BPE Juan Carlos I: O Navio de Propósitos Múltiplos da Navantia PDF Print E-mail
Thursday, 15 March 2012 00:00

 

O Programa de Articulação e Equipamento da Marinha do Brasil (PAEMB) é o documento que, à luz da Estratégia Nacional de Defesa (END), propõe todo um plano de atualização de meios da Marinha do Brasil para os próximos 30 anos. Nele está previsto que a Marinha encomendará, até 2030, quatro Navios de Propósitos Múltiplos (NPM) para substituir seus dois Navios de Deesembarque-Doca (NDDs) e seus três Navios de Desembarque de Carros de Combate (NDCCs). ALIDE anteriormente já apresentou aos seus leitores aquele que deve ser um dos principais concorrentes a esse novo programa de reaparelhamento, o FS Tonnerre da classe BPC - Mistral, de fabricação francesa, confira aqui. Desta vez, viajamos à Espanha para conhecer outro dos prováveis candidatos a futuro navio da MB, o Buque de Proyección Estratégica  (BPE) Juan Carlos I, fabricado pela indústria espanhola Navantia.

Fragatas Classe Santa Maria (Oliver Hazard) e o Galicia
Fragatas Classe Santa Maria (Oliver Hazard) e o GaliciaFragatas Classe Santa Maria (Oliver Hazard) e o Galicia
Fragatas Classe Santa Maria (Oliver Hazard) e o Galicia
Fragatas Classe Santa Maria (Oliver Hazard) e o GaliciaFragatas Classe Santa Maria (Oliver Hazard) e o Galicia
O NDD Galicia
O NDD GaliciaO NDD Galicia
Fragata Classe Santa Maria (Oliver Hazard) e o Príncipe de Astúrias
Fragata Classe Santa Maria (Oliver Hazard) e o Príncipe de AstúriasFragata Classe Santa Maria (Oliver Hazard) e o Príncipe de Astúrias
Fragatas Classe Santa Maria (Oliver Hazard)
Fragatas Classe Santa Maria (Oliver Hazard) Fragatas Classe Santa Maria (Oliver Hazard)

NDCC Pizarro (Classe Newport)
NDCC Pizarro (Classe Newport)NDCC Pizarro (Classe Newport)
NT Ensenada
NT EnsenadaNT Ensenada
NDCC Pizarro (Classe Newport)
NDCC Pizarro (Classe Newport)NDCC Pizarro (Classe Newport)
NDCC Pizarro (Classe Newport)
NDCC Pizarro (Classe Newport)NDCC Pizarro (Classe Newport)
NDD Castilla
NDD CastillaNDD Castilla
 
NDD Castilla
NDD CastillaNDD Castilla
NDD Castilla
NDD CastillaNDD Castilla
NDD Castilla
NDD CastillaNDD Castilla
Príncipe de Astúrias
Príncipe de AstúriasPríncipe de Astúrias
NT Ensenada
NT EnsenadaNT Ensenada

Para a Marinha do Brasil os chamados Navios de Propósitos Múltiplos são plataformas que combinam um grande convoo em que operam helicópteros (e também aviões VSTOL, no caso do Juan Carlos I), um hangar, uma doca alagável e um “convés-garagem’’. Além disso o futuro NPM brasileiro deverá ter instalações médicas de médio/grande porte e um centro de Comando, Controle e Comunicações. A idéia por trás do conceito é ter um navio que funcione como nau capitânia de uma força tarefa naval, dispondo para isso de uma avançada suíte de comunicação por rádio e via satélite, mas que tenha também altíssima capacidade de efetuar projeção de poder sobre terra, em função das aeronaves embarcadas e do fato de transportar quantidades consideráveis de tropas (fuzileiros navais normalmente, mas não exclusivamente), acompanhadas de seus veículos de desembarque anfíbio e até mesmo de carros de combate pesados. Esse tipo de navio também possui elevada surge capacity, o que o habilita a acomodar por curtos períodos de tempo  um número ainda maior de pessoas, normalmente evacuados civis de zonas conflagradas, uma crescente demanda que as Marinhas atuais tem dificuldade em atender nas situações de auxílio humanitário.

Uma breve história do projeto espanhol

No ano de 1994, a Armada Espanhol adquiriu dois Navios de Desembarque de Carros de Combate da Classe Newport, navios idênticos ao nosso Mattoso Maia. Estes navios eram recém descomissionados da US Navy, sendo batizados de Hernán Cortés (L-41) e Pizarro (L-42). Todavia, naquele momento já estava claro que os dois navios, ambos do início dos anos 70, eram plataformas limitadas - pouco adequadas às novas necessidades da Marinha da Espanha - e que sua aquisição havia sido uma compra de oportunidade destinada à reposição tão logo quanto possível.

Placa no Portaló do JCI
Placa no Portaló do JCIPlaca no Portaló do JCI
Lateral do JCI
Lateral do JCILateral do JCI
Ilha do JCI
Ilha do JCIIlha do JCI
Lateral do JCI
Lateral do JCILateral do JCI
Entrada de combustível
Entrada de combustívelEntrada de combustível

Entrada dos veículos de desembarque
Entrada dos veículos de desembarqueEntrada dos veículos de desembarque
Âncora do JCI
Âncora do JCIÂncora do JCI
Prancha do JCI
Prancha do JCIPrancha do JCI
Lateral do JCI em direção à Popa
Lateral do JCI em direção à PopaLateral do JCI em direção à Popa
Lateral do JCI em direção à Proa
Lateral do JCI em direção à ProaLateral do JCI em direção à Proa
 
Passadiço e Convoo
Passadiço e ConvooPassadiço e Convoo
Convoo do JCI
Convoo do JCIConvoo do JCI
Convoo do JCI
Convoo do JCIConvoo do JCI
Ilha do JCI
Ilha do JCIIlha do JCI
Ré da Ilha - Suíte de Radares
Ré da Ilha - Suíte de RadaresRé da Ilha - Suíte de Radares

Com a virada do século, começou-se a discutir mais seriamente a encomenda de um navio que pudesse substituir os dois NDCC Newport e que ainda suprisse, em operações, o porta-aviões Príncipe de Astúrias (R-11), que, apesar de ter sido comissionado apenas em 1988, estava concluído seis anos antes. Em 2003, a Armada encomendou à Navantia o navio que viria a se tornar o Juan Carlos I. O projeto de um navio de desembarque que atendesse a todos os requisitos operacionais espanhóis era algo inédito para a empresa espanhola. A etapa de design do navio levou dois anos para ser concluída, a construção se iniciando em 2005.

