| Museu do Vasa |
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| Escrito por Leo Melo |
| Qua, 17 de Junho de 2009 12:38 |
Do lodo ao museu O Vasa, o grande navio de guerra sueco é um exemplo claro do velho dito popular, “A pressa é inimiga da perfeição” Não fosse a pressa de um rei em colocar no mar uma belonave poderosa, e talvez ele não tivesse afundado. Mas infelizmente este belo navio sucumbiu, não diante de uma esquadra mais poderosa ou bem comandada, mas sim diante da natureza e da pressa na sua construção. Em 1626 a Marinha Sueca já havia sofrido algumas perdas severas na Guerra dos Trinta Anos. Era necessário não apenas reverter essa situação, mas também mostrar aos seus rivais poloneses, e aos demais países bálticos, que a Suécia ainda tinha força. O rei Gustavo Adolfo ordenou então construção do mais bem armado navio de guerra do mundo até então, o Vasa. O curioso é que o Vasa era apenas o primeiro de uma série de cinco navios poderosos que a marinha sueca construiu, mas os outros, ao contrário do Vasa, não tiveram o mesmo destino. O Vasa afundou após navegar menos de 1 milha náutica. E a razão para isso entre outras, é que o Vasa foi construído numa época de transição da arquitetura naval. Enquanto os navios anteriores a esta época eram mais leves e de casco raso, o Vasa era um navio também de casco raso, porém, muito mais pesado que seus contemporâneos, o que fez com que uma rajada de vento mais forte, o fizesse soçobrar. Some-se a isso a ambição de construir uma nave poderosa, fez com que Vasa fosse dotado de um número de canhões muito superior aos navios de guerra de então, o que desequilibrou o navio totalmente. No dia 10 de agosto de 1628, o Capitão Söfring Hansson, partiu com o Vasa para sua primeira viagem. O mar estava calmo nada aparentava estar errado. Mas bastou um vento forte para fazer com que a embarcação adernasse para bombordo e permitisse que a água entrasse pelas portas dos canhões. Era o fim. Pelo menos por enquanto. Apesar dos esforços de embarcações próximas cerca de 50 pessoas, muitos dos quais parentes dos marinheiros, morreram afogadas. O Rei foi notificado e queria algumas cabeças pelo desastre, mas apesar do inquérito apontar algumas culpas, ninguém foi de fato, punido. Houve pelo menos uma uma tentativa para tentar tirar o navio do fundo do mar, o que pensando bem, não deveria ser tão difícil considerando-se que ele se encontrava apenas a uma profundidade de 32 metros. Mas estamos falando de uma tentativa de resgate no Século XVII, o que torna as coisas bem mais complicadas. Como a tentativa foi mal sucedida, resolveram recuperar apenas os canhões, onde houve sucesso. Cerca de 50 deles foram recuperados. Após este salvamento, o Vasa foi parcialmente esquecido. Parcialmente, pois permaneceu na história sueca mas sua localização foi perdida. Saindo do lodo mais de 300 anos depois Em 1956, o Vasa foi encontrado novamente e começaram os planos para tirá-lo do fundo do Báltico, um trabalho perigoso que teve início em 1959 e só foi concluído em 24 de abril de 1961, quando o navio voltou a superfície depois de 333 anos sob o mar. Logo após ser retirado da água, o navio foi colocado num estaleiro chamado de “Estaleiro Vasa”. Para evitar que a madeira do casco, após tantos tantos anos sob o mar encolhesse, se retorcesse e destruísse por completo o navio. Aqui foi implementado pela primeira vez um longo e delicado processo de inserção de cera liquida no interior da madeira em substituição da água da foz do rio. Só assim, foi possível expor o navio no seco em seu formato original. O Vasamuseet Em 1981 o governo sueco decidiu que era necessário um museu condizente com o valor histórico do navio e iniciou um processo de seleção para a construção do museu que foi aberto ao público em 1990. O leitor de ALIDE perguntará, após ver as fotos de Felipe Salles, o porquê do navio não ter se deteriorado completamente, como normalmente ocorre em naufrágios de navios de madeira. A explicação neste caso é simples. Nas águas do Báltico não ocorre a presença do Teredo (ou Taredo) navalis, um molusco, com formato de verme que devora madeira. O interior do Museu é bem escuro propositadamente, isso para evitar que os raios solares danifiquem mais ainda a frágil madeira do navio. O Vasa tem um grande valor arqueológico, pois nunca um navio deste porte havia sido descoberto antes, em tão bom estado de conservação. Este navio é, com certeza, um dos grandes achados arqueológicos do século XX e um passeio imperdível para os aficionados da história naval que por ventura se encontrem em Estocolmo. Para chegar lá: Não há vôos diretos do Brasil para Estocolmo, mas se pode chegar lá via qualquer das grandes capitais européias como Londres, Paris, Frankfurt e Lisboa. O Vasamuseet fica localizado num imenso prédio de arquitetura moderna especialmente construidos para este fim na Ilha de Djurgården na capital sueca, Estocolmo. O acesso ao Museu é muito fácil de qualquer parte da cidade seja de táxi ou de ônibus. O Vasamuseet fica a menos de três quilômetros do centro da cidade. Site do museu: www.vasamuseet.se
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