HMAS Choules: Expandindo as capacidades da Marinha Real Australiana PDF Print E-mail
Written by Ja Worsley   
Thursday, 15 March 2012 00:00

 

O HMAS Choules chegou em seu futuro porto de origem em Sidney, em 21 de dezembro de 2011, sendo este um marco da conclusão de um dos melhores programas de aquisição já empreendidos recentemente por quaisquer das filiais da Força de Defesa Australiana. Com essa embarcação, se inicia uma nova frota para a Marinha Real da Austrália (MRA) e também uma forma de assumir novas responsabilidades na sua  região.

 

HMAS Choles no estaleiro de Garden Island em Sydney

 

O ano de 2011 viu a MRA enfrentar uma grave crise em suas capacidades anfíbias – as duas Plataformas de Desembarque Anfíbio (em inglês, LPA – Landing Platform Amphibious), o HMAS Kanimbla (L51) e o HMAS Manoora (L52) navios da mesma cklasse do nosso Mattoso Maia, foram aposentados devido aos seus altos custos de reparo, deixando a Marinha com apenas uma embarcação, o HMAS Tobruk (L50), para sustentar todas as atividades anfíbias. O HMAS Tobruk tem sido o coração do grupo anfíbio da MRA desde os anos 80 quando entrou em serviço. Durante os seus 10 anos de carreira, as duas PDA se tornaram os navios de maior taxa de emprego por suas operações no Oriente Médio, na ajuda humanitária para a Indonésia, Paquistão e Birmânia quando estes países sofreram com terremotos e consequentes tsunamis. Ele ainda foi usado para o envio regular de tropas em suporte às ações policiais nas Ilhas Salomão, bem como serviu de posto avançado caso fosse necessária uma evacuação de estrangeiros de Fiji durante o golpe de estado. Esses navios tornaram-se tão ocupados que era difícil encontrá-los parados no porto a qualquer momento. Os períodos de manutenção agendados caíram no esquecimento conforme as embarcações, seu carregamento e suas instalações eram cada vez mais requisitados.

Em abril de 2011, as PDA’s foram colocadas em um estado de pausa operacional conforme os problemas se agravaram. Em maio, foi decidido desarmar o Manoora e passar a usá-lo como fonte de peças de reposição para manter o Kanimbla em serviço, mas isto também se provou inviável, pois o Kanimbla estava exatamente no mesmo estado do seu irmão. As suas datas de aposentadoria inicialmente determinadas tiveram de ser descartadas sumariamente, visto que esses navios não podiam mais efetivamente ser utilizados mais.

Entra o RFA Largs Bay!

 

Inundando a doca! Vista traseira do HMAS Choules

Sob a SDSR britânica (Strategic Defence and Security Review – Avaliação Estratégica de Defesa e Segurança), o navio anfíbio RFA Largs Bay (L3006) foi considerado excedente, sendo retirado de serviço em abril de 2011. A embarcação foi colocada à venda em junho do mesmo ano com lances finais para compra aguardados em agosto. Três países fizeram ofertas pelo navio: Austrália, Brasil e Chile, com a Austrália sendo anunciada em outubro como tendo feito a melhor oferta. A embarcação foi baixada do registro britânico e assumida pela MRA. Ela suspendeu no início de novembro para a sua nova casa. Com seu novo identificador orgulhosamente exibido na proa (L100), o navio entrou em águas australianas no final de novembro e foi batizado pela Primeira-ministra Julia Gillard como o HMAS Choules, em honra ao falecido suboficial veterano que foi o último elo vivo da Austrália com as duas grandes guerras mundiais.

O homem que deu seu nome ao navio, Claude Choules, começou sua carreira na Marinha Real ainda na Primeira Guerra Mundial, tornando-se sargento e sendo transferido para o Esquadrão Naval Australiano durante aquela guerra; ele então se estabeleceu na Austrá lia e viveu em serviço. Durante a Segunda Guerra Mundial, retornou à Marinha e serviu como Instrutor de Torpedos na Austrália Ocidental e alcançou a patente de suboficial. O Suboficial Choules morreu pouco antes do PDA ser comprado e em honra de sua herança, decidiu-se dar o nome Choules ao navio; isto produziu bastante controvérsia pois existe uma Baía Largs (Largs Bay) na Austrália do Sul, local com uma profunda ligação com a história naval também. Desta maneira a política oficial de denominação da MRA aparentemente cedeu vez a um pensamento mais moderno, visto que está claramente posto na cartilha da MRA que embarcações de desembarque devem receber nomes em honra das batalhas em que a MRA atuou em apoio ao Exército. Além disso, o navio foi uma ótima adição à frota australiana.

N/T HMAS Success (OR-304) HMAS Tobruk (L-50)

Atualmente, o Choules é a maior unidade da Esquadra, podendo facilmente levar a bordo toda a carga das duas PDAs e ainda ter espaço para a metade da capacidade do Tobruk. O novo navio se encaixa muito bem com os novos LHDs que estão sendo construídos para a MRA, fazendo, portanto, esta passará a ser a maior frota (em termos de tonelagem) jamais operada pela Marinha da Austrália. O novo navio vai ser usado para treinar novo pessoal quanto a procedimentos e operações antes que o futuro HMAS Canberra junte-se à frota ao final do ano (considerando-se que tudo irá ocorrer bem com o final da construção e dos testes). Depois do recebimento do HMAS Canberra, o HMAS Tobruk deverá ser aposentado e então espera-se que o último LHD entre em serviço por volta de 2014.

Cascos dos ex-HMAS Manoora e HMAS Kanimbla (L-52 e L-51) aguardando um destino HMAS Melbourne (FFG-05)

HMAS Choules (L100)

Batimento de quilha: 28 de janeiro de 2002

Lançamento: 18 de julho de 2003

Entrada em serviço na MRA: 13 de dezembro de 2011

Registro IMO: 9240756

Características do Navio de Desembarque Doca

Deslocamento: 16,190t

Comprimento: 176.6m

Largura: 26.4m

Calado: 5.8m

Propulsão: 2x Geradores Wärtsilä 8L26 - 4.5Mw

2x Geradores Wartsila 12V26 - 6.7Mw

2x motores elétricos em pods (casulos) móveis, para exercer a função de leme. Tal tecnologia é a última palavra para efeitos de manobrabilidade da embarcação.

 

Notas:

HMAS Choules recebeu seu novo número identificador antes da sua partida do Reino Unido, bem como um sistema de ar-condicionado novo. Ainda a ser adicionado é o hangar que abrigará em seu interior 2x helicópteros MRH-90 ou 3x helicópteros menores ou uma combinação de ambos os tipos, isto irá substituir o hangar temporário instalados na classe como uma opção.

A repintura do navio no tom padrão de cinza (Sea Gray) da Marinha Australiana exigirá a mesma quantidade de tinta necessária para pintar todas as quatro fragatas FFG em serviço.

A coisa boa sobre esta embarcação é que os problemas característicos dos navios primeiro da classe já foram resolvidos durante o seu serviço na Marinha Real Britânica. Diferente das fragatas Adelaide (FFG) que têm todas suas medidas definidas no padrão imperial o HMAS Choules é todo métrico, como serão todos os navios daqui pra frente na Austrália.

O navio Choules foi comprado pela MRA por A$100 milhões e o seu tempo esperado de serviço é de 35-50 anos.

 

Tradução: Diego Vieira

Last Updated on Thursday, 15 March 2012 12:26
 

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