| Entrevista Rainer Filpe ThyssenKrupp Marine Systems |
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| Escrito por Felipe Salles |
| Sex, 30 de Abril de 2010 11:59 |
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Para entender a visão do outro competidor alemão do Navio Patrulha Oceânico em processo de compra para a Marinha do Brasil, ALIDE foi conversar com o Sr. Rainer Filpe, o responsável pelo escritório da ThyssenKrupp Marine Systems no Brasil.
ALIDE:Qual é a estrutura atual da Thyssen Krupp no Brasil? Quantas pessoas estão colocadas às funções de vendas e de marketing por aqui? Quantas pessoas estão envolvidas na preparação e submissão da proposta para o Navio Patrulha de 1800 toneladas para a Marinha do Brasil? Rainer Filpe: O pedido de informações (Request for Information - RfI), o primeiro passo do processo de compra, foi respondido à Marinha do Brasil (MB) em janeiro de 2010. O processo de preparação deste documento envolveu especialistas de toda a rede da ThyssenKrupp, incluindo arquitetos navais e engenheiros dos nossos estaleiros, sempre apoiados por contribuições específicas e pontuais do pessoal do nosso escritório no Brasil. O Grupo ThyssenKrupp atualmente emprega aproximadamente 14.000 pessoas no Brasil, em 22 distintas companhias, em 28 localidades diferentes, espalhadas por todo o país. Assim, nós combinamos uma impressionante tradição de construção naval com um longo e firme comprometimento com o crescimento e segurança no futuro. O Brasil é para a ThyssenKrupp, depois dos EUA e da China, o maior e mais importante mercado global. O nosso grupo está atualmente investindo, junto com nossa sócia a Vale, aproximadamente 5,2-bilhões de Euros (cerca de 12.3 bilhões de reais) na CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico) um complexo siderúrgico localizado ao oeste da cidade do Rio de Janeiro. Este é o maior investimento individual da história do grupo e o mais importante investimento industrial na América do Sul realizado por qualquer empresa nos últimos vinte anos. O escritório do Grupo ThyssenKrupp para todo o continente da América do Sul está localizado em São Paulo. ALIDE: Há quanto tempo a TK se encontra empenhada no programa de venda dos Navios Patrulha (NPa) de 1800 toneladas para a Marinha do Brasil? RF: Nós iniciamos este processo do Npa de 1800 toneladas para a Marinha do Brasil há cerca de quatro anos atrás. ALIDE: Qual é precisamente o modelo de navio que está sendo ofertado pela ThyssenKrupp para a Marinha do Brasil nesta concorrência? Para qual marinha este modelo já foi vendido e entregue ao redor do mundo? RF: Nesta concorrência a ThyssenKrupp Maritime Systems (TKMS) está ofertando o projeto “NPa 1800 Ocean Patrol Vessel (Navio de Patrulha Oceânico, em inglês)”, um navio de águas azuis super versátil com um projeto básico provado que foi especialmente adaptado e desenvolvido de acordo com os requerimentos da MB. O modelo NPa 1800 proposto é baseado no projeto MEKO® 100 construído para a Marinha da Malásia. A versão que oferecemos à Marinha do Brasil é uma nova evolução deste design provado operacionalmente, combinando as atualizações estado da arte como a proa de design avançado que permite o atingir velocidades maiores, assim como uma disposição otimizada para atender aos requerimentos da Marinha do Brasil, e a incorporação de mais tecnologia na área de maquinas e de eletrônicos. Como resultado, o NPa 1800 se posiciona na vanguarda tecnológica, com o design apresentando esta otimização através de uma “aparência” ainda mais moderna enquanto integra todas as características já provadas e testadas da MEKO® 100. ALIDE: A Marinha do Brasil recentemente externou repetidamente que qualquer modelo de navio patrulha ofertado em sua concorrência seja previamente testado e operacional. Como estye requerimento é atendido pelo NPa 1800 da sua empresa? RF: Sem dúvida. A Malásia já tem dois navios deste modelo em serviço, com outros quatro em diferentes estágios de construção, testes de construtor e de aceitação. Além do mais a forma melhorada do casco do projeto da TKMS criada para o Brasil já foi totalmente testada e verificada em tanques