Em 22 de Setembro de 2009 o navio ficou pronto e as provas de mar se iniciaram. Os aspectos mais problemático que esses testes revelaram diziam respeito à propulsão. Um dos dois motores a diesel teve que ser substituído devido a um mal funcionamento dos motores auxiliares. Outro problema, mais greve, foi a supercavitação que se verificava nos hélices quando o navio era forçado até sua velocidade máxima. Os hélices tiveram, então, que ser reprojetados e substituídos. Após a solução desses problemas, começou a etapa final de provas de mar, que foi concluída em 02 de Junho de 2010. A expectativa geral é de que o navio fosse comissionado já no final daquele mês, todavia, a Espanha nesse momento já sentia os efeitos da crise econômica, e a Defesa e a Marinha, como é comum a quase todos os países, foram vítimas preferenciais dos cortes de gastos. O recebimento definitivo do navio foi sendo atrasado até finalmente ser ocorrer no dia 30 de Setembro daquele ano.

Suíte de Radares
Suíte de RadaresSuíte de Radares
Ilha do JCI
Ilha do JCIIlha do JCI
Suíte de Radares
Suíte de RadaresSuíte de Radares
Suíte de Radares
Suíte de RadaresSuíte de Radares
Suíte de Radares
Suíte de RadaresSuíte de Radares

Suíte de Radares
Suíte de RadaresSuíte de Radares
Suíte de Radares
Suíte de RadaresSuíte de Radares
Convoo a partir do Ski Jump
Convoo a partir do Ski JumpConvoo a partir do Ski Jump
Ilha e Convoo a partir do Ski Jump
Ilha e Convoo a partir do Ski JumpIlha e Convoo a partir do Ski Jump
''Proinha'' do JCI à lateral do Ski Jump
''Proinha'' do JCI à lateral do Ski Jump ''Proinha'' do JCI à lateral do Ski Jump

Ski Jump a partir do Convoo
Ski Jump a partir do ConvooSki Jump a partir do Convoo
Ski Jump a partir do Convoo
Ski Jump a partir do ConvooSki Jump a partir do Convoo
Guindaste de vante
Guindaste de vanteGuindaste de vante
Guindaste de vante
Guindaste de vanteGuindaste de vante
Elevador de carga
Elevador de cargaElevador de carga

Desde então, o navio já passou por um número expressivo de exercícios, comissões e missões de qualificação. Em Fevereiro de 2011, durante um ADELFIBEX, ocorreu a primeira qualificação de pouso de helicóptero no Juan Carlos I: um Sea King da terceira esquadrilha da Armada. No dia 2 de Maio do mesmo ano, o navio suspendeu da Base Naval de Rota, no sul do país, para fazer o que os espanhóis chamam de “cruzeiro de resistência”. Ainda no dia 2 foi feito o primeiro pouso de um avião de decolagem curta e pouso vertical McDonnell-Douglas EAV-8B Harrier II Plus a bordo do navio. De Rota, o JCI desceu até a base de Las Palmas nas Ilhas Canárias (ao noroeste da África), voltou até Cartagena, na costa do Mediterrâneo, e seguiu sua viagem com paradas em Toulon (França) e Istambul (Turquia). A volta foi realizada via o enclave espanhol no norte da África, Ceuta, de onde o navio regressou à sua base de origem. Em Janeiro de 2012, duas semanas antes da visita de ALIDE à Base Naval de Rota, o Juan Carlos realizou as avaliações e qualificações operativas com helicópteros Chinook. É importante ressaltar que esses helicópteros pesados pertencem à FAMET, a unidade de helicópteros do Exército da Espanha. Por requerimento de projeto, o Juan Carlos I, transporta não somente fuzileiros navais, mas também tropas do Exército e seus carros de combate Leopard II (até 46 deles se não transportar nenhum outro tipo de veículos). São evidências muito nítidas de que a tão desejada interoperabilidade, que nossa END elenca como um de seus eixos primordiais, caminha a passos muito largos nas forças armadas da Espanha, um bom exemplo para as forças armadas brasileiras.

O Juan Carlos I em números

Da a ponta do ski jump até a popa, o Juan Carlos I mede 230,82 metros, o comprimento do navio na altura da lâmina d’água ficando em 207,20 metros. Sua boca é de 32 metros e o calado, a plena carga, é de 6,8 m. A carga útil total do navio é de 6.908 toneladas, o que leva seu deslocamento máximo para operações anfíbias a 27.563 toneladas. Durante as operações aéreas, como o JCI precisa navegar a velocidades mais altas de modo a aumentar o vento relativo sobre o convoo, é necessário limitar a carga útil máxima transportada a bordo. Completamente vazio, seu deslocamento é de 19.805 toneladas, para operações de vôo seu limite é de 25.437.

