F-100 Álvaro de Bazán – O Sentinela Ibérico dos Céus PDF Print E-mail
Monday, 09 May 2011 00:00

 



 

Um dos participantes até agora mais discretos da concorrência para fornecimento de novos navios de superfície para a Marinha do Brasil (ProSuper) tem sido a espanhola Navantia com sua fragata AEGIS da classe Álvaro de Bazán. Para conhecer este modelo em detalhes ALIDE foi até a Espanha, onde embarcamos no exercício Noble Mariner da OTAN para ver este moderno sentinela ibérico em operação e para aprender como pensa e age sua marinha nos dias de hoje.

Álvaro de Bazán navegando durante o Noble Mariner 2011
Álvaro de Bazán navegando durante o Noble Mariner 2011Álvaro de Bazán navegando durante o Noble Mariner 2011
Álvaro de Bazán navegando durante o Noble Mariner 2011
Álvaro de Bazán navegando durante o Noble Mariner 2011Álvaro de Bazán navegando durante o Noble Mariner 2011
Álvaro de Bazán vista do Convôo do NDD Castilla
Álvaro de Bazán vista do Convôo do NDD CastillaÁlvaro de Bazán vista do Convôo do NDD Castilla
Álvaro de Bazán navegando no Mediterrâneo
Álvaro de Bazán navegando no MediterrâneoÁlvaro de Bazán navegando no Mediterrâneo
INS Etna seguido pelo Álvaro de Bazán
INS Etna seguido pelo Álvaro de BazánINS Etna seguido pelo Álvaro de Bazán

Álvaro de Bazán navegando durante o Noble Mariner 2011
Álvaro de Bazán navegando durante o Noble Mariner 2011Álvaro de Bazán navegando durante o Noble Mariner 2011
Álvaro de Bazán navegando no Mediterrâneo
Álvaro de Bazán navegando no MediterrâneoÁlvaro de Bazán navegando no Mediterrâneo
Álvaro de Bazán navegando no Mediterrâneo
Álvaro de Bazán navegando no MediterrâneoÁlvaro de Bazán navegando no Mediterrâneo
Álvaro de Bazán no Porto de Cartagena
Álvaro de Bazán no Porto de CartagenaÁlvaro de Bazán no Porto de Cartagena
Vista da popa
Vista da popaVista da popa

A origem da classe Álvaro de Bazán

A fragata Álvaro de Bazan (F-101) foi o primeiro navio da classe Álvaro de Bazán (F-100), classe que vem sendo desenvolvida desde o início da década atual com o intuito de modernizar a Armada Espanhola, adequando-a às novas demandas da guerra no século XXI, cumprindo todas as tradicionais funções de uma fragata em um teatro de operações naval.

A pioneira Álvaro de Bazán (F-101) foi construída na cidade espanhola de Ferrol, no norte da Espanha, pelo então estaleiro IZAR, posteriormente rebatizado como Navantia. Tendo em vista que seu comissionamento se deu no dia 19 de Setembro de 2002, ela nem completou, ainda, seu nono ano em serviço. Para quaisquer padrões de navios de guerra ela pode ser considerada uma fragata nova.

As linhas laterais de inspitação claramente stealth
As linhas laterais de inspitação claramente stealthAs linhas laterais de inspitação claramente stealth
Quadro de tripulantes a bordo
Quadro de tripulantes a bordoQuadro de tripulantes a bordo
O perfil característico das antenas SPY-1D
O perfil característico das antenas SPY-1DO perfil característico das antenas SPY-1D
Alvaro de Bazán em Cartagena antes da NM11
Alvaro de Bazán em Cartagena antes da NM11Alvaro de Bazán em Cartagena antes da NM11
Alvaro de Bazán em Cartagena antes da NM11
Alvaro de Bazán em Cartagena antes da NM11Alvaro de Bazán em Cartagena antes da NM11

O perfil característico das antenas SPY-1D
O perfil característico das antenas SPY-1DO perfil característico das antenas SPY-1D
Vista da popa e convôo
Vista da popa e convôoVista da popa e convôo
Vista da popa e convôo
Vista da popa e convôoVista da popa e convôo
Três paus de carga para trasferência de carga no mar
Três paus de carga para trasferência de carga no marTrês paus de carga para trasferência de carga no mar
O canhão Mk45 Mod. 2 de 127/54 mm (5pol) da proa
O canhão  Mk45 Mod. 2 de 127/54 mm (5pol) da proaO canhão  Mk45 Mod. 2 de 127/54 mm (5pol) da proa

Esta classe desloca até 5.800 toneladas, tem um comprimento de 146,7 metros, uma boca de 18,6 metros e um calado de 7,25 metros.  A Álvaro de Bazán foi construída utilizando a mais moderna técnica da indústria de construção naval, a construção em módulos estruturais, ou blocos, de onde vem o termo original em inglês “block building technique”. Técnica esta utilizada agora em praticamente todas as embarcações construídas pela Navantia. Outro traço notável desta classe é o seu desenho “stealth”. Não há mais passagens externas ligando a proa à popa, existem apenas “corredores” passando por dentro superestrutura exterior da belonave. A não existência desses corredores dá ao exterior do navio um aspecto mais uniforme, menos anguloso, o que diminui as superfícies que geram ecos das ondas eletromagnéticas dos radares inimigos. Como conseqüência, o navio gera um retorno eletrônico muito menor que o esperado para um navio de sua classe e tamanho, aparecendo nos radares como uma embarcação substancialmente menor, uma corveta ou mesmo um navio patrulha de grande porte.

