Cruzex V - a perspectiva americana PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Monday, 09 May 2011 00:00

 

 

Um dos pontos altos da última CRUZEX foi a participação da USAF, a Força Aérea Americana, pela primeira vez. A Cruzex nasceu como um exercício entre a Força Aérea Francesa a FAB e a FAA argentina, assim ao longo dos anos a USAF sempre tendeu a ficar de fora, observando. Neste ano de 2010, a coisa mudou radicalmente. Para entender os detalhes dessa participação, fizemos questão de entrevistar o Brigadier General (cargo inexistente na FAB, seria equivalente a um Brigadeiro de uma estrela) Trulan A. Eyre, comandante da 140ª Ala Aérea da Guarda Aérea Nacional do estado do Colorado:

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ALIDE: Como o envolvimento da Guarda Aérea Nacional do Colorado com o exercício CRUZEX antes do desta 5ª edição começar?

Brig-Gen Trulan A. Eyre: A 140ª Ala Aérea da Guarda Aérea Nacional do Colorado é uma unidade de grande reputação que foi subordinada à 12ª Força Aérea da USAF. Quando o comandante da 12ª Força Aérea, Lt. Gen. (Major Brigadeiro) Glenn Spears nos convidou a participar, ficamos honrados em receber esta oportunidade de nos desdobrarmos com as forças de coalizão,  construindo fortes e duradouras parcerias com aviadores de toda a América Latina.

ALIDE: Quais eram as expectativas iniciais da sua participação no CRUZEX V ?

TAE: Nós entramos com mente aberta não sabendo exatamente como seria voar e treinar juntos mas dispostos a compartilhar nossas experiências com outros aviadores. Nós sabíamos que o objetivo desta missão era o estreitamento dos laços de amizade, reforçando a capacidade operacional de nações parceiras e segurança regional, e aumentar as cooperações entre aviadores além de melhorar a segurança regional.

ALIDE: Quanto tempo durou o processo de planejamento da missão e da viagem pela USAF e ANG?

TAE: O nosso planejamento para a Operação Cruzeiro do Sul começou há seis meses e incluiu a coordenação da capacidade de transporte aéreo, aviões reabastecedores e o orçamento para poder fazer tudo isso acontecer.

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ALIDE: Quantas aeronaves foram preparadas para vir ao Brasil? Quantos delas efetivamente voaram por aqui?

TAE: Na nossa unidade, nós sempre temos pelo menos dois F-16 Fighting Falcons permanentemente preparados para ir a qualquer lugar do mundo. Dos oito jatos que foram preparados para poder vir, nós mandamos seis jatos para efetivamente participar do exercício.

ALIDE: Quantos oficiais e graduados foram mandados ao Brasil para o CRUZEX?


TAE: 140 militares da Guarda Aérea Nacional participaram de Segundo Sargentos até Brigadeiro. Muitos desses aviadores-cidadãos são membros tradicionais da Guarda Aérea Nacional, ou seja, são pessoas que tem trabalhos civis e que trabalham na Guarda Nacional em meio expediente, servindo às nossas comunidades, estado e à nação.

ALIDE: Que tipo de suporte logístico foi necessário para apoiar suas operações em Natal? Quantas turbinas adicionais foram trazidas? Quantas toneladas de peças de reposição e material de apoio?

TAE: Nós trouxemos duas turbinas adicionais e 71 toneladas de material. O apoio brasileiro foi tremendo, incluindo combustível, oxigênio liquido, lubrificantes, equipamentos de movimentação de carga e veículos terrestres que foram disponibilizados para nosso uso.

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ALIDE: Além do CRUZEX, vocês foram, ou estão encarregados de fazer qualquer outra operação aérea na América Latina?

TAE: Anteriormente, a 140ª Ala já foi desdobrada para Curaçao em operações anti-contrabando de drogas (Operação Coronet Nighthawk), e também em El Salvador e na Antártica para atender a missões médicas.

ALIDE: É comum para a Guarda Aérea Nacional cruzar das fronteiras dos Estados Unidos apenas para participar de exercícios em tempos de paz?

TAE: É muito comum para unidades da Guarda Aérea Nacional deixar o território dos Estados Unidos para participarem de exercícios ao redor do mundo junto com  forças da OTAN e forças de coalizão da região do pacífico e do Canadá. Como parte do conceito de força total, a Guarda Aérea Nacional do Colorado fornece unidades de combate e suporte operacionalmente prontas, assim como aviadores altamente qualificados para operações humanitárias e contingenciais ao redor do mundo.

ALIDE: Quantas missões seus aviões e tripulantes já realizaram no Iraque e no Afeganistão até agora?

TAE: O pessoal da 140ª Ala Aérea já foi desdobrado no Iraque quatro vezes e, a qualquer momento nós temos sempre um contingente de vinte a noventa aviadores e mecânicos atuando em operações ao redor do mundo. Em 2004, nossos aviões foram os primeiros F-16 Fighting Falcons da USAF a pousar no Iraque para a operação “Iraqi Freedom”. Antes disso, nossa unidade patrulhou zonas de exclusão aérea sobre o Iraque para as operações “Northern Watch” e “Provide Comfort”.

ALIDE: Como foi o vôo de translado dos Estados Unidos para Natal? Vocês pernoitaram algum outro país pelo caminho?

TAE: O vôo de translado dos Estados Unidos para Natal demorou onze horas e teve dez reabastecimentos aéreos. No caminho de volta, nós paramos na Base Aérea de Tyndall, localizada em Panama City, na Florida devido a um vento de proa que alongou nosso vôo em várias horas.

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ALIDE: Quando chegaram à Natal, qual foi a impressão que seus pilotos e mecânicos tiveram da base e da cidade?

