| Entrevista exclusiva com o representante da FASSMER no Brasil |
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| Escrito por Felipe Salles |
| Sáb, 17 de Abril de 2010 09:15 |
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A Marinha do Brasil está a procura de um Navio de Patrulha Oceânico para atender suas necessidades de operar a longas distâncias da costa. Com a entrada em operação da extração de óleo na área do Pré-Sal, definir o modelo e dar inicio a sua construção deverá ser prioridade em breve.
ALIDE procurou o estaleiro FASSMER para poder conhecer um pouco mais sobre seus produtos que poderão vir a equipar a Marinha do Brasil se forem escolhidos.
Abaixo a entrevista exclusiva com o Sr. Rene Quezada, representante da FASSMER GmbH, sobre OPV (Ocean Patrol Vessel) ou Navio de Patrulha Oceânico.
ALIDE - Nosso entendimento é que o time composto pela Fassmer e o estaleiro chileno ASMAR está oferecendo o modelo do NaPaOc chileno "Piloto Pardo" para atender ao requerimento da Marinha do Brasil para um novo Navio Patrulha Oceânico. Isso é correto?
Rene Quezada - Não. A Fassmer é a única proprietária de todos os direitos sobre o projeto OPV80 e nós vamos oferecer uma variante modelada sob medida para a Marinha do Brasil em parceria com um estaleiro brasileiro. ALIDE - Quando se iniciou o projeto do "Piloto Pardo"? Ele foi criado do zero para atender às especificações chilenas? Rene Quezada - Ele foi criado inicialmente para atender simultaneamente às necessidades das marinhas do Chile e da Argentina. ALIDE - A Marinha da Argentina também selecionou este modelo recentemente. Como caminha este programa e onde serão construídos estes navios? Quando se espera a primeira entrega aos argentinos? Rene Quezada - A Argentina selecionou este design conjuntamente com o Chile. A disponibilidade orçamentária implicou que este processo demorasse um pouco mais do que o previsto inicialmente. Os navios serão construídos pelo estaleiro Tandanor em Buenos Aires, começando a fabricação do primeiro navio ainda este ano. ALIDE - Existem diferenças de projeto significativas entre as variantes chilena, argentina e colombiana? Rene Quezada - Entre a chilena e a argentina as diferenças são mínimas, já que ambas as marinhas compartilham um objetivo de sistemas e procedimentos logísticos comuns além de apresentarem um alto grau de interoperabilidade. Os NaPaOcs argentinos terão a capacidade de navegar sob condições de leves de gelo e terá ainda um guincho para poder rebocar navios no mar. O navio colombiano terá motorização com menos potência, mas terá uma rampa na popa para lançar e recolher uma lancha interceptora de alta velocidade além de sistemas melhorados de comando e controle. ALIDE - O recente tsunami fustigou a costa chilena impactou de alguma forma o cronograma de entrega dos navios de patrulha oceânica daquele país? Rene Quezada - Esta questão seria melhor respondida pela Marinha do Chile e pelo ASMAR. Dois OPVs já estão em serviço lá, e o terceiro e quarto navios serão iniciados assim que o ASMAR esteja preparado para continuar com o projeto. ALIDE - Imagino que vocês já tiveram oportunidade de visitar os estaleiros privados nacionais, como você qualificaria eles como indústria em termos de tecnologia e know how de construção naval? Rene Quezada - Os estaleiros brasileiros são muito capazes e constroem navios no estado da arte, e muito complexos para a indústria de Offshore. ALIDE - Como é construído o projeto do "Piloto Pardo"? A partir de módulos do casco pré-montados e altamente equipados, ou tradicionalmente, desde a quilha, lançado ao mar e completado com superestrutura, armamento e sistemas, etc? Rene Quezada - A estratégia de construção depende mais na filosofia e nos equipamentos disponíveis no estaleiro local do que de nosso próprio staff de projeto. O "Piloto Pardo" foi construído com um nível intermediário de complexidade dos módulos, enquanto o Toro (OPV número 2) foi construído com um nível avançado. ALIDE - O Sr diria que o fato de sua empresa ter vendido o mesmo modelo para três das maiores marinhas do continente se constitui num ponto forte de venda para as demais marinhas que venham a precisar de um novo NaPaOc deste porte? Rene Quezada - Sim, isso é sem dúvida favorável. ALIDE - A FASSMER tem outros projetos de navios militares de outros portes (menores e maiores) para serem oferecidos à estas marinhas já satisfeitas, como projetos subsequentes aos atuais NaPaOc? Rene Quezada - Já construímos diversos tipos de navios de patrulha, a partir de 21m. Nossa mais recente encomenda, no final de 2009 foi para um Navio de Patrulha Costeira de 40m (CPV40) para a Marinha da Colômbia, a ser construído pela própria Fassmer. Nosso maior navio é um modelo de NaPaOc de 90m. ALIDE - Os clientes atuais acenam com novos lotes no futuro destes mesmos NaPaOc? Rene Quezada - Sim, Estamos otimistas, achamos que pedidos adicionais serão colocados pelos atuais clientes. ALIDE - Quais são as características e detalhes específicos que fazem que seu projeto seja superior aos demais desta concorrência? Rene Quezada - Não acreditamos que exista qualquer projeto que seja muito melhor que os demais. Nós estamos focados é em propor "soluções" criadas sob medida, o que implica uma profunda análise dos requerimentos como maneira para desenvolver a solução com o melhor custo-benefício para o cliente. A identificação dos requerimentos centrais de cada Marinha é o ponto chave no nosso processo. ALIDE - Na sua opinião, qual será o seu maior rival nesta concorrência da Marinha do Brasil? Rene Quezada - Nós nos preocupamos com a Marinha, não com os demais participantes. Todos eles são bastante competentes. ALIDE - Projetos navais geralmente são projetos modulares. Qual o máximo de armamento que poderia hipoteticamente ser instalado no seu modelo? Quantos mísseis e sensores avançados ele pode receber se um cliente hipotético assim solicitar? Rene Quezada - Nossos NaPaOc podem levar quase que a carga militar de uma pequena corveta. Sua maior diferença reside na capacidade deste projeto de suportar grandes danos em combate. ALIDE - Após a encomenda inicial de 3 navios mais duas opções, para a MB o Brasil poderá exportar este modelo para outros países? Rene Quezada - Isso é possível, dependendo unicamente da estratégia do estaleiro brasileiro com que nos associarmos. Estamos abertos a estas possibilidades. ALIDE - O quão eficiente é o sistema integrado de passadiço ("IBS" em inglês) da Northrop usado nos "Piloto Pardo" em termos de redução da tripulação total do navio? Rene Quezada - No caso de navios militares a equipe do passadiço tende a ser do mesmo tamanho independente dele usar um IBS, ou não. Isso porque muitos tripulantes são demandados por outras atividades e setores. Ainda assim estes sistemas radicalmente melhoram a segurança, flexibilidade e a consciência situacional da tripulação. ALIDE - Todos os clientes atuais usam tripulações do mesmo tamanho, ou isso varia de caso para caso? Rene Quezada - Não. Isso varia com o nível de automação e com a filosofia operacional de cada marinha; todas as marinhas que usam o nosso modelo OPV80 tem tripulações de tamanhos diferentes.
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