Canhão Mk45
Canhão Mk45Canhão Mk45
Vista lateral com dois lançadores Harpoon e lancha
Vista lateral com dois lançadores Harpoon e lanchaVista lateral com dois lançadores Harpoon e lancha
Vista lateral com dois lançadores Harpoon e lancha
Vista lateral com dois lançadores Harpoon e lanchaVista lateral com dois lançadores Harpoon e lancha
Lancha para MIO
Lancha para MIOLancha para MIO
Nome do navio na lateral da superestrutura
Nome do navio na lateral da superestruturaNome do navio na lateral da superestrutura

Tijupá
TijupáTijupá
Convoo e hangar vistos da popa
Convoo e hangar vistos da popaConvoo e hangar vistos da popa
Convoo
ConvooConvoo
A bandeira espanhola
A bandeira espanholaA bandeira espanhola
Painel de identificação dos comandantes da Armada Española
Painel de identificação dos comandantes da Armada EspañolaPainel de identificação dos comandantes da Armada Española

A classe Álvaro de Bazán (F-100) substituiu a Classe Baleares (F-70) na Armada Espanhola. A primeira fragata desta classe anterior, a Baleares (F-71), foi comissionada em 24 de Setembro de 1973, a última ser descomissionada foi a Astúrias (F-74), em 30 de Junho de 2009. Esta classe é na verdade uma modificação das fragatas da Classe Knox, fabricadas nos Estados Unidos entres as décadas de 60 e 70. Embora as F-100 tenham literalmente ocupado o lugar das F-70 (havia cinco F-70, todas foram aposentadas, e cinco F-100 foram construídas), o comandante e a tripulação da Álvaro de Bazán foram bastante enfáticos ao dizer que era incorreto afirmar que as Baleares foram “substituídas” pelas Álvaro de Bazán, posto que estas são muito mais alinhadas com estado da arte da tecnologia militar de hoje do que as Baleares jamais foram no seu tempo. Não somente isso, mas também as F-100 representam o conceito de “defesa aérea integrada”, algo completamente novo na Marinha da Espanha. Em relação às F-70, as F-100 sofreram grande incremento de poder de fogo, graças, principalmente ao sistema lançador vertical (VLS) Mk-41 e seus mísseis de longo alcance Standard. As F-100 adquiriram capacidade de servir como um importante centro de Comando e Controle; segundo o comandante da fragata, ela poderia facilmente substituir o NDD Castilla como nau capitânia do Noble Mariner 2011. Não obstante, a capacidade de detecção, monitoramento e vigilância ser muito superior a de qualquer navio anterior da Armada, não somente a das F-70. Graças ao AEGIS, pode-se “realmente saber o que está se passando no ar”, para citar o Comandante. Um aspecto em que não houve grandes mudanças das Baleares para sua antecessora é na capacidade de guerra antisubmarino. As Baleares não possuíam a eletrônica mais adequada para esta tarefa, e isso pouco mudou na transição para as F-100.

Bandeira da Armada Española
Bandeira da Armada EspañolaBandeira da Armada Española
Proa vista do passasiço
Proa vista do passasiçoProa vista do passasiço
Proa e superestrutura do navio
Proa e superestrutura do navioProa e superestrutura do navio
Canhão Mk45 visto da proa
Canhão Mk45 visto da proaCanhão Mk45 visto da proa
Proa
ProaProa

Lançador vertical Mk41 (VLS)
Lançador vertical Mk41 (VLS)Lançador vertical Mk41 (VLS)
Lançador vertical Mk41 (VLS)
Lançador vertical Mk41 (VLS)Lançador vertical Mk41 (VLS)
Lançador vertical Mk41 (VLS)
Lançador vertical Mk41 (VLS)Lançador vertical Mk41 (VLS)
Antena auxiliar do AEGIS
Antena auxiliar do AEGISAntena auxiliar do AEGIS
Mastro
MastroMastro

Como é comum nas formulações doutrinárias das marinhas hoje, e que a própria OTAN reforçou nos releases do exercício NM2011, há uma demanda crescente para que as forças armadas se engajem em missões de manutenção da paz (peace keeping) e de imposição da paz (peace building)  sob mandatos da ONU, bem como em participar de operações de resgate de civis. Inclusive, o adestramento para esses novos tipos de missões foi uma das diretrizes principais da OTAN para o NM2011. A Álvaro de Bazán não transporta grandes equipes médicas e nem tem aparato para a realização de procedimentos cirúrgicos mais complexos. Ela também não está dimensionada para o transporte de grandes quantidades de civis ameaçados e/ou refugiados. Todavia isso não quer dizer que ela não tenha uma função naquelas missões. Como bem ressalta seu comandante, uma operação de paz da ONU ocorre em zonas de conflito, locais em que há grande instabilidade e onde existe risco constante de agressão. Para que aqueles que prestam assistência possam fazê-lo adequadamente, suas próprias vidas devem estar garantidas, e é aí onde entra a F-101. Nas palavras de seu comandante, ela representa uma “força crível”, garantindo a segurança daqueles envolvidos na operação contra ameaças que venham pelo ar ou pelo mar. Por sinal, essas funções estão diretamente relacionadas às finalidades do próprio navio dentro da Armada, nomeadamente: (1) contribuir para a defesa nacional e dissuasão e; (2) apoiar grupos de projeção de poder, segundo seu próprio comandante.