 

Elevador de carga
Elevador de cargaElevador de carga
Içamento de um Chinook
Içamento de um ChinookIçamento de um Chinook
Içamento de um Chinook
Içamento de um ChinookIçamento de um Chinook
Içamento de um Chinook
Içamento de um ChinookIçamento de um Chinook
Içamento de um Chinook
Içamento de um ChinookIçamento de um Chinook
  
Guindaste à frente do elevador de aeronaves
Guindaste à frente do elevador de aeronavesGuindaste à frente do elevador de aeronaves
Contenção retrátil do elevador de aeronaves
Contenção retrátil do elevador de aeronavesContenção retrátil do elevador de aeronaves
Elevador de aeronaves
Elevador de aeronavesElevador de aeronaves
Parte inferior do Ski Jump
Parte inferior do Ski JumpParte inferior do Ski Jump
Chinook após içado e à frente do elevador
Chinook após içado e à frente do elevadorChinook após içado e à frente do elevador
 
Passadiço
PassadiçoPassadiço
Entrada para mangueira de reabastecimento
Entrada para mangueira de reabastecimentoEntrada para mangueira de reabastecimento
Entrada para mangueira de reabastecimento
Entrada para mangueira de reabastecimentoEntrada para mangueira de reabastecimento
Lateral da Ilha
Lateral da IlhaLateral da Ilha
Ilha com marcações e avisos pintados
Ilha com marcações e avisos pintadosIlha com marcações e avisos pintados

Sua velocidade máxima com carga total é de 20 nós (para operações aéreas é necessária uma velocidade de 21 nós). Se for por um período mais longo, o navio pode suportar uma velocidade máxima de até 19 nós, mas a velocidade de cruzeiro é de 15 nós, produzindo uma autonomia de 9.000 milhas náuticas (ou 17.000 quilômetros). O convoo do Juan Carlos I possui 5.360 metros quadrados de área útil (isto é, descontando o espaço ocupado pela superestrutura da ilha presente no convés principal). A área do hangar/convés de cargas leves é de 2.870 metros quadrados. A área do dique alagável/convés de cargas pesadas e veículos é de 2.575 metros quadrados. O hangar é o convés locfak]lizado entre o convoo e o convés onde ligado ao dique; os dois se comunicam por meio de uma rampa com uma grande porta rebatível.

A tripulação padrão do navio é de 243 pessoas, entre oficiais, sargentos e marinheiros. As tropas embarcadas perfazem um total de 890 militares. O navio acomoda ainda um staff de Estado-Maior de até 103 pessoas (lembrando que um dos premissas do projeto é o de funcionar como um completo centro de comando e controle de uma Força Tarefa Naval). A ala aérea embarcada pode chegar a 172 pessoas, ao passo que o Grupo Naval de Playa, que são os militares que operam as lanchas de desembarque e os controladores de tráfego, pode alcançar 23 pessoas. Cabe ressaltar que esses são os números ideais do projeto. Há uma margem de manobra para alterações desses números caso os cenários operacionais assim exijam. É possível, por exemplo, levar mais pilotos e mecânicos de aeronave em detrimentos de fuzileiros navais, caso se antecipe que uma operação dependerá muito mais de incursões aéreas do que de operações anfíbias (OpAnf). A Armada Espanhola evita fazer projeções para essas situações de exceção, justamente porque é um esforço fútil tentar estimar como essas situações se apresentarão, justamente pelo fato de serem, por definição, imprevisíveis.

O convoo possui seis pontos fixos para pouso de Harriers, F-35B ou helicópteros. Quatro outros pontos fixos existem para operações com Chinooks e ainda um ponto fixo à popa para operação de um tilt-rotor V-22 Osprey por vez. Levando em consideração as limitações de espaço no convoo e no hangar, bem como disponibilidade de combustível e itens afins, o Juan Carlos pode operar 19 aviões AV-8B, ou 30 helicópteros SH-3 Sea King, ou 10 CH-47 Chinook, ou ainda, futuramente, 10 caças F-35B Lightning II. Evidentemente, há outras combinações possíveis de aeronaves, mas tal qual os acertos feitos com relação às tropas anfíbias, estes também seriam montados ad hoc e, por isso, de difícil predição.

Juan Carlos I - A vista do topo

No primeiro contato, a primeira coisa que chama atenção no projeto BPE, ainda quando se está do lado de fora, é, aparte do grande tamanho do navio, a preocupação dos projetistas com um desenho stealth para o casco e a superestrutura. O navio é quase monolítico. Há pouquíssimas quinas, reentrâncias, “varandas” ou quaisquer outros ângulos retos na parte exterior do navio. Não há sequer uma passagem lateral no ponto em que a ilha encontra o convés principal; no ponto onde a ilha termina sua lateral se emenda diretamente na lateral do casco.

Lateral da Ilha e Convoo
Lateral da Ilha e ConvooLateral da Ilha e Convoo
Lateral da Ilha e Convoo
Lateral da Ilha e ConvooLateral da Ilha e Convoo
Convoo com marcações e o Ski Jump
Convoo com marcações e o Ski JumpConvoo com marcações e o Ski Jump
Sprinkler no convoo
Sprinkler no convooSprinkler no convoo
Sprinkler na Ilha
Sprinkler na IlhaSprinkler na Ilha
 
Convoo e Ski Jump
Convoo e Ski JumpConvoo e Ski Jump
Convoo - Marcações na pista
Convoo - Marcações na pistaConvoo - Marcações na pista
Marcações na Ilha
Marcações na IlhaMarcações na Ilha
Veículo de tracionamento de carga e aeronaves
Veículo de tracionamento de carga e aeronavesVeículo de tracionamento de carga e aeronaves
Veículo de tracionamento de carga e aeronaves
Veículo de tracionamento de carga e aeronavesVeículo de tracionamento de carga e aeronaves
 
Veículo de tracionamento de carga e aeronaves
Veículo de tracionamento de carga e aeronavesVeículo de tracionamento de carga e aeronaves
Ré da Ilha
Ré da IlhaRé da Ilha
Ré da Ilha
Ré da IlhaRé da Ilha
Ré da Ilha
Ré da IlhaRé da Ilha
Ré da Ilha - Torre Radar
Ré da Ilha - Torre RadarRé da Ilha - Torre Radar

 

O passadiço do Juan Carlos I é amplo e moderno. O espaço disponível para circulação e trabalho, as distâncias separando as estações de trabalho, toda a área livre para circulação é algo inédito se comparados aos navios atualmente em uso na Marinha do Brasil. Aliás, conforto e espaço interno são norteadores de todo o projeto, não somente no passadiço. Os corredores são sempre largos para os padrões de um navio militar. As escadas internas, por sua vez, são bem largas e menos verticais do que o normal e apresentam um espaço muito significativo entre um lance e outro. Como fator de segurança, a coluna onde ficam as escadas compõe um compartimento fechado e só se chega a elas desde os corredores, passando por uma porta.

