URUBRA I: FAB e FAU trabalham juntas para desbaratar trafego aéreo ilícito na fronteira PDF Print E-mail
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Wednesday, 04 May 2011 11:29

 

Alide foi até Base Aérea de Santa Maria para acompanhar a realização da primeira edição do exercício de defesa aérea contra tráfegos irregulares em conjunto com a Fuerza Aérea Uruguaya (FAU). A entrevista a seguir nos foi dada pelo Ten-Cel Av Spengler, do Cecomsaer, o oficial responsável pela Comunicação Social da Operação URUBRA I.

ALIDE: Como foi o ciclo de planejamento que antecedeu a URUBRA? Quantas reuniões foram necesárias e quando elas ocorreram?

Ten-Col Spengler: Ocorreram vária reuniões, em ambos os países, durante os últimos meses, visando o planejamento operacional e logístico da operação.

ALIDE: Os procedimentos operacionais empregados na URUBRA são idênticos aos usados nas VENBRA e PERBRA? Ou cada operação tem seu conjunto de regras de engajamento próprias? De que forma estes exercícios são semelhantes ou diferentes?

TCS: Todos os exercícios deste tipo são iguais, com as mesmas regras e procedimentos.

ALIDE: Quantas aeronaves tomarão parte de cada lado? Quais as unidades envolvidas de ambos os lados?

TCS: Pelo lado brasileiro estão envolvidos:

3x A-29B (3º/3º GAV – Esquadrão Flecha – BACG)
2x C-98 (1 do 5º ETA – BACO e 1 da BASM – orgânico)

E pelo lado uruguaio são:

1x Cessna 206
1x Cessna 310
1x Beech B-58
2x A-37 Dragonfly
2x PC-7 Pilatus
2x IA-58 Pucará


Todos os meios aéreos uruguaios empregados na operação pertencem à II Brigada Aérea baseada na Base Aérea de Durazno

ALIDE: Durante a URUBRA oficiais observadores de cada um dos países estarão postados nos centros de controle e nas bases do outro país?

TCS: Sim. Há oficiais (pilotos e controladores) brasileiros no Uruguai e uruguaios no Brasil.

ALIDE: Existe um cenário fictício por trás do exercício do tipo “país azul”/”país vermelho” ou os países envolvidos no cenário são mesmo o Brasil e o Uruguai?

TCS: Não há cenário fictício, como na Cruzex, por exemplo. A função da operação é treinar pilotos e controladores, de ambos os países, visando aprimorar e padronizar técnicas e procedimentos de interceptação e abordagem de tráfegos ilícitos/irregulares na região de fronteira.

ALIDE: Como é configurado o sistema de controle aéreo brasileiro e uruguaio na região da fronteira? Quantos radares, e onde?

TCS: O COMDABRA, através do CODA (Comando de Defesa Aérea), em Brasília, coordena, em conjunto com o COA do Uruguai, toda a operação.O controle do tráfego aéreo é feito pelo Cindacta II de Curitiba, através de seus vários radares, como os existentes em Canguçu-RS , Santiago-RS, etc...

ALIDE: Apenas o centro de controle aéreo fixo do Cindacta II estará envolvido pelo lado brasileiro ou será que participarão as unidades de comando e controle móveis como o 4º/1º GCC (4º Esquadrão do 1º Grupo de Comunicações e Controle)?

TCS: O comando e coordenação da operação é do COMDABRA, que aciona o Cindacta II, que então realiza o controle aéreo do tráfego e vetora a interceptação. Não há a participação operacional de unidades de radares móveis.O 4º/1º GCC, da BASM, participa através do fornecimento de suas instalações e dando o apoio necessário para o desenrolar da operação, mas sem se envolver diretamente na ação.

ALIDE: O avião-alvo é um só ou existe um uruguaio e outro brasileiro nesta função? Qual seu modelo?

TCS: Nós usamos dois transportes leves C-98 Caravan e o Uruguai emprega um Cessna 206, um Cessna 310 e um Beech B-58 Baron

ALIDE: Qual o perfil de vôo do avião alvo para cada “vôo ilegal”? Altitude, manobras, rota, etc.

