A primeira Cruzex dos falcões chilenos PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Monday, 09 May 2011 00:00

 

A CRUZEX V de 2010 foi um evento especial, pois trouxe ao Brasil várias novidades do mundo da aviação de caça. Além dos Rafales franceses, e da estréia dos F-16 da USAF, esta foi também a primeira missão ao exterior dos novos F-16C/D Block 50 da Força Aérea do Chile 10 dos quais adquiridos em dezembro de 2000 e entregues em 2006 dentro do programa “Peace Puma”. Para entender a perspectiva chilena sobre a oportunidade representada pela participação na CRUZEX ALIDE entrevistou XXX o comandante do Grupo Aéreo 3.

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ALIDE: Como se deu o processo de envolvimento da Fuerza Aérea de Chile (FACh) no exercício CRUZEX antes da atual CRUZEX V?

R- Esta é quarta vez que a instituição tem a oportunidade de participar dos exercícios CRUZEX, o que nos deixa bem a vontade para participarmos mais uma vez.

ALIDE:  Quais eram as expectativas gerais ou iniciais em relação ao adestramento nesta participação da FACh na CRUZEX?

R- As expectativas da instituição para este exercício podem ser divididas em duas categorias:

- Do ponto de vista do trabalho nos Estados Maiores Combinados, as expectativas estavam na obtenção de experiência na área de planejamento de operações combinadas, operando principalmente dentro de coalizões.

- E, do ponto de vista de nossa unidade de vôo, neste caso, o Grupo de Aviação nº 3, a validação da “interoperatividade” de nossas tripulações de combate e dos nossos meio aéreos para integrar estas coalizões, verificando a padronização de procedimentos e uso de uma linguagem comum.

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3- Quais foram as principais lições de passadas ao do Grupo 3 pela unidade de F-5 Tiger III da FACh que participou da CRUZEX IV?

R- O grupo de aviação nº 12, que é a unidade F-5 III, nos transferiu sua experiência em todas as áreas envolvidas em um exercício como este, desde os aspectos logísticos, como também administrativos, operacionais e sociais, com ênfase no fato de se operar em uma área como Natal, com um clima diferente e com temperatura e umidade consideravelmente altas, com os quais não estamos acostumados.

ALIDE:  Dentro da FACh quanto tempo levou o planejamento prévio desta viajem e desta missão?

R- A instituição vem realizando exercícios similares desde a nossa participação no [exercício americano] “Red Flag” do ano 1998, devido ao qual já dispomos dos fundamentos e conhecimentos básicos para fazer parte de exercícios como é a CRUZEX. Neste caso em particular, o Grupo de Aviação nº 3 foi formalmente incluído no loop de planejamento a partir da reunião MPC, momento no qual se iniciaram os trabalhos em todos os aspectos relacionados a esta comissão.

ALIDE:  Quantos aviões foram preparados para vir ao Brasil? Quantos deles efetivamente vieram para a CRUZEX?

R- Para este exercício foi estabelecida uma necessidade contar com a disponibilidade de quatro aviões F-16 Block 50 de maneira permanente, pela qual foi decidida a nossa participação com cinco aviões F-16. E como apoio, foi considerada a participação de um avião [de reabastecimento Boeing] KC-135E e de um B-737-300.

No final, participamos com os meios anteriormente detalhados, seguindo exatamente o planejamento efetuado pela FACh.

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ALIDE:  Quantas pessoas da FACh foram enviadas ao Brasil nessa ocasião?

R- Foram aproximadamente 110 pessoas.

ALIDE:  Que tipo de suporte logístico foi mobilizado pela FACh para viabilizar a sua viajem até Natal? Quantos motores extras, quantas toneladas de fornecimentos e reposições?

R - Este exercício foi uma interessante experiência para a instituição, haja visto que foi a primeira vez que os aviões F-16 participaram de um exercício fora do país.

Para a definição dos elementos a serem levados, foi considerada a experiência de 4 anos de operação do avião, desde sua chegada ao Chile, tempo no qual demonstrou ser bastante auto-suficiente, sem demandar muitos meios de apoio e sem requerer uma grande quantidade de reposições. Por essa razão decidiu-se efetuar a comissão com apenas dois aviões de apoio, o KC-135 e o B-737, nos quais foram transportados aproximadamente 20.000 libras [aproximadamente 10 toneladas] de [material de] apoio logístico.

Não foi considerado o envio de motores reserva, devido a praticamente nula taxa de defeitos que obtivemos com o motor GE.

Depois do exercício, ficou comprovado que as estatísticas de comportamento dos aviões foram exatamente aquelas esperadas, sem requerer quaisquer meios extras além dos considerados inicialmente.

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ALIDE:  Para vocês como se comparam as oportunidades de treinamento existentes na CRUZEX com aquelas aprendidas nos exercícios Salitre, realizado no Chile, e Ceibo, na Argentina?

R- Em termos gerais todos estes exercícios são uma excelente oportunidade de aprender e obter experiências enriquecedoras para nossa instituição e nossas tripulações, coisa que se comprovou novamente na CRUZEX V.

ALIDE:  Este foi o primeiro exercício fora do Chile para os novos F-16C/D Bl.50?

R- Foi, sim.

ALIDE:  Como correu a viagem do Chile até Natal? Por que houve uma escala intermediaria? Aqui foi comentado que o plano original era para um vôo direto, isso está correto, ou não?

