| O NDD francês Siroco: a caminho do Brasil? |
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| Escrito por Felipe Salles |
| Qua, 17 de Junho de 2009 17:32 |
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Introdução A sigla TCD (Transport de Chalandes de Débarquement – Transporte de Lanchas de Desembarque), representa na Marine Nationale da França o mesmo que Navios de Desembarque-Doca no Brasil. Os navios anfíbios franceses são agrupados junto com o seu NAe e os navios de escolta, dentro da Comando de Navios de Combate da Força de Superfície. Atualmente a Marinha da França conta com dois modernos navios desembarque, doca com convôo corrido, da proa à popa, a Classe Mistral, (já visitados por ALIDE anteriormente : http://www.alide.com.br/joomla/index.php/component/content/article/39-ed31/63-tonnerre-le-tour-de-latlantique) e dois NDDs de desenho mais “tradicional”, os da Classe Foudre. Os "Jacarés" franceses A Classe Mistral é chamada na França de "Bâtiment de Projection e Commendement" (Navio de Projeção e de Comando) em função do papel previsto para sua operação, e suas duas unidades substituíram os dois navios anfíbios anteriores da Classe Ouragan, navios estes retirados de serviço a partir de fevereiro de 2006. Os dois Ouragan foram ofertados e quase vendidos à Marinha Argentina em 2006, mas este acordo acabou não progredindo devido ao amplo uso nestes navios de amianto dentro da superestrutura como isolante térmico. Isso, como se viu no embaraçoso caso do casco do NAe Clemenceau, apresentava o risco de um importante e caro, “passivo ambiental” ao seu futuro proprietário. Assim, tanto o Ouragan, quanto o Orage da mesma classe, estão agora sendo preparados (“limpos”) em Toulon para seguir finalmente para o desmanche. Tradicionalmente, os navios de desembarque da Marine Nationale tem recebido nomes "meteorológicos". Em francês a palavra "Foudre" quer dizer "Raio" e "Siroco" é um vento que sopra areia do Saara até a costa sul da Europa. Por sua vez "Orage" é uma das palavras para "Tempestade" e "Ouragan" é a forma francesa de dizer "Furacão". O "Mistral é um outro vento no sul da França e "Tonerre" significa "Trovão". A Classe Foudre Ao lado dos Mistral, os dois NDDs da Classe Foudre ainda teriam muitos anos de serviço ativo se não fosse a atual crise global. O estaleiro privado francês STX Europe, da cidade de Saint Nazaire, é um dos maiores, e também um dos únicos construtores de grandes navios de cruzeiro do mundo, e se viu subitamente sem grandes encomendas dos armadores privados em meados do ano passado. Esta situação, ainda que momentânea, poderia causar uma grave situação de desemprego na indústria naval do noroeste da França, comprometendo seriamente a competitividade da indústria naval francesa por décadas no futuro. Como o “Livre Blanc de la Defense” de 2008 previa que outros dois Mistral haveriam de ser comprados para substituir os dois Foudre no futuro, e de que o STX Europe tinha sido responsável pela construção da seção frontal dos dois Mistral já fabricados, o Governo Francês resolveu em dezembro de 2008, se adiantar e colocar um pedido para a construção de um terceiro BPC Mistral, desta vez 100% feito pelo estaleiro de Saint Nazaire. A eficiência industrial também indica que se o quarto navio da classe também for encomendado, ambos custariam mais barato aos cofres da França. Este adiantamento, e a vantagem da construção simultâneas de dois BPCs, levaram a imprensa francesa a especular que provavelmente um, ou, mesmo os dois navios da classe Foudre poderiam estar em breve no “mercado de usados”. Ao mesmo tempo, do outro lado do Atlântico o Ministério da Defesa do Brasil publicou no fim do ano passado a sua Estratégia Nacional de Defesa que claramente enfatiza de forma bem forte a necessidade de transporte logístico dentro do território nacional, principalmente por via marítima. Isso levantou também a possibilidade que um, ou mesmo os dois, navios da Classe Foudre, acabassem suas carreiras operacionais na Marinha do Brasil. Já dentro desta linha ditada pela END, recentemente a Marinha do Brasil adquiriu dois NDCCs britânicos usados da Classe “Round Table” e os ativou com o nome de Garcia D’Ávila ( http://www.alide.com.br/joomla/index.php/component/content/article/77-ed39/282-garciadavila) e Almirante Sabóia. Para examinar essa possibilidade, ALIDE foi a Toulon para conhecer em detalhes do Siroco e da classe Foudre. Visitando o Siroco O NDD Siroco L9012, é o segundo navio de uma classe de dois navios anfíbios construída no estaleiro da DCNS de Brest. Sua quilha foi batida em 9 de outubro de 1995, ele foi lançado ao mar em 14 de dezembro de 1996, entrando em serviço ativo em 21 de dezembro de 1998. Seu porto é a Base Naval de Toulon, no sul da França. Ele foi projetado para desembarcar 470 homens e até uma centena de veículos, dos quais 22 blindados. Em sua vida operacional o Siroco já efetuou várias missões na costa ocidental da África (Opération