TAE: Os laços históricos entre Brasil e Estados Unidos eram muito evidentes na Base Aérea de Natal, por ter sido construída durante a Segunda Guerra Mundial para viabilizar o translado de aeronaves para o Teatro de Operações do Mediterrâneo. Havia fotos da Glenn Miller Band sendo exibidas no anfiteatro da base. Músicos brasileiros até mesmo tocaram músicas da época das “big bands” para nós. A base em si era muito limpa e bem organizada. A cidade tem uma ótima comida e eu fui a vários lugares em que eu quis provar a comida.

ALIDE: De que tipo de missões, os seus aviões ficaram encarregados no pacote de ataque do CRUZEX? Ar-Ar, Ataque ao Solo?

TAE: O F-16 é um caça multi-funcional capaz de realizar ataques ar-ar e ar-terra, por isso nossos pilotos foram encarregados de ambos os tipos de missão para a prática de uma ampla gama de táticas de combate.

ALIDE: Em média, quantos aviões dos EUA voaram em cada missão das “Forças Azuis” ?

TAE: Nós tínhamos quatro jatos decolando pela manhã e outros quatros pela tarde, num total de 24 surtidas por dia, o que somou um grande ganho de experiência para todos os envolvidos.

ALIDE: Será que o fato de que os chilenos terem vindo ao Brasil com seus próprios caças F-16 acabou por produzir qualquer oportunidade de “intercâmbio cultural” durante a CRUZEX?

TAE: Houve várias oportunidades de “intercâmbios culturais”, mesmo quando estávamos apenas discutindo as táticas e procedimentos que são comuns a todos militares que mantêm, voam ou apóiam, de qualquer forma que seja, aeronaves de caça.

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ALIDE: O KC-135 que veio com vocês foi usado para reabastecer caças de outras nações?

TAE: Sim, o nosso KC-135 pertencia à 161ª Ala de Reabastecimento Aéreo da Guarda Aérea Nacional do estado do Arizona, e ele reabasteceu caças de outras nações também. A Cruzex foi tanto um exercício de reabastecimento aéreo multinacional quando um exercício de combate ar-ar. O objetivo era exercitar o trabalho eficiente sempre em apoio à operações de forças multinacionais.

ALIDE: No total, quanto combustível foi transferidos para “clientes” do KC-135 durante a CRUZEX?

TAE: Pelo lado dos reabastecedores, eu não tenho como dizer. Porém, os nossos aviões receberam entre 8.000 e 10.000 libras de combustível (aproximadamente entre 4000 a 5000 kg ) em cada manhã e novamente a cada tarde.

ALIDE: Quantos militares americanos trabalharam no dentro do Estado Maior de comando e controle da CRUZEX V?

TAE: Outros dois americanos serviram ao meu lado no Centro de Operações Aéreas Combinadas, lá havia um verdadeiro Estado Maior Conjunto plenamente apto para combater uma guerra real.

ALIDE: De uma maneira ampla, você pode nos contar quais foram os resultados dos ataques dos “Vermelhos” aos pacotes de combate dos “Azuis”? Vocês tiveram alguma surpresa nisso?

TAE: Os controladores demonstraram reações de frações de segundo nos combates aéreos de curto alcance. Os pilotos de F-5 brasileiros eram muito capazes com seus caças. Devido à participação de distintos modelos de aeronaves o exercício abrangeu capacidades bem amplas, típicas de um cenário multinacional real.

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ALIDE: Você diria que a CRUZEX foi um bom “programa de aquecimento” para o Exercício Red Flag? Qual foi a última vez que seus pilotos participaram do Red Flag?

TAE: Eu não vejo a CRUZEX como um “aquecimento” para qualquer outro programa de treinamento, mas sim como um programa único e que se destaca por si mesmo. Mas, devido à nossa participação no CRUZEX,  nós certamente estaremos ainda mais bem preparados para um próximo Red Flag, embora nossos pilotos não tenham participado do Red Flag desde o começo dos anos 90. Caso nosso time necessite trabalhar conjuntamente numa crise internacional ou numa missão de manutenção da paz futura, nós estaremos ainda mais bem preparados para uma coalizão da OTAN e/ou da ONU depois desse exercício.

ALIDE: Houve rumores no exercício desse ano que no próximo CRUZEX, haverá sub-exercícios com emprego de armamento real. Você acha que isso pode vira a ser útil e/ou interessante?

TAE: Toda vez em que podemos usar armamento real é sempre um bom treinamento. Então eu acho que deveriam sim ocorrer esses exercícios, para que nossos mecânicos possam treinar o rearmamento dos aviões com bombas reais.

ALIDE: A USAF/ANG já decidiu se retornará ao Brasil para o próximo CRUZEX?

TAE: Nós com certeza voltaremos se formos convidados. Nossos anfitriões brasileiros foram muito gentis. Este exercício certamente nos preparou para trabalhar juntos no futuro, e para que possamos rapidamente construir uma coalizão e nos integrar de forma transparente nas missões.

ALIDE: Algum outro comentário? Observações?

TAE: Esse foi um dos melhores desdobramentos do qual já participamos. Nossos pilotos trabalharam duro e experimentaram outras culturas nas cabines, no solo e na comunidade. Parte do que é ser um tripulante expedicionário é ter a oportunidade de poder conhecer o resto do mundo, e isso não se refere apenas ao Iraque. É muito importante que os nossos militares tenham a oportunidade de praticar a comunicação e as operações com gente de outras culturas, conjuntamente com nossos aliados. Isso, no final, garante a interoperabilidade, a integração, e a interdependência das forças durante uma missão no melhor estilo da ONU.

 

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Tradução: Guilherme Torres

Last Updated on Wednesday, 11 May 2011 01:11
 

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