| Joint Warrior: Os segredos do JTEPS britânico |
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| Escrito por Felipe Salles | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Qua, 04 de Novembro de 2009 12:20 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Joint Warrior 092 Como resposta à crescente importância do Brasil nos assuntos globais, a cada ano o número de convites para a Marinha do Brasil participar de exercícios navais no exterior só cresce. Se 2009 verificou o cancelamento na última hora dos tradicionais exercícios na Argentina, a ARAEX e a Fraterno, a MB mandou uma fragata e um submarino para a Unitas Gold e para o exercício” Alianza” na Colômbia, uma para a Teamwork South no Chile, outra para o exercício de preparação para o “Deployment”, junto com a US Navy na costa leste dos EUA, além de algumas visitas de meios menores a países da África. Neste setembro e outubro, a fragata Defensora viajou do Rio até a Escócia para tomar parte, pela primeira vez, do grande exercício britânico Joint Warrior. Uma base bastante ”secreta” na Escócia O nome Faslane se refere a uma baía na margem sul do Gare Loch, um braço de mar localizado na costa oeste da Escócia. É bem aqui onde fica a Her Majesty`s Naval Base Clyde (HMNBC), casa dos atuais submarinos lançadores de mísseis nucleares britânicos e sede da Royal Navy na Escócia. Desde 1993 fica baseada aqui, também, a flotilha de caça-minas da Royal Navy. Antes desta data, estes navios residiam na Base Naval de Rosyth, do outro lado da Escócia. É em Faslane que se administram os exercícios Joint Warrior, e foi aqui que navios do Brasil, da Turquia da França e dos EUA se reuniram ao porta-aviões HMS Illustrious para tomar parte do segundo Exercício Joint Warrior em 2009. A Royal Naval Base Clyde é uma das unidades mais secretas da Royal Navy devido aos seus moradores nucleares, por isso, o uso de câmeras é restrito, obrigando ALIDE a sair da base e buscar pontos para fotografia que ficassem longe dos seus portões. Felizmente, o Gare Loch é bem estreito, e a estrada ao seu redor é cheia de pontos recuados para o deleite dos fotógrafos de temas navais. O JTEPS: uma entrevista com o Comandante Chris Dyke O Joint Tactical Exercise Planing Staff (JTEPS) é a unidade do Ministério da Defesa que desenvolve e administra os exercícios aeronavais no Reino Unido. A principal incumbência do JTEPS é de administrar o exercício semestral Joint Warrior. As forças armadas britânicas aprenderam a trabalhar de forma conjunta durante a Segunda Guerra Mundial. Nesta época, a Royal Navy e a Royal Air Force precisaram aprender a deixar a rivalidades históricas de lado, e passar a cooperar para conseguir manter o Oceano Atlântico aberto ao trafego marítimo aliado, sem isso as Ilhas Britânicas fatalmente seriam atropeladas pela maquina de guerra nazista. Desde sua criação em 1918, a Royal Air Force sempre foi a força responsável pela tarefa de patrulha marítima. No início operando com seus aviões obsoletos demais para servirem nos comandos de caça e de bombardeio. Só no início da Segunda Guerra é que aeronaves modernas e adequadas à tarefa da patrulha marítima, como os Lockheed Hudson e os Short Sunderland, entraram em serviço. Para desenvolver melhores formas de trabalho conjunto entre a RAF e a Royal Navy, em 1946 foi estabelecida em Londonderry, na Irlanda do Norte, a Escola Conjunta de Guerra Antisubmarina (JASS – Joint Anti-Submarine School) cursada simultaneamente por pessoal da RN e da RAF. Do final da guerra até 1969 a escola permaneceu ali, sendo transferida já com o nome de JMOTS (Joint Maritime Operations School) para Edimburgo, na sede da então base aérea RAF Turnhouse. Em 1996 a unidade foi movida uma vez mais, agora para Northwood, perto de Londres, localidade onde fica o Comando em Chefe da Esquadra e também seu