Retornando ao passadiço; na antepara traseira fica uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, logo acima do acesso principal. Contíguo ao passadiço fica a estação de controle do convoo. Ela se compõe de um console com dois assentos para o Air Boss e seu assistente, o "Mini Boss", que controlam o pouso e decolagem das aeronaves. Uma outra uma sala existente logo atrás da desse console recebe as informações do COC e as demandas do Force Commander.

O convés corrido

O amplo convoo do Juan Carlos I é penetrado por dois elevadores, um à frente da ilha, outro na popa do navio. O elevador de vante pode transportar containeres de 20 pés desde os conveses garagem no interior até o convoo e vice versa. Existe também dois grandes guindastes, o que fica adiante da superestrutura é usado para içar cargas pesadas desde o cais até o convôo, já foram realizado uma série de testes usando cargas pesadas nele, inclusive erguendo um helicóptero CH-47 Chinook inteiro, apenas sem as pás. O "guindaste" que fica atrás da ilha é na realidade um sistema de transferência de carga pesada entre navios no mar. Até agora, durante as provas de mar, esse guindaste já conseguiu transportar pallets pesando até duas toneladas. O sistema é idêntico ao utilizado na Marinha Americana onde um cabo de aço é esticado entre os dois navios e sobre ele se move um "carrinho" com gancho controlado remotamente por um operador localizado no JCI. A robusta engrenagem do guindaste é que permite erguer o pallet do convoo dando condição para sua transferência até o outro navio. A Marinha do Brasil não tem meios de mover carga pesada entre seus navios hoje em dia.

Como o JCI é feito para operar aviões STOVL (decolagem curta e pouso vertical) ele tem uma série de marcações próprias para este fim. As linhas da corrida de decolagem na pista do navio tem marcações que indicam a distância em pés do topo do ski jump até aquele determinado ponto. Se o vento relativo no convés for alto, o avião não precisa ser alinhado no fim da pista para poder decolar, ele pode fazê-lo a partir da marcação intermediária de 300 pés, por exemplo. Outra curiosidade: por toda a superfície do convoo existem sprinklers embutidos no piso e, também, em toda a periferia da ilha. A sua função é a de permitir o borrifamento de água, lavando do convoo a poeira contaminada no caso de uma ataque com armas NBQ (Nuclear, Bacteriológica e/ou Química). Segundo nosso guia, a água em suspensão tem um efeito adicional, ela acaba reduzindo a assinatura infravermelha e até mesmo eletromagnética do navio.

Em um nível logo abaixo do convoo fica a popa do navio. É lá que se encontra o sistema de movimentação do segundo elevador de carga e o vão de entrada para o hangar. É também nessa popa onde ficam todos os pesados sistemas de amarração e cordames usados na atracação do JCI.

Conforto para missões de longa duração

A Praça d’Armas é imensa, possui um bar, dois ambientes semi-segregados que fazem um retângulo (cada um dos dois com uma televisão de tela plana de última geração) e um terceiro espaço com várias mesas, cada uma com quatro cadeiras. Há sofás margeando as paredes de toda a Praça d’Armas. Adicionalmente, outra sala existente logo atrás da Praça d'Armas, acomoda uma mesa com vinte cadeiras utilizada eventualmente para reuniões.

 

Ré da Ilha
Ré da IlhaRé da Ilha
Sistema de transporte e içamento de cargas pesadas
Sistema de transporte e içamento de cargas pesadasSistema de transporte e içamento de cargas pesadas
Sistema de transporte e içamento de cargas pesadas
Sistema de transporte e içamento de cargas pesadasSistema de transporte e içamento de cargas pesadas
Elevador de aeronaves pesadas - À Popa
Elevador de aeronaves pesadas - À PopaElevador de aeronaves pesadas - À Popa
Elevador de aeronaves pesadas - À Popa
Elevador de aeronaves pesadas - À PopaElevador de aeronaves pesadas - À Popa
 
Elevador de aeronaves pesadas - À Popa
Elevador de aeronaves pesadas - À PopaElevador de aeronaves pesadas - À Popa
Popa - Sistema de Atracagem
Popa - Sistema de AtracagemPopa - Sistema de Atracagem
Bandeira da Armada Española
Bandeira da Armada EspañolaBandeira da Armada Española
Guincho de vante em operação
Guincho de vante em operaçãoGuincho de vante em operação
Entrada do Convés-Hangar
Entrada do Convés-HangarEntrada do Convés-Hangar
  
Elevador das aeronaves pesadas
Elevador das aeronaves pesadasElevador das aeronaves pesadas
Elevador, Superestrutura e Cordame
Elevador, Superestrutura e CordameElevador, Superestrutura e Cordame
Sistema de Atracagem na Popa
Sistema de Atracagem na PopaSistema de Atracagem na Popa
Passadiço
PassadiçoPassadiço
Passadiço
PassadiçoPassadiço

 

A sala de estar dos suboficiais e sargentos segue rigorosamente o mesmo padrão estético da Praça d’Armas. Eles até contam com seu próprio pequeno cinema com vinte lugares e uma sala de leitura em anexo. O navio dispõe, no total, de quatro refeitórios, um para oficiais, um para suboficiais e sargentos, e dois para cabos e marinheiros. Os refeitórios formam uma espécie de quadrado divido em quatro quadrantes menores, cujas divisórias são as paredes e o espaço da cantina propriamente dita, onde os militares se servem. Isso implica que do refeitório dos oficiais é possível ver o refeitório dos marinheiros. Somente os refeitórios das tropas embarcadas não ficam nessa seção do navio. Eles se encontram em um convés inferior e têm um padrão de conforto um pouco mais baixo (os assentos, por exemplo, não possuem encosto para as costas).

