| A Cité de la Mer e o SSBN Le Redoutable |
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| Escrito por Felipe Salles e Leo Melo |
| Qua, 17 de Junho de 2009 12:07 |
![]() Cherbourg: A Cidade do Mar Inaugurado em 28 de junho de 2002 a Cite de La Mer (Cidade do Mar) colocou a cidade francesa de Cherbourg no circuito das cidades européias que contam com um museu naval. E que museu! Cherbourg Cherbourg, que abriga um dos maiores e mais tradicionais portos da França, fica na região da Baixa Normandia, no norte da França, estrategicamente posicionada de frente para o Canal da Mancha e para a costa sul das Ilhas Britânicas. Atualmente a cidade conta com cerca de 40 mil moradores e abriga um dos maiores pólos industriais do estaleiro francês DCNS. Desde a idade média a região tem continuamente se desenvolvido em direção as oportunidades marítimas, tendo um estaleiro em operação desde 1862. Em Cherbourg esta empresa concentra todo seu desenvolvimento e fabricação de submarinos para a marinha local e para a exportação. Os Scorpenes para o Chile e para a Malásia foram parcialmente fabricados aqui e, neste momento, aqui está sendo construída a nova classe de submarinos nucleares de ataque franceses, os SNA da classe Suffren (ex-Barracuda). A Gare Maritime Em Cherbourg ficava o Terminal de Passageiros (ou, Gare Maritime, em francês) que foi inaugurado em 1933 sendo testemunha da era de ouro das viagens oceânicas levando os imigrantes europeus para a América, um belo monumento da arquitetura art-deco francesa. Este terminal era dividido em dois grandes blocos: um era o lado “Gare”, de onde partiam os trens para Paris, localizada a apenas três horas e meia de distância. O outro era o lado “Maritime” que dava acesso a dois navios atracados simultaneamente. Uma característica interessante desta construção era a existência de “fingers”, semelhantes aos que se usam atualmente nos aeroportos modernos, que permitiam a entrada/saída de mais de mil passageiros por hora. Originalmente o terminal media 240 metros de comprimento com 93 metros de largura, à época de sua construção ele era o segundo maior edifício na França, depois do Palácio de Versailles. Some-se a isso que o porto da cidade foi um dos principais da Europa no início do século XX. No verão de 1944, durante as batalhas pela libertação da cidade, o porto e o terminal pagaram um pesado preço. Os militares invasores alemães cientes do alto valor logístico representado por este terminal para o premente desembarque de tropas aliadas no continente europeu, procedeu a demolir, com dinamite, grande parte do lado sul do terminal, assim como todo sua torre do relógio de 70 metros de altura. No pós-guerra o terminal foi parcialmente reconstruído, sendo reinaugurado em 1952. No entanto, com o rápido desenvolvimento do transporte aéreo de massa, as viagens marítimas de passageiros inevitavelmente perderam sua fatia dominante no mercado transatlântico. Hoje 9000 metros quadrados do hall original estão preservados. Em 1996 um terminal de navios de cruzeiro foi inaugurado no local, retomando, ainda que parcialmente, a finalidade original da construção. O Museu do Mar O museu foi inaugurado em 2002 e é composto pelo submarino Le Trionphant e de dois prédios, um edifício novo, na ponta norte do píer e de aquilo que restou da Gare Maritime. Hoje, o prédio antigo abriga o Hall Principal de entrada do Museu com uma exposição permanente de submarinos de pesquisa para mergulho profundo, um simulador de imersão completa e um restaurante com cozinha típica da Normandia. A fascinação do homem pelo mar é proporcional ao seu temor por ele. Na antiguidade estes temores eram representados por sereias, serpentes marinhas e outros “monstros”. Na medida que a evolução tecnológica permitiu ao homem conhecer melhor o mar, estes temores naturalmente desapareceram. Esta evolução é mostrada num corredor circular, desde Alexandre Magno, que teria mergulhado num sino, seguindo até a indústria de petróleo offshore de hoje. O edifício novo contém 17 aquários diversos com um variado leque