Avrora: O cruzador vermelho PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Friday, 18 November 2011 01:37

 

Durante sua visita a São Petersburgo, ALIDE viu de perto o navio que, segundo os registros históricos, deu (literalmente) o primeiro tiro da Revolução de Outubro de 1917. O Cruzador Avrora é hoje um navio museu; uma lembrança palpável de um dos mais importantes episódios da história da Rússia.

Placa de homenagem ao Avrora
Placa de homenagem ao AvroraPlaca de homenagem ao Avrora
Prancha de acesso
Prancha de acessoPrancha de acesso
Superestrutura exterior
Superestrutura exteriorSuperestrutura exterior
Superestrutura exterio
Superestrutura exterioSuperestrutura exterio
Convés superior e passadiço
Convés superior e passadiçoConvés superior e passadiço

A Classe Pallada

Convés superior e passadiço
Convés superior e passadiçoConvés superior e passadiço
Passadiço e asas laterias
Passadiço e asas lateriasPassadiço e asas laterias
Cesto de observação
Cesto de observaçãoCesto de observação
Âncoras na proa
Âncoras na proaÂncoras na proa
Lateral da superestrutra
Lateral da superestrutraLateral da superestrutra

A Classe Pallada foi uma série de três cruzadores construídos no final do século XIX para servir à Marinha Imperial Russa. Eram navios de 126.8 metros de comprimento, 16.8 de boca e 7.3 de calado. Seu deslocamento é de substanciais 6731 toneladas, das quais 1000 eram representadas pelo carvão estocado para alimentar os seus motores a vapor. A tecnologia ultrapassada, como não poderia deixar de ser, está refletida em sua velocidade máxima, que é de apenas 19 nós, e de cruzeiro, que é de 10 nós.  Um navio moderno com o mesmo deslocamento tem, em média, uma velocidade máxima de 28/29 nós, e 18 nós de velocidade de cruzeiro.

Embora seu armamento tenha variado ao longo de seus impressionantes 108 anos de comissionamento, a configuração que seu visitante encontrará é: 14 canhões de 152 mm, um na proa, um na popa, e seis em cada bordo, organizados em quatro “séries” de três canhões, duas a bombordo e duas a estibordo; 4 canhões de 76 mm localizadas na popa do navio; e três tubos lançadores de torpedos, dois dos quais subaquáticos. A tripulação dos Pallada perfazia o absurdo de 590 pessoas! Em termos de comparação, as fragatas Sachsen e Álvaro de Bazán, candidatas ao ProSuper da MB e ambas também na faixa das 6000 toneladas, operam com algo em torno de 250 militares, incluindo tripulação de vôo.

Canhão de 152mm
Canhão de 152mmCanhão de 152mm
Canhão de 152mm
Canhão de 152mmCanhão de 152mm
Lateral do casco
Lateral do cascoLateral do casco
Bote salva vidas
Bote salva vidasBote salva vidas
Estrela vermelha - Condecoração
Estrela vermelha - CondecoraçãoEstrela vermelha - Condecoração

Histórias de um navio que fez História

Vista de Estibordo
Vista de EstibordoVista de Estibordo
Canhão de 76mm à popa
Canhão de 76mm à popaCanhão de 76mm à popa
Prancha de acesso
Prancha de acessoPrancha de acesso
Popa do Avrora
Popa do AvroraPopa do Avrora
Popa do Avrora
Popa do AvroraPopa do Avrora

O Avrora, construída em São Petersburgo e comissionado em 1903, originalmente serviu na Esquadra do Báltico. Porém, em 1904, a Guerra Russo-Japonesa forçou um realocamento de uma série de meios daquela Esquadra para o 2° Esquadrão do Pacífico. Durante a viagem, a Avrora tomou parte no “Incidente de Dogger Bank”, também conhecido como “Incidente do Mar do Norte” ou ainda como o “Ultraje Russo”. O incidente ocorreu na noite de 21 para 22 de outubro de 1904. Extremamente estressados devido a relatórios (errôneos) que indicavam a presença de barcos torpedeiros japoneses no Mar do Norte, marinheiros russos confundiram navios pesqueiros ingleses com veículos da marinha japonesa. O ataque que se seguiu matou três pescadores ingleses e feriu algumas dezenas. A crise diplomática quase levou à guerra entre Reino Unido e Império Russo. O incidente, porém, foi contornado.

Após essa crise, a Avrora ainda tomaria parte na histórica Batalha de Tsushima, ponto culminante da Guerra Russo-Japonesa de 1905 que sacramentou a decadência do Império Russo. Mesmo atingido, o Avrora escoltou os outros navios russos remanescentes, e que estavam em piores situações, do Estreito de Tsushima (quase na fronteira entre o Japão e a Península Coreana) até Manila, capital das Filipinas.