equivalente na RAF, o CINCStrike (Comando-em-Chefe de bombardeio). Segundo o Cdr Dyke: “A proximidade do, agora renomeado, JTEPS com seus dois principais “clientes”, seria um passo muito produtivo”. O Exercício Joint Warrior, o produto do staff do JTEPS, é operado regularmente desde a Real Base Naval Clyde na baía de Faslane, na Escócia, onde havia espaço para acolher os navios participantes e dos convidados internacionais, assim como, havia estruturas de comando e controle ociosas desde a mudança do Centro Operações de Submarinos para Northwood. Desde 2005, o time do JTEPS está sozinho por aqui, assumindo estas salas, duas vezes por ano, durante os exercícios Joint Warrior. Nos últimos anos, desde a aposentadoria dos seus Buccaneers armados com mísseis Sea Eagle, a RAF abandonou a missão de ataque marítimo, se concentrando apenas na tarefa de patrulha marítima. Antes de receber seu nome atual este exercício era conhecido por “Neptune Warrior” e para refletir a crescente participação do British Army nestes exercícios, foi adotado o nome bem menos naval de “Joint Warrior”. O Exército Britânico vem participando num nível de pequenas formações, até o tamanho máximo de batalhão. Atualmente o exercício tem sido usado para a formação de controladores aéreos avançados (FAC – Forward Air Controllers) que em breve serão enviados para combater no Afeganistão. Os FACs ficam posicionados no solo, próximo às posições inimigas e passam para as unidades de ataque as posições dos alvos com precisão. Estes controladores também são responsáveis por fazer a avaliação inicial pós-ataque. O máximo de missões deste tipo realizadas dentro de um único exercício Joint Warrior foi de 750. Se estes exercícios inicialmente centravam no combate à ameaça submarina, cada vez mais o aspecto anfíbio tem sido enfatizado. Neste campo existe uma grande proximidade entre os Royal Marines britânicos e os fuzileiros navais holandeses, já que ambos compunham a mesma unidade anfíbia nos planos de guerra da OTAN durante a Guerra Fria. Esta proximidade explica o fato da Royal Fleet Auxiliary, a unidade de navios de apoio e anfíbios da Royal Navy, ter escolhido um projeto holandês (a classe Rotterdam) para construir os seus atuais navios anfíbios da classe Bay. No ambiente aéreo, diversas missões estão previstas para que os Harriers do Illustrious realizem, desde ataque antipistas (CAS - Counter Air Strike), até a defesa aérea do Grupo Tarefa (DCA - Defensive Counter Air). A atividade de ISTAR (Intelligence Surveillance, Target Aquisition and Recconnaissance - Inteligência, Observação, Aquisição de Alvos e Reconhecimento) foi realizado pelos helicopteros Sea King AEW do modelo ASaC.7, embarcados no Illustrious, pelos novos Sentinel R.1 (ASTOR) da RAF e pelas aeronaves E-8A JSTARS da USAF. Nesta categoria também residem os Nimrod MR.2 e os diversos aviões de patrulha marítima das demais nações participantes. Em 2006 o exercício experimentou pela primeira vez a integração de veículos não-tripulados no Exercício, com ótimos resultados. Isto só não foi adiante pela atual impossibilidade de se operar estas aeronaves em espaço aéreo controlado, pelo receio de elas conflitarem com o tráfego aéreo civil. Atualmente, estes exercícios de UAVs britânicos são realizados nos EUA onde existem grandes áreas de espaço aéreo sem tráfego civil. As forças britânicas já operam, no Afeganistão, unidades de MQ-9A Reaper e o Boeing Scan Eagle nas operações navais. O objetivo britânico ao convidar navios de outras nações para participar do Joint Warrior se baseia em tentar produzir uma “massa crítica”, um número tal de navios, que seja representativo da situação que suas tripulações encontrarão nas operações multinacionais em curso atualmente, assim como nas previstas para o futuro próximo. Há anos que os navios dos países da