| USS Alabama Memorial - História preservada em aço |
|
|
|
| Escrito por Leo Melo |
| Qua, 04 de Novembro de 2009 12:27 |
|
![]()
USS Alabama: Memória preservada em Aço ALIDE teve a oportunidade de conhecer três importantes museus após o término da nossa cobertura da UNITAS Gold. O primeiro foi o Museu Nacional da Aviação Naval em Pensacola, tema de matéria na edição passada. Desta vez, apresentamos aos nossos leitores o segundo museu visitado, o USS Alabama Memorial, em Mobile Bay. Acompanhem-nos nesta visita a um dos poucos navios remanescentes da era dos grandes canhões. “Filho, vocês acabaram de perder esta guerra que vocês arranjaram. Quando os Estados Unidos colocarem o poderio industrial deles na guerra, ninguém vai poder segurá-los.” A frase acima, profética, foi dita à Heinz Marquardt, por seu pai, em 7 de dezembro de 1941, quando ambos ouviram no rádio a notícia na casa da família Marquardt. “Dois anos depois Leo, eu dei razão ao meu pai”. Heinz Marquardt (1921- 2003) foi um dos ases da Luftwaffe na II Guerra com 121 vitórias em combate e contou-me essa estória em sua residência, perto de Frankfurt am Main, Alemanha. O USS Alabama Memorial é composto do encouraçado com este nome, do submarino USS Drum e da coleção de aeronaves, sendo assim um mais que completo museu militar. O Parque todo é dedicado a trazer as famílias para dentro da tradição militar e mais próximas das forças armadas e dos militares dos EUA. O Battleship Park ao redor destas atrações fica na margem da Baía de Mobile e dispõe de bastante espaço para piqueniques e para outras atividades de lazer ao ar livre. O USS Alabama (BB60) Logo após o ataque a Pearl Harbour, em 7 de dezembro de 1941, os americanos iniciaram rapidamente um assombroso programa de construção naval. O resultado de tamanho poder em pesquisa, desenvolvimento e fomento industrial desaguou na rendição incondicional do Império japonês na Baía de Tóquio em setembro de 1945, no convés de outro colosso dos mares, o encouraçado USS Missouri. – O autor na torre de proa. A foto foi tirada propositadamente para dar idéia da dimensão do Alabama. Embora tenha começado a ser construído bem antes do envolvimento direto americano na II Guerra, o USS Alabama, o “Mighty A”, é um exemplo claro de como o potencial industrial de um país faz a diferença em situações de conflito. A quilha do Alabama foi batida em 1º de fevereiro de 1940, e lançado ao mar em 16 de agosto de 1942. O Alabama foi parte integrante das escoltas dos comboios que cruzaram o Atlântico até Murmansk, no extremo norte da União Soviética, durante dez meses e então voltou aos EUA. Após dez dias de pequenos reparos, a embarcação seguiu rumo ao Canal do Panamá, saindo deste em 25 de agosto de 1943 e em setembro chegou às Ilhas Novas Hébridas para juntar-se a Terceira Frota para no mês seguinte tomar parte no assalto às Ilhas Gilbert. Mas esta foi uma das várias operações em que o Alabama esteve presente. O encouraçado também participou ativamente das campanhas das Marianas, Truk e Palau. Ele também esteve na Batalha do Mar das Filipinas. A guerra no Pacífico contra o Japão foi essencialmente uma guerra de porta-aviões e parecia que o Alabama nunca seria utilizado para outra função que não fosse a defesa dos porta-aviões, mas na noite de 17 de julho de 1945 ele finalmente pode mostrar sua força bombardeando algumas fábricas localizadas a 80km ao norte de Tóquio. Após o fim da guerra era óbvio que a era dos grandes encouraçados tinha ficado para trás e os porta-aviões haviam sucedido à estes como as principais belonaves das esquadras, especialmente na americana. Em 9 de janeiro de 1947 o USS Alabama deu baixa