TCS: O avião-alvo cumpre percurso pré-determinado, envolvendo 2 pontos intermediários de voo (que podem variar de um voo para outro) antes de seguir para o país vizinho. O tempo de vôo é de aproximadamente 2 horas para ir e 2 horas
para voltar.Todo este procedimento é realizado tanto por brasileiros como uruguaios, voando nos 2 sentidos.

ALIDE: Este avião-alvo é sempre “traficante” ou “Contrabandista” ou o cenário montado admite a existência de aeronaves legitimas apenas voando sem identificação prévia?

TCS: O avião-alvo é visto na operação como tráfego irregular (sem plano de vôo, sem informação de ocupantes, sem identificação, etc...).Não está sendo treinada, especificamente, a interceptação de aeronaves de traficantes/contrabandistas.

ALIDE: Existe previsão para “escudos humanos” neste cenário?

TCS: Não está sendo treinada esta possibilidade nesta operação.

ALIDE: A Lei de Tiro de Destruição brasileira é passível de ser invocada fora da Amazônia? Ela vale para todo o espaço aéreo brasileiro?

TCS: A Lei do Tiro de Destruição vale para todo o território nacional.

ALIDE: Como se dá a detecção do vôo irregular no radar brasileiro e no uruguaio? Como a unidade aérea é acionada? Rádio? Telefone? Quanto tempo é considerado normal para a decolagem do avião interceptador?

TCS: A deteccção da aeronave suspeita/irregular é feita pelos vários radares do Cindacta II e solicitada sua identificação.Não havendo resposta, ou sendo inconclusiva/evasiva, é acionada, por telefone, a unidade aérea de alerta (no caso, o Esquadrão Flecha), que decola em um tempo médio de 5 minutos. As aeronaves interceptadoras são
vetoradas pelo controle radar até interceptar o avião alvo.

ALIDE: O avião-alvo resiste à interceptação de alguma forma? Isso é repetido de forma “padrão” ou cada interceptação tem um desenrolar próprio obrigando ao piloto do avião interceptador a ter que interagir com o controle da
interceptação?

TCS: Nesta operação não há resistência do avião alvo.O piloto do avião interceptador interage com o controlador radar, informando e sendo informado, constantemente, sobre rota, altitude, etc... da aeronave alvo.

ALIDE: O exercício é seqüencialmente “um lá, outro cá”, ou o avião-alvo pode livremente cruzar repetidamente a fronteira dos espaços aéreos para tentar escapar dos aviões interceptadores?

TCS: Decolam aviões-alvo do Brasil e são interceptados pelos uruguaios. Após, decolam aviões-alvo uruguaios e são interceptados pelos brasileiros, sempre de forma alternada.

ALIDE: Existe algum cenário previsto de contato direto entre os dois pilotos, brasileiro e uruguaio na caçada ao avião-alvo ou cada um deles apenas fala com seu respectivo controle radar?

TCS: Os pilotos interceptadores, dos 2 países, não interagem. Eles apenas comunicam-se com seus respectivos controles radar.

ALIDE: Está previsto o controle da aeronave interceptadora do outro país pelo controle de defesa aéreo brasileiro e uruguaio?

TCS: Não está sendo treinada esta possibilidade.

ALIDE: O que ocorre se o avião de interceptação brasileiro ou uruguaio, em sua busca do avião-alvo, inadvertidamente cruzar a fronteira para dentro do espaço aéreo do outro país?

TCS: Não há possibilidade de cruzamento, pois há margem de segurança pré-estabelecida.

ALIDE: Como se afere ao final do exercício o fracasso ou o grau de sucesso do cumprimento das missões? Ao final do exercício existirá um debriefing completo e conjunto entre Brasileiros e Uruguaios ou isso é feito independentemente por cada força aérea?

TCS: As missões são avaliadas dentro das próprias unidades envolvidas na operação.No final da operação, ocorrerá um debriefing geral na Base Aérea de Durazno, no Uruguai, quando serão aferidos o êxito da operação e o desempenho das unidades participantes.

ALIDE agradece ao site AeroEntusiasta a gentil cessão das suas imagens ar-ar da URUBRA I.

Last Updated on Wednesday, 04 May 2011 20:09
 

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