OTAN vem participando dos exercícios navais da Royal Navy. O cenário hoje, como se verifica nas missões antipirataria na costa da Somália, por exemplo, envolve muito mais países do que apenas aqueles pertencentes à Aliança Atlântica. China, Rússia e Índia, apenas para citar alguns destes países, já se encontram operando regularmente naquela região. A presença de países não-OTAN no Joint Warrior prepara as tripulações dos navios da Royal Navy para operar da melhor forma possível nestas operações multinacionais criadas local e improvisadamente em qualquer Teatro de Operações no mundo. Para os “convidados”, como o Brasil, esta é uma oportunidade única, e sem ônus, para aprendizado e exercício prático, junto a uma das marinhas mais tradicionais e respeitadas do mundo. Para a Marinha do Brasil esta participação servirá como preparação para uma crescente integração com outras marinhas. A MB vem sendo convidada a participar do Joint Warrior desde 1998, quando houve uma visita do pessoal do JTEPS ao Rio de Janeiro. O alto custo com o deslocamento tem sido a maior razão para apenas havermos aceitado o convite agora. O Cdr Dyke completou: “Levou onze anos para o Brasil, um país cada vez mais inserido num mundo de marcantes mudanças geopolíticas e econômicas, concluir que valia a pena fazer esta classe de investimento. Nós esperamos que haja outras participações de meios brasileiros no futuro, não apenas de navios, mas, também de submarinos e aeronaves”. ALIDE apurou aqui que o convite para a participação na primeira edição do Joint Warrior de 2010 já foi oficialmente encaminhada ao Adido de Defesa e Naval Brasileiro em Londres e aceito pela MB. O representante brasileiro na Organização Marítima Internacional (IMO), Almirante Saraiva Ribeiro, aproveitou a oportunidade do exercício para visitar a Fragata Defensora e sua tripulação durante sua passagem pela Escócia. Países com os Estados Unidos e o Canadá participam nesta oportunidade de adestramento com um número maior de navios, neste caso, três escoltas e um navio tanque cada um. A Austrália e a Nova Zelândia, devido à grande distância que separa deu país das Ilhas Britânicas, tem participado uma vez ao ano apenas com aeronaves. Observadores da Índia e do Paquistão estavam previstos para embarcar nos navios desta edição do Exercício, preparando o caminho para a participação futura de suas marinhas. Com a abertura desta possibilidade de participação, muitas nações extra-OTAN tem demonstrado interesse em participar do Joint Warrior. O Cdr Dyke salientou que nem só observadores convidados se fazem presentes no Joint Warrior: “as forças armadas russas repetidamente tem monitorado de perto o desenrolar destes exercícios”. O JTEPS tem sua sede no Permanent Joint Headquarters (o Quartel General Conjunto Permanente) onde ficam as estruturas de comando e gestão dos conflitos militares, uma entidade separada dos comandos da Royal Navy e da Royal Air Force. O JTEPS, embora fique no PJHQ não se subordina a ele, e sim aos comandos das forças individuais, que são as unidades responsáveis por manter a preparação das forças para o combate. No organograma, o JTEPS se subordina ao “J7”, a área de treinamento conjunta, trabalhando para garantir a relevância, a adequação doutrinária e a formação de uma força verdadeiramente conjunta. O Joint Warrior é o local onde muitos dos comandantes das forças individuais começarão a trabalhar de forma conjunta em suas carreiras. O comandante do JTEPS, sempre um oficial da Royal Navy, tem dois chefes diretos, o Comando da Marinha e o Comando da Força Aérea. O objetivo deles é, que, com o aumento da participação das unidades do British Army, o Comando do Exército passe a ser o terceiro chefe desta unidade. Prevendo para breve esta mudança, informalmente, o JTEPS já vem usando por brasão a figura do Cérbero, o