Passadiço
PassadiçoPassadiço
Passadiço
PassadiçoPassadiço
N. Sra. dos Navegantes
N. Sra. dos NavegantesN. Sra. dos Navegantes
Silêncio na Central de Controle de Voo
Silêncio na Central de Controle de VooSilêncio na Central de Controle de Voo
Central de Controle de Voo
Central de Controle de VooCentral de Controle de Voo

Central de Controle de Voo
Central de Controle de VooCentral de Controle de Voo
Central de Controle de Voo
Central de Controle de VooCentral de Controle de Voo
Central de Controle de Voo
Central de Controle de VooCentral de Controle de Voo
Placa de Comandantes do antigo JCI
Placa de Comandantes do antigo JCIPlaca de Comandantes do antigo JCI
Corredor
CorredorCorredor

Lances de escada segregados dos outros ambientes
Lances de escada segregados dos outros ambientesLances de escada segregados dos outros ambientes
Lances de escada segregados dos outros ambientes
Lances de escada segregados dos outros ambientesLances de escada segregados dos outros ambientes
Lances de escada segregados dos outros ambientes
Lances de escada segregados dos outros ambientesLances de escada segregados dos outros ambientes
Corredores (Note-se o quão espaçosos são)
Corredores (Note-se o quão espaçosos são)Corredores (Note-se o quão espaçosos são)
Placa comemorativa
Placa comemorativaPlaca comemorativa

A academia de bordo como exige os tempos atuais é super completa e fica instalada na proa logo abaixo da estrutura do skijump. Ela é dividida em dois espaços, um com aparelhos de exercícios aeróbicos e outro com os aparelhos de exercícios anaeróbicos. Há várias esteiras, halteres, aparelhos e programas de exercícios em folhetos, com orientações de tipos de exercícios, número de repetições e alongamentos pré- e pós-treino. Próximo à academia, fica uma sala de acesso à Internet com cinco computadores e espaço disponível nas mesas para vários laptops. Essa sala foi feita para que cabos e marinheiros tenham acesso à internet quando embarcados. Oficiais, suboficiais, e sargentos dispõem de computadores e acesso a rede em suas próprias salas de estar.

Os camarotes seguem o mesmo padrão que a Navantia costuma utilizar e que ALIDE já apresentou antes (confira aqui e aqui). O Comandante, o Imediato e os Chefes de Departamento possuem camarotes individuais. Os demais oficiais ficam em camarotes duplos, embora possam ficar sozinhos nesses camarotes dependendo da dotação do navio. Cada um deles possui duas escrivaninhas e um banheiro próprio com chuveiro. Alguns suboficiais mais antigos também ficam em camarotes duplos, mas a maior parte deles, bem como todos os sargentos, ficam em camarotes quádruplos. Cada um desses camarotes também possui seu banheiro próprio. Todavia, ainda existem banheiros coletivos pelo navio. Os cabos e marinheiros, bem como as tropas embarcadas, ficarão em camarotes com seis ou oito camas. Cada camarote desses conta com dois banheiros.

Gabinete do Comandante
Gabinete do ComandanteGabinete do Comandante
Gabinete do Comandante
Gabinete do ComandanteGabinete do Comandante
Corredor dos camarotes
Corredor dos camarotesCorredor dos camarotes
Praça d'Armas
Praça d'ArmasPraça d'Armas
Bar dos Oficias
Bar dos OficiasBar dos Oficias
  
Praça d'Armas
Praça d'ArmasPraça d'Armas
Sala de Reuniões na Praça d'Armas
Sala de Reuniões na Praça d'ArmasSala de Reuniões na Praça d'Armas
Banheiro do Camarote de Oficias
Banheiro do Camarote de OficiasBanheiro do Camarote de Oficias
Camarote de Oficias
Camarote de OficiasCamarote de Oficias
Equipamento de combate a alagamento
Equipamento de combate a alagamentoEquipamento de combate a alagamento
 
Equipamento de transporte de feridos
Equipamento de transporte de feridosEquipamento de transporte de feridos
Bomba de drenagem
Bomba de drenagemBomba de drenagem
Rancho dos Oficias (mesmo padrão da Sargentos e Marinheiros)
Rancho dos Oficias (mesmo padrão da Sargentos e Marinheiros)Rancho dos Oficias (mesmo padrão da Sargentos e Marinheiros)
Vending Machines
Vending MachinesVending Machines
Rancho para os Fuzileiros embarcados
Rancho para os Fuzileiros embarcadosRancho para os Fuzileiros embarcados
 

Hospital e Comando e Controle: alguns dos "Propósitos Múltiplos"

O hospital de bordo, embora inferior em termos de dimensão ao da classe Mistral, é de excelente qualidade. Há uma sala de emergência com seis leitos, onde se faz uma triagem, diagnosticando a gravidade do caso de cada paciente que chega. O navio tem uma sala de cirurgia completa que conta, inclusive, com um sistema de tele-medicina permitindo que médicos na Espanha interajam em tempo real com o cirurgião no navio durante a operação. A enfermaria conta ainda com um pequeno laboratório diagnóstico habilitado para fazer uma série enorme de exames clínicos. Lá se encontra um laboratório radiológico, cuja principal função, evidentemente, produzir imagens de raios-x, embora ele não esteja limitado a isso. A UTI constitui uma outra sala separada e conta com oito leitos e um gabinete para um médico de plantão. Existe ainda  uma sala hipobárica (de menor pressão atmosférica) feita especialmente para isolar pacientes que apresentem risco infectológico com quatro leitos. Finalmente, há uma outra sala de internação onde ficam os pacientes já estabilizados e fora de risco, mas que necessitem de repouso e observação. Essa sala conta com 24 leitos.

Para a atividade de comando e controle do navio existe, ainda, uma sala de briefing de missão com 56 lugares, divididos em dois blocos de 28 cadeiras. Uma divisória entre eles pode ser estendida para dividir a sala em dois espaços, cada um deles com um pequeno púlpito com seu próprio microfone e projetor. Cada cadeira da sala de briefing contém sua própria mesinha dobrável para anotações, ela fica guardada em um nicho sob o braço.

Os conveses inferiores – A Praça de Máquinas, o Hangar e o Dique

O hangar não é propriamente um dos “conveses inferiores”, como o leitor pode facilmente deduzir, haja vista que ele está logo abaixo do convoo. Todavia, ao ocupar o espaço de dois conveses “normais”, pelo hangar rapidamente se chega ao “fundo” do Juan Carlos I.

