| LAAD 09 - O MinDef "arranca em primeira marcha" |
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| Escrito por Felipe Salles |
| Qua, 17 de Junho de 2009 17:29 |
![]() A exposição LAAD - Latin American Aviation & Defense – que ocorre a cada dois anos no Rio de Janeiro, conseguiu a façanha de crescer, mesmo em meio à relevante crise internacional atual. Desta vez, entre 14 e 17 de abril a grande novidade foi a marcante mudança de atitude do país anfitrião. Muito diferente da clara "apatia" verificada dois anos atrás, parece ter finalmente descoberto seu papel de destaque na promoção e desenvolvimento de uma indústria de material de defesa de características claramente nacionais. O evento Novamente, o Rio foi o destino para cinco ministros da defesa e 45 comitivas oficiais vindas de 43 países. Esta edição foi a maior de todas as LAADs realizadas até hoje, com a presença de 18,200 visitantes (30% a mais do que na última edição) e 336 empresas expositoras. Noventa e três empresas da indústria nacional se fizeram presentes neste evento. O Pavilhão 3 do Riocentro abrigou o evento em 27.000 m² de área interna com outros 5.000 m² utilizados na área externa. As empresas que ainda não vieram com seus próprios estandes acabaram fazendo parte dos 14 Pavilhões nacionais existentes neste ano. A END é apenas o começo Se em 2007, a participação do governo e das forças armadas do Brasil na LAAD transmitiu uma clara sensação de distanciamento, de passividade, em relação ao evento, 2009 não poderia ter sido mais diferente. A grande virada conceitual verificada agora, sem dúvida, foi a publicação, em dezembro de 2008, da Estratégia Nacional de Defesa, a END. Este documento foi escrito a muitas mãos, mas capitaneado fundamentalmente pelo Professor Roberto Mangabeira Unger, Ministro Extraordinário de Assuntos Estratégicos, e pelo Ministro da Defesa Nelson Jobim. Neste documento fica claro que o governo brasileiro enfim compreendeu a necessidade de contar com forças armadas modernas, tanto em termos de equipamento, quanto de doutrina. A END claramente aponta para a necessidade da indústria de defesa do país ser pujante, criativa e capacitada para atender as demandas peculiares das FFAAs nacionais. Isso além de se qualificar como fornecedor capaz e competitivo para outros clientes militares no exterior. A importante contratação de produtos e serviços da Embraer, anunciados com grande destaque logo no primeiro dia, e a visita do próprio Presidente Lula na noite de abertura serviram como atestado do renovado interesse e compromisso do Governo Federal com o tema da defesa nacional e principalmente, da indústria de defesa nacional. A Embraer na LAAD Na tarde do primeiro dia, a Embraer chamou todos os repórteres que acompanham suas atividades, e que estavam presentes no Riocentro, para um anúncio importante. Na presença do Ministro da Defesa, dos comandantes da Aeronáutica e da Marinha, e de dezenas de oficiais generais de todas as forças, Frederico Curado, Presidente da Embraer, anunciou o fechamento de dois contratos de porte com as duas Forças Armadas brasileiras. Orçados em US$1,44 bilhões, foi contratado o desenvolvimento de aviões para a Força Aérea Brasileira e a modernização de caças para a Marinha do Brasil. Com a Marinha foi assinado o contrato para a modernização de 12 dos 23 caças embarcados A/F-1 da Aviação Naval. Esta modernização aproveitará muitos dos ensinamentos e componentes já desenvolvidas para o programa F-5BR, colocando aviônica moderna e novos mísseis WVR (míssil de curto alcance) e BVR (Míssil para além do alcance visual) à disposição deste caça clássico. Com esta modernização, a FAB passará a operar a versão mais potente jamais criada do McDonnell Douglas Skyhawk em todo o mundo. Com a FAB, foi assinado um contrato de R$ 2 bilhões para o desenvolvimento e a construção de dois protótipos do cargueiro tático e avião reabastecedor KC-390. Este modelo será o maior e mais pesado avião jamais desenvolvido no Brasil. Diferente do que se previa na LAAD anterior a ligação deste novo produto com a família de aeronaves comerciais EMB-190/195 ficou muito menor após a entrada integral da FAB neste programa. A versão apresentada na LAAD tinha agora cauda em “T” e uma fuselagem mais larga. Diferente do C-130 Hércules que o novo avião busca substituir, a com seção reta do interior do compartimento de carga do KC-390 é quase que totalmente desimpedida da interferência de estruturas da asa e do trem de pouso. Isso aumenta bastante o numero de cargas que podem ser transportado pelo novo avião. Comparado com a histórica lentidão verificada na assinatura dos programas anteriores como a modernização dos F-5BR e dos AMX-M , a agilidade no fechamento de ambos os contratos pegou todos os analistas e observadores da indústria de defesa nacional de surpresa. Resta saber se este será o novo patamar do Ministério da Defesa/Governo Federal, ou se esta