no inventário da US Navy. Nada mal para uma belonave que ficou 37 meses em combate na II Guerra Mundial. Como normalmente sucede em todas as marinhas do mundo, navios descomissionados acabam indo para o desmanche. O mesmo iria ocorrer com o Alabama, porém, quando a US Navy anunciou o que iria ocorrer, um grupo de cidadãos do Estado do Alabama, criou a USS ALABAMA BATTLESHIP COMISSION para adquirir o navio e preservá-lo. Um grupo de crianças em idade escolar levantou US$ 100.000,00 e a comissão levantou US$ 1.000.000,00, o que foi o suficiente para pagar os custos de obtenção e manutenção iniciais, e, em 9 de janeiro de 1965 o navio foi aberto ao público e desde então mais de 13 milhões de pessoas já o visitaram em Mobile Bay. O USS Drum. O USS Drum é um submarino Classe Gato, que fez treze patrulhas durante a Segunda Guerra Mundial e é o mais antigo submarino americano em exposição no mundo. Ele foi lançado ao mar em 12 de maio de 1941 e comissionado em 1º de novembro daquele ano, praticamente um mês antes do ataque que levou os americanos ao conflito. Aliás, coube justamente à Força de Submarinos, no começo do envolvimento americano, o privilégio de levar a guerra aos japoneses. O USS Drum foi responsável pelo afundamento de 15 navios japoneses, totalizando cerca de 80.580 toneladas. O USS Drum foi descomissionado em 16 de fevereiro de 1946 e colocado na Reserva Naval em 18 de março de 1947. Entre 1967 e 1969 o submarino ficou na Frota Inativa. Neste mesmo ano, foi doado ao Battleship Alabama Comission e aberto ao público em 4 de julho de 1969. Originalmente o Drum ficava ancorado atrás do Alabama, mas em 1998 o furacão George causou danos que fizeram com que o submarino fosse colocado em exposição em terra firme. Em 2005 foi a vez do Katrina passar pela localidade e também deixar suas marcas, especialmente no hangar Apesar de todas as dificuldades o Memorial continua atraindo visitantes do mundo todo. Coleção de aeronaves do USS Alabama (BB 60) Battleship Memorial Park Operador Fabricante Designação e nome Número Série Proprietário 2a Guerra Mundial e anteriores: US Navy OSX OS2U Kingfisher BU0951 Park US Army North American P-51D Mustang 4474216 USAF US Army American B-25J Mitchell 20NC44310004 Park US Army Douglas C-47D Sky Train 4076326 USAF US Navy Boeing F4B-4 Biplane (Réplica) 9022 USN US Navy Douglas SBD-3 Dauntless 06583 USN Guerra da CoréiaUSAF North American F-86L Sabre 512993 USAF US Army Piasecki CH-21B Workhorse 515859 USAF USMC Chance Vought F4U-7 Corsair 133704 USN US Navy Grumman F9F-5P Panther 126275 USN US Army Sikorsky H-19 Chickasaw 554239 USA Guerra do Vietnam USMC McDonnell Douglas A-4L Skyhawk 147787 USN USAF McDonnell Douglas F-4C Phantom 637487 USAF USAF Republic F-105B-IRE Thunderchief 540102 USAF US Army Bell UH-IB Huey 21966 USN USNavy Chance-Vought RF-8G Crusader 146898 USN Guerra Fria: USAF Boeing B-52D Stratofortress 5071 USAF USAF Lockheed A-12 Blackbird 606968 USAF USAF Lockheed F-16A(GF) Falcon 79-0334 USAF US Army Redstone Arsenal Redstone ICBM Unknown USA US Navy /USMC Northrop YF-17(F/A18) Prototype AC 1002 USN US Coast Guard: USCG Grumman HU-16E Albatross 2129 USN USCG Sikorsky HH-52A Sea Guardian 1378 USN America’s business is business... Ver o memorial à distância não é nada difícil. Como não enxergar um encouraçado fundeado? Sem contar que caso você não veja o encouraçadado, será difícil deixar de perceber o Phantom F-4 com camuflagem “southeast Ásia”, num pedestal de uns seis metros de altura, na porta do complexo. O estacionamento é amplo e a entrada do memorial é por dentro da loja do museu, ou seja, na ida e na volta da visita, obrigatoriamente