Ao contrário do Mistral, que do ponto de vista estrutural está dividido ao meio, o Juan Carlos (que também é construído usando a técnica dos blocos estruturais) não possui separações. Isso quer dizer que quando se olha a partir do elevador de popa para a proa do navio, se encara um imenso hangar de um pouco mais de 28 metros de largura e de aproximadamente 200 de comprimento. Dois veículos de tração, semelhantes àqueles que se vê em aeroportos, ficam no hangar e são usados para o translado das aeronaves. Adicionalmente, aproximadamente na metade do hangar existe uma cabine num nível mais elevado que faz uma espécie de “controle de tráfego”. Um dos aspectos que mais chamam atenção ali, especialmente para quem já visitou o NAe São Paulo, é o fato de o hangar ser substancialmente baixo, como nosso leitor pode verificar nas fotos.

 

Cozinha
CozinhaCozinha
Cozinha
CozinhaCozinha
Cozinha
CozinhaCozinha
Cozinha
CozinhaCozinha
Sala de estar dos Suboficiais e Sargentos
Sala de estar dos Suboficiais e SargentosSala de estar dos Suboficiais e Sargentos
  
Sala de estar dos Suboficiais e Sargentos
Sala de estar dos Suboficiais e SargentosSala de estar dos Suboficiais e Sargentos
Sala de estar dos Suboficiais e Sargentos
Sala de estar dos Suboficiais e SargentosSala de estar dos Suboficiais e Sargentos
Maquete do JCI feita pelos Sargentos
Maquete do JCI feita pelos SargentosMaquete do JCI feita pelos Sargentos
Cinema dos Suboficiais e Sargentos
Cinema dos Suboficiais e SargentosCinema dos Suboficiais e Sargentos
Sala de leitura dos Suboficiais e Sargentos
Sala de leitura dos Suboficiais e SargentosSala de leitura dos Suboficiais e Sargentos
  
Camarote dos Suboficiais e Sargentos
Camarote dos Suboficiais e SargentosCamarote dos Suboficiais e Sargentos
Academia de bordo
Academia de bordoAcademia de bordo
Academia de bordo
Academia de bordoAcademia de bordo
Academia de bordo
Academia de bordoAcademia de bordo
Sala de internet para Cabos e Marinheiros
Sala de internet para Cabos e MarinheirosSala de internet para Cabos e Marinheiros

 

Na metade do hangar caminhando no sentido da proa, se encontra uma rampa que fica no bordo esquerdo (bombordo) do navio e que comunica o hangar com a garagem. Ao descer essa rampa, passamos sob uma porta que se fecha hermeticamente quando o dique é alagado para um desembarque. Logo à frente do final da rampa fica um elevador de carga. Como o navio fica menor na medida em que se aproxima da linha da água, o convés/garagem é um pouco menor do que o hangar. Todo o espaço a partir do fim da rampa até a proa é mais curto do que seria no convés superior. Ele forma um grande nicho onde ficam os veículos usados para tracionar outros veículos. Caminhando no sentido da popa do navio (lembrando que descemos a rampa caminhando no sentido da proa), nos deparamos com uma garagem imensa onde são armazenados os veículos pesados como carros de combate (MBTs). Nela ficam duas saídas independentes de combustível para abastecer os veículos, outra estação de "controle de tráfego" e duas grandes portas utilizadas para embarcar os veículos uma em cada bordo. O leitor poderá observar nas fotos como a porta, vista de fora, se integra perfeitamente à lateral do casco. Seguindo no sentido da popa, há aproximadamente 35 metros dessa, começa uma rampa que desce até a doca propriamente dito, que é a parte que é alagada para o desembarque das lanchas e dos grandes hovercrafts americanos do tipo LCAC. Essa rampa é dividida ao meio por uma estrutura semelhante a um muro, no topo da qual ficam militares orientando toda a manobra de embarque e desembarque. O chão da garagem e do dique é forrado com madeira para diminuir o impacto e o ruído que as lanchas fazem ao circular lá dentro. A supressão de ruído é vital por dois motivos: um é a saúde das pessoas que trabalham nessa parte do navio; o segundo é dificultar a detecção do JCI por parte de submarinos hostis. Qualquer ruído mais alto nesse convés é extremamente perigoso, pois ele é o último do navio e está em contato direto com a água.

Eletricidade - A propulsão do século XXI

A propulsão do JCI é inovadora do tipo CODLAG (Combined Diesel-Eletric and Gas). Ele possui uma única turbina General Eletric LM-2500 que gera 19.750 Kw, dois motores a diesel modelo Navantia-MAN que geram 7.860 kW que alimentam dois pods elétricos de 11 MW cada fabricados pela Siemens que contam com geração própria de energia. O JCI é o primeiro navio da Armada a utilizar propulsão elétrica. A opção pelos pods, ainda que contenha potencialmente uma série de óbices a serem contornados, garante uma manobrabilidade inédita - especialmente para um navio de seu tamanho - e uma simplicidade muito grande na configuração dos convéses inferiores em virtude de não haver engrenagem redutora, eixos, nem lemes na arquitetura da propulsão. Dois bow-thrusters na proa permitem que o navio deixe o cais totalmente sozinho, sem precisar do apoio de rebocadores, embora essa não seja uma manobra comum.