movimentação foi apenas uma reação desesperada em tempos de crise global. A Mectron tira um ás da manga A Mectron, o fabricante nacional de mísseis, surpreendendo à maioria dos analistas presentes na LAAD, apresentou em seu stand um kit completo de bomba guiada por satélite. Seria uma grande façanha se este kit usasse apenas o padrão GPS americano para sua aorientação. Mas, segundo os representantes da empresa, o kit opera também com sinais da constelação de satélites GLONASS da Rússia e, possivelmente, adicionará num futuro próximo, também o padrão europeu Galileo. Esta estratégia faz com que se qualquer um destes sistemas ficar inoperante, ou mesmo, receber uma inserção proposital de erro, a bomba, teria, ao consultar os demais sistemas, a possibilidade de continuar acertando o alvo desejado. O projeto é uma cooperação entre a Mectron, o CTA (Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial) da FAB; e do fabricante de bombas e explosivos Britanite. Essa combinação revolucionário dos três sistemas de navegação satelital global gera toda um novo mundo de questões geopolíticas importantes para o Brasil, além de dispor a indústria nacional com uma tecnologia de altíssimo valor para exportação. Não se sabe ainda qual será a reação dos americanos e europeus à possibilidade da disseminação pelo Brasil desta nova tecnologia para armamento de guiagem precisa, mas que ela aparecerá em breve, sem duvida aparecerá.
Outra novidade na Mectron, a exibição no seu stand do SCAN, um mini UAV da Elimco, uma empresa espanhola que acaba de chegar ao Brasil. Segundo os representantes desta empresa, os primeiros contatos com as forças armadas brasileiras já estão em andamento. Tecnologias não-letais na Condor Atentos para a mudança na atitude global em relação ao risco a vida de não-combatentes a empresa brasileira Condor aposta todas suas energias na produção de um amplo leque de produtos não letais para uso militar, de forças de paz da ONU e policiais. A empresa atende não apenas às forças armadas e polícias nacionais como também a diversos clientes espalhados no mundo. A linha de produtos é extensa desde granadas fumígenas, e granadas e projetís de gas lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha. A BAE Systems Um dos maiores estandes estrangeiros na feira deste ano pertencia à empresa BAE Systems. Esta é uma empresa que se transformou tanto recentemente, através de uma série de fusões e aquisições de grande porte que muitos clientes atualmente tem dificuldade de lembrar de imediato em que segmentos do mercado a empresa se encontra ativa.
O grupo nasceu em 1977 com a estatização e fusão das grandes empresas aeronáuticas British Aircraft Corporation (BAC), do Hawker Siddeley Group e da Scottish Aviation. Sob o nome de British Aerospace esta empresa consolidou na década de 80 mantendo-se essencialmente na arena de aeronaves, aeroestruturas e alguns nichos de sistemas aeroembarcados (aviônicos). Assim praticamente todas as empresas aeronáuticas britânicas viraram uma só entidade, agora sob a batuta do estado. O sucesso desta iniciativa trouxe a lucratividade de volta à empresa o que lhe permitiu em novembro de 1999 realizar uma mega-fusão de 7,7 Bilhões de libras com o grupo privado Marconi Electronic Systems. A Marconi tinha seu foco nos radares e sistemas eletrônicos abrindo significativamente o leque de produtos original da BAe.
A grande ampliação do foco da BAE para além do ambiente aeronáutico se deu em 2005 com a aquisição da tradicional empresa britânica Alvis (dona da Vickers Defense e da sueca Haggllunds) e apenas dois anos depois da United Defense que incluia no seu portfolio aparte da antiga empresa sueca Bofors. Todas as industrias adquiridas pela BAE Systems neste segmento, junto com a empresa britânica Royal Ordnance, e com a sulafricana OMC, foram agrupadas na nova divisão BAE SYSTEMS Land and Armaments, sediada em Arlington, oe estado americano da Virginia. Todas estas mudanças radicais na sua linha de produtos fez com que muitos clientes tenham alguma dificuldade de entender em que segmentos exatamente trabalha a BAE Systems hoje em dia, até sua “nacionalidade” tem sido questionada, uma vez que a parte “americana” da empresa passou a ser ainda maior do que o seu lado britânico. Para esclarecer estas dúvidas a BAE Systems para o Brasil trouxe todo seu leque de produtos, com destaque especial para os HUDs compactos e Helmet Mounted Displays da linha Quantum. Estes sistemas ocupam muito menos espaço no interior dos paineis, viabilizando seu emprego em aeronaves que não foram projetadas originalmente para eles. A grande ampliação do foco da BAE para além do ambiente aeronáutico se deu em Os concorrentes do F-X2 As três empresas que disputam um dos maiores contratos de defesa da história do Brasil investiram forte nesta LAAD, O stand do programa Rafale media 168m2, o da Boeing 150m2; e o da SAAB, 200m2 em dois andares.
