MBDA – Aster, SAMP/T e Exocet PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Friday, 05 November 2010 00:00

 


 

Neste ano ALIDE foi a Plessis Robinson, no sul de Paris, para conhecer a história e as perspectivas de uma das maiores empresas globais da indústria global de defesa, a especialista em mísseis MBDA.

Se as quatro letrinhas do nome da empresa ainda podem pegar vários aficionados no contra-pé, alguns dos produtos da MBDA são conhecidos até por gente que nada entende da área de Defesa. O míssil Exocet, por exemplo, que foi uma das “estrelas” da cobertura da mídia na Guerra das Malvinas. Como recentemente várias fontes tem apontado o novo sistema de mísseis anti-aéreos Aster como o item de maior interesse da Marinha do Brasil para as nossas próximas fragatas de 6000 toneladas, venha ela de onde vier, Itália, França ou Grã-Bretanha, uma conversa com os executivos da MBDA se fez necessário.

Aster PAAMS
Aster PAAMSAster PAAMS
Aster PAAMS numa Type 45
Aster PAAMS numa Type 45Aster PAAMS numa Type 45
Aster PAAMS numa Fremm
Aster PAAMS numa FremmAster PAAMS numa Fremm
Aster 15 SAAM disparado do NAe Charles de Gaulle
Aster 15 SAAM disparado do NAe Charles de Gaulle Aster 15 SAAM disparado do NAe Charles de Gaulle
Aster SAAM disparado do fragata italiana Carabiniere
Aster SAAM disparado do fragata italiana  CarabiniereAster SAAM disparado do fragata italiana  Carabiniere

O turbulento período de grandes fusões

Entre 1995 e 2001 a indústria de defesa global passou por um importante ciclo de fusões e aquisições que a reorganizou formando um pequeno número de gigantes multinacionais. Antes disso, porém, as anteriores ondas de consolidação industrial tinham ocorrido quase sempre delimitadas pelas fronteiras nacionais, aglomerando sob uma única marca dezenas de pequenas empresas especializadas que não tinham mais condições de competir, numa época de orçamentos de defesa cada dia mais enxutos e tecnologias cada vez mais caras. Na Europa, surgiu a partir de meados da década de 70 um leque de empresas nacionais estatais como a Aerospatiale e British Aerospace, mas vinte anos depois a globalização da economia mundial, e principalmente a maturação do Mercado Comum Europeu, abriu as portas para que de uma hora para outra as barreiras que isolavam estas empresas ruíssem, formando novas oportunidades de associação entre as empresas locais. Uma das iniciativas mais notáveis destes novos tempos foi à criação da EADS – European Aeronautic Defense and Space Company, a partir de pedaços das empresas aeroespaciais nacionais da França, Alemanha e Espanha. Os Italianos que haviam agrupado suas indústrias aeroespaciais sob a holding Finmeccanica, pularam os Alpes e o Canal da Mancha para abocanhar a Westland inglesa e uma boa parte da área de radares da indústria britânica. O segmento da aviação civil de grande porte se organizou ao redor do “Grupo de Interesse Econômico” Airbus, um consórcio franco-britânico e alemão, posteriormente transformado em uma nova empresa propriamente dita.

Uma das últimas destas associações recebeu o nome de MBDA. Esta entidade especializada em sistemas de mísseis tornou-se quase que o monopólio europeu neste segmento, unindo diversos programas nacionais sob um grande guarda-chuva institucional desenhado para enfrentar no mesmo nível os gigantes americanos desta área, especialmente a Raytheon e a Lockheed Martin, que também tinham gasto boa parte das décadas anteriores comprando as empresas menores deste segmento. Em poucos anos, ficou claro que quem não fosse um gigante não teria qualquer futuro no mercado.

A criação da MBDA se deu em etapas, com o estabelecimento, inicialmente no Reino Unido, da Matra BAE Dynamics (MBD) em 1996 e da Aerospatiale Matra Missiles (AMM) na França, em 1999. Em dezembro de 2001 estas duas empresas e a área de mísseis da empresa italiana Alenia Marconi Systems se fundiram gerando a nova MBDA. Em 2005, os alemães da empresa LFK se associaram a ela para fechar o projeto europeu de mísseis numa única estrutura corporativa. A divisão societária final ficou sendo: BAE Systems com 37.5% das ações, EADS com 37.5% e Finmeccanica com 25% da nova empresa.

