de águas profundas alguns quilômetros ao norte de São Tomé. A empresa francesa pretende ligar São Tomé com a Europa usando grandes e eficientes navios. Em seguida os conteineres serão transferidos para navios cargueiros de menor calado que possam leva-los aos pequenos portos dos demais países do Golfo da Guiné. No momento este projeto está parado uma vez que a crise global afetou consideravelmente os negócios da CMA CGM.

Amostra dos diversos tipos e calibres dos projetis da fábrica da Marinha
Amostra dos diversos tipos e calibres dos projetis da fábrica da MarinhaAmostra dos diversos tipos e calibres dos projetis da fábrica da Marinha
Maquete do NPa 200
Maquete do NPa 200Maquete do NPa 200
Maquete do NPa 500 - Classe Macaé
Maquete do NPa 500 - Classe MacaéMaquete do NPa 500 - Classe Macaé
O embaixador em Malabo visita a Barroso
O embaixador em Malabo visita a BarrosoO embaixador em Malabo visita a Barroso
Bandeira amarela com estrelas indica embaixador a bordo
Bandeira amarela com estrelas indica embaixador a bordoBandeira amarela com estrelas indica embaixador a bordo

Assinatura pelo Min da Defesa local do acordo para a compra de uma Barroso
Assinatura pelo Min da Defesa local do acordo para a compra de uma BarrosoAssinatura pelo Min da Defesa local do acordo para a compra de uma Barroso
Embaixador brasileiro cumprimenta o Ministro da Defesa
Embaixador brasileiro cumprimenta o Ministro da DefesaEmbaixador brasileiro cumprimenta o Ministro da Defesa
Almte Marcélio apresenta os produtos brasileiros à comitiva
Almte Marcélio apresenta os produtos brasileiros à comitivaAlmte Marcélio apresenta os produtos brasileiros à comitiva
Do lado de fora da Praça d´Armas, sinal de convidados de outro país no seu interior
Do lado de fora da Praça d´Armas, sinal de convidados de outro país no seu interiorDo lado de fora da Praça d´Armas, sinal de convidados de outro país no seu interior
O almoço a bordo após a assinatura do acordo
O almoço a bordo após a assinatura do acordoO almoço a bordo após a assinatura do acordo

O porto atual é muito raso e a despeito  pequeno porte da Barroso o domo do sonar sob o seu casco gera um calado relativamente grande de 6,5m, sendo este o detalhe que realmente preocupava a tripulação. Por esta razão ambos os navios brasileiros tiveram que ficar fundeados fora da baía de Ana Chaves que fica diante da capital do arquipélago. Visto do mar, São Tomé exibe praias enormes, ornadas de árvores. Mais afastado das praias ficam as construções quase todas de um ou dois andares no máximo. A falta de prédios altos na orla, traço tão comum das cidades costeiras brasileiras, salta aos olhos aqui. As muralhas do Forte de São Sebastião, obra colonial portuguesa fundado no ano de 1575 e reformado no final da década de 1950, são bem visíveis do mar e atrás das muralhas fica o pequeno porto atual.

Na manhã de nossa chegada o clima tinha virado e as ondas agitadas por um vento forte e constante, ente 15 e 20 nós. Vindo do sul fazia com que ficasse bem perigosa a transferência dos marinheiros brasileiros da Barroso para a lancha da Guarda Costeira de São Tomé que fazia o transporte para terra.

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Neste dia, os Comandantes dos navios, acompanhados pelo Embaixador brasileiro em São Tomé e Príncipe e do Adido de Defesa, realizaram visitas protocolares às autoridades locais, incluindo o Primeiro Ministro do país. Em seguida, foi realizada a cerimônia de entrega dos botes, motores e uniformes doados pelo Brasil, com a presença da Ministra da Defesa de São Tomé e de outras autoridades locais.