A Boeing trouxe um simulador de F-18 onde os visitantes VIPs e militares que passavam por seu stand tinha a oportunidade de “voar” o caça. No próprio dia da inauguração da feira esteve ali o Embaixador Americano Sr. Clifford Sobel, deixando claro o inquestionável apoio do governo americano à oferta da Boeing à FAB. A Dassault começo a LAAD com um café da manhã com a imprensa especializada mas foi “atropelada” pela notícia que seu avião tinha sido desclassificado na concorrência multibilhonária na Índia, depois disso, o tempo ficou pouco para as atividades de “controle de avarias” necessárias.
Bob Kemp o VP de Vendas e Marketing dos suecos fez questão de falar com todos os repórteres que estiveram presentes no evento. Os executivos da Saab vieram em peso ao Rio de Janeiro de maneira a aproveitar ao máximo essa oportunidade concentrada de contato coma FAB, com o Ministério da Defesa e com a imprensa. Nenhum dos três concorrentes fez qualquer revelação bombástica de última hora, tratando a LAAD como uma oportunidade de presença obrigatória e incontornável. A Santos Lab A jovem empresa Carioca Santos Lab apareceu com um grande stand onde apresentava, além de seu tradicional produto Carcará [mais detalhes nesta matéria de ALIDE http://www.alide.com.br/joomla/index.php/component/content/article/35-ed32/49-albacora] já em uso pelos nossos Fuzileiros Navais, os dois novos modelos o UAV Jabirú e o alvo aéreo Azimute. Surpresa mesmo aqui foi a exibição dos sistema Eagle Eye da Boeing no stand da Santos Lab. Segundo seus diretores a Boeing, percebendo o desenvolvimento da empresa nacional nesta área ofereceu-lhes este produto para ser representado no país. O Jabiru, com um alcance de 12 horas, transporta uma carga de sensores de até 6 quilos com uma nova célula de design relativamente conservador para UAV. Suas asas são compridas e estreitas, como de um planador, uma empenagem em forma de "Y" e um motor trazeiro pusher. Seu lançamento se dá por meio de uma catapulta montada no teto de um carro em movimento, e a recuperação, feita por paraquedas. Numa época em que a Estratégia Nacional de Defesa - END - claramente indica a importância dos veículos aereos não-tripulados (VANTs ou UAVs, em inglês) a Santos Lab está particularmente bem posicionada para aproveitar ao máximo essa nova oportunidade. Indianos, Sul-Africanos, Franceses, Russos... Como em 2007, estes quatro países, todos com grandes ambições geopolíticas e com indústrias de defesa variadas e pujantes, voltaram a ocupar bastante área no piso da feira. A Índia, a despeito de não ser ainda um grande país exportador de armamento, veio para exibir o grande leque de setores onde suas empresas de material de defesa trabalham. Treinadores IJT da HAL, blindados variados, navios escolta e mísseis de diversas aplicações podiam ser vistos sob forma de maquetes. Curiosamente, questionado por um repórter da ALIDE sobre seus objetivos comerciais nesta exposição, um executivo indiano disse de forma inesperada que: “eles não estavam vendendo nada ali”. Podiam não estar vendendo no sentido literal da palavra, mas nesse ritmo de investimento e com a crescente exposiçãoi internacional nas feiras como a LAAD, muito em breve, eles devem ser um dos grandes "players" deste segmento.