você tem que passar por aquela quantidade de pôsters, bonés, camisetas, canecas e outros brindes. “America`s business, is business”. É emocionante entrar naquele imenso navio. Tudo num encouraçado é impressionante. Comecei a visita pela popa, visitando a parte externa primeiramente e só depois entrei no navio. Na saída, fui até a proa. Estava muito quente e nem todos os locais do navio tinham ar condicionado. As fotos falam por si. Após vasculhar o encouraçado, visitei o “Aviation Hall” do museu e o USS Drum. Durante a visita ocorreram dois eventos especiais neste museu. O primeiro foi quando estava olhando os aviões no enorme hall e tentando obter uma foto boa, panorâmica, feita de algum lugar alto, pedi a um senhor que tomava conta de um pequeno simulador de F-14 para tirar uma foto do alto da escada que dá acesso ao interior do simulador. Ele concede e faço a foto. Ao descer, noto que ele usa um boné com um bordado que diz: “Vietnam Veteran”. Pergunto se ele esteve em combate no Vietnam e ele confirma. Eu então digo: “Então, meus respeitos!” E aperto a mão dele. Ele me cumprimenta e diz “Thanks! Double, double thanks!” Na saída, havia um outro senhor, bem mais velho, usando um boné “World War II Veteran”. Eu imagino que ele deve ser um veterano do Alabama. Ele veste camisa e gravata, carregando o paletó na mão. Quando ele coloca o paletó, uma quantidade enorme de medalhas está pendurada no lado esquerdo. Noto próximo à ele, uma mesa repleta de exemplares de um livro cujo o título é “Hell’s Guest” (Hóspede do Inferno). Eu pergunto se ele serviu no Alabama e ele responde: -Não. Eu estava no exército. Fui prisioneiro dos japoneses por três anos. Estou aqui vendendo o meu livro, contando minha estória. Sou o coronel Glenn D. Frazier. O cumprimento e digo-lhe que não o invejo. Todos sabem o modo como os japoneses tratavam os prisioneiros. Digo que vou comprar um exemplar e peço para ele autografar. Enquanto estou na fila para pagar o livro no caixa da loja, uma senhora de uns quarenta anos entra e o reconhece. Ele deve ser bem conhecido pela região. Ele vai até ele o cumprimenta e diz: - Obrigado pelos seus serviços ao nosso país! Na fila, fico imaginando se algum dia, alguém teve semelhante gesto pelos veteranos da FEB. Volto para pegar o autógrafo dele no livro e ele pergunta sobre o que eu quero que ele escreva. “O que o senhor quiser”, respondo. Ele então escreve o seguinte “Para o Leo: Espero que você goste deste livro. Ele trará até você uma visão sobre Bataan e também ajudá-lo a ultrapassar qualquer desafio. As bênçãos de Maria possam vir até você. Coronel Glenn Frazier” Peço para tirar uma foto com ele e ele concede aproveita e mostra a capa do livro. América’s business, is business... Saio do museu e volto para o hotel. No dia seguinte iria conhecer outro museu. Mas isso fica para a próxima edição. Chegando até Mobile no Alabama: Não existem vôos diretos do Brasil para cá. As melhores opções são ir para Atlanta ou Miami, e, de lá, tomar uma conexão para Mobile. Hotel não falta nesta cidade, pois como é uma região turística, destino de férias para aqueles que buscam as praias e o calor do Golfo do México, existem dezenas de opções de hospedagem para todos os bolsos. Horário de visitação: O Memorial fica aberto todos os dias do ano exceto no Natal. Os horários são de 8.00 ás 16 horas (entre outubro e março) até ás 17 horas (de abril a setembro). Crianças menores de 6 anos não pagam para entrar. Já aquelas entre 6 e 11 pagam só US$ 6.00 e os adultos pagam preço cheio: US$ 12.00 Site do museu Telefone: (00XX-1-251) 433-2703 Fax: (00XX-1- 251) 433-2777 Site do coronel Frazier: |
| LAST_UPDATED2 |