Em 1906, a Avrora voltou ao Báltico. Por alguns anos, porém, ele deixou de ser um navio de guerra e virou um navio de instrução para os aspirantes da Marinha Imperial. Em 1908, ele participou do resgate às vítimas do Terremoto de Messina na Itália, o terremoto e o tsunami subseqüentes mataram entre 100.000 e 200.000 pessoas, sendo considerado o pior terremoto da história da Itália e o 13° pior de todos os tempos em número de vítimas. Entre os anos de 1911 e 1912, o Avrora partiu em cruzeiro por vários países do mundo, notavelmente na Ásia. Em uma dessas ocasiões representou o Império Russo nas festividades relativas à coroação do Rei Rama VI do Sião (atual Tailândia). Nesse ano, o Avrora percorreu 26.275 milhas.

Avrora em cirílico
Avrora em cirílicoAvrora em cirílico
Superestrtura do navio
Superestrtura do navioSuperestrtura do navio
Superestrtura do navio
Superestrtura do navioSuperestrtura do navio
Superestrtura do navio
Superestrtura do navioSuperestrtura do navio
Superestrtura do navio
Superestrtura do navioSuperestrtura do navio

Duas Guerras Mundiais e uma Revolução Comunista

Superestrtura do navio
Superestrtura do navioSuperestrtura do navio
Detalhe da proa
Detalhe da proaDetalhe da proa
Detalhe da popa
Detalhe da popaDetalhe da popa
Canhões de 152mm
Canhões de 152mmCanhões de 152mm
Vista a partir da popa
Vista a partir da popaVista a partir da popa

O Avrora adicionou ao seu já impressionante currículo operacional a participação na I Guerra Mundial. Ele, todavia, sofreu muitos danos em combate e foi mandado para Petrogrado (como então se chamava São Petersburgo) para reparos em dezembro de 1916. A tripulação, como era de se esperar, não passou incólume pelas agitações revolucionárias que vinham tomando conta da cidade. Logo, vários membros da tripulação juntaram-se aos bolcheviques, o que eventualmente culminou na “eleição” do marinheiro Aleksander Belyshev para comandante do navio. Às 22:45 do dia 25 de outubro de 1917, o Avrora deu um tiro de festim que foi o sinal para que começasse a invasão do Palácio de Inverno, residência oficial dos monarcas russos. Simbolicamente, este é o episódio que inicia a Revolução Bolchevique em função de ter culminado, no ano seguinte, no assassinato de Czar, que de sua feita representa a morte da monarquia na Rússia. Por sua participação na Revolução, o Avrora ganhou, em 1927, a medalha da Ordem da Bandeira Vermelha.

Em 1922, o Avrora finda seus reparos, é trazido de volta à ativa e volta a ser um navio de instrução. Assim permanecendo até 1940. Em 1941, seus canhões são retirados e levados a São Petersburgo (então chamada de Leningrado) para defesa da cidade no conhecido episódio do “cerco de Leningrado”. O navio em si ficou atracado Oranienbaum (atualmente Lomonosov), cidade a 40 km a Oeste de São Petersburgo. Lá, ele sofreu sucessivos bombardeios e, a despeito dos esforços de sua tripulação, acabou afundando no dia 31 de setembro de 1941. Em 1944 o Avrora foi resgatado do fundo das águas de Oranienbaum e fica quatro anos em reparo. Em 1948 sua restauração foi concluída e ele volta a servir com navio de instrução, dessa vez para a Marinha Soviética. Nessa condição ele permaneceu até 1956, quando foi transformado em museu. Em 1957 ele foi removido do serviço ativo, embora até hoje não tenha sido descomissionado. Em 1968, o cruzador Avrora recebeu a Ordem da Revolução de Outubro, condecoração criada no ano anterior para as celebrações dos cinquenta anos da revolução.

Além de ser museu, o cruzador permanece como um navio da Marinha Russa. Ele está sujeito a todas as leis que regem os militares e suas organizações, possui uma tripulação de militares profissionais, treinados como quaisquer outros, e tem um oficial comandante. Nos últimos 55 anos o Avrora foi visitado por vinte e oito milhões de pessoas de 160 países. Somando, como assinalamos, 108 anos de comissão, sendo o navio há mais tempo comissionado de toda a tradicional Marinha Russa. Sem sombra de dúvidas, um fato admirável.

Vista a partir da popa
Vista a partir da popaVista a partir da popa
Bandeira das Forças Navais Russas
Bandeira das Forças Navais RussasBandeira das Forças Navais Russas

Informações gerais:

O museu está aberto de terça a quinta e aos sábados e domingos, das 10:30 às 16:00.

 

Endereço:

197046, São Petersburgo, Museu “O Cruzador Aurora”

 

Como chegar:

As estações de metrô mais próximas são “Gorkovskaya” e “Praça Lênin”. Pode-se pegar os ônibus das linhas 46 e 49. O Avrora fica a uma distância facilmente percorrida a pé do Museu Hermitage, um dos mais tradicionais pontos turísticos de St. Petersburgo; não sem motivo, pois o museu fica no o antigo Palácio de Inverno do Czar.

 

Preços (cobrados apenas para visita aos motores e às caldeiras):

Adultos: 300 rublos

Crianças e estudantes: 100 rublos

Visitas guiadas para grupos (até 10 pessoas): 3.000 rublos

Preço para poder fotografar: 50 rublos

Preço para poder filmar: 100 rublos

Last Updated on Wednesday, 26 March 2014 17:22
 

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