Aster 15 SAAM
Aster 15 SAAMAster 15 SAAM
Aster 30 SAMP/T
Aster 30 SAMP/TAster 30 SAMP/T
Aster 30 SAMP/T
Aster 30 SAMP/TAster 30 SAMP/T
Aster SAMP/T
Aster SAMP/TAster SAMP/T
Exocet AM39 disparado de um Atlantic
Exocet AM39 disparado de um AtlanticExocet AM39 disparado de um Atlantic
 

Os sistemas antiaéreos terrestres: Mistral e VL MICA

No dia de nossa visita, a MBDA estava recebendo um grupo de repórteres especializados que vieram conhecer as linhas Mistral 2 e VL Mica visando produzir conteúdo em tempo para publicação no período da Eurosatory 2010 ocorreria em Paris em algumas semanas depois. O tour começou com uma apresentação aos veículos que lançam os sistemas de defesa antiaérea terrestre da empresa européia. Num pátio lateral havia um caminhão equipado com um reparo duplo SIMBAD do tradicional MANPAD (míssil antiaéreo leve disparado do ombro do soldado). Ao seu lado, outro um reparo no solo permitia que todos os presentes chegassem bem perto dos sistemas de mira e de comunicações do SIMBAD. Mais à direita havia um caminhão transportador de mísseis de recarga VL MICA. A instalação destes mísseis no veículo lançador era efetuado por um guindaste localizado a ré da cabine do transportador. O último veículo é um modelo fechado de Comando e Controle (C2) onde dois operadores podem trabalhar num ambiente climatizado, interagindo em tempo real com um centro de combate localizado remotamente e recebendo dados sobre os alvos oriundos de uma multiplicidade de fontes locais e externas. O VL MICA é a versão terra-ar do conhecido míssil francês ar-ar MICA. Nesta função o míssil é lançado verticalmente (“VL”!) desde um casulo reclinável do veículo lançador. Com um alcance de 20 Km o VL MICA se posiciona exatamente entre o Mistral, que atende ao curto alcance, e o SAMP/T (com seus mísseis Aster), de muito maior longo alcance. Curiosamente, o VL MICA usa um veículo de C2 totalmente diferente daquele empregado no SAMP/T. Esta surpreendente falta de “conceito de família” entre as duas linhas da MBDA se explica pelo fato da empresa francesa Thales, que responde por esta área no programa Aster, não participar do programa VL MICA.    

Uma só empresa, mas feita de várias empresas...

Realizada a fusão que criou a MBDA, um elemento importante a ser resolvido era como contemporizar o fato de que cada uma das linhas de produtos anteriores à criação da nova empresa, por definição, foi criada por uma das empresas nacionais sob encomenda dos seus governos locais. Por exemplo, a linha Exocet foi desenvolvida independentemente pela Aeroespatiale para uma demanda das forças armadas francesas, enquanto a linha Aspide foi criada pela Alenia sob instruções e financiamento da Marinha e Força Aérea italianas. Segundo Bruno de La Motte, ex-comandante do destróier francês Cassard (D614)e atual Consultor Sênior para produtos navais da MBDA, estes são produtos “legado” e por isso deverão ser tratados, desenvolvidos e comercializados de forma isolada entre si. Um exemplo disso é o programa FREMM onde os navios franceses serão entregues com mísseis antinavio Exocet e os italianos com o TESEO Otomat. A independência e o poder de ingerência dos governos individuais podem ficar incomodamente evidentes caso o Brasil queira comprar a FREMM italiana e deseje equipá-lo com o míssil de cruzeiro de origem francesa SCALP.

Exocet AM39 em um Mirage
Exocet AM39 em um MirageExocet AM39 em um Mirage
Exocet AM39
Exocet AM39Exocet AM39
Exocet AM39 em um Cougar
Exocet AM39 em um CougarExocet AM39 em um Cougar
Exocet MM40 BC (Coastal Battery- Bateria Costeira)
Exocet MM40 BC (Coastal Battery- Bateria Costeira) Exocet MM40 BC (Coastal Battery- Bateria Costeira)
Exocet MM40 Block 2
Exocet MM40 Block 2Exocet MM40 Block 2
 

No futuro, as próximas gerações de mísseis da MBDA, sempre que as especificações militares permitirem, serão constituídas por um único produto por segmento que deverá substituir os diversos programas conflitantes existentes hoje em dia no mercado. Atualmente, cada nova venda de sistemas de mísseis exige a aprovação prévia do governo que pagou o seu desenvolvimento inicial.