hidrodinâmicos e hidrostáticos do prestigioso e independente instituto de testes alemão em Hamburgo e temos a certeza absoluta de que este navio não representa qualquer tipo de risco para a Marinha do Brasil. ALIDE: Quantos estaleiros brasileiros foram contactado/visitados por sua companhia durante o preparo da sua proposta? RF: Nós contactamos, visitamos e tivemos discussões produtivas com quase a totalidade dos estaleiros locais que são parceiros potenciais para a implementação deste programa. ALIDE: Como o Sr descreveria a atual infra estrutura e o “know how” brasileiro na construção naval? RF: A indústria de construção naval brasileira apresenta algumas capacidades e aspectos impressionantes, como se pode inferir automaticamente pelos tipos de navios produzidos aqui. Para nós esta é uma indústria que se encontra no meio de uma tremenda fase de crescimento e expansão. Isso envolve não apenas a capacidade, mas, também tecnologias e projetos. Um número de novos estaleiros construídos no estado da arte junto com a modernização dos estaleiros existentes, quase sempre para apoiar os setores do offshore e do apoio ao offshore, indica que a capacidade industrial já instalada provê uma excelente base para parcerias beneficiando ambos os lados. No setor naval militar a tarefa envolverá a transferência de tecnologias, de conhecimentos avançados e de know how. Entre outra isso poderia envolver auxiliar os estaleiros locais a integrar plenamente ,usar os seus investimentos em modernização de equipamentos que estejam associados ao projeto de Navio Patrulha Oceânico brasileiro, ao mesmo tempo em que se minimizam os riscos para o programa e se garante que a Marinha do Brasil receberá os navios que ela deseja. A ThyssenKrupp Marine Systems tem muitas décadas de experiência ao redor do mundo em parcerias para o apoio de programas nacionais de construção naval em numerosos países. A fabricação local dos nossos projetos, com total e real transferência de tecnologia para a indústria do país é nosso modelo padrão de negócios, onde mais de setenta navios militares de projeto da TKMS foram construídos com sucesso em onze países clientes ao redor do mundo nos últimos 50 anos, incluindo no Brasil. As divisões de design, construção naval e de consultoria para estaleiros tem, nos últimos anos apoiado nas últimas três décadas o desenvolvimento naval em pelo menos 20 países. A capacidade de oferecer um leque completo de serviços e de suporte aos estaleiros locais desde uma única fonte garante um grau particularmente alto de transferência de tecnologia e de competências que beneficia o país recipiente no longo prazo. ALIDE: O Sr. Qualificaria o recente programa de grande escala de construção naval ligada à indústria de petróleo como uma “influência positiva” ou como um “sério concorrente” para as ambiciosas aspirações de construção naval da própria Marinha do Brasil? RF: Não existe dúvida que o imenso programa de construção naval iniciado pela Petrobrás para benefício do programa offshore irá representar uma importante alavancagem para toda a indústria de exploração offshore. O programa irá, certamente, garantir que a capacidade industrial instalada assim como as competências locais sejam usada ao seu limite. Mas isso também significa que a capacidade de investimento para a expansão está disponível, junto com uma disposição e um desejo de se apoiar no apoio de parceiros como a ThyssenKrupp Marine Systems. Neste contexto, os projetos da Marinha do Brasil, desde o atual NPa costeiro atual de 500 toneladas, passando pelo NPa Oceânico, em direção ao ambicionado futuro programa de fragata, sem dúvida garantirá um futuro sustentável e de longo prazo para a os estaleiros navais militares brasileiros e aos fornecedores ligados a eles. Isto, certamente, será um desafio para o estaleiro ou estaleiros locais escolhidos para participar dos programas navais para interagir com a empresa ou empresas internacionais escolhidas para entrar em parceria e garantir que estes novos programas de construção de navios de superfície atendam e possivelmente até superem as expectativas da MB e do governo brasileiro. Mas tendo em vista