 

Felizmente, às 16h00 o vento amainou e foi possível dar início a um lento esquema de dois transbordos usando uma lancha de casco inflável que buscava os passageiros numa escada quebra-peito instalada na popa, abrigados do vento, para levá-los até lancha grande e rápida recentemente doada pelos americanos à Guarda Costeira local. Para os marinheiros brasileiros, São Tomé seria uma breve folga na sequencia de portos pouco atraentes desta comissão. Aqueles que não estavam de serviço puderam alugar quartos no Hotel Pestana e se permitir ficar relaxando no sol daquele pequeno paraíso tropical até que o seu navio tivesse que partir novamente.

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À meia-noite do dia 12 de julho, data Nacional de São Tomé, a Corveta Barroso realizou salva de 21 tiros com lançamento de pirotécnicos evento que pode ser assistido da Praça Central de São Tomé, onde se realizava a comemoração oficial da data.

Preparando a partida de Malabo
Preparando a partida de MalaboPreparando a partida de Malabo
Tripulação da Barroso se despede com música
Tripulação da Barroso se despede com músicaTripulação da Barroso se despede com música
O embaixador se despede da tripulação
O embaixador se despede da tripulaçãoO embaixador se despede da tripulação
Caixa que transportam os botes a serem doados a São Tomé
Caixa que transportam os botes a serem doados a São ToméCaixa que transportam os botes a serem doados a São Tomé
Deixando Malabo
Deixando MalaboDeixando Malabo

 

O prático guia a Barroso na saída de Malabo
O prático guia a Barroso na saída de MalaboO prático guia a Barroso na saída de Malabo
Ao largo de São Tomé o reencontro com o Gastão Motta
Ao largo de São Tomé o reencontro com o Gastão MottaAo largo de São Tomé o reencontro com o Gastão Motta
O CheOpe observa São Tomé do ponto de fundeio
O CheOpe observa São Tomé do ponto de fundeioO CheOpe observa São Tomé do ponto de fundeio
A ilha de São Tomé vista no Radar
A ilha de São Tomé vista no RadarA ilha de São Tomé vista no Radar
A cidade fica toda na orla, no centro da ilha fica a floresta
A cidade fica toda na orla, no centro da ilha fica a florestaA cidade fica toda na orla, no centro da ilha fica a floresta

Nigéria, Gana e o retorno via Recife

ALIDE desceu da Barroso em São Tomé mas, a missão da Barroso e do Gastão Motta seguiu adiante. O próximo porto, Lagos, na Nigéria, os levaria para um país que inegavelmente é uma das potências regionais do continente africano. A Nigéria é também um grande produtor de petróleo, já tendo o país muitas empresas petrolíferas de pequeno porte que vem, cada vez mais, investindo na nascente indústria de prospecção de seus vizinhos do golfo da Guiné. Há quase três anos atrás, a Marinha da Nigéria, a despeito de todas suas dificuldades e restrições operativas mandou dois de seus navios, a fragata Meko360 Aradu e  o Navio Patrulha Nwamba ao Rio de Janeiro para tomarem parte na parada Naval comemorativa dos 200 anos do Almirante Tamandaré. No momento atual, a Nigéria se encontra num ponto de clara necessidade de aquisição de novos meios navais, e as características de rusticidade e simplicidade da corveta da classe Barroso apresentam muito boas chances de sua adoção naquela marinha.

Já Gana é um pequeno país de colonização britânica na parte da costa do Golfo da Guiné que faz frente para o sul. Representantes da Marinha de Gana já vem conversando com a Emgepron para explorar as possibilidades de aquisição dos navios brasileiros, incluindo a Barroso.

Após os muitos dias da sua segunda cruzada do Atlântico, Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 a Barroso fundiou no Arquipélago de Fernando de Noronha, no dia 26 de julho. Lá, a pedido da Administração do Arquipélago o helicóptero Águia 57 realizou um sobrevôo da ilha com fotógrafo e cinegrafistas locais. Seguindo depois para Recife, onde atracou no dia 29 de julho. A Barroso irá fazer uma breve parada em Recife aonde toda a tripulação vai enfim poder descansar num porto familiar, trazendo a certeza no peito, do bom cumprimento de uma missão tão geopoliticamente importante.