Introdução à defesa aérea de navios e GTs

Os americanos convencionaram dividir a tarefa de defesa aérea naval em cinco camadas concêntricas:

1)      Autodefesa

2)      Defesa de Ponto

3)      Defesa de Área Local

4)      Defesa de Área

5)      Área cobertas pelos caças do porta aviões do GT

6)      Área fora do alcance

A defesa antimíssil dos navios americanos é, assim, composta de um sistema aproximado CIWS (Close in Weapons System) Phallanx, acompanhado de lançadores de mísseis RAM Rolling Airframe Missile, de lançador ESSM (Evolved Sea Sparrow Missile), e, finalmente, de uma camada exterior de mísseis Standard SM-2 de longo alcance. Em contrapartida, na cabeça dos executivos europeus, todo este complexo de sistemas de defesa aérea pode muito bem ser substituído com vantagens por uma combinação mais simples de mísseis Aster 30 com o VL MICA. Segundo de La Motte: “usar apenas um ou dois tipos de míssil é uma hipótese muito mais efetiva”. Enquanto o SM-2 tem um alcance mínimo de sete quilômetros, o MICA atinge alvos que estão voando entre um e 20 quilômetros do navio lançador.

Exocet MM40 Block2
Exocet MM40 Block2Exocet MM40 Block2
Exocet MM40 Block 3 no tunel de vento S1 em Modane
Exocet MM40 Block 3 no  tunel de vento S1 em ModaneExocet MM40 Block 3 no  tunel de vento S1 em Modane
Exocet SM39
Exocet SM39Exocet SM39
Lançador VL Mica
Lançador VL Mica Lançador VL Mica
Lançador VL Mica
Lançador VL Mica Lançador VL Mica

MICA VL

Se um cliente das fragatas FREMM achar que os 24 mísseis Aster incluídos no pacote padrão não lhe bastam, ele pode usar estes mísseis no lançador padrão Sylver A35 ou alternativamente optar por colocar um lançador vertical extra para adicionar outros 24 mísseis VL MICA ao navio. Nas FREMM um lançador para o VL MICA pode ser instalado na popa do navio. Em aplicações navais o VL MICA agrega duas virtudes importantes à marinha que o escolher. Em primeiro lugar o custo muito menor faz com que a intercepção de alvos de menor ameaça possa ser feita com um gasto muito menor por cada tiro, quando comparado ao sistema Aster. Em segundo lugar, os MICA SAM, identicamente aos seus modelo ar-ar, podem ser adquiridos com duas cabeças de guiagem distintas, uma com um sensor infravermelho e outra com um sistema de radar ativo. O “seeker” infra vermelho do MICA é particularmente adequado para ser usado contra helicópteros, alvos lentos ou mesmo alvos estáticos. Se o navio lançador tiver um sistema FLIR capaz de designação de alvos para o VL MICA o lançamento do míssil pode pegar o alvo totalmente de surpresa uma vez que todo o processo de identificação do alvo terá sido feito sem qualquer emissão eletromagnética. O Cte de La Motte adicionou, ainda, que: “o MICA (com suas asas maiores) tem uma aerodinâmica melhor do que o AMRAAM o que lhe permite realizar curvas mais fechadas que o míssil americano”. Adicionalmente como todo o “cérebro” do MICA está contido dentro do míssil ele não depende de “trackers” ou “iluminadores” externos que podem quebrar ou, mesmo, serem destruídos por um ataque inimigo. Na visão da MBDA, um único sistema VL MICA substitui ao mesmo tempo, e com grande vantagem, os sistemas antiaéreos de defesa de área ESSM e RAM, além do CIWS (sistema de canhão Phallanx) de defesa de curtíssimo alcance.