Radar de tracking Raytheon SPG-62 Mk99
Radar de tracking Raytheon SPG-62 Mk99Radar de tracking Raytheon SPG-62 Mk99
Radar de tracking Raytheon SPG-62 Mk99
Radar de tracking Raytheon SPG-62 Mk99Radar de tracking Raytheon SPG-62 Mk99
Lateral da superestrutura
Lateral da superestruturaLateral da superestrutura
Antena do radar SPY-1D
Antena do radar SPY-1DAntena do radar SPY-1D
Vista do mastro da F-101
Vista do mastro da F-101Vista do mastro da F-101

Escada de acesso externo ao tijupá
Escada de acesso externo ao tijupáEscada de acesso externo ao tijupá
Altofalantes
AltofalantesAltofalantes
Antena de comunicação no tijupá
Antena de comunicação no tijupáAntena de comunicação no tijupá
Antena de comunicação no tijupá
Antena de comunicação no tijupáAntena de comunicação no tijupá
Radar de tracking Raytheon SPG-62 Mk99
Radar de tracking Raytheon SPG-62 Mk99Radar de tracking Raytheon SPG-62 Mk99

No ano de 2007, a Álvaro de Bazán deu uma volta ao mundo. Na sala de controle dos sistemas de abastecimento existe um armário onde estão gravados todos os portos visitados pela fragata. Durante essa viagem, a F-101 visitou Pearl Harbor no Havaí e Sidney na Autrália, tendo sida esta a primeira circunavegação global de um navio espanhol em quase 150 anos. Além disso, entre os anos de 2003 e 2010, a Álvaro de Bazán participou de várias qualificações de combate no mar (sea combat qualification) e integrou em diversas oportunidades as forças marítimas permanentes da OTAN (NATO Standing Maritime Forces). Este é, sem sombra de dúvida, um navio impressionante.

O Sistema AEGIS: o escudo impenetrável:

Inegavelmente, este sistema é a “estrela do show” das F-100, seu grande diferencial competitivo e o responsável pela sua merecida fama. O sistema AEGIS (palavra grega para “escudo” ou “proteção”) é um sistema americano de armas construído ao redor do radar AN/SPY-1D, do sistema de controle de fogo MK99, um sistema de controle de armas (weapon control system – WCS), uma célula de comando e os sistemas do Standard Missile – 2 (SM-2). Esses sistemas funcionam integrados entre si e aos outros sistemas do navio. Por meio deles é que são controlados o canhão do navio, os mísseis Harpoon e os mísseis de lançamento vertical, cujo tipo e finalidade podem variar de acordo com a missão.

Vista do mastro da F-101
Vista do mastro da F-101Vista do mastro da F-101
Dois casulos do missil Harpoon de bombordo
Dois casulos do missil Harpoon de bombordoDois casulos do missil Harpoon de bombordo
Dois casulos do missil Harpoon de boreste
Dois casulos do missil Harpoon de boresteDois casulos do missil Harpoon de boreste
Segmento trazeiro da superestrutura e chaminés
Segmento trazeiro da superestrutura e chaminésSegmento trazeiro da superestrutura e chaminés
Bote RHIB plocalizado ao lado da chaminé
Bote RHIB plocalizado ao lado da chaminéBote RHIB plocalizado ao lado da chaminé

Sensores no mastro
Sensores no mastroSensores no mastro
Escada interna de acesso ao tijupá
Escada interna de acesso ao tijupáEscada interna de acesso ao tijupá
Escada interna de acesso ao tijupá
Escada interna de acesso ao tijupáEscada interna de acesso ao tijupá
Escada interna de acesso ao tijupá
Escada interna de acesso ao tijupáEscada interna de acesso ao tijupá
Saída da escada para o tijupá
Saída da escada para o tijupáSaída da escada para o tijupá

O sistema AEGIS foi desenvolvido para defender todo um Grupo Tarefa naval de Navios Aeródromos e não apenas o navio que o carrega. As quatro antenas fixas respondem ao mais grave problema dos radares de antenas rotatívas, o de ficar cego para todas as direções menos para aquela a qual ela apontava, pelo tempo de uma rotação. Isso é mortal na era dos mísseis antinavio supersônicos, como os que os soviéticos estavam a desenvolver nos anos 1960 e 1970. Para contornar esse problema, a extinta corporação RCA desenvolveu um sistema de antenas de radares fixos com feixes guiados eletronicamente, o que permitia emitir suas ondas constantemente e simultaneamente em um raio de 360 graus ao redor do navio. O radar SPY-1A, o coração do AEGIS, foi instalado inicialmente nos grandes cruzadores americanos da classe Ticonderoga. Em seguida, a versão mais moderna SPY-1D debutou na classe de destróieres americanos Arleigh Burke. Para exportação, o sistema “D” foi vendido também aos japoneses para uso nos seus destróieres da classe Kongo e Atago e para os sulcoreanos para emprego no destróier KDX-III, além, naturalmente, da classe Álvaro de Bazán. A sua variante mais recente é a compacta e mais leve “SPY-1F” (para uso em “fragatas”) que a própria Navantia instalou nos destróieres da classe Fridjof Nansen destinados à Noruega.