a combinação de capacidade e flexibilidade que apresenta a ThyssenKrupp Marine Systems com sua experiência global na implementação de programas desta natureza, nós complementaríamos a energia, experiência e conhecimento local dos estaleiros brasileiros escolhidos, dando a certeza de que todos os requerimentos podem ser atendidos. ALIDE: Porque o seu modelo de NPaOc seria o mais adequado para atender às necessidades da MB no futuro? RF: O navio específico proposto pela ThyssenKrupp Marine Systems para a Marinha do Brasil combina uma série de elementos críticos para as demandas do mundo moderno no ambiente marítimo. O navio é um patrulheiro de águas oceânicas no estado-da-arte otimizado para atender a todos os exigentes requerimentos funcionais e logísticos da Marinha do Brasil. O navio tem excepcionais características marinheiras, mobilidade e alcance para permitir operações de longa duração, incluindo operações aéreas em qualquer tempo, no mar aberto e em condições de mar adversas do Atlântico onde a Marinha espera operar estes navios. Não apenas este navio ser muito adequado para todas as tarefas que a Marinha deseja lhe atribuir atualmente e também no futuro próximo, mas ele foi projetado para ter uma margem de crescimento que lhe permitirá assumir novas missões, algumas das quais ainda não foram nem identificadas ainda. Isso é particularmente importante uma vez que os navios militares projetados pela TKMS já provaram ter uma vida desserviço ativo superior a 30 anos. As experiências das forças armadas ao redor do mundo nas duas últimas décadas, em particular as marinhas, demonstram que dispor de uma margem para crescimento futuro pode ser um fator crucial quando as tarefas a serem cumpridas e os desafios operacionais se alteram de forma inesperada com modificações nos cenários das ameaças e da segurança regional. O crescimento da pirataria e o requerimento de um novo papel marítimo ligado às operações de manutenção e imposição da paz são apenas mais dois exemplos recentes desta tendência. Com suas margens de crescimento inseridas na fase do projeto o NPa 1800 Ocean Patrol Vessel da ThyssenKrupp Marine Systems poderá acomodar estes novos equipamentos adicionais que venham ser requeridos no future, como, por exemplo, comunicação interativa digital com o resto da esquadra ou para a integração de AUVs e UUVs. Ao mesmo tempo os custos totais da vida operacional podem ser reduzidos com um design que faz a troca ou a introdução de novos equipamentos algo simples e muito economicamente acessível. ALIDE: Qual é o conjunto de tecnologias de construção avançadas que se espera seriam transferidas aos estaleiros brasileiros caso a TK venha a ter seu modelo escolhido pela Marinha? RF: A resposta para esta pergunta depende muito de qual estaleiro brasileiro seja selecionado para realizar esta parceria industrial com a TK. Como dito anteriormente, é a nossa opinião que a indústria naval brasileira dispõe muitas capacidades industriais e pontos fortes bem desenvolvidos. Seja qual for o estaleiro com quem venhamos a trabalhar ele já pode cogitar com duas importantes vantagens da TKMS: Inicialmente nossa longa e muito positive experiência em trabalhar junto com as indústrias navais e com as marinha dos nossos países cliente ao redor do mundo garantindo que as tecnologias e os know hows necessárias são transferidos, e que Em segundo lugar, que temos uma longa e exitosa história na garantia efetiva destas tecnologias e conhecimentos técnicos de forma que possam ser usados plenamente por nossos parceiros no país cliente. Além do conhecimento prático também podemos compartilhar com nossos parceiros conhecimento sobre a melhor maneira de estruturar sua organização e otimizar os fluxos de fluxos de trabalho, incluindo técnicas de construção modular, uma competência chave a ser compartilhada seriam nossas habilidades e experiências no processo de integração de cada aspecto da construção naval militar, desde a plataforma até os sistemas de comunicação, armamento, e sistemas de auto-proteção. ALIDE: Se seu projeto for selecionado como isto impactaria o tamanho de sua unidade de construção naval no país? Haveria