Cada míssil MICA carrega simultaneamente os softwares para seu uso ar-ar, terra-ar e mar-ar. Após passar pelos estresses de 300 pousos. O VL MICA não faz uso de foguete booster porque seu foguete original já é potente o suficiente para sua decolagem vertical desde o novo lançador vertical instalado no convés do navio. Após passar por “checks” regulares, os mísseis MICA dos Rafales franceses serão transferidos para os estoques das fragatas Lafayette. Adicionalmente, os VL MICA já estão sendo colocados em operação no exterior nas corvetas Khareef criadas pela VT Group para a Marinha de Oman, nas corvetas holandesas Sigma do Marrocos e nos Navios Patrulha Oceânicos Falaj 2 feitos pelos italianos da Fincantieri  para os Emirados Árabes Unidos. Uma grande vantagem do sistema VL MICA é que ele é particularmente fácil de ser agregado durante a modernização de meia-vida de navios antigos. 

O sistema de combate dos navios modernos, também conhecido como “Threat Evaluation and Weapons Assignment” (TEWA), se beneficia do fato do VL MICA poder ser disparado em salvas, em paralelo, enquanto os sistemas de mísseis que usam a tecnologia CLOS/guiagem semiativa demandam, sempre, disparos sequenciais.

Lançador VL MICA
Lançador VL MICALançador VL MICA
Lançador VL MICA
Lançador VL MICALançador VL MICA
Lançador VL MICA
Lançador VL MICALançador VL MICA
Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)
Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)
Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)
Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)
 

Aster 15 e 30

 Mais de cinco bilhões de euros já foram investidos até este ano neste programa industrial pelos países membros. “O míssil Aster é o único míssil desenvolvido desde seu conceito para ser usado para abater outros mísseis atacantes” disse o Cte de La Motte, perguntados o significado dos números 15 e 30 nos dois modelos ele explicou que isso se refere ao alcance mínimo de cada um deles, 1,5 Km para o modelo menor, e 3 Km para o de maior. Sendo um sistema de mísseis de longo alcance, é muito importante a integração do armamento com os radares. Nas fragatas AAW Horizon foi usado uma combinação de radar MultiFuncional (EMPAR) com um outro 3-D convencional (S1850M) com uplink independente para guiar o míssil em meio à trajetória. Nas FREMM francesas que são navios mais baratos e polivalentes será usado apenas um radar Heracles Multi-Function Radar da Thales, já que a missão antiaérea não é o seu foco primário como nas Horizon. Os radares multifuncionais tradicionais são muito mais leves que o sistema Empar, que, por exemplo, pesa surpreendentes quatro toneladas cada um. A missão AAW não se resume à interceptação de aeronaves e mísseis, a maior parte do seu tempo é dedicada à obtenção de inteligência e informação sobre os meios e as capacidades militares aéreas do inimigo.

Antes do anúncio da intenção brasileira de fechar um pacotão de navios com a Fincantieri italiana, os franceses pensavam para a Marinha do Brasil num navio equipado com o radar Heracles e armado com Aster em um lançador Sylver de 32 células capaz de lançar também o míssil de cruzeiro Sea SCALP. A grande linha de produtos da MBDA permite aos seus clientes uma grande flexibilidade e possibilidade de selecionar variadas combinações de armamento e sensores. Isso se verifica especialmente no Aster e no VL MICA por serem sistemas de guiagem autônoma.

Existem vários modelos do lançador Sylver, cada um deles tem um comprimento diferente da célula, o que lhes permite disparar mísseis cada vez mais longos. Por exemplo, o “Sylver 43” aceita mísseis de até 4,3 metros, enquanto o “Sylver 70”, feito com o míssil SCALP em mente tem um comprimento total de sete metros. Naturalmente o modelo (comprimento) do lançador escolhido para determinada classe de navios produz impactos profundos no formato e no espaço ocupado nos conveses imediatamente abaixo dele.

Num evento para a imprensa em julho, representantes da MBDA declararam oficialmente que como o modelo 30 tem apenas um foguete booster a mais que a sua versão menor, a diferença de preço entre os dois acabava sendo pequena e por isso muito pouco vantajosa para o modelo 15. Assim, na expectativa deles a tendência é que a grande maioria de clientes da família Aster acabe optando por padronizar no modelo de maior alcance. Para ameaças mais simples e mais baratas, a MBDA aposta todas suas cartas no VL MICA que tem um alcance mínimo de um quilômetro.

Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)
Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)
Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)
Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)
Modulo de transporte do míssil MICA
Modulo de transporte do míssil MICAModulo de transporte do míssil MICA
Caminhão transportador de míssil
Caminhão transportador de míssilCaminhão transportador de míssil
Sistema ótico de mira do SIMBAD
Sistema ótico de mira do SIMBADSistema ótico de mira do SIMBAD
 

Os tipos de mísseis que usam a tecnologia de guiagem CLOS (Command to Line of Sight), por sua limitação conceitual, de forma alguma conseguiriam fazer frente a um ataque de saturação como se imagina poder acontecer nos cenários de guerra naval atuais. O número máximo de mísseis lançados simultaneamente nos sistemas com sistema de guiagem semiativa é sempre limitado pelo número de radares de tracking existentes no próprio navio. Os mísseis mais recentes da família Standard, o SM-6 (RIM-174) embora disponham de um sensor ativo idêntico ao do AMRAAM no cone, só o aciona na fase final do seu vôo de longo alcance.

A guiagem autônoma do míssil antiaéreo colabora muito para aumentar a sobrevivência do navio, pois, não é limitado pelo número de canais de controle entre navio e míssil.

Uma das tecnologias que diferencia o Aster de seus concorrentes é aquela chamada “PIF-PAF”. PIF quer dizer “PIlotage em Force” e PAF é a sigla de “Pilotage Aerodinamique Forte” que explica as grandes “asas” integradas ao míssil. São estas duas tecnologias que fazem com que mesmo que o alvo esteja muito próximo do navio El possa ser interceptado com uma trajetória de míssil em forma de parábola estreita. Os mísseis Aster, apenas três segundos após seu lançamento, já estão voando  em direção ao alvo à velocidade impressionante de Mach 4,5, e mantém esta velocidade por ter um motor de sustentação no seu “dardo terminal”, como é chamado o segundo estágio. A grande manobrabilidade do Aster, por sua vez, é resultante de uma série de sistemas complementares como os Direct Thrust Vector Controls (controles diretos sobre o vetor de empuxo, em português) bocais móveis que dirigem para os lados a saída do foguete de forma a facilitar as curvas e o Divert and Attitude Control System (algo em português como sistema controle de manobra e de atitude) uns pequenos bocais localizados no interior de cada uma das “asas” que aplica uma força perpendicular ao movimento do míssil para aumentar sua precisão em direção ao alvo. Estes pequenos bocais, que são acionados apenas na fase terminal do vôo, permitem que o Aster praticamente ande de lado sem ter que perder energia manobrando o que lhe reduziria o alcance. Este mesmo tipo de tecnologia vem sendo usada a anos em naves espaciais. Essa manobrabilidade aumentada existe justamente para fazer frente aos novos mísseis antinavios que tem capacidade de realizar manobras muito fortes na sua fase terminal.

Sistema de comunicação pra operador do SIMBAD
Sistema de comunicação pra operador do SIMBADSistema de comunicação pra operador do SIMBAD
Terminal de operador do caminhão de comando e controle do VL MICA
Terminal de operador do caminhão de comando e controle do VL MICATerminal de operador do caminhão de comando e controle do VL MICA
Terminal de operador do caminhão de comando e controle do VL MICA
Terminal de operador do caminhão de comando e controle do VL MICATerminal de operador do caminhão de comando e controle do VL MICA
Terminal de operador do caminhão de comando e controle do VL MICA
Terminal de operador do caminhão de comando e controle do VL MICATerminal de operador do caminhão de comando e controle do VL MICA
Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)
Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)Reparo duplo de MANPADS Mistral ( SIMBAD)

Para além do Aster 30

O Aster Block 1 (“Aster 30+”) que será montado no lançador do sistema SAM terrestre SAMTP terá capacidade de ser usado contra ameaças balísticas mais simples como os mísseis da classe do veterano SCUD soviético (600 Km de alcance). A efetividade deste sistema já foi testado com o uso de simuladores computacionais. Em seguida, a idéia é obter de Israel mísseis-alvos que possam ser usados para validar a capacidade de interceptação balística do futuro Aster Block 2 que apresentará uma nova fuselagem somada a um novo sistema de guiagem. Este desenvolvimento adicional da capacidade de “interceptação endoatmosférica média” deverá ser decidido pelo presidente Sarkozy ainda no ano de 2010. Dentro de um conceito de família o míssil Block 2 será perfeitamente compatível com os lançadores e os sistemas de controle do míssil Aster 30 atual.