AlvaroDeBazan061
AlvaroDeBazan061AlvaroDeBazan061
Fundo do bastidor do sistema de guerra eletrônica
Fundo do bastidor do sistema de guerra eletrônicaFundo do bastidor do sistema de guerra eletrônica
Antena de comunicação
Antena de comunicaçãoAntena de comunicação
Antena de comunicação
Antena de comunicaçãoAntena de comunicação
Detalhe da antena de comunicação
Detalhe da antena de comunicaçãoDetalhe da antena de comunicação

Chaminés vistas de cima
Chaminés vistas de cimaChaminés vistas de cima
Bote RHIB de bombordo
Bote RHIB de bombordoBote RHIB de bombordo
Chaminés vistas de cima
Chaminés vistas de cimaChaminés vistas de cima
AlvaroDeBazan069
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Vista da proa
Vista da proaVista da proa

Atualmente, o sistema AEGIS é um produto da empresa Lockheed Martin fabricado já com todos os subsistemas subjacentes. Segundo ela, o AEGIS é capaz de localizar até 100 alvos simultaneamente e, se o navio dispuser dos meios, disparar contra todos eles ao mesmo tempo. No caso da Álvaro de Bazán isso é impossível dado que ela possui “somente” um canhão, um máximo de oito mísseis Harpoon e 48 mísseis antiaéreos no seu VLS. Ainda assim, o disparo simultâneo de todas essas armas – algo nunca tentado – seria algo realmente impressionante.

Contudo, mais importante do que as palavras do fabricante, é o que diz o usuário do sistema sobre seu funcionamento. Nesse sentido, não há reclamações a serem feitas. Toda a tripulação da Álvaro de Bazán é extraordinariamente enfática quando elogia o funcionamento do AEGIS. Segundo seu comandante, o sistema é “cem por cento confiável, não apresentando praticamente nenhuma falha. É uma arma tremendamente capaz”; suas capacidades de detecção, isto é, o alcance de seu poder de localização é fenomenal, da ordem de cem milhas náuticas, a absurda distância de quase cento e noventa quilômetros. Além disso, o sistema é altamente resistente a todas as formas de interferência mais recentes da guerra eletrônica, sendo capaz não só de se defender, mas também de revidar ou iniciar um ataque 100% eletrônico, graças a outros subsistemas de guerra eletrônica dele, o Aldebarán e o Regulus. E há também a mencionada capacidade de dar combate simultâneo a vários oponentes. Fabricantes franceses alegaram que as quatro antenas separadas do radar gerariam pontos cegos, e por isso o sistema não seria perfeitamente “blindado”. Essas alegações são desmentidas pelo comandante da Álvaro de Bazán, segundo o qual os raios emitidos pelas diversas antenas do SPY-1 se sobrepõem, não havendo pontos sem guarda dentro do guardachuva do radar do navio.

Mastro
MastroMastro
Harpoons e RHIB de bombordo
Harpoons e RHIB de bombordoHarpoons e RHIB de bombordo
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Marreta para destruir componentes secretos do navio
Marreta para destruir componentes secretos do navioMarreta para destruir componentes secretos do navio
Superestrutura à ré.
Superestrutura à ré.Superestrutura à ré.
Lançador de míssil Harpoon
Lançador de míssil HarpoonLançador de míssil Harpoon
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Um ponto problemático dentro da lógica da independência tecnológica buscada pela Marinha do Brasil, mas que parece não incomodar muito aos espanhóis, é a questão do reparo de certas peças mais sofisticadas. Embora muitos técnicos espanhóis tenham viajado aos EUA para receber treinamento e estejam aptos a fazerem reparos de várias ordens, alguns componentes críticos, os mais valiosos, só podem ser consertados nos EUA. Eles devem, portanto, ser enviados para lá a fim de que sofram os devidos reparos. Para toda peça em reparo, porém, é oferecida à Armada uma substituta, de modo que os navios nunca perdem capacidade operacional, não por falta de componentes do AEGIS, pelo menos. Uma curiosidade sobre o sistema; ele é tão valioso do ponto de vista tecnológico que há marretas espalhadas por todo o COC para que, caso o navio seja comprometido de qualquer maneira, esses preciosos componentes sejam destruídos pelos próprios tripulantes.

O sistema AEGIS é uma arma poderosíssima na guerra antiaérea, realmente garantindo àqueles que o possuem, senão o domínio, ao menos uma total consciência de tudo que se passa no ar. ALIDE viu de perto que as afirmações sobre o poder do sistema não são levianas. Durante o Noble Mariner, a Álvaro de Bazán foi a segunda a fazer seus disparos no exercício de ameaça antiaérea, acertando o alvo logo em seu primeiro tiro. Foi-nos contado - e por um oficial português, e não um espanhol - que esse não é um fato inédito, a F-101 faz valer aquilo que se fala sobre ela e verdadeiramente age como sentinela dos céus.