de criaturas da vida marinha, além de um “aquário abissal” com quase 11 metros de profundidade, o mais profundo da Europa. Aqui também ficam dois salões que demonstram de forma muito interativa as tecnologias que permitem que um submarino navegue com segurança sob as águas. Muitos trajes de mergulho e veículos de exploração científica usados até hoje se encontram pendurados do teto neste museu, verdadeiros monumentais crustáceos de aço e fibra de vidro. Uma destas atrações é o Barril de Lethbridges. No começo do século XVIII, um certo John Lethbridges, criou uma embarcação em formato cilíndrico que permitia ao seu “piloto” mergulhos de até 20 minutos sob o mar. Não parece muito, mas naquela época isso foi o suficiente para fazer de Lethbridges um homem rico, já que a Companhia das Índias Ocidentais o contratou para recuperar tesouros de galeões afundados no fundo do mar. Seguindo adiante encontramos a ala dedicada às grandes expedições oceanográficas e às profundezas do fundo do mar. Posteriormente, existe uma sala que mostra as descobertas arqueológicas submarinas feitas ao longo da História e a incrível evolução da tecnologia de arqueologia submarina. Entre os importantes achados arqueológicos exibidos aqui encontram-se vários objetos retirados dos destroços do CSS Alabama, um navio de guerra confederado que cruzou meio mundo afundando navios comerciais americanos e que foi afundado logo após deixar o porto de Cherbourg. O algoz do Alabama foi o USS Kearsage. Os restos do navio foram localizado em 1985 a uns 60 metros abaixo do nível do mar. Outra das atrações é o batiscafo Archimède. O batiscafo é um submarino desenhado para mergulhar a enormes profundidades. Ele começou a ser construído em 1955 e lançado ao mar construído em 1961, sob orientação de seu inventor Auguste Piccard. Em 25 de julho de 1962 na Fossa do Japão, eles atingiram a profundidade de 9.545 m, aquém dos 10.916 da Fossa das Marianas. Mas o legado do Archimède foi maior. Antes de sua carreira encerrar em 1974 ele percorreu 34 km no leito do Oceano Atlântico trazendo mais de 9000 fotografias e 810 kg de rochas. O Le Redoutable O Le Redoutable é o primeiro de uma série de 6 submarinos nucleares lançadores de mísseis balisticos franceses. Lançado ao mar em 1967, operou até 1991 quando foi descomissionado após um total de 51 patrulhas. Após sua retirada de serviço, ele foi docado e seu reator nuclear removido. Hoje ele é o maior submarino do mundo em exposição pública, embora o estreito local onde se encontra não permita uma visualização das melhores de seu exterior.
O submarino se encontra num dique seco, logo ao lado do edifício novo do Museu. Para facilitar a visita foi criado um “caminho” interno que começa numa “porta” de visitantes cortada a re do casco de pressão e que termina em outra “porta” posicionada bem a vante do casco. O roteiro da visita cruza as principais áreas do navio e um aparelho sonoro portátil vai explicando ao visitante, ponto a ponto, as principais características e funções dos diversos pontos de interesse dentro do submarino.
A visita começa pelo eixo da propulsão e pelo motor elétrico. Segue para a proa, pelo coredor de boreste, passando pela casa de máquinas e pelos sistemas de geração e de controle da eletricidade. A seguir, passa-se pela área (vazia) onde ficava o reator nuclear. Em seguida vem os dezesseis tubos verticais de lançamento dos mísseis balísticos M2/M4. Cada tubo tem, seu próprio painel de controle e de acionamento, e também tem a “corneta” em bronze, parte de seu próprio sistema de comunicação via tubos de ar. Seguimos pelo compartimento de controle e comando, devidamente iluminado por uma forte luz vermelha. A seguir o passeio nos leva à cabine do comandante, aos camarotes dos oficiais, praça d’armas e refeitórios dos praças.
No final, logo antes de se sair do submarino, visita-se o compartimento de torpedos localizado na proa. Este submarino foi capaz de disparar operacionalmente os torpedos franceses dos modelos ECAN (Etablissement de Constructions et Armes Navales) F17 e ECAN L5.
