Programa dos EC-725 mergulha em águas cada vez mais turbulentas PDF Print E-mail
Written by Felipe Salles   
Monday, 04 April 2011 02:14

O programa de aquisição de novos helicópteros médios europeus para as três forças armadas brasileiras entrou recentemente numa fase muito complicada. Nenhum pagamento deste contrato foi feito desde 2009, e apenas a sua conta de multas contratuais já passou da casa dos 5 milhões de euros. Nenhum dos três clientes militares brasileiros, até aqui, sequer se esforçou para demonstrar uma fração do entusiasmo pelo EC-725 que tem exibido o Ministério da Defesa em Brasília. Talvez por que tenha sido justamente ali onde este negócio foi gerado e gestado.

O contrato de aquisição de 50 aeronaves é vista pelo fabricante como o pontapé de uma montagem sob licença no país que abriria a porta posteriormente para inúmeras vendas do seu variante civil (EC-225) para as empresas que prestam serviço para a Petrobras na Bacia de Campos e nos novos poços do pré-sal que recém iniciam sua produção. Das três, a FAB, justamente a gestora do contrato conjunto, sempre foi a mais crítica deste modelo, agora sendo a vez da Marinha de se juntar a ela neste forte antagonismo.

O Super Cougar é bem maior que seu antecessor, o Super Puma. Por isso, o aumento de peso vazio demandou a instalação de novos motores Turbomeca Makila 2A que, mesmo com seu aumento de potência, ainda não lhe permite alcançar um desempenho semelhante ao do modelo anterior. “A nova aeronave praticamente não tem reserva de potência, sofrendo muito com situações normais de aumento de temperatura ambiente e de altitude, quando carregada”, disse uma fonte de ALIDE.

Por questões como esta, é que as três aeronaves trazidas ao Brasil da França como cabeça de série ainda não foram aceitas pelas FFAA brasileiras. Segundo fontes de ALIDE os primeiros EC-725 do Exército  e da Marinha tiveram sérios problemas de motores o que obrigou à Turbomeca a trazer duas novas unidades da França. A FAB está numa situação crítica com a Helibras onde seu primeiro helicóptero do tipo nem mais está voando até que se acertem as divergências contratuais e técnicas.

Segundo um contato de ALIDE que, por boa razão, prefere manter-se anônimo uma das demandas principais da MB era a necessidade de substituir os Sikorsky SH-3 Sea King que disparam mísseis anti-navios, e para isso ela começou a adquirir os S-70 SeaHawk do mesmo fabricante americano. O Super Cougar, como é também conhecido o EC-725 não era capacitado para transportar e disparar mísseis antinavio, assim para atender à necessidade da marinha este armamento teria que ser certificado nele. Para realizar esta modificação, a Eurocopter inicialmente apresentou os custos de certificação do míssil Exocet AM-39 Block 1. Posteriormente, como este modelo de Exocet já se encontrava fora de produção os europeus sugeriram a sua troca pelo modelo atual AM-39 Block 2 Mod 2, “pelo mesmo valor”. Moto contínuo, o custo da campanha de certificação saltou quase que cinco vezes. Naturalmente, esta mudança explosiva de valores criou uma tremenda reação negativa dentro da Marinha, o que arriscava melar todo o programa. Tendo em vista os novos valores, a MB tendeu a novamente aceitar o Exocet Block 1 na tentativa de obter sistemas e know how que lhe serviriam para o futuro Míssil Anti Navio nacional (o MAN-1) já em desenvolvimento junto a empresas brasileiras. Sob esta nova perspectiva, a Eurocopter e seus parceiros logo se reposicionaram retornando ao custo originais, porém agora com os mísseis a serem disparados nos testes sendo cobrados por fora, assim o valor total passaria a “ cerca de duas vezes o original, mas os valores ainda não foram precisados” segundo a fonte de ALIDE ouviu dentro da Marinha. FAB e EB, sócios desta aquisição, não ficaram também nada satisfeitos ao se verem impactados com o aumento dos custos do variante da Marinha.

A tão propalada “transferência de tecnologia” (ToT), sempre foi a principal leitmotiv por trás do programa de novas aquisições de defesa desde o último governo, no caso do EC-725, e responsável por um substancial aumento de preço unitário de cada helicóptero. Segundo acertado em contrato com os europeus, a ToT do helicóptero da Marinha iria diretamente para as empresas desenvolvendo o míssil antinavio brasileiro. Recentemente a Força foi informada que não seria possível transferir a tecnologia do motor-foguete para o MAN-1, “porque este componente era fabricado por um subcontratado e assim, não era produto de nenhuma das empresas européias na cabeça do programa do Super Cougar”. Buscando uma situação de contorno, foi proposto que a ToT fosse feita em troca do conhecimento do  processo de queima do motor-foguete. Esta nova proposta teria então sido sumariamente descartada pelo seu fabricante, o que poderá deixar o MAN, como um quebra-cabeças de peças estrangeiras, montadas por técnicos brasileiros, mas quase sem transferência de Tecnologia...

Resta saber se esta sequência de dificuldades técnicas e contratuais somadas com a oposição aberta das FFAA serão capazes de encerrar o programa de uma vez por todas ou se ele seguirá adiante como o “patinho feio” do atual programa de aquisição defesa.

 Fonte: ALIDE

 

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