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Antenas de comunicação por satélite
Antenas de comunicação por satéliteAntenas de comunicação por satélite
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Horizonte artificial para pouso no convoo
Horizonte artificial para pouso no convooHorizonte artificial para pouso no convoo

Numeral F101 pintado sobre o hangar
Numeral F101 pintado sobre o hangarNumeral F101 pintado sobre o hangar
As duas antenas SPY-1D apontadas para ré
As duas antenas SPY-1D apontadas para réAs duas antenas SPY-1D apontadas para ré
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AlvaroDeBazan088AlvaroDeBazan088
Ponto de reavastecimento na fragata é marcado pelo quadrado colorido
Ponto de reavastecimento na fragata é marcado pelo quadrado coloridoPonto de reavastecimento na fragata é marcado pelo quadrado colorido
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AlvaroDeBazan090AlvaroDeBazan090

Os demais sensores e armamento da Álvaro de Bazán

Além do um radar multifunção Lockheed Martin SPY-1D do AEGIS, a Álvaro de Bazán apresenta um radar de superfície Raytheon AN/SPS-67 e um radar de navegação AN/SPS-73. Ela possui ainda um sonar Raytheon DE-1160 LF e utiliza os sistemas de origem espanhola Aldebarán e Regulus para guerra eletrônica. Seus mísseis antiaéreos são os americanos Raytheon Standard SM-2 do modelo Block C III A. Para defesa de mais curto alcance o navio se apóia nos mísseis RIM-162 Evolved Sea Sparrow Missile também lançados pelo VLS.

Os mísseis antinavio são Boeing Harpoon e nos helicópteros SeaHawk embarcados, existe o Penguin. Para guerra antisubmarina, a fragata conta com dois tubos gêmeos MK-32, capazes de lançar os torpedos leves Mk-46, Mk-50 e Mk-54. Seus canhões são um Mk-45 de 5’’ (que dispara munição de 127 mm) na proa e dois canhões auxiliares de 20 mm.

Sua propulsão é feita por dois motores a diesel Bazán “Bravo” e duas turbinas a gás LM 2500. Funcionando apenas com os motores, o navio atinge velocidades da casa dos 16, por vezes 17 nós. Sua velocidade máxima “oficial” é de 28,5 nós, quando movida pelas turbinas. Todavia, o Comandante do navio contou à ALIDE que a fragata obtém um desempenho consideravelmente superior a isso, chegando até aos 30 nós quando operando na sua capacidade máxima. Sua autonomia é de 4.500 milhas náuticas, navegando à velocidade econômica de 18 nós. Sua tripulação normal é composta de 201 militares, entre praças e oficiais. Esse número, porém, não é rígido, segundo o comandante, com 180 tripulantes ainda é possível operar corretamente a embarcação. Do mesmo modo que pode ser reduzido, este número pode também ser aumentado, alcançando um total de até 236 tripulantes. O pessoal “adicional” é composto pelo Destacamento Aéreo Embarcado (DAE), que oscila entre 17 e 19 membros, fuzileiros navais para segurança e operações de abordagem, e até cinco oficiais em treinamento, os quais, para além da Viagem de Ouro e do ASPIRANTEX, também participam de exercícios internacionais, como o Noble Mariner 2011.

Vista do interior do passadiço
Vista do interior do passadiçoVista do interior do passadiço
Repetidor do radar no passadiço
Repetidor do radar no passadiçoRepetidor do radar no passadiço
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No que concerne a meios orgânicos, além de duas lanchas, a Álvaro de Bazán ainda tem um hangar e um convôo para operações com helicópteros. Ele pode comportar um Sikorsky SH-3 Sea King, um Sikorsky SH-60 SeaHawk, um Bell 212 ou um Hughes MD 500, embora somente o SeaHawk seja empregado em operações mais longas. Os demais são usados somente para saídas curtas ou para desempenhar alguma função específica, como treinamento. O Sikorsky SeaHawk é o helicóptero “padrão” para operação na F-101.

Para a movimentação do helicóptero após o pouso no convôo até o hangar, é usado o sistema RAST (Recovery Assist, Secure and Traverse System). Ele funciona com um cabo guia fixo no helicóptero; quando dos pousos, o piloto baixa um cabo guia que é manualmente conectado a um RSD (Rapid Securing Device), que fica posicionado no centro do convôo. O RSD traciona o helicóptero ainda em vôo, gerando uma força que o puxa em direção ao navio e garante sua estabilidade mesmo quando o navio se desloca em altas velocidades ou navega em mares agitados. Uma vez aterrissado, ele é transladado até o hangar por trilhos localizados dentro de sulcos na superfície do convôo.

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O incontornável conflito entre a tecnologia nacional e estrangeira

Independente de que partido esteja no poder em Madrid, atualmente dentro da OTAN e até mesmo em outros fóruns multilaterais importantes, a Espanha é um dos parceiros mais próximos dos Estados Unidos na Europa. Na área de construção naval a parceria franco-espanhola para a fabricação de submarinos convencionais Scorpène ruiu pela decisão espanhola de colocar sistemas de combate embarcados e armas americanas no lugar de franceses na sua nova classe de submarinos S-80.

O pensamento da Armada Española contraria de maneira frontal a atual tendência “nacionalizante” brasileira, aquela que não reage bem a soluções do tipo “caixa preta”. Assim é notável verificar a considerável presença estrangeira, em especial americana, dentre os componentes e sistemas críticos desta classe de fragatas; como o Sistema AEGIS, do qual tratamos separadamente acima. Além dele, o sistema de lançamento vertical (VLS – Vertical Launching System) de mísseis, o Sistema de Controle de Disparo de Mísseis, os helicópteros de bordo e todos os mostradores de grande porte são de fabricação americana.