Sala de Briefing
Sala de BriefingSala de Briefing
Sala de Briefing - Assento
Sala de Briefing - AssentoSala de Briefing - Assento
Sala de Emergência
Sala de EmergênciaSala de Emergência
Kit de Primeiros Socorros para pronto atendimento no Convoo
Kit de Primeiros Socorros para pronto atendimento no ConvooKit de Primeiros Socorros para pronto atendimento no Convoo
Consultório Odontológico
Consultório OdontológicoConsultório Odontológico
 
Camarote para internação de baixo risco
Camarote para internação de baixo riscoCamarote para internação de baixo risco
Sala de Cirurgia
Sala de CirurgiaSala de Cirurgia
Robô para cirurgia remota
Robô para cirurgia remotaRobô para cirurgia remota
UTI
UTIUTI
Leito padrão da UTI
Leito padrão da UTILeito padrão da UTI
  
Laboratório radiológico
Laboratório radiológicoLaboratório radiológico
Câmara do Operador da Radiologia
Câmara do Operador da RadiologiaCâmara do Operador da Radiologia
Câmara Hipobárica - Contenção Bacteriológica/Infectiológica
Câmara Hipobárica - Contenção Bacteriológica/InfectiológicaCâmara Hipobárica - Contenção Bacteriológica/Infectiológica
Central de Controle da Plataforma
Central de Controle da PlataformaCentral de Controle da Plataforma
Central Alternativa de Controle da Plataforma
Central Alternativa de Controle da PlataformaCentral Alternativa de Controle da Plataforma

Um pouco acima da garagem, fica a praça de máquinas. Aqui é necessário ser honesto, não há absolutamente nada comparável à praça de máquinas do Juan Carlos I. Os hélices ficam montados com seus próprios motores elétricos em casulos externos ao casco (pods), conforme já comentamos anteriormente. Isso elimina a necessidade da existência de um (ou mais) eixo transmissor ligando o motores e  dispensa o uso de uma cara e delicada uma engrenagem redutora. Como resultado, a todo o compartimento de máquinas do Juan Carlos I, melhor dizendo: o compartimento de geração de eletricidade,  acaba possuindo um enorme espaço disponível para circulação. Ao contrário das Praças que ALIDE normalmente mostra, com espaços limitados e apenas pequenos corredores para circulação entre o maquinário, a do JCI é muito bem iluminada e espaçosa. Tudo isso, é evidente, facilita qualquer reparo que tenha de ser feito em um dos equipamentos. Todavia, é importante lembrar, que o altíssimo nível de automação nos sistemas de gerenciamento da propulsão e da plataforma dispensa quase que a integralidade da presença humana na Praça de Máquinas. Por questões ambientais e pelo seu altíssimo preço, a Armada Española optou pela extinção gradual do gás Halon nos sistemas de combate a incêndios de seus navio. Toda a Praça de Máquinas do JCI é margeada por tubos de CO2, que são utilizados no processo de fire suppression. É importante recordar, o Halon é um composto de clorocarbonetos e bromocarbonetos, que são altamente reativos quando se quebram por efeito da luz contribuindo para  destruir a camada de ozônio da terra.

Perspectivas de exportação do Buque de Proyección Estratégico

Em tempos de crise econômica e de contração nos pedidos governamentais, exportar para forças armadas estrangeiras é quase imperioso para quaisquer países que desejam manter sua Base Industrial de Defesa saudável, funcional e inovadora.

O primeiro país a demonstrar interesse na Classe Juan Carlos I foi a Bélgica. Ela, porém, cancelou o processo de requisição de informação em período bastante prematuro devido a dificuldades orçamentárias. Em 2007 a Marinha Australiana anunciou a escolha de duas unidades de uma versão do JCI ligeiramente menor (24.000 toneladas quando completamente carregado) que comporão a sua nova Classe Canberra. Os cascos dos futuros HMAS Canberra e HMAS Adelaide foram flagrados por ALIDE no dia seguinte no estaleiro de Ferrol da Navantia. Nas próxima edições falaremos mais da base e do estaleiro e, é claro, traremos várias fotos dos navios australianos em construção.

Paiol da Amarra
Paiol da AmarraPaiol da Amarra
Paiol da Amarra
Paiol da AmarraPaiol da Amarra
Paiol da Amarra
Paiol da AmarraPaiol da Amarra
Paiol da Amarra
Paiol da AmarraPaiol da Amarra
COC
COCCOC

COC
COCCOC
Mangueiras de Combate a Incêndio no Convoo
Mangueiras de Combate a Incêndio no ConvooMangueiras de Combate a Incêndio no Convoo
Trajes de Combate a Incêndio
Trajes de Combate a IncêndioTrajes de Combate a Incêndio
Material de transporte de ferido
Material de transporte de feridoMaterial de transporte de ferido
Material de combate a alagamento
Material de combate a alagamentoMaterial de combate a alagamento

Corredor
CorredorCorredor
Banheiro de uso comum
Banheiro de uso comumBanheiro de uso comum
Cadeado acolchoado para redução de ruído (Medida ASW)
Cadeado acolchoado para redução de ruído (Medida ASW)Cadeado acolchoado para redução de ruído (Medida ASW)
Corredor
CorredorCorredor
Quadro elétrico no escuro
Quadro elétrico no escuroQuadro elétrico no escuro

Quadro elétrico
Quadro elétricoQuadro elétrico
Elevador interno
Elevador interno Elevador interno
Sinal apontando o caminho para o Convés-Garagem
Sinal apontando o caminho para o Convés-GaragemSinal apontando o caminho para o Convés-Garagem
Convés-Hangar
Convés-HangarConvés-Hangar
Convés-Hangar
Convés-HangarConvés-Hangar
 
Convés-Hangar
Convés-HangarConvés-Hangar
Convés-Hangar - Equipamento de translado de cargas/aeronaves
Convés-Hangar - Equipamento de translado de cargas/aeronavesConvés-Hangar - Equipamento de translado de cargas/aeronaves
Rampa comunicando Convés/Hangar - Convés/Garagem
Rampa comunicando Convés/Hangar - Convés/Garagem Rampa comunicando Convés/Hangar - Convés/Garagem
Rampa comunicando Convés/Garagem - Convés/Hangar
Rampa comunicando Convés/Garagem - Convés/HangarRampa comunicando Convés/Garagem - Convés/Hangar
Porta de selamento da rampa
Porta de selamento da rampaPorta de selamento da rampa

Elevador de carga e equipamento
Elevador de carga e equipamentoElevador de carga e equipamento
Veículos de apoio ao translado de veículos e equipamentos
Veículos de apoio ao translado de veículos e equipamentosVeículos de apoio ao translado de veículos e equipamentos
Veículos de apoio ao translado de veículos e equipamentos
Veículos de apoio ao translado de veículos e equipamentosVeículos de apoio ao translado de veículos e equipamentos
Convés-Garagem --- Piso Superior
Convés-Garagem --- Piso SuperiorConvés-Garagem --- Piso Superior
Mangueira para combate a incêndio
Mangueira para combate a incêndioMangueira para combate a incêndio

Outras marinhas se encontram estudando a compra de navios da classe do Juan Carlos I. A Real Armada da Noruega, que recentemente comprou cinco fragatas à Navantia, já manifestou seu interesse em adquirir um exemplar um LHD com funcionalidades como a do BPE. Outros países que também manifestaram interesse no navio foram África do Sul, Turquia, Malásia e Chile. Recentemente a Navantia ainda foi contatada pela Marinha Russa que queria uma nova classe de LHDs de procedência ocidental após ter declarado que estava em conversações com a indústria francesa para a compra de quatro navios da classe Mistral. Muitos observadores viram neste movimento apenas um exercício de pressão adicional sobre os franceses visando a redução dos valores demandados.