cão de três cabeças guardião do inferno na mitologia grega, no lugar de seu brasão oficial que combina a águia da RAF com a âncora da Royal Navy. Por sua alta posição na hierarquia militar, o JTEPS usa todas as ilhas britânicas como sua área de atuação, podendo agendar eventos em todas as áreas de treinamento militar do país. O staff atual do JTEPS consegue, sem dificuldade, administrar três, ou mesmo quatro, exercícios por ano. Até 2006 estavam sendo realizados três eventos por ano, mas desde então, vem sendo feitos apenas dois a cada doze meses. O expertise da equipe, e sua disponibilidade, fez com que eles acabassem sendo mobilizados para administrar outros eventos, além do Joint Warrior. A unidade também pode apoiar e prestar consultoria a outras nações no planejamento e na execução de exercícios táticos complexos. Em 2010, eles organizarão o Exercício “Magic Carpet” em Oman, no Golfo Pérsico, e também o Exercício FRUKUS, em que participam as marinhas da França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. Para o Cdr Dyke: “a nossa equipe muito enxuta é a razão pela qual todas as comunicações internas ocorrem de forma tão fácil e ágil”. A equipe de 25 pessoas do JTEPS pode, ela mesma, simular sem dificuldades tanto um “HiCom” (comando de mais alto nível – no plano político-estratégico), quanto um “LoCom” (comando local – no nível tático). Nesta ocasião, o JTEPS fazia o papel do Comandante da Força Tarefa Combinada. Para atingir seus objetivos da instrução, o JTEPS interfere no andar do exercício manipulando os comandantes das Forças Tarefas, levando-os a colocar seus navios frente a frente no mar. O ciclo de planejamento se dá sempre 72 horas antes do momento de emprego real. Quando navios aeródromos estão participando, devido às limitações da previsão do tempo, o ciclo de planejamento passa a ser feito com 96 horas de antecipação. A despeito de todo esse imenso trabalho, muito raramente eles são obrigados a recorrer ao uso de pessoal externo, como foi desta vez, exclusivamente no caso do time de mídia do cenário fictício. O Comandante Dyke finalizou seu comentários apontando que numa época de recessão global, como a atual, um exercício como o Joint Warrior é claramente uma oportunidade de se obter um melhor custo benefício no campo do treinamento militar. Os navios estrangeiros que participam do Joint Warrior recebem, gratuitamente, um treinamento de altíssimo nível, e, em contrapartida, criam “massa crítica”, aumentando o número de navios e aeronaves participantes, o que expande, em muito, o nível de realismo e a escala do exercício. Assim, no final, todos ganham neste cenário. Este aspecto multinacional acaba chamando a atenção para o evento, comandando visitas de convidados VIP, o que é crucial para garantir o fluxo de verba no futuro. Esta edição contou com a visita do Secretário da Defesa britânico, de vários ministros do parlamento e de importantes autoridades militares. O mundo do “Arquipelago Walliano”. Todo exercício militar atual de certo porte, lança mão de cenários fictícios que acolhem os participantes e os ajudam a trabalhar fora de suas realidades nacionais peculiares. Com um cenário de fundo bem escrito, os “jogadores” vão experimentar de forma mais intensa sua oportunidade de aprendizado. No caso do Joint Warrior, o JTEPS se utiliza do “Arquipelago Walliano” (as ilhas do Reino Unido e da Irlanda, no mundo real) e das nações que o compõe: Caledônia, Dragônia, Avalon e Ryania. Semelhante ao que se passou posteriormente nos Balcãs, o “Arquipelago” até 1958 constituía um único país que acabou se fragmentando nas quatro nações acima. Isso revelou uma série de importantes diferenças latentes políticas, religiosas e étnicas entre elas. Dragônia é o país politicamente mais assertivo e que ainda arrasta pendências territoriais sérias com