Os sulafricanos que tiveram que desenvolver sua indústria local devido há anos de embargo internacional na época do Apartheid, agora precisam exportar para poder manter essa indústria numa época de reduzidos orçamentos de defesa. A África do Sul teve sucesso em atrair o Brasil como parceiro para alguns de seus programas como o míssil ar-ar A-Darter, e está querendo ampliar essa relação em direção a outros produtos. A Força Aérea Sulafricana, inclusive, já foi repetidamente citada como potencial cliente e parceiro industrial para o KC-390 da Embraer. Mas, desta vez, o momento é quase que exclusivo dos franceses. Embalados num contrato de de 7 bilhões de euros assinado com o Brasil. a indústria francesa conquistou a fabricação de quatro submarinos diesel elétricos no Brasil além de uma grande venda de 50 helicópteros EC725 “Super Cougar” a serem montados na Helibras. Se a FAB optar pelo Rafale, todo esse investimento gaulês no nosso país terá, bem mais, do que se pagado. Ainda na mesa estão os contratos para a construção de três fragatas de 6000 toneladas, o de um navio tanque novo e possivelmente um ou dois novos navios doca-porta helicópteros (LPH), todos eles passiveis de serem disputados pela industria francesa. No stand da DCNS as inúmeras maquetes mostram que eles sentem que nem arranharam ainda a superfície do mercado brasileiro, a despeito do contrato ganho para a fabricação dos nossos submarinos. Com crise ou sem crise os russos sempre voltam e desta vez comemorando a venda de 12 Mi-35 para a FAB. Esta foi a maior venda de produtos russos de defesa para o Brasil em toda a história. A esperança russa é que uma vez passada esta fase de desconfiança inicial as FFAA venham a se transformar em um bom cliente deles. Durante a LAAD a Aviação do Exército Brasileiro começou a conversar com os russos para comprar seu próprio lote de helicópteros Mi-35. O contrato da FAB para 12 células inclui quatro opções que poderiam ser exercitadas em prol do EB. Mas como o Exército deseja comprar 16 unidades isso mais daria problemas do que ajudaria a acelerar o programa. Com isso em vista é de se esperar que a AvEx opte por não ficar dependente da FAB e que busque assinar um contrato próprio para os Hind. Outro segmento que esta unindo cada vez mais Brasil e Rússia é o de mísseis antiaéreos terra-ar (SAM). O interesse da FAB pelo sistema Tor deve virar aquisição bem proximamente. Comenta-se que seria uma bateria completa com veículo de controle, veículos radar e lançadores armados com 64 mísseis. Agora é só aguardar. Além destes países, vários outros pavilhões nacionais aglutinaram os esforços de governos e das empresas menores entre eles estavam o dos italianos, poloneses, sulcoreanos. Surpreendentemente as empresas americanas ocupavam uma área bem desproporcional, e inferior à que sua representatividade real na indústria de defesa global. Do lado de fora do pavilhão Em exposição externa estavam diversos helicópteros e veículos usados pelas forças armadas brasileiras. Presentes aqui estavam: o Sikorsky S-70/UH-60 Blackhawk do EB, o Super Lynx AH-11A, e da Helibras, o Esquilo HB-350/UH-12 da MB matrícula “7081”, o Pantera HM-1 “2014” e o Cougar “02”, ambos da AvEx. O EB exibiu aqui dois veículos operacionais o Urutu e o Cascavel e um protótipo desenvolvida junto com o Exército Argentino, o “Gaúcho”. Numa das laterais os GruMeCs, Grupamento de Megulhadores de Combate da Marinha expuseram uma lancha inflável de casco rígido de Kevlar ao lado de uma grande número de roupas e equipamentos especializados de mergulho. A participação da ALIDE Desta vez a ALIDE – Agencia Linha de Defesa – participou pela primeira vez da LAAD como Media Partner. Durante um ano divulgamos o evento para nossos leitores e na feira montamos um pequeno quiosque onde mostramos para nossos velhos e novos amigos nosso trabalho, filosofia de trabalho e serviços. Para marcar nossa presença na mente (e na boca) dos visitantes, decidimos distribuir latinhas de drops diet sabor café, um sabor absolutamente brasileiro. Sob nossa perspectiva a promoção foi um sucesso, o que fez com que nos preparemos para repeti-la no futuro. Conclusão Foi interessante ver que o Brasil, como tantos outros países com fortes indústrias de defesa, acabou usando este segmento para incentivar suas economias bem no meio de uma crise sem precedentes como esta. A Estratégia Nacional de Defesa, para choque dos que a consideram mais uma de tantas “sequencia de boas intenções sem qualquer conseqüência real”, acaba se fazendo perceber no mundo real com todo o apoio do Governo Federal. O Ministro Jobim confirmou à ALIDE que cada uma das “etapas futuras” listadas na conclusão da END “estavam, sim, sendo cumpridas rigorosamente dentro do prazo”. Se isso se mantiver ao longo deste e do próximo governo, as Forças Armadas brasileiras passarão a viver uma nova realidade material dentro dos próximos anos. Neste momento, ninguém pode sequer imaginar o que vai ser a LAAD 2011. |
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