R- Os transportes, tanto de ida, como de volta foram realizados exatamente como foram planejados, o qual se realizou sem escalas e com reabastecimento em vôo.

Os aviões F-16 voaram aproximadamente 6 horas em cada viajem, efetuando dois “carguios” em vôo cada um.

O único avião que requereu escala em Brasília foi o nosso Boeing 737.

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ALIDE:  Ao chegar a Natal o que acharam da base e da cidade os pilotos e “mantenedores” chilenos?

R- O Brasil, e a cidade de Natal, em particular, são lugares de sonho, graças a beleza da paisagem e receptividade de sua gente. A respeito da Base Aérea de Natal, ela reúne todo conforto possível, sendo ideal para realizar um exercício da magnitude do CRUZEX.

ALIDE:  Que tipo de missões os planejadores dos “paquetes” de ataque foram designados aos caças chilenos no CRUZEX V? Ar-ar, ar-terra, etc.

R- Os aviões F-16 Bl.50 se dedicaram ao tipo ar-ar, em missões fundamentalmente de varredura de caça e escolta (Fighter Sweep and Escort).

ALIDE:  Quantos aviões chilenos participaram em media a cada surtida dos “Azuis”?

R- Foi considerado, desde as primeiras reuniões de coordenação de exercício que os aviões F-16 Bl.50 realizariam seis surtidas diárias, sendo normalmente 4 no COMAO [Combined Air Operations ] da manhã e 2 no COMAO da tarde.

ALIDE:  O fato dos americanos estarem no Brasil também com seus caças F-16 por um acaso permitiu aos chilenos fazer um intercambio cultural especifico?

R- A relação com o Esquadrão 120th foi excelente. Em aspectos logísticos, nos apoiamos mutuamente nos imprevistos que se apresentaram a ambos os países. E nos aspectos operacionais, graças ao conhecimento mutuo do mesmo tipo de material, nos integramos muito bem para cumprir nossa missão.

No caso do reabastecimento, logramos uma integração sinérgica na qual tanto o KC-135 deles, como o nosso efetuavam um só vôo diário, reabastecendo indistintamente os F-16 norte-americanos e chilenos.

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ALIDE:  O KC-135 da FACh foi utilizado no CRUZEX para reabastecer caças de outras nações?

R- Assim foi, com os F-16 do Esquadrão 120th dos Estados Unidos.

ALIDE:  No total quantos litros de combustível foram transferidos para os “clientes” do KC-135 durante o CRUZEX?

R- Geralmente cada KC, tanto o norte americano, como o nosso reabastecia um total aproximado de 20.000 litros a cada surtida.

ALIDE:  O KC-135 originalmente atende unicamente aos aviões com bocais para sistema Flying Boom. Na FACh vocês já tem os adaptadores para uso de outro sistema, o Hose & Drogue, como ocorre na França?

R- Sim, nós os possuímos, entretanto isto não foi utilizado na CRUZEX, já que os aviões a serem reabastecidos foram sempre os F-16.

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ALIDE:  Quantos chilenos trabalharam dentro do staff de controle do exercício CRUZEX V? Quais as principais lições neste setor?

R- Aproximadamente 15 pessoas. Esta experiência foi muito positiva, já que permitiu comprovar o bom nível de treinamento e de padronização que possui o pessoal da FACh, e por outro lado serviu para conhecer-nos melhor mutuamente a trocar todo tipo de experiências.

ALIDE:  Numa visão mais ampla, como lhe pareceu o resultado dos ataques dos caças “Vermelhos” contra os “pacotes Azuis”? Houve alguma surpresa?

R- Em geral, pode-se observar que o balanço, em quantidade, entre “Azuis” e “Vermelhos” estava muito inclinado para os “Azuis”, razão pela qual o trabalho dos “Vermelhos” foi muito difícil e porque, no final, apresentou baixos resultados.

ALIDE:  O senhor diria que a CRUZEX é um bom exercício pre-Red Flag? Já se sabe quando irão os caças chilenos novamente a Nellis para participar do Exercício Red Flag?

R- Em relação a nossa experiência prévia no caso da Red Flag, me parece que CRUZEX é sim um bom treinamento, no entanto deveria se dar uma maior ênfase à validação dos “abates” devido ao seu efeito no combate de ficção, já que no CRUZEX não houve o rigor que se dá a isso lá na Red Flag.

A respeito de uma futura participação de meios chilenos na Red Flag, não tenho conhecimento de algum acordo que da FACh com a USAF neste sentido.

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ALIDE:  Foi falado em Natal que a próxima edição do CRUZEX poderia incluir ao menos um dia de exercícios com armamento real. O senhor crê que isso seria uma evolução positiva para o treinamento?

R- Me parece uma alternativa interessante.

ALIDE:  Já foi decidido na FACh a volta para o CRUZEX VI?

R- Não tenho informação a respeito, no entanto creio que a instituição e o país estão muito interessados em desenvolver os laços de cooperação que temos mantido até agora.

ALIDE:  Outros comentários? Observações?

R- É importante destacar o esforço da FAB para organizar de uma forma muito boa o exercício CRUZEX, preocupando-se com cada detalhe. Foi muito satisfatório para o Grupo de Aviação nº3 participar do exercício e, também, operar no Brasil.

 

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Tradução: Guilherme Torres

Last Updated on Wednesday, 11 May 2011 01:09
 

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