Conclusão

Os Navios de Propósitos Multiplos (NPMs ou BPEs, ou LHDs, como o leitor preferir...) parecem representar uma forte tendência no atual e futuro mercado de navios militares. Muito mais baratos de adquirir e de operar que navios aeródromos clássicos e muito mais flexíveis que  navios anfíbios tradicionais (NDDs e NDCCs), eles aparentemente são as plataformas ideais para a capacitação das marinhas para atuação situações de "não-guerra" como as recentes calamidades humanitárias no Haiti (terremoto), no Japão e na Indonésia (terremoto seguido por tsunami). Esta sua natureza "dual" lhe facilita sobremaneira o trâmite de aprovação financeira dos orçamentos dentro dos congressos de países que, como o Brasil, não se encontram sob ameaça de ataque estrangeiro iminente.

Porta de comunicação Ambiente Externo --- Convés-Garagem
Porta de comunicação Ambiente Externo --- Convés-GaragemPorta de comunicação Ambiente Externo --- Convés-Garagem
Guincho comunicador inter-conveses
Guincho comunicador inter-convesesGuincho comunicador inter-conveses
Estação de Controle de Operações no Convés-Garagem
Estação de Controle de Operações no Convés-GaragemEstação de Controle de Operações no Convés-Garagem
Convés-Garagem --- Piso Superior
Convés-Garagem --- Piso SuperiorConvés-Garagem --- Piso Superior
Convés-Garagem --- Piso Inferior
Convés-Garagem --- Piso InferiorConvés-Garagem --- Piso Inferior
  
Convés-Garagem --- Piso Inferior
Convés-Garagem --- Piso InferiorConvés-Garagem --- Piso Inferior
Convés-Garagem --- Piso Superior
Convés-Garagem --- Piso SuperiorConvés-Garagem --- Piso Superior
Convés-Garagem --- Piso Inferior
Convés-Garagem --- Piso InferiorConvés-Garagem --- Piso Inferior
Convés-Garagem --- Piso Inferior
Convés-Garagem --- Piso InferiorConvés-Garagem --- Piso Inferior
Convés-Garagem --- Piso Inferior
Convés-Garagem --- Piso InferiorConvés-Garagem --- Piso Inferior
  
Medidor do nível d'água
Medidor do nível d'águaMedidor do nível d'água
Medidor do nível d'água
Medidor do nível d'águaMedidor do nível d'água
Convés-Garagem --- Piso Inferior
Convés-Garagem --- Piso InferiorConvés-Garagem --- Piso Inferior
Convés-Garagem --- Piso Inferior
Convés-Garagem --- Piso InferiorConvés-Garagem --- Piso Inferior
Praça de Máquinas --- Turbina e Gerador
Praça de Máquinas --- Turbina e GeradorPraça de Máquinas --- Turbina e Gerador

No caso específico do terremoto haitiano, na falta de seu Navio Aeródromo (que se encontrava indisponibilizado, passando por Período de Manutenção Geral), a Marinha do Brasil se viu forçada a ter que aceitar embarcar seus médicos e enfermeiros, além de pilotos, praças e dois helicópteros, no Navio Aeródromo italiano Cavour. No futuro, se as quatro unidades deste tipo de navio realmente vierem a ser adquiridas como prevê o PAEMB, provavelmente caberá ao Brasil o bônus político de podermos oferecer "carona" para tropas das marinhas dos países vizinhos.

 

Praça de Máquinas --- Turbina e Gerador
Praça de Máquinas --- Turbina e GeradorPraça de Máquinas --- Turbina e Gerador
Praça de Máquinas --- Turbina e Gerador
Praça de Máquinas --- Turbina e GeradorPraça de Máquinas --- Turbina e Gerador
Praça de Máquinas --- Turbina e Gerador
Praça de Máquinas --- Turbina e GeradorPraça de Máquinas --- Turbina e Gerador
Praça de Máquinas --- Turbina e Gerador
Praça de Máquinas --- Turbina e GeradorPraça de Máquinas --- Turbina e Gerador
Praça de Máquinas
Praça de Máquinas Praça de Máquinas
 
Praça de Máquinas --- Turbina e Gerador
Praça de Máquinas --- Turbina e GeradorPraça de Máquinas --- Turbina e Gerador
Câmara de Gás Nitroso
Câmara de Gás NitrosoCâmara de Gás Nitroso
Praça de Máquinas
Praça de Máquinas Praça de Máquinas
Praça de Máquinas --- Compressores
Praça de Máquinas --- CompressoresPraça de Máquinas --- Compressores
Praça de Máquinas --- Painéis Elétricos
Praça de Máquinas --- Painéis ElétricosPraça de Máquinas --- Painéis Elétricos
  
Console de Controle da Central Elétrica
Console de Controle da Central ElétricaConsole de Controle da Central Elétrica
Espuma Biológica
Espuma BiológicaEspuma Biológica
Bandeira da Espanha na Popa
Bandeira da Espanha na PopaBandeira da Espanha na Popa

 

Alide viajou à Europa à convite da Navantia

Last Updated on Thursday, 15 March 2012 12:25
 

Translate

Browse this website in:

Busca Rápida
Serial
(FAB, MB ou EB)


Copyright © 2018 Base Militar Web Magazine. All Rights Reserved. Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.