Coryambe) e também fez uma viagem da metrópole até a possessão francesa das Ilhas Reunião, no Oceano Índico. O Siroco participou ao lado do Mistral, da Opération Baliste, onde atuou no resgate a 8000 cidadãos franceses durante o último conflito no Líbano em 2006, 2000 dos quais recebidos no próprio NDD. Nesta ocasião, o navio passou um total de 45 dias longe de seu porto base de Toulon. A Marinha Francesa procura realizar pelo menos uma grande operação de desembarque por ano com cada navio anfíbio seu. Em 2008 o BPC Tonnerre participou junto com o Siroco do desembarque de mais de 100 soldados num exercício de "resgate de expatriados" muito similar ao que ocorreu de verdade na Opération Baliste. Nesta ocasião, numa praia perto de Saint Tropez, na costa francesa do Mediterrâneo, participaram 10 navios, 20 helicópteros e cerca de 100 veículos do Exército Francês. Em setembro de 2009 será a vez do exercício "Loyal Midas", junto com o Foudre e o Tonnerre. Para evitar atrapalhar a época mais turistica a Marine Nationale evita realizar seus exercícios de desembarque entre julho e setembro, a época de férias de verão na França. Dentro das operações da OTAN, a tripulação do Siroco já operou ao lado de navios anfíbios britânicos, espanhóis e holandeses. O convôo amplo à ré, com 1080m2, e permite a operação simultânea de dois helicópteros do porte do Super Puma usado pela Marinha do Brasil. O elevador de popa, guiado por trilhos e acionado por motores embutidos nas paredes laterais, permite que um total de quatro destes helicópteros possa ser abrigado e mantido no interior do seu hangar. A movimentação dos helicópteros é feita com facilidade por pequenos tratores amarelos. A grande doca do navio tem uma área de 1732m2 (122 metros de comprimento x 14,2 metros de largura x 7,70 de altura) e acomoda normalmente uma EDVM (Embarcação de Desembarque de Viaturas e Material) e quatro EDCGs (Embarcação de Desembarque de Carga Geral), respectivamente, CDIC e CTM na nomenclatura original francesa. Devido a grande diferença de tamanho das CDIC e CTMs muitas outras combinações diferentes delas podem ser feitas no interior da doca do navio. Os veículos podem ser embarcados facilmente rodando por uma rampa existente na lateral a boreste. Suas instalações para comando e controle são muito modernas permitindo a montagem de projetores tipo data-show para vídeo e dados digitais. Com 500m2, o hospital embarcado desta classe é bastante grande e capaz. Ele apresenta duas salas de cirurgia independentes, além de 55 leitos e duas salas de tratamento para vítimas de queimaduras severas. Os navios desta classe possuem diversas oficinas com competência variadas como: carpintaria, casco, motores, eletricidade, eletrônica e armamento. A defesa aérea do navio francês é realizada por duas instalações Simbad, com dois lançadores de míssil Mistral cada. Toda a superestrutura e os conveses exteriores são protegidos por sprinklers, esguichos de agua doce, instalados para a remoção de poeira radioativa ou de residuos de guerra bacteriológica e/ou química após um ataque NBQ por parte do inimigo. Na melhor tradição da Marine Nationale, os corredores internos do navio são decorados com placas que homenageiam as ruas famosas de Marselha a "cidade-irmã" do Siroco. Quando o navio não é empregado na sua missão primária de desembarque, ele serve como navio de apoio da Esquadra. O outro navio desta classe é o TCD Foudre, L9011, que foi construído oito anos antes do Siroco, também no Estaleiro de Brest. Dados Técnicos Comprimento : 168 m Boca : 23,5 m Calado : 5,2 m Deslocamento : 12 000 toneladas (carregado) Propulsão : 2 motores diesel SEMT Pielstick (15 290 kW)1 bow thruster (735 kW) Velocidade : 20 nós Armamento: 2 lançadores duplos de mísseis Mistral, 3 torretas com canhão Breda-Mauser de 30 mm e 4 metralhadoras de 12,7 mm Raio de ação: 11 000 milhas náuticas a 15 nós Comunicações: Sistema via satélite Syracuse Tripulação: 224 homens (19 oficiais, 105 sub-oficiais e sargentos, 100 cabos e marinheiros) Conclusão Desde que a Estratégia Nacional de Defesa do Brasil declarou na sua página 21 que para realizar sua missão constitucional a MB deverá priorizar “navios de propósitos múltiplos”, muito tem se comentado sobre o interesse da Força pelos navios como o projeto do BPC Mistral Francês. Nas duas últimas feiras LAAD, no Rio de Janeiro, o stand da DCNS sempre deu particular ênfase a este tipo de navio. Segundo se comenta a África do Sul, país com quem o Brasil tem uma relação muito próxima, também seria um dos sérios candidatos para esta classe de navios. Se este realmente for o rumo para o reequipamento da Marinha talvez realmente faça muito sentido substituirmos os nossos veteranos NDD Rio de Janeiro e Ceará pelos dois navios da Classe Foudre, restando apenas determinar se o custo benefício de tal operação nos sairia vantajoso.
ALIDE viajou pela França a convite da DCNS
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