O Le Redoutable foi um projeto muito importante, pois indicou a seriedade com que o Governo Francês encarava a sua dissuasão nuclear na década de sessenta. Os americanos e russos optaram por iniciar sua indústria naval nuclear nacional com submarinos nucleares de menor porte, verdadeiros protótipos, provas de conceito, e só então fazer projetos mais arriscados e complexos. Os franceses ao contrário, partindo atrasados, pularam todas as etapas e desenvolveram de uma só vez a propulsão naval nuclear, seu emprego em submarinos, cascos de pressão de grande porte, mísseis balísticos nucleares lançáveis sob o mar e o próprio submarino lançador de mísseis balísticos. Surpreendente, a ousadia tecnológica francesa deu certo e ao fim do último submarino desta classe, a França pode então produzir os demais produtos, mais simples e necessários para completar a frota: os submarinos SNA da classe Rubis.
Ao longo de suas carreiras operacionais os navios desta classe sofreram profundas modificações que os permitiram lançar os mísseis M1, M2 e, posteriormente, o míssil, maior e mais pesado, M4 MSBS (Mer Sol Balistique Stratégique, em francês). Por ter sido o primeiro de sua classe, o Le Redoutable acabou não sendo modernizado. Neste momento o último dos Le Redoutable se encontra prestes de ser substituído pelo último dos novos submarinos lançadores de mísseis balísticos da classe Le Triomphant. A Classe Le Redoutable Le Redoutable (1971-1991) Le Terrible (1973-1996) Le Foudroyant (1974-1998) Le Indomptable (1976-2003) Le Tonnant (1980-1999, primeiro submarino capaz de lançar o míssil M2) Le Inflexible (1985-2008, primeiro submarino capaz de lançar o míssil M4) Os Mísseis Balisticos franceses O programa de mísseis nucleares da França se iniciou em 1959 pelas mãos da empresa SEREB - France (Empresa de Estudos e Fabricação de Mísseis Balísticos). Em 1970 esta empresa foi colocada sob o guarda chuva da holding estatal francesa Aérospatiale, que em 2000 foi fundida com as empresas DaimlerChrysler Aeroespace, alemã e a CASA, espanhola, para criar a mega-holding européia EADS. Depois de uma sequencia de protótipos e modelos de teste, em 1971 entrou em operação o modelo M1 com uma cabeça de combate nuclear, dois estágios e 3008km de alcance. Meros dois anos depois, surgiu o modelo M2 e seu derivado M20. O M20 tinha performance semelhante ao M1 tendo sido usado entre 1974 e 1980. O modelo seguinte, o M4, um míssil bem maior e com três estágios, seria radicalmente diferente dos anteriores. Nele a ogiva única usada anteriormente seria substituída por seis MIRVs (Ogivas múltiplas independentemente controladas) tecnologia que dificulta sobremaneira qualquer tentativa pelo inimigo de interceptação durante a fase terminal do ataque. A versão final foi a M45, um M4 melhorado e atualizado, com 3.900 Km de alcance, modelo que ainda está em operação nos submarinos da Marinha da França.
Finalmente, em 9 de novembro de 2006, foi disparado o primeiro míssil balístico da mais nova geração, o M51. O M51, com alcance de cerca de 11.000 Km é o primeiro míssil verdadeiramente intercontinental projetado na França. Para ter uma visão mais detalhada sobre este ambicioso programa, não deixe de visitar a página http://www.astronautix.com/lvs/msbs.htm Para chegar lá: Cherbourg não é uma cidade fácil de se chegar de avião. De Paris até lá as melhores opções são inegavelmente o trem ou carro. De trem, Cherbourg fica a cercaa de 3h30 da capital francesa. Se sua viagem incluir também uma passada pela Inglaterra, os ferryboats podem ser uma boa opção pois ligam esta cidade francesa aos portos de Poole, Portsmouth, às ilhas britânicas de Jersey e Guernsey, além de Rosslare Harbour, na Irlanda. Muita atenção, pois a frequencia das partidas dos ferries é muito maior no verão do que no resto do ano. A área urbana da cidade de Cherbourg é bem pequena e compacta ao redor do porto. A distância entre a entrada do Cité de la Mer ao centro da cidade é de pouco mais de um quilômetro, nada muito desafiadoe em termos de caminhada, mas se preferir chame um taxi. A entrada do museu custa 18 euros na alta estação e 16 na baixa, crianças entre 5 e 17 pagam respectivamente 13 e 11 euros. Mas convém sempre verificar antes de viajar no site oficial( www.citedelamer.com ) os horários de abertura, já que elas variam bastante ao longo do ano. Boa viagem! ALIDE viajou pela França a convite da DCNS
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