a necessidade de contratação de novos engenheiros, técnicos, etc.? RF: Uma vez mais isso dependeria de com quem nós teríamos que nos associar aqui no Brasil. Nós iremos, junto com o estaleiro local, realizar uma profunda análise das capacidades técnicas e meios existentes no parceiro para determinar que transferências de conhecimentos e de pessoal seriam necessárias de uma forma que seja economicamente razoável. ALIDE: Existe previsão de alguma interação entra a TK e universidades brasileiras no caso de os Srs serem escolhidos como vencedores deste processo de seleção? RF: Neste ponto ainda não existe nenhuma cooperação deste tipo ativamente sob consideração, mas o tema já foi discutido pela TKMS, que tem uma longa história de parceria com as universidades alemãs que já tem programas acadêmicos focados na pesquisa para a indústria naval. Por exemplo, estamos discutindo com outro país-cliente a possibilidade de criar uma parceria entre a Technical University of Hamburg. A Hamburg Technical University tem grandes competências e uma longa e reconhecida tradição internacional de inovação e excelência na arena da construção naval. ALIDE: Quais são os pontos-chaves deste projeto, no passado e no futuro? Quando se espera que seja anunciado o vencedor desta etapa? RF: A próxima data importante deverá ser o anúncio do “shortlist” de três ou quatro estaleiros internacionais que receberão o pedido de proposta (Request for Offer - RfO- em inglês). Fomos informados que a MB pretende anunciar isso entre maio e junho deste ano, e que a decisão final sobre o modelo vencedor ocorreria até o fim do ano. ALIDE: Quantos profissionais brasileiros (militares e civis) deverão ser levados à Alemanha para trabalhar neste programa caso a TK vença? RF: Como você bem sabe, todos os navios deste programa serão fabricados inteiramente no Brasil, o que implica que não será necessário o envio de grandes equipes para a Alemanha como seria o caso de marinhas que utilizassem os nossos próprios estaleiros para a construção. Mas isto, ainda assim, é um daqueles itens que ainda terá que ser acertado com nossos futuros parceiros. ALIDE: O Sr não teme que o repetidamente citado acordo geoestratégico assinado entre o Brasil e França se constitui numa “barreira” para a venda de equipamento militar não francês fará das forças armadas? RF: Para nós está muito claro que esta é uma concorrência justa, aberta e transparente, sem qualquer barreira de qualquer tipo. Estamos convencidos que a decisão do governo brasileiro e da MB se baseará exclusivamente naquilo que melhor atender às necessidades operacionais brasileiras: - O navio mais adequado às necessidades da marinha - A habilidade e a determinação de transferência de tecnologia e habilidades técnicas para a indústria naval brasileira como contribuição para a solidificação de sua habilidade estratégica para crescer e para assumir cada vez maiores e mais complexos programas de construção naval A experiência no gerenciamento de grandes projetos como este garantindo, ao mesmo tempo, que os riscos sejam os mínimos - As melhores condições comerciais, incluindo o plano de offset - E, finalmente, a melhor parceria estratégica marinha-marinha e também entre os dois países Acreditamos que nós podemos atender perfeitamente cada um destes itens acima. ALIDE: Faltaria fazer mais algum comentário? RF: A ThyssenKrupp Marine Systems tem confiança de sua capacidade para se constituir em uma importante parceira e para apoiar o governo brasileiro, a Marinha do Brasil, e a indústria naval brasileira como o parceiro de longo prazo para todo o programa de construção de novos meios de superfície. Acreditamos que somos o parceiro ideal para o Brasil porque temos uma tradição de construção naval military que combina inovação e excelência junto com a mais ampla experiência na construção de navios com estaleiros locais nos países de nossos clientes. Também porque nossa corporação-mãe, a ThyssenKrupp AG, se encontra plenamente comprometida no longo prazo com o crescimento future, com a prosperidade e com o desenvolvimento industrial do Brasil.
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