Os componentes espanhóis de maior tecnologia agregada são o Sistema de Comando e Decisão (CDS- Command and Decision System), o Sistema IFF (Identification, Friend and Foe), o sonar e os mostradores táticos. Além disso, toda a parte de integração de sistemas foi feita pelos espanhóis. Qualquer sistema de desenvolvimento usando equipamento de diferentes origens é potencialmente uma fonte de problemas de compatibilidade, mas isso não pareceu assustar os espanhóis.

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Durante muitos anos, os navios dos países OTAN foram construídos seguindo o United States Military Standart, ou Mil-Spec (Military Specification), que delimitava padrões de formato, dimensões, formas de instalação, parâmetros de funcionamento etc. Situação esta já bastante diferente da que se verifica na Álvaro de Bazán, que conta com produtos feitos nos parâmetros Mil-Spec; os de origem americana, como era de se esperar, mas todo o resto é feito de acordo com um sistema de especificações militares próprio dos espanhóis. É importante dizer que, apesar disso, os modelos de padronização dos países OTAN foram formulados (ou reformulados) para que, ainda que diferentes, fossem ao menos compatíveis.

Dentro das funções possíveis para uma fragata em um Task Group (TG), a Álvaro de Bazán, a despeito de se apresentar como uma fragata multifunção, é claramente destinada para combater ameaças no ar. Tanto pelo uso do sistema AEGIS quanto pelo grande número de mísseis antiaéreos, é claramente um navio para este tipo de guerra. Mas ela não se restringe apenas a transportar um radar moderno. Segundo seu Comandante, a Álvaro de Bazán agrega um conceito totalmente novo à guerra antiaérea, que é a integração máxima de sistemas de defesa. Por meio de um eficaz sistema de comunicação combinado de rádio e intralink, busca-se tornar as leituras de todos os radares das embarcações de um TG acessíveis a todos os outros membros do grupo, fazendo com que “os olhos de cada um sirvam a todos os outros”, e a Álvaro de Bazán tem todo o aparato de C&C necessário para a consecução dessa tarefa. O comandante da F-101 relatou à ALIDE o bom funcionamento desse sistema de integração em 2006, no Golfo Pérsico, quando a Álvaro de Bazán integrou seu sistema de defesa aérea ao do NAe  de propulsão nuclear americano USS Theodore Roosevelt com pleno êxito. Ele garante que o navio é capaz de fazê-lo, não só com outros navios da Armada Espanhola, mas também com qualquer navio da OTAN.

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Por dentro da Álvaro de Bazán

Por dentro, a Álvaro de Bazán é igualmente notável. Há uma grande quantidade de aparatos e apetrechos para combate a avarias dispostos pelos corredores. Por toda a fragata há placas de metal e peças de madeira usadas na contenção de rupturas no casco, bem como grandes bombas, que, drenam a água que esteja inundando o navio e a devolvem ao mar. Em vários pontos estratégicos estão espalhadas máquinas que geram espuma anti-incêndio visando ao tipo mais provável de sinistro que pode ocorrer num navio; há aquelas que geram espuma para combate a fogo em combustível e outras que combatem incêndios em eletrônicos, de acordo com a disposição do maquinário de cada convés. Nem sempre há um médico a bordo, embora sempre exista, como é praxe, uma equipe de socorristas e outra, menor, de enfermeiros. Quando a equipe médica está completa, a enfermaria tem condições de realizar procedimentos de relativa complexidade, em sua maior parte, porém, destinados a impedir o óbito de um ferido, a fim de que ele possa ser deslocado para instalações com condições adequadas para seu tratamento.

Conforto para missões de longa duração

O bem estar da tripulação foi claramente um fator levado em conta quando do projeto do navio. A Praça d’Armas e os ranchos do navio são modernos e bastante confortáveis, sempre equipados com grandes televisões de tela plana. A comida de bordo foi bastante elogiada pelos tripulantes, e segundo contaram à ALIDE, o cardápio atende mesmo aos tripulantes que sofram de alergias, hipertensão, diabetes e quaisquer outras condições que lhes restrinjam a alimentação.

Os camarotes, mesmo de oficias, não são muito grandes, embora tenham um tamanho razoável. As camas, por outro lado, são excelentes. É importante ressaltar que muitos alojamentos perderam parte de seu espaço “livre” porque passaram a dispor de um banheiro próprio, com privada, pia e chuveiro. Por isso, essa “perda de espaço” acaba se convertendo em fonte adicional de conforto. Vale mencionar ainda que os alojamentos comportam, via de regra, dois ou três tripulantes, raramente mais, mantendo um padrão de conforto bastante elevado para um navio de guerra. Existe a bordo uma sala de internet, com três computadores desktop munidos de webcams e que possui entradas para outros quatro notebooks de propriedade da tripulação. Ali a guarnição tem acesso à internet via satélite a uma boa velocidade, além dos livros e periódicos que podem ser emprestados. A academia de ginástica de bordo, embora pequena, é também bem equipada.

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Mid life updates e as perspectivas adiante

A vida operacional dos navios da classe Álvaro de Bazán está estimada em vinte anos, podendo, no entanto, chegar aos 25 anos. Como ocorreu com as Baleares, é provável que as F-100 comecem a sofrer algumas modernizações quando forem paradas para manutenção regular, embora pouco se fale sobre o assunto, dado que a F-105, provavelmente a última fragata da classe, embora já esteja concluída, ainda não foi comissionada. Já há, apesar disso, um plano de modernização bastante pontual. Pretende-se, nos próximos anos, incrementar as comunicações por satélite das fragatas, potencializando ainda mais sua já grande capacidade de integração de sistemas de defesa aérea.