Mais do que o míssil em si a maior dificuldade do desenvolvimento de um sistema que seja capaz de interceptar mísseis balísticos ou ogivas durante a sua reentrada está na capacidade de passagem de informação (o chamado “relay”) entre os diversos nós da rede antimíssil. A altíssima velocidade do alvo agravado por sua grande área de “vôo” faz com que nenhum único sistema regional consiga realizar a missão de interceptar o míssil inimigo. Sistemas sensores espalhados capazes de determinar a trajetória com precisão devem informar no menor tempo possível estes dados para sistemas de comando e controle (“cueing”) e de interceptação (chamado aqui de “effectors”) existentes mais adiante da trajetória do alvo.

Se hoje o processo de defesa antimíssil para um navio já é toda automatizada, justamente porque o ser humano não tem tempo de reação compatível com esta defesa, imaginem o grau de dificuldade adicional no caso de um sistema de defesa antimísseis balísticos. Segundo o Cte de La Motte:  “a tecnologia antimíssil balístico já não é mais exclusividade dos americanos”.

Maquete do sistema ASTER 15/30
Maquete do sistema ASTER 15/30Maquete do sistema ASTER 15/30
Maquetes dos Variantes do míssil Exocet
Maquetes dos Variantes do míssil ExocetMaquetes dos Variantes do míssil Exocet
Sistema Souvim 2 de remoção de minas terrestre
Sistema Souvim 2 de remoção de minas terrestreSistema Souvim 2 de remoção de minas terrestre
Maquete de veículo com torre quádrupla
Maquete de veículo com torre quádruplaMaquete de veículo com torre quádrupla
Maquete do lançador VL MICA
Maquete do lançador VL MICAMaquete do lançador VL MICA

Os sistemas navais da MBDA

Em meados de abril deste ano o software da versão FREDA da fragata FREMM  já se encontrava pronto. A modificação, melhoria, do seu radar Herakles para a função de defesa aérea do GT foi segundo o executivo da MBDA “um desafio menor”. O lançador Sylver da fragata já é compatível com o míssil Aster 30 de maior comprimento. Um fato que deve ser tomado em conta, é que a nova capacidade de disparar mísseis de cruzeiro como o SCALP naval, imediatamente, torna as FREMMs/FREDAs em alvo de maior valor para os submarinos, navios e aeronaves inimigas, o que coloca mais importância na defesa aérea do navio e do GT. Em contrapartida a disponibilidade de mísseis antiaéreos de longo alcance, como o Aster 30 imediatamente afasta a ameaça dos aviões de patrulha marítima, os “snoopers” ou “curiosos”, como são chamados na terminologia da MB).

Na Euronaval deste ano um dos destaques da MBDA na área de defesa aérea naval foi o lançador XX. Esta torreta leve com sistema conterador para mísseis SAM Mistral 2 foi apresentado pela primeira vez ao público. O forte crescimento do mercado de navios mais leves como corvetas e Navios Patrulha Oceânicos abre uma janela para um sistema mais automatizado do que o veterano reparo duplo direcionado manualmente Sadral. Por ser controlado automaticamente desde o COC do navio não mais é necessário colocar qualquer tripulante exposto no convés externo para disparar o míssil.

Outras parcerias entre a MBDA e o Brasil

Perguntado pela repotencialização dos Exocet MM40 da Marinha do Brasil foi comentado que o papel da Avibras será o de desenvolver um novo foguete booster sob especificações da MBDA. Existe ainda a possibilidade de que a MBDA revenda estes boosters brasileiros no mercado mundial de modernização dos Exocet Block 1. Este acordo é um claro offset técnico comercial para ser usado no favorecimento de novas vendas de mísseis nos “emerging markets”. Segundo eles, a “melhor maneira de se entrar num mercado é se associando às indústrias locais”. Esta estratégia se aplica naturalmente aos objetivos da empresa européia na Índia e em outros países.