O porto da cidade fica atras da fortaleza histórica portuguesa
O porto da cidade fica atras da fortaleza histórica portuguesaO porto da cidade fica atras da fortaleza histórica portuguesa
Conferindo o local exato do ponto de fundeio
Conferindo o local exato do ponto de fundeioConferindo o local exato do ponto de fundeio
No Passadiço
No PassadiçoNo Passadiço
A escada quebra-peito era o único caminho para se deixar a Barroso
A escada quebra-peito era o único caminho para se deixar a BarrosoA escada quebra-peito era o único caminho para se deixar a Barroso
Fundeado, o navio balançava bastante com o vento e com as ondas
Fundeado, o navio balançava bastante com o vento e com as ondasFundeado, o navio balançava bastante com o vento e com as ondas

Do bote inflável os passageiros passavam para uma lancha maior para ir para terra
Do bote inflável os passageiros passavam para uma lancha maior para ir para terraDo bote inflável os passageiros passavam para uma lancha maior para ir para terra
Barros balança ao sabor do vento forte
Barros balança ao sabor do vento forteBarros balança ao sabor do vento forte
A lancha rápida doada pelos EUA levava a tripulação ao porto
A lancha rápida doada pelos EUA levava a tripulação ao portoA lancha rápida doada pelos EUA levava a tripulação ao porto
Sargento brasileiro aproveita para testar a cultura naval dos marinheiros tomeenses
Sargento brasileiro aproveita para testar a cultura naval dos marinheiros tomeensesSargento brasileiro aproveita para testar a cultura naval dos marinheiros tomeenses
A lancha doada pelos americanos estava tinindo de nova
A lancha doada pelos americanos estava tinindo de novaA lancha doada pelos americanos estava tinindo de nova

Conclusão

Parece que a grande hora da indústria naval brasileira de defesa finalmente se aproxima. A Marinha do Brasil claramente está determinada a fazer a sua parte através da atuação comercial da Emgepron e do envio de seus navios de ponta, como a Corveta Barroso, para a África e futuramente para a Ásia em viagens de apresentação como esta. Porém, a venda de navios de guerra para o exterior é um processo em que não basta simplesmente se contar com produtos de boa qualidade oferecidos a preços justos. É preciso, mais do que todo o resto, um módico de agressividade e de ousadia geopolítica governamental para poder contrapor-se às inúmeras e imensas pressões políticas e econômicas dos países que disputam com o Brasil estes mercados emergentes. Nesta viagem, em Malabo, a declaração do Presidente Lula em meio a um discurso dirigido aos anfitriões, demonstrou o quanto é importante uma parceria intima entre a indústria de defesa e o poder político do país. Sem este tipo de fomento, os negócios simplesmente não vão ser fechados.

Painel da lancha doada
Painel da lancha doadaPainel da lancha doada
Assentos com amortecedores permitem atingir altíssimas velocidades
Assentos com amortecedores permitem atingir altíssimas velocidadesAssentos com amortecedores permitem atingir altíssimas velocidades
Mais uma missão exclusiva de ALIDE cumprida!
Mais uma missão exclusiva de ALIDE cumprida!Mais uma missão exclusiva de ALIDE cumprida!

No passado, alguns governos brasileiros apostaram neste filão da indústria de defesa para exportação. Para eles, este era um segmento de altíssimo valor agregado que propiciava o desenvolvimento e a obtenção de um sem número de tecnologias militares avançadas que podiam ser benéficas para os demais segmentos da indústria nacional. Resta saber se neste novo governo que se inicia em breve, se a compreensão deste leque de potenciais benefícios indiretos foi devidamente compreendida pela nossa classe política, independente de sua matiz ideológica.

 

Last Updated on Thursday, 08 December 2011 11:58
 

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