Recentemente, o projeto básico da fragata F-100 mostrou seu valor ao servir de base para o novo destróier antiaéreo australiano da classe Hobart. O governo australiano anunciou publicamente em junho de 2007 que três navios destes seriam contratados à Navantia, com o primeiro estando previsto para entrega à Marinha Real Australiana em 2014. Agora é a vez da Navantia tentar sua sorte no Brasil, resta apenas saber se aos olhos dos nossos Almirantes o inegável brilho operacional do sistema AEGIS conseguirá luzir através do “veludo” da sua caixa preta...

A Marinha Espanhola no século XXI:

Não existe navio sem marinheiro e todo marinheiro é fruto da cultura de sua marinha. Assim, aproveitamos esta visita à Álvaro de Bazán para conversar com a tripulação do navio de forma a entender onde a Armada Española se encontra hoje e para onde os seus ventos a levarão daqui para a frente.

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A Armada Española é herdeira de uma enorme tradição de navegação dos mares. Ela disputou com Portugal a vanguarda nas Grandes Navegações dos séculos XV e XVI e tem entre os seus navegadores algumas das maiores figuras da história.

Essa ligação entre o povo espanhol e sua marinha é óbvia. ALIDE teve a oportunidade de estar em Cartagena, no sul da Espanha, em um dia em que os navios NDD Castilla e o NAe Príncipe de Astúrias foram abertos à visitação pública. Como mostram as fotos, grandes filas de populares se formaram para entrar nos navios com outra fila, ainda maior, surgindo fora do cais, somente para poder entrar nessas outras duas filas. Foi conversando com as pessoas aguardando nas filas que ALIDE entendeu como, para além da curiosidade, a população imagina o sul da Espanha (a questão regional era muito forte nos discursos) como uma terra de marinheiros, uma terra em que há uma “cultura naval”, o que por sua vez gera fascínio e mostra como o “mar” é uma entidade forte nas mentes das pessoas.

O ingresso na Armada Española:

As formas de ingresso na marinha espanhola são três. Pode-se entrar como marinheiro através de alistamento (não há mais serviço militar obrigatório), através de concurso para a escola de sargentos, ou por concurso, também, para a Academia Naval.

O cidadão alistado assina um contrato e serve à marinha durante dois anos, se seu desempenho for bem avaliado, ele pode renovar seu contrato por mais dois anos. Sua outra opção é, findo seu contrato inicial, fazer uma prova e ser incorporado definitivamente aos quadros da marinha. As demais carreiras são bastante semelhantes às suas equivalentes na MB. A Escola de Sargentos aceita tanto civis quanto marinheiros em seus concursos de admissão e oferece cursos especializados aos moldes dos que são oferecidos aqui (comunicações, eletrônica, marinharia etc.).

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A Academia Naval oferece um curso de engenharia mecânica como base comum e especializações posteriores, à escolha do aluno. A posteriori ele pode fazer os cursos de formação como piloto e mergulhador dentre outros. A marinha espanhola não enfrenta um importante problema da evasão de oficiais para o setor privado ou outras áreas do funcionalismo público. Um ponto interessante da marinha espanhola, e na qual se diferencia bastante da MB, é quanto aos “quadros técnicos”. Na MB, médicos, cirurgiões dentistas, nutricionistas, advogados, pedagogos, contadores e bibliotecários (dentre outros) integram quadros próprios de funcionários, às vezes permanentemente (RM1), às vezes temporariamente (RM2), mas recebem patentes de oficiais enquanto servem. Na Armada Española todos esses “quadros complementares”, isto é, de sargentos e oficiais que não vieram das escolas da marinha, são compostos de funcionários do Ministério da Defesa, concursados por ele e alocados de acordo com as necessidades de cada uma das três forças. Por isso é possível encontrar um médico que serviu tanto a bordo de um navio, quanto em um hospital de campanha do Exército.

A participação de mulheres também é bastante diferenciada. Elas podem freqüentar a Academia Naval, se tornar mergulhadoras, submarinistas, fuzileiras e candidatar-se aos cursos de forças especiais. Elas têm absolutamente as mesmas prerrogativas que os homens dentro da forças, seus direitos são 100% iguais e elas já somam, segundo o Comandante da Álvaro de Bazán, entre doze e treze por cento do pessoal total da Armada, com uma presença proporcionalmente mais alta entre os oficiais do que entre praças e sargentos.

Durante o exercício Noble Mariner 2011 ALIDE acompanhou um exercício de abordagem e revista de navio suspeito feito por fuzileiros espanhóis, dentre os quais se encontrava uma mulher, as fotos dessa abordagem breve estarão no artigo da ALIDE sobre o NM2011. Naturalmente a equanimidade total entre homens e mulheres gera a necessidade de algumas adaptações, especialmente porque cresce o número de casais dentro da força. A política da Armada é não se envolver em assuntos pessoais, nem encorajando nem desestimulando de qualquer maneira a união/relacionamento entre dois militares, a única prática mais institucionalizada com relação aos casais é evitar pôr um sob o comando direto do outro, de modo a não trazer para dentro da estrutura da Armada situações de conflito nascidas fora dela. Em relação a políticas de apoio, a marinha espanhola oferece serviços de creche para os filhos dos casais e evita alocá-los em navios ou portos, pelo menos nos primeiros anos de vida das crianças, para que elas passem mais tempo com os pais.