Vista traseira do sistema anti-tanque Milan
Vista traseira do sistema anti-tanque MilanVista traseira do sistema anti-tanque Milan
Mochila para transporte de dois mísseis anti-tanque
Mochila para transporte de dois mísseis anti-tanqueMochila para transporte de dois mísseis anti-tanque
Mochila para transporte de dois mísseis anti-tanque
Mochila para transporte de dois mísseis anti-tanqueMochila para transporte de dois mísseis anti-tanque
Aster 30
Aster 30Aster 30
Míssil Ar-Ar BVR Meteor
Míssil Ar-Ar BVR MeteorMíssil Ar-Ar BVR Meteor
 

“Um exemplo disso poderia ser o míssil MAR-1 da Mectron brasileira. Ele se adequaria bem ao portfólio da MBDA neste momento porque eles não dispõem de nenhum míssil antiradiação para ofertar aos seus clientes”, concluiu, de La Motte.

 

O Exocet MM40 Block 3

A versão 3 do famoso Exocet, única versão em produção atualmente, representa um imenso salto adiante em termos de capacidade para a família. “O Block 3 é um míssil de 4ª geração que não é mais limitado apenas à missão antinavio. Ele pode, igualmente, ser usado contra alvos em terra, operando muito bem no ambiente litoral. O seu vôo pode ser programado para seguir um número grande de pontos de navegação pré-definidos (os ‘waypoints’) que permitem efetivamente mascarar a verdadeira posição do navio lançador do míssil. Para o novo míssil existe ainda um sistema baseado em PC usado para o planejamento prévio da missão que controla e monitora todas as restrições táticas, criando um perfil de missão específico que explora ao máximo as capacidades aerodinâmicas do míssil. Outro ponto que nos auxilia desenvolvimento desta nova versão é o histórico acumulado de mais de 700 mísseis Exocet já disparados até hoje”, contou o especialista francês.

A nova versão, agora, tem um alcance de 180 Km porque ele passou a ser impulsionado por um pequeno turbojato que entre em ação assim que se encerre a queima do foguete booster usado para a decolagem e a aceleração inicial. Diferente dos seus concorrentes Harpoon e RBS15, no Exocet novo foram colocadas quatro pequenas entradas de ar, uma em cada lado da fuselagem para alimentar a turbina. Esta disposição específica permite que durante as manobras do míssil não haja risco da turbina apagar por interrupção involuntária do fluxo de ar. Assim, apenas o Exocet pode fazer a trajetória de aproximação “sacarrolhas” (“corkscrew” em inglês). 

No final março de 2010 ocorreu o primeiro disparo de um Exocet Bl 3 operacional desde a fragata Horizon Chevalier Paul. Até este ano já foram encomendados mais de 400 mísseis Block 3, demonstrando que a nova versão já é um sucesso de mercado. A sua produção em massa já está em andamento. Em comparação, o RBS 15 recebeu apenas 60 encomendas, e, vindo apenas de um cliente, a Marinha Alemã.

Míssil Ar-Ar BVR Meteor
Míssil Ar-Ar BVR MeteorMíssil Ar-Ar BVR Meteor
Míssil de cruzeiro Storm Shadow/SCALP
Míssil de cruzeiro Storm Shadow/SCALPMíssil de cruzeiro Storm Shadow/SCALP
Detalhe da asas do míssil de cruzeiro Storm Shadow/SCALP
Detalhe da asas do míssil de cruzeiro Storm Shadow/SCALPDetalhe da asas do míssil de cruzeiro Storm Shadow/SCALP
Vista traseira do míssil de cruzeiro Storm Shadow/SCALP
Vista traseira do míssil de cruzeiro Storm Shadow/SCALPVista traseira do míssil de cruzeiro Storm Shadow/SCALP
 

Conclusão

Como corporação, a MBDA está, só agora, saindo de sua conturbada fase de formação e caminha para renovar e ampliar sua extensa linha de produtos. A parceria industrial e a transferência de tecnologia com as indústrias dos países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, é um caminho esperado pela empresa nos próximos anos. A empresa atua em muitos segmentos e está exemplarmente trabalhando para maximizar a sinergia potencial de seus produtos entre eles, como bem se vê no caso da evolução do produto MICA. A verdade é que existe muito mais coisa para falar sobre a MBDA e suas variadas linhas de produtos do que se pode explorar em apenas meio dia. Da próxima vez falaremos mais detalhadamente das oportunidades que a empresa reserva para a FAB e para o Exército Brasileiro.

Last Updated on Friday, 05 November 2010 22:15
 

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