seus vizinhos Caledônia, ao norte; e Avalon, ao sul. Ambas fronteiras estão sob questionamento e estas áreas tem consideráveis números de moradores da etnia Dragoniana do outro lado da fronteira. Por acidentes do percurso estas serras em disputa pertencem desde à separação aos seus dois países vizinhos. O governo Dragoniano exige a devolução ao país das “Disputed Zones”, terras que lhes terem sido “roubadas” pelos vizinhos. No entanto, devido à riqueza do subsolo e da sua fertilidade, ambos vizinhos, compreensivamente, se recusam a aceitar estas demandas. O Comandante Dyke ressalta que: “neste cenário nenhuma das duas partes é necessariamente o “vilão” ou o bandido, como era comum no período da Guerra Fria. Aqui, ambos os lados tem razões para acreditar que seu ponto de vista é igualmente justificável e defensável perante qualquer leitura da legislação internacional”. Dois outros atores paramilitares (forças não regulares) que podem ou não estar fazendo o trabalho sujo para cada um dos lados, existem para embolar mais ainda a situação. Nos territórios disputados do norte atuam antagonicamente a Free Dragonian Brotherhood (Irmandade Livre Dragoniana) e a Caledonian Paramilitary Police (Polícia Paramilitar Caledoniana). A interação entre ambas entidades gera as crises que se desdobrarão e ocuparão o tempo e as preocupações dos participantes. As ações destas duas milícias, verdadeiros “exércitos civis”, são controlados pelo próprio time do JTEPS, os detalhes de suas atividades só chegando à atenção dos comandantes dos navios e aviões via inserções de inteligência e de noticias dos diversos “órgãos de imprensa” existentes dentro do cenário. Usando o cenário Sob pressão do Conselho de Segurança da ONU, foi realizado um referendo recentemente no território disputado por Dragônia no norte, e o povo lá aceitou a sua devolução. Caledônia por sua vez decidiu fragmentar os territórios e devolver apenas aqueles pedaços em que os eleitores majoritariamente votaram pela reintegração com Dragônia. Esta mudança no jogo claramente desagradou aos Dragonianos, pois, “coincidentemente”, justo aquelas terras mais valiosas ficaram de fora da devolução. Para reforçar sua posição, e refrear os arroubos violentos das duas milícias locais, a ONU mandou uma Força Tarefa incumbida de evitar que a tensão acumulada se transformasse em guerra aberta. Neste mundo fictício, a marinha dragoniana tem sua sede em Liverpool e a caledoniana fica na outra costa, em Aberdeen. O comodoro canadense foi incumbido de comandar a “Força Tarefa Internacional da ONU”, enquanto o Almirante britânico Simon Ancona ficou responsável pela Força Tarefa Dragoniana. No sábado, dia 3 de outubro ambos tiveram que enfrentar a imprensa em duas tensas conferências de imprensa com jornalistas reais de jornais fictícios de dentro do cenário. Os comandantes e seus staffs foram avaliados em sua capacidade de transmitir a mensagem determinada pelo seu comando mantendo a calma, mesmo sob o assédio de órgãos de imprensa nada favoráveis e algumas vezes até abertamente hostis e desrespeitosos. Exatamente como ocorre no mundo real. O almirante Ancona sustentou a versão de que o seu porta-aviões e os diversos navios de sua escolta (incluindo aí a Defensora) iam para o mar “para um exercício pré-agendado, mas sem duração determinada, sem ter nenhum objetivo confrontacional, nem com a marinha caledoniana nem com a Força Tarefa Internacional, mas que estavam prontos a responder a provocações e ameaças caso isso fosse necessário”. O Almirante canadense respondeu às pressões, mas sem dúvida ficou um pouco defensivo pela posição extremada (para ambos os lados) dos “jornalistas”. Como forma adicional de dificultar uma rápida eclosão de guerra entre as partes, foi determinado antes do inicio do exercício, que devido a um problema seriíssimo