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A Armada vive, no entanto, uma situação paradoxal. A Crise de 2008 afetou fortemente a Espanha, com as taxas de desemprego orbitando a casa dos vinte por cento. Os salários de todos os funcionários públicos (não só dos militares) foram reduzidos entre cinco de dez por cento. A atividade da marinha no mar também foi seriamente reduzida. Por outro lado, os gastos com pesquisa e desenvolvimento não sofreram grandes cortes. Estão em fase de aquisição e/ou construção: mais um LHD, a quinta fragata F-100, um submarino S-80 e novos Navios de Patrulha Oceânicos (OPVs). Ao passo em que sofre de restrições orçamentárias, a marinha tem alguns dos mais modernos navios do mundo, fato este que revitaliza o orgulho e a autoestima dos integrantes da força.

Um ponto que diferencia seriamente a Espanha do Brasil no que concerne à sua Marinha é a consciência da população. O mar é extremamente importante para o comércio mundial e, naturalmente, o é para a Espanha também. Por isso a segurança do mar é algo levado muito a sério. Não obstante, a Espanha fica numa península. Suas fronteiras terrestres são com Portugal, Andorra e França, de modo que todas as ameaças consideradas só podem atingir a Espanha via o mar. Embora ela tenha outras preocupações mais imediatas, a população espanhola, se não entende a fundo essas questões, pelo menos tem consciência delas, por isso reconhece o papel estratégico da marinha e a valoriza. Ainda, nas palavras do Comandante da F-101: “o mar é um fator geográfico global, o que acontece no mar, afeta o mundo como um todo”. Essa é a formulação teórico-estratégica que orienta a marinha espanhola e da qual a população tem ao menos uma pálida noção, como ALIDE confirmou em conversa com as pessoas em visita ao Castilla e ao Príncipe de Astúrias.

A Marinha e a OTAN:

As marinhas européias, com notável exceção da França, são muito preocupadas com integração tático-operacional, a já famigerada “interoperabilidade”. Não à toa acontecem tanto exercícios militares conjuntos. Há uma lógica inquestionável que orienta a integração da Armada Española com a OTAN e suas marinhas-membro.

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Como define o Comandante da F-101, a Espanha está em uma situação muito próxima da dos demais países da OTAN. Eles partilham interesses e preocupações. A defesa do continente, a manutenção da segurança das rotas de comércio do Mediterrâneo, da costa da África e do Índico, a contenção dos fluxos migratórios ilegais pelo mar entre uma série de outras são preocupações comuns a todos os países OTAN. Isso tudo, para além da manutenção da paz e da estabilidade. Por esses motivos, há demanda contínua por integração entre a marinha espanhola e a OTAN.

O Secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, em entrevista dada no início do ano, disse que os países membros devem colaborar para cortas gastos sem, no entanto, deixar que isso represente perda de sua eficácia. As economias européias não se provaram dinâmicas o bastante para escapar bem da crise, e, por enquanto, sofrem seriamente seus efeitos. Integrar, mais que desejável, é agora imperativo porque marinhas integradas são mais capazes, elas se tornam mais eficazes, no sentido de que cumprem melhor as missões que lhes são incumbidas, e são mais eficientes, posto que, operando juntas, otimizam gastos. Nas palavras do Comandante, forças integradas podem reduzir pessoal administrativo e otimizar o uso e manutenção de instalações, aumentando a velocidade do processo burocrático e reduzindo gastos.

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Esse senso de cooperação não se restringe à OTAN. Ele permeia toda uma série de iniciativas da marinha. Por exemplo, a Armada Española acaba de comandar a Operação Atalanta, operação antipirataria da União Européia na costa somaliana. Ela também participa da “Active Endeavour”, operação da OTAN no Mediterrâneo para combate ao terrorismo. Integra a Maritime Task Force da UNIFIL, a missão de paz da ONU no Líbano. Atualmente a MTF da Unifil é chefiada pelo Contra-almirante Caroli, brasileiro, recentemente entrevistado pela ALIDE (confira a entrevista aqui). Ela também cede fuzileiros à ISAF e a UNMIS (missão da ONU no Sudão), e possui observadores no Congo, Kosovo, Bósnia e Etiópia. A participação em todos esses diferentes cenários guarda claras relações com todas as diretrizes estratégicas expostas acima.

A pirataria se tornou um grave problema para as economias européias devido não só aos roubos de carga, mas principalmente graças ao aumento dos prêmios cobrados pelas companhias de seguro dos armadores. Um dos grandes problemas do combate à pirataria moderna é justamente sua juventude, não há um guia básico pronto, um livro de procedimentos testados e bem sucedidos para o combate aos piratas, o que há são técnicas em constante aperfeiçoamento. Como resultado da experiência espanhola na Somália, a marinha vem se adequando para lidar com a figura do “detido”, respeitando os ainda nebulosos trâmites do direito internacional para estes casos. Além disso, a Armada vem aprendendo a coletar e compilar evidências para uso nos devidos tribunais e vem aperfeiçoando sua cooperação com agências civis, nacionais e internacionais, largamente envolvidas na prevenção e combate à pirataria. Missões exigentes não faltam à Armada Española, importante é ver se a ambição geopolítica espanhola resiste à dureza da recente crise internacional e que “cicatrizes” esta deixará para o futuro.

 

Last Updated on Sunday, 30 September 2012 14:17
 

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