Forças Armadas veem primeiros helicópteros PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Tuesday, 21 December 2010 12:29

 

 

 

Três das 50 aeronaves da Helibras adquiridas pelo governo federal foram apresentadas ontem. MP apura direcionamento de licitação envolvendo a empresa em 18 estados

 

Em uma cerimônia rápida, a Helibras entregou ontem três dos 50 helicópteros encomendados pelas Forças Armadas. O evento, na Base Aérea de Brasília, contou com uma passagem relâmpago de Luiz Inácio Lula da Silva. Antes de embarcar para o Rio de Janeiro, o presidente segurou uma maquete de uma das aeronaves, passou o olho em um dos modelos reais e seguiu adiante. O Ministério Público Federal (MPF) apura a aquisição de helicópteros dessa empresa em pelo menos 18 estados. Os processos ainda estão em tramitação. Este ano, a Helibras ganhou pregões no Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Tocantins, Distrito Federal e Bahia. As denúncias apontam para direcionamento de licitação e superfaturamento. O Tribunal de Contas da União (TCU) também analisa as supostas irregularidades. Este ano, a Corte já julgou cinco ações. Em uma delas, determina à Secretaria Nacional de Segurança Pública — responsável pelos repasses financeiros para os estados — que oriente a celebração dos convênios.

 

O acordo fechado entre o governo brasileiro e a subsidiária da francesa Eurocopter prevê a capacitação de profissionais e a entrega das outras aeronaves, que serão finalizadas no Brasil em uma fábrica implementada em Minas Gerais. O Ministério da Defesa não divulgou o custo de cada helicóptero, mas o total do projeto — incluindo a parceria estratégica — custará R$ 5,1 bilhões. Desse montante, R$ 4,9 bilhões financiados pelo governo francês e R$ 232 milhões desembolsados pelo Tesouro Nacional. Os modelos EC-725, com capacidade para até 31 pessoas, serão utilizados pelo Exército, Aeronáutica, Marinha e a própria Presidência da República.

“Não é uma simples compra de material, mas a aquisição de um pacote tecnológico. Exigimos que houvesse capacitação nacional. Um primeiro grupo de engenheiros e técnicos já realizou treinamentos na França neste semestre, depois de ter participado de uma etapa preliminar para familiarização com o equipamento, totalmente realizada no Brasil. Os primeiros contratos com fornecedores brasileiros para suprimento de partes dos helicópteros EC-725 foram firmados em outubro passado. Assim, as empresas nacionais que participarem do processo estarão homologadas também para fornecer peças para outros produtos da Helibras”, explicou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, durante a cerimônia de entrega.

Panteras

Em dezembro do ano passado, o Exército fechou um contrato de mais de R$ 350 milhões com a Helibras para a modernização das aeronaves chamadas de Panteras. A proposta era troca de motores, rádios e transferência de tecnologia. A empresa foi contratada sem necessidade de licitação.

A empresa mineira é a única fabricante de helicópteros na América do Sul. Com mais de três décadas de atuação, o capital da Helibras está dividido entre a francesa Eurocopter Participacions, a Bueinvest Representações Comerciais, do banqueiro Edmond Safdié, e a MGI Minas Gerais Participações, do governo mineiro. Mais de 500 helicópteros já foram entregues no Brasil, sendo 70% do modelo Esquilo. O Correio tentou ontem ouvir a Helibras, mas não obteve retorno. Nas reportagens anteriores, a empresa informou que se pronunciaria caso a caso sobre as denúncias quando fosse consultada.

MEMÓRIA
Indícios de fraude

Desde janeiro, o Correio acompanha as investigações do Ministério Público Federal (MPF) para compra e venda de helicópteros em pelo menos 14 estados. O governo já investiu mais de R$ 123,7 milhões nas aeronaves. Os recursos são do Ministério da Justiça e foram transferidos para os estados — responsáveis pela aquisição — por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública (Funsp) e do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Os estados foram notificados e o MPF pediu detalhes da aquisição. A intenção é criar critérios comparativos, já que as mesmas aeronaves apresentam preços diferentes. O MPF pediu também a instauração de inquérito na Polícia Federal. A principal suspeita é de fraude nos processos licitatórios, incluindo direcionamento para que a Helibras fosse vencedora dos pregões. Também há indícios de superfaturamento. (AR)

 

 Fonte: Correio Braziliense -Alana Rizzo e Igor Silveira

Last Updated on Tuesday, 21 December 2010 12:40
 

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