de contaminação de combustível, todos os navios da frota militar caledoniana se encontravam em Aberdeen, em manutenção profunda e 100% fora da ação. A cada nova edição do Joint Warrior, esta história de fundo evolui um pouco mais, mas o tema básico e os diversos partidos envolvidos continuam os mesmos, a ambição da direção do JTEPS é de que todos os militares britânicos, não somente tenham ouvido falar, mas, estejam profundamente familiarizados com as idas e vindas geopolíticas de Dragônia e de seus vizinhos. Isso faria deste cenário uma ferramenta comum de treinamento para todas as forças armadas do Reino Unido. O “H-TUFT”. Dentro da lógica de custo benefício do JTEPS foi decidido a contratação de um helicóptero civil para realizar o transporte dos convidados VIPs da base em terra para os navios, esta aeronave era chamada de H-TUFT ou “Helicopter Taken Up From Trade”. Nesta ocasião, o H-TUFT era um Sikorsky S-61, a versão civil do SH-3 SeaKing. Usando a matricula G-BFFJ, esta aeronave foi contratado pela duração do exercício, por tempo limitado, do operador offshore British Helicopters. O uso de um helicóptero civil britânico além de liberar as máquinas militares para os exercícios de guerra naval, evita a necessidade que helicópteros e tripulações de marinhas estrangeiras precisem ser autorizados a sobrevoar cidades e território britânico ao realizar vôos de ligação/VIP. O único dia em que o H-TUFT foi visível desde a Defensora foi na segunda dia 5 de outubro, no dia da partida. Devido o seu tamanho o S-61 só poderia pousar no Illustrious, nas Arleigh Burkes e em outros navios com convôo grande. Os participantes do JW 092 A "Marinha Dragoniana"
Navios da "International Task Force da ONU"
Submarinos participantes
Forças aéreas participantes
Tropas em terra participantes Mais de 470 militares do British Army e dos Fuzileiros Navais americanos (USMC) participam deste exercício, sua principal função é a de atuar como FAC - Forward Air Controler – estes são os controladores de tiro aéreo e naval sobre terra. São eles que, desde posições avançadas em terra, guiam os pilotos dos aviões e os artilheiros dos navios na precisa colocação de suas bombas e projetis sobre os alvos inimigos. As ameaças “contratadas”. Empresas civis como a FRA e a SMIT foram empregadas para representar no ar e no mar, respectivamente, ameaças aos navios dos dois Grupos Tarefa do Joint Warrior. A FRA opera uma frota de jatos executivos Dassault Falcon 20 equipados com sistemas eletrônicos que os permitem se fazer passar por diversos tipos de aeronaves diferentes, gerando uma experiência rica de aprendizado, a custos muito menores do que o emprego de aeronaves puramente militares. Outra função a cargo dos Falcon é o de reboque de alvos aéreos e a simulação de alvos voando em diferentes perfis de ataque. Além dos Falcon, a FRA utilizou-se também de um turboélice Dornier 228 na função de “Low Slow Flyer” (aeronave lenta e de vôo baixo), no Brasil este tipo de aeronave possivelmente representaria um P-95 Bandeirulha. Os Falcons da FRA operaram desde Kinloss, e o Dornier desde os aeroportos civis de Prescott e Stornoway. Este tipo de terceirização dos serviços de treinamento militar é uma tendência cada vez mais comum entre as forças armadas do ocidente. No mar, a tarefa de representar os “vilões” ficou para a SMIT, provavelmente uma das maiores empresas de rebocadores e de navios de suporte a petróleo do planeta. Neste exercício, a SMIT apareceu com navios que representavam nos exercícios de MIO (Maritime Interdiction Operation – Operaçãos de Interdição Marítimo) objetivos suspeitos que exigiriam a abordagem pelas equipes dos Grupos de Visita e Inspeção/ Grupo de Presa (GVI/GP) dos diversos navios participantes no Joint Warrior. Além destes dois “navios MIO”, a SMIT operou também duas lanchas rápidas altamente manobráveis, as FIAC ou “Fast Inbound Atack Craft” – Lanchas rápidas de ataque direto, numa tradução livre. As FIACS, são empregadas em armadilhas, as lanchas se escondendo nas margens e sendo disparadas contra os navios de guerra presentes em locais conflagrados como o Golfo Pérsico e a costa da Somália. Num cenário real de emprego, nestas FIACS geralmente haveria grandes cargas explosivas ou então terroristas armados com lança-granadas portáteis baratos do tipo RPG. Algumas surpresas no retorno a Faslane Na manhã de sexta-feira 16 de outubro, o Illustrious, o Montréal e a Defensora retornaram à Base Naval Clyde em Faslane. Logo na entrada da baía que dá acesso à boca do rio Clyde, a Defensora cruzou com o novíssimo, e grande, HMS Diamond (D34), o terceiro navio da classe de destroieres Type 45 em construção para a Royal Navy, saindo para mais uma seqüência de testes de pré-entrega. Os demais navios canadenses seguiram para Aberdeen na costa leste da Escócia, mas o HMCS Montreal se destacou dos seus conterrâneos porque o helicóptero Merlin ZH837 da Royal Navy, ao tentar pousar no seu convoo, acabou por colidir com obstáculos localizados à re do local de pouso, danificando seu trem de pouso direito. Para ser removido dali ele precisaria ser desmontado e guindado para fora do navio canadense. Felizmente não houve nenhuma fatalidade neste acidente. O fim da festa Concluído o Joint Warrior 092, os quatro navios do Task Group americano seguiram direto, sem parar novamente em Faslane, para outro exercício naval, destas vez na Polônia. O HMS Illustrious e suas escoltas da Royal Navy seguiram no seu treinamento por mais uma semana, desta vez, nas áreas de treinamento naval do sudoeste da Inglaterra. Lá, realizaram novos exercícios de treinamento de capacitação especializada (specialist capability training) nas áreas de operações anfíbias e de ataque desde porta-aviões (Carrier Strike). Nesta fase o ritmo das operações aéreas será substancialmente mais intenso do que o verificado nas duas semanas inicias do Joint Warrior. Cada um dos Harriers realizará múltiplos ataques, interagindo de perto com forças de terra britânicas. O Joint Warrior é um dos exercícios mais complexos que ALIDE já documentou. O numero de navios espalhados por toda a área do exercício da altura de Glasgow até o norte da Escócia, por dentro (e em alguns casos) por fora das ilhas Hébridas, um arco de mais de 700 quilômetros de extensão com uma largura média de uns 40 quilômetros. Neste espaço os navios da frota dragoniana, onde a Defensora se encontrava, iam se juntando e se destacando de acordo com a necessidade para a realização de tiros contra alvos na superfície, exercícios anti submarino e anti-aéreo. A despeito de incluir todos estas situações de emprego mais clássicas, a grande ênfase aqui foi, sem dúvida, as Maritime Interdiction operações e também o combate assimétrico contra inimigos a bordo de lanchas rápidas e até mesmo de jet-skis. As saídas e re-entradas dos navios na tarefa de escolta do Illustrious e do Laramie eram feitas sempre dentro do cenário fictício fazendo com que durante todos os 12 dias as tripulações, especialmente os comandantes e o pessoal de COC, realmente permanecessem imersos no mundo de Dragônia e Caledônia. Como o convite para retornarmos para o próximo Joint Warrior foi aceito pela Marinha do Brasil quando o nosso navio chegar por lá já estaremos plenamente integrados a este ambiente de cenário de crise, nos preparando para tentar superar os excelentes resultados obtidos pelos tripulantes, DAE e MECs da Defensora. Esperamos que Joint Warrior possa vire uma constante no calendário operacional da MB, como UNITAS e Panamax já são, pois aqui